segunda-feira, março 09, 2020

Devs


Lembro-me quando, em 1998, li o romance de Alex Garland, TESSERACT, e de ter ficado automaticamente fã da escrita dele. Lembro-me de acompanhar o trabalho que fez com Danny Boyle, de vê-lo junto com este quando foram apresentar, em 2002, o 28 DAYS LATER ao Fantasporto. Lembro-me de celebrar o argumento que escreveu para DREDD (2012), tudo o que um filme de Judge Dredd devia ser e mais um tanto. Quando estreou EX-MACHINA (2012), a primeira longa-metragem que realizou - e também escreveu -, rejubilei com a sua elegância e domínio narrativo. ANNIHILATION (2018), não tendo, para mim, sido tão marcante quanto a longa anterior, também ocupa um espaço bastante significativo no meu Panteão. E agora, com esta série, DEVS, Alex Garland atinge um pináculo de sofisticação na temática, no tom e na estética que tem vindo a desenvolver. Atmosferas e ritmo quase kubrickianos, sublinhados por uma banda sonora tensa e ominosa (a original é de Bob Locke e Tim Norfolk, a.k.a. The Insects), num thriller feito com uma perícia de relojoeiro, onde a questão do livre arbítrio - tão cara a Alex Garland - e da perda são tratadas num registo ímpar. Sonoya Mizuno, que já se destacara em MANIAC (numa série protagonizada por Emma Stone e Jonah Hill, isso é dizer muito), encontra aqui terreno para brilhar, ao lado de Nick Offerman, Alison Pill, e demais elenco que encarnam, na perfeição, os desesperados personagens desta jóia polida. Ainda estamos em Março, pelo que será cedo demais para afirmações deste calibre - mas, até ver, estamos perante a série do ano.

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