quarta-feira, janeiro 31, 2007

BOCAGE levou tau-tau das DONAS DE CASA DESESPERADAS



É verdade, tinha-me esquecido de falar aqui dos resultados da edição de 2006 do Festival de Monte Carlo, onde a série BOCAGE concorreu com DONAS DE CASA DESESPERADAS (leiam aqui). Pois estas meninas deram tau-tau no vate, o que de certeza seria motivo de delícia para o próprio. Na categoria drama, onde também concorria LOST, venceu o CSI. Já valeu pelo gosto de ter uma série da qual sou co-autor lado a lado com aquelas beldades e com EXTRAS de Ricky Gervais. (visitem aqui o site oficial do festival, onde já se prepara a edição deste ano).

Entretanto, BOCAGE também esteve a concurso no Prix Europa, festival do qual, confesso, nunca tinha ouvido falar até 2004, quando o telefilme que escrevi, SÓ POR ACASO, foi lá premiado. Sei que depois disso a série do Barbosa du Bocage esteve presente noutro festival qualquer, mas não sei precisar qual. Já ganhou vida própria, o sacrista.

A razão para este update é porque, nos últimos meses, eu e o Mário Botequilha temos estado a fazer uma intensa pesquisa junto com o Fernando Vendrell (realizador do BOCAGE), a prepararmo-nos para a escrita (que já começámos) de uma nova série histórica, ou, como prefiro designar este tipo de trabalho, uma série de ficção baseada em factos reais. Esta distinção é, a meu ver, de extrema importância, e cheguei a escrever sobre ela no extinto moblog que mantinha no Textamerica e que os danados apagaram sem dó nem piedade (quem não sabe do que estou a falar, é favor clicar aqui). Já agora, aproveito para agradecer a todos aqueles que me deram dicas preciosas acerca de como poderia recuperar parte da informação – consegui salvar bastantes coisas, e mais dia menos dia vou voltar a colocar on line alguns dos textos e fotos que lá tinha, os relativos à escrita e gravações do BOCAGE, e aqueles sobre o Fringe.

Quanto à série que estamos a escrever, aguardem o próximo post.

Evil


A rodar na FHfm, Evil, tema de um dos meus álbuns preferidos, Antics (2004), dos nova-iorquinos Interpol. Estes senhores também já lançavam era um álbum novo, isso é que era.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Vem aí o novo álbum dos BLOC PARTY

Este é o video de The Prayer, tema de avanço do novo trabalho a sair dia 5 de Fevereiro, intitulado A Weekend in the City. Adoro a maneira serena como a estranheza e o ambiente de drug-induced psychadelia se intrometem no cenário à primeira vista normal de um club londrino. A julgar por este primeiro single, e pelo que ouvi no MySpace dos Bloc Party, este é já um dos grandes, grandes álbuns do ano. A banda tem concerto marcado para 18 de Maio no Coliseu de Lisboa. É melhor correr para garantir lugar.

"Is it so wrong to crave recognition?
Second best, runner-up
Is it so wrong to want rewarding?
To want more than is given to you?
Than is given to you

Tonight make me unstoppable
And I will charm, I will slice
I will dazzle them with my wit
"

Site oficial dos Bloc Party aqui

Foto fresquinha das gravações do HORA H!


Captada pela lente do telemóvel da Maria João Cruz, eis uma imagem exclusiva de Herman José (a contracenar com César Mourão) na pele de Yuri Tupolev, uma das personagens que mais gozo me está a dar escrever com o José de Pina. Ainda é cedo para falar desta e de outras personagens, por isso não posso adiantar mais nada. Por agora deixo aqui esta foto onde já é possível ter uma pequena noção do trabalho maravilhosamente diabólico que a equipa responsável pelos cenários, guarda-roupa e caracterização tem vindo a fazer. Faltam menos de duas semanas para a estreia.

Mal a campanha tinha começado e já a RTP 1 exibia um direito de antena de 102 minutos pelo "Não"


Ontem de madrugada, coladinho ao Prós e Contras sobre o referendo do aborto, foi exibido Sete Noivas para Sete Irmãos, filme em que o final feliz de catorze alminhas a unirem-se pelos sagrados laços do matrimónio só é possível porque uma das noivas dá à luz uma criança.

Após mais de 3 horas de Prós & Contras sobre o referendo

mói-me a enorme contradição no discurso de Vital Moreira: falou devagar para se fazer entender, mas usou palavras como "equânime".

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Conheçam Ednilson Fitipaldi Filho

Um fim de semana passado a escrever sketches para o HORA H tem a sua recompensa perante a visão de Herman a encarnar um dos novos personagens. Eis uma imagem exclusiva, a primeira de Ednilson Fitipaldi Filho (e é tudo o que posso revelar, por agora).

A HORA H inicia amanhã a segunda semana de gravações e a estreia será a 10 de Fevereiro.

Mais fotos e informações aqui e aqui.

Guerrilha DV


O meu amigo Gonçalo C. Luz, realizador, entre outras coisas, da belíssima curta metragem CRÓNICA FEMININA - que, tenho mesmo de dizer, conta com as brilhantes interpretações de Ana Bustorff e Maria João Luís - e com quem tenho o há muito adiado projecto KISS.FEEL, vai começar a partir de dia 3 de Fevereiro na Restart mais uma edição do seu workshop Guerrilha DV. São três fins-de-semana de intenso trabalho, em que cada formando terá a oportunidade de escrever, filmar e montar uma curta com duração máxima de 5 minutos, individualmente ou em dupla - uma oportunidade única de desvendar e testar as capacidades do miniDV. E o Gonçalo é a pessoa perfeita para isso, ou não tivesse ele no seu currículo vários filmes captados nesse formato, como HOW I FEEL, INNOCENT WHEN YOU DREAM, ou o marcante documentário EM FÁTIMA REZEI POR TI. Vejam algum do trabalho do Gonçalo no seu espaço no You Tube, e façam uma visita aqui para verem algumas das curtas realizadas por formandos das edições anteriores da Guerrilha DV. E depois inscrevam-se.

I think me and my friend are ready to go pro.


Este fim de semana, numa das poucas pausas na escrita de sketches para o HORA H (e tenho novidades, já lá iremos), consegui finalmente ver NACHO LIBRE. A história de um monge cozinheiro cujo grande desejo é tornar-se o maior dos luchadores de luta libre - verdadeira incursão pelo imaginário do wrestling mexicano, entretenimento elevado ao estatuto de desporto nacional - poderia esgotar-se facilmente em poucos minutos (para muita gente, logo à partida), não tivesse sido realizado com a economia e a formalidade de Jared Hess. Escrito por este junto com a sua mulher, Jerusha Hess, e Mike White (o argumentista de SCHOOL OF ROCK e que, entre outros projectos, prepara a adaptação cinematográfica de VERNON GOD LITTLE, excelente romance de estreia de DBC Pierre, aliás Peter Finlay, natural da Austrália com uma história de vida quase tão boa quanto a do livro que escreveu), este filme comete a proeza de conseguir impressionar pela excelência alcançada a nível estético - a direcção artística é sublime - ao mesmo tempo que faz rir. E muito. Basta para tal que lá esteja o grandioso Jack Black, num registo mais contido do que quando é uma das metades dos Tenacious D, pelo menos na maior parte das cenas, mas onde também se move com absoluto à-vontade. Quando solta a franga, então aí está no seu habitat natural, e é um one-man-multi-show (quando é que cá chega Pick of Destiny, catano?). E depois há a questão da banda sonora, muito indie, mesmo os temas mexicanos, factor que contribui e muito para o tom às vezes melancólico, às vezes infantil, às vezes pateta, às vezes tudo isto ao mesmo tempo, aspecto em que, de certa forma, NACHO LIBRE às vezes se assemelha ao anterior filme de Jared Hess, NAPOLEON DYNAMITE.

NACHO LIBRE foi rodado em Oaxaca, no México, com uma equipa mexicana, e são muitos os actores mexicanos que entram no filme. Grande destaque para Hector Jimenez, o Esqueleto, parceiro de Nacho nos combates de tag team mais hilariantes de que tenho memória (descontando - esta é só para os fãs de WWE - o combate dos DX contra os Rated RKO no New Year's Revolution, exibido hoje à tarde, em que tive de fazer mais uma pausa para assistir aos merecidos conchairtos aplicados em Edge e Orton), e para Filiberto Estrella e Gerson Virgen Lopez, dois (na vida real) wrestlers anões que, tal como outros luchadores, participaram no filme.

O dvd tem uns extras catitas, Jack Black all over, o que é sempre extremamente positivo, bem como uns apontamentos engraçados e instrutivos acerca do mítico universo de la lucha libre (se tiverem algum interesse, dêem um puleco até ao site oficial do CMLL, Consejo Mundial de Lucha Libre). De algumas das features e das featurettes consta material do videocast que Black manteve durante a rodagem e que, se não conhecem, vale bem a pena assistir na totalidade (procurem os Confessionals no site oficial). E quanto a NACHO LIBRE, é a não perder. E repetir a dose, de tempos a tempos. Porque apesar de não ser um filme genial, é daqueles que devem ser revistos, excepto pelos responsáveis por ter ido parar às prateleiras dos clubes de video sem nunca ter passado pelas salas de cinema. Esses não merecem.

E é preciso inserir moeda, senhor ministro?

Superafim


A rodar na FHfm, mais Cansei de Ser Sexy, desta vez com um tema que, infelizmente, só está disponível na versão brasileira do álbum, editada pela Trama, e que ficou de fora na edição internacional da Sub Pop. "Superafim" faz desejar que a vocalista Lovefoxxx (na foto) cante mais músicas em português. Reparem como o mesmo efeito de vocoder que contribuiu há uns bons anos para a insuportabilidade de "Believe" da Cher ajuda agora este tema das CSS a tornar-se hiper viciante.

sábado, janeiro 27, 2007

Kalinka!

Espantosa esta interpretação de Kalinka pelo Coro do Exército Vermelho junto com os finlandeses Leningrad Cowboys (conterrâneos dos Lordi!), que conheci há uns anos no não menos espantoso Leningrad Cowboys Go America (1989), de Aki Kaurismaki. Um dos membros originais desta banda é hoje em dia (ou, pelo menos, até há alguns anos) um dos gurus da Nokia. Donos dos mais impressionantes penteados e botins, os Leningrad Cowboys nunca passaram por cá. Mas com um disco novo a ter saído o ano passado, quem sabe um dia destes não temos uma agradável surpresa? Só não cruzo os dedos porque assim não ia conseguir escrever, e tenho muito trabalhinho pela frente.
Uma senhora continência para o oficial do vozeirão: que nunca lhe caia polónio-210 na vodka.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Más notícias

Acabo de saber pelo Bruno Nogueira que os espectáculos previstos para hoje e amanhã no São Luiz foram cancelados por causa do frio que se faz sentir na sala. O esperado, afinal, do Jardim de Inverno. Rude golpe para quem, como eu, esperou pelos últimos dias para ir assistir ao espectáculo. E também para o Bruno, que queria muito fazer mais estes dois espectáculos em Lisboa antes de partir em digressão, e por quem todos nós estaríamos dispostos a levar umas mantinhas para colocar sobre as pernas. Mas não vai mesmo poder ser. O Bruno regressa ao São Luiz em Maio. Lá estaremos, desta vez no primeiro dia.

Wish list


via Cribcandy

quarta-feira, janeiro 24, 2007

HORA H: primeiras imagens




Escuso de fazer o report - o Markl já o faz aqui.

E a propósito de Django Reinhardt...

...eis um filme raríssimo (único?) do grandioso mestre, em que o virtuosismo da sua execução se torna ainda mais impressionante quando vemos que toca com apenas dois dedos (perdeu outros tantos num incêndio aos 18 anos). Este pormenor deu azo a uma comparação entre Django e os Cebola Mol, feita por nós próprios durante os concertos: Django Reinhardt tocava com dois dedos, mas parecia fazê-lo com cem; nós temos os dedos todos, e tocamos como se tivéssemos apenas dois.

(Update - 20:57) Por engano, voltei a postar aqui o video do Trio Rosenberg. Agora sim, fiquem com Django e "J'Attendrai".

(Update - 00:57, 25/01) Conversa tida há momentos on line acerca deste post:

- Olha que o Django na verdade tocava com três dedos. Repara quase no final como ele usa o polegar.
- Ah, assim também eu.
- O quê?
- Com três dedos é fácil. Só com dois é que era obra.
- Já agora com os dentes.
- O Jimi Hendrix só tinha meia dúzia de dentes e conseguia tocar o Star Spangled Banner.
- O Jimi tinha os dentes todos.
- É, e dizia não às drogas.
- E tocar com os pés?
- Isso é impossível.
- Tony Melendez.
- Sim, mas o Tony Melendez tem pouca presença em palco.
- O Tony Melendez não tem braços.
- Foi o que eu disse.
- É um exemplo de coragem. Conheceu o Papa!
- É um exemplo de coragem porque conheceu o Papa?
- São duas coisas distintas. É um exemplo de coragem E conheceu o Papa!
- O Django Reinhardt nunca precisou de conhecer o Papa para tocar guitarra. E só com dois dedos.
- Três.
- Ah, assim também eu.

It Don't Mean a Thing


The Rosenberg Trio

Apanhei-os por acaso no Mezzo, este fim de semana. A lembrar que Django vive, continua cigano, mas agora vem da Holanda.

(o áudio deste clip não é dos melhores, é pena)

terça-feira, janeiro 23, 2007

Pronto e enviado


Próximo sábado, n'O Inimigo Público, o meu fotoon Salvo Erro apresenta a mais inovadora sensação televisiva depois de Lost. Senhoras e senhores, convosco LOST IN LAJES, a história dos sobreviventes do voo N2189M da C.I.A. que se despenhou quando se preparava para fazer escala na Base das Lajes rumo a Guantánamo. A imagem aqui em cima é apenas um pormenor do que poderão ver e ler no próximo IP. Drama, mentira, subserviência, vacas - há de tudo neste fotoon.

Como construir um Universo que não se desfaça em dois dias

domingo, janeiro 21, 2007

Um Salazar em cada esquina

Quando Salazar ainda era apenas uma das 100 personalidades mais votadas para os Grandes Portugueses, escrevemos para o Contra esta cover dos Mamonas Assassinas, interpretada pelo fantasma de Nojeira Salavar, junto com José Hermano Saraivada e Cabecinha Jardim. Salazar encontra-se agora entre os dez primeiros e, se calha a ganhar, não sei se voltam a apanhar-me num táxi, porque vai ser impossível suportar a converseta de alguns taxistas (hoje em dia já é difícil).


Entretanto, não se esqueçam de outra votação que decorre, a do Pior Português.

(Ah, e sim, nas legendas aparece escrito "arrefifa" em vez de "arrefinfa". Foi a chamada escorregadela na casca de banana por parte da legendagem)

sábado, janeiro 20, 2007

Duas Metades - ensaio aberto - hoje às 21h30 em Montemor-o-Novo

Depois da experiência de trabalho na edição das Urgências do ano passado, a Patrícia Portela e o Tiago Rodrigues escreverem, cada um deles, uma peça de maior fôlego. Duas Metades é um espectáculo composto por duas peças distintas, que irá estrear a 13 de Fevereiro no Pequeno Auditório da Culturgest, em Lisboa. Esta noite às 21h30 é possível assitir a um ensaio aberto na Blackbox de O Estado do Tempo, em Montemor-o-Novo, com Cláudia Gaiolas, Tiago Rodrigues e Tónan Quito.

Mais informação no site do Mundo Perfeito.

sexta-feira, janeiro 19, 2007


A rodar na FHfm.

La Bionda Live!

O video que provavelmente mais marcou a minha infância (o Touch Me da Samantha Fox só apareceria dois anos mais tarde, fase pré-despontar-da-acne) foi este Wanna Be Your Lover dos italianos La Bionda, que significa a loura, mas com qualquer coisa de beyond, inglês para além - pormenor que, depois de verem o video, talvez faça algum sentido destacar. Quando surgiram You Tube e afins foi das primeiras coisas que procurei, sem sucesso. Já não o via há qualquer coisa como vinte anos, apesar de ter voltado a ouvir a música algumas centenas de vezes, mas era (é) das recordações mais vivas que tenho de quando era jacaré (jacarés são os putos, porque andam rasteirinhos ao chão). Ora, não só uma alma caridosa que, dependendo de mim, tem já lugar reservado à direita do Grande Manda-Chuva, colocou o video no You Tube em Agosto deste ano, como ontem o Nuno Markl, outro grande apreciador de italodisco no geral e dos La Bionda em particular, o colocou no seu estaminé. E é, sem dúvida, como ele escreve:o video tem o seu quê de Air e tem o seu quê de Daft Punk. Isto em 1984.
Mas se do video me lembrava de forma mais ou menos pormenorizada, o mesmo não se pode dizer dos manos que compunham os La Bionda, pela simples razão que nunca os tinha visto para além da versão em desenho animado. Até hoje, em que me deparo com outra pérola dentro dessa grande e generosa ostra que é o You Tube - os La Bionda actuando ao "vivo" - playback chapado - num programa da televisão espanhola, onde se apresentam de forma bizarra e minimal. Grande momento.
Convosco, La Bionda, com Quiero ser tu amante.

O Blogger tem passado os dias nisto


Alguém sabe o que é que se passa? Sobre isto o Blogger Status não tem nenhuma informação.

Breve nota acerca da estreia do novo CONTRA

Cai o "Informação" do "Contra Informação", e o programa passa a chamar-se apenas CONTRA. Os episódios semanais de cerca de 25 minutos não estarão subordinados a nenhum tema em especial - continuaremos a tratar variados temas, os mais quentes da semana -, mas existirá sempre uma linha condutora, um 'embrulho' que tornará cada um deles único, como se de um especial se tratasse. O de hoje, por exemplo, toma lugar no Lisboa-Dakar. É às 21h15 na RTP 1.

Homem de Melo, Homem Cardoso, Homem Aranha

Hoje no Público, a propósito da estreia do CONTRA em novo formato, sou referido como Filipe Homem de Melo. Ora, isto é algo que já acontece há anos: lembro-me do cúmulo que o fenómeno atingiu, em 98 ou 99, quando, no genérico final de um dos episódios do Major Alvega, série que escrevi com o José de Pina, apareci creditado como Filipe Homem de Melo. Quase dez anos depois, continua a acontecer, mesmo quando existem press-releases onde somos mencionados correctamente, recebidos pelos mesmos jornalistas que depois acabam por se trocar todos. Já aconteceu também com o Rui Cardoso Martins, a quem já chamaram Rui Cardoso Baptista, ou coisa parecida; já para não falar do Markl que, até há bem pouco tempo, chegou a aparecer referido como Nuno Marques. Confesso que já não dou grande importância a que me troquem o nome na imprensa. Só mantenho a esperança que, um dia, algum jornalista, em vez de me chamar Filipe Homem Fonseca, se refira a mim como Filipe Homem Aranha. Isso sim, seria um momento de rara beleza e, acima de tudo, rigor jornalístico.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

A baleia estreia amanhã


(cliquem na imagem para aumentar o tamanho)

Ah, que bela temporada de espectáculos esta. Amanhã estreia outro imperdível: MOBY DICK, provavelmente a melhor e mais complexa história de vingança e obsessão, daquelas que arrastam todos os envolvidos para a tragédia, e que chega agora aos palcos através da mesma equipa que trouxe as adaptações teatrais de ULISSES e D. QUIXOTE. Falo da Maria João Cruz, que assina a adaptação, e que - tenho a certeza, pois não só conheço bem o trabalho dela como ainda por cima temos projectos em comum, como, por exemplo, o Hora H - elevou esta história a um novo patamar (o shôr Herman Melville que me perdoe) e lhe deu as afinações necessárias para que funcione tão bem ou melhor nos palcos do que em livro; do António Pires, encenador de se lhe tirar o chapéu, e que ficará, para mim, sempre ligado ao telefilme que escrevi, Só por Acaso, onde interpretou João, um taxista completamente fanático por Lenny Kravitz, ao ponto de imitar a maneira como o rocker se veste, caminha, e se comporta; e do brilhante Miguel Guilherme que, não tenho disso qualquer dúvida, vestirá a pele do capitão Ahab com o rigor e o mesmo grau de excelência com que interpretou Bocage, ou qualquer outro dos projectos a que meteu mãos durante a sua longa carreira (lembram-se dele em Quando Troveja, de Manuel Mozos? Fantástico.) Faz também parte deste espectáculo Maria Rueff, que se atira de unhas e dentes a um registo diferente daquele em que estamos habituados a vê-la trabalhar (a comédia), mas que, não tenho disso dúvidas, vai mostrar mais uma vez as razões que a levam a ser considerada uma das maiores actrizes do nosso país. Só estes nomes já seriam razões mais que suficientes para não perder MOBY DICK, mas saibam que este espectáculo também conta com as interpretações de Graciano Dias, João Barbosa, José Airosa, Miguel Borges, Milton Lopes, Ricardo Aibéo e Rui Morisson. De 18 de Janeiro (é já amanhã) a 3 de Março, no São Luiz, em Lisboa.

A apresentação do Guião da Treta

As apresentações públicas, aquele stress bom, espécie de montanha-russa, com muita gente com quem falar, família, amigos, colegas, malta que já vamos conhecendo (olá, Passarola), alguns de tantas as vezes que estão presentes nestes eventos para demonstrar o seu indispensável apoio (olá, Olinda), e alguns dos frequentadores deste blog que, de repente, vejo em carne e osso, e que até levaram CDs de Cebola Mol para umas assinaturas (olá, El Diablo). E mais umas belas surpresas, quando aparecem amigos com quem há já algum tempo não estávamos. Talves seja piroso dizer isto, mas situações como a de ontem na Fnac Chiado têm sempre a sua dose de reencontros. E não se preocupem se isto soa demasiado lamechas – já de seguida vou espancar o meu gato com um ferro, para equilibrar as coisas. Énieui, obrigado a todos os que apareceram e ficaram, aos que passaram de fugida porque estavam mesmo sem tempo mas fizeram questão de pelo menos dar ali um puleco, e aos que, não podendo aparecer, me ligaram ou SMSaram a desejar tudo de bom. E quem nos deseja tudo de bom merece um obrigado.
Nestas ocasiões é infelizmente inevitável esquecermo-nos de alguém nos agradecimentos, e foi o caso ontem. Porque se agradeci às Produções Fictícias (das quais faço parte), não agradeci directamente à pessoa que nas PF muito contribuiu para que este livro se tornasse possível, poupando-me de todas aquelas questões burocráticas de direitos e contratos, a Teresa Schmidt, com quem tenho a grande alegria e sorte de trabalhar de há uns anos para cá. E se agradeci à Dom Quixote, faltou sublinhar em particular duas pessoas de lá: a Tereza Coelho, que estabeleceu o primeiro contacto connosco a propósito deste livro, e a Maria João Costa, nossa editora – calhou ter-me referido a ela como “contacto” uns posts abaixo, mas foi só porque sou um asno – que foi incansável na maneira como se desdobrou em esforços para que o canhenho desse à costa da melhor maneira possível, e com quem espero ter oportunidade de voltar a trabalhar em breve. À falta de lhes ter agradecido ontem publicamente, faço-o aqui, no mais público dos espaços a que tenho acesso imediato. Os agradecimentos que fiz ontem não vou repeti-los aqui para não estar a maçar as pessoas, e até porque, a dada altura nos posts que tenho aqui deixado acerca da Treta, já o fiz.
A parte aborrecida deste tipo de eventos tem a ver com promoção. Entrevistas a falar do livro. Faz parte, mas o que é que se diz? Como é que se vende o nosso trabalho? Uma coisa é falar (escrever) acerca dele, como vou por vezes fazendo aqui, mas numa lógica de relato de processo de trabalho, notas mais ou menos soltas que servem de orientação para mim próprio, e que torno públicas para tentar receber algum tipo de feedback antes mesmo do produto final estar à vista de toda a gente, esperando com isso, e através dos vossos comentários, ter outras perspectivas acerca daquilo que estou a fazer enquanto ainda há tempo de modificar e aprefeiçoar o meu trabalho. Outra coisa é promoção pura e dura, soundbytes em que é suposto estar concentrada toda a razão pela qual alguém deverá ver/ler/ouvir o trabalho em que estive envolvido. Eu sei lá. E essa é uma das principais razões pelas quais não há uma única entrevista em que tenha dito seja o que for que se aproveite.
Posto isto, quero aqui deixar uma última nota, dizendo que o LIVRO DOS TEXTOS DO GUIÃO DO FILME DA TRETA é uma obra-prima do cinema moderno (e do outro também), e que não podem deixar de comprá-lo. Comprem dois, que é para poderem lê-lo mais que uma vez (aquilo não se percebe à primeira). Pronto, está feito.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Hora H

Já passaram dez anos e qualquer coisa desde que me juntei a um grupo de gente talentosa nas Produções Fictícias para a escrita da Herman Enciclopédia, tempos fantásticos a lidar com personagens como o Melga e o Mike, o Diácono Remédios, e tantas outras a que ajudámos a dar vida, e cujas frases-tipo, os bordões, ainda hoje repetimos. Depois de todo este tempo, eis a possibilidade de voltar a participar na criação de um novo programa de humor semanal de 50 minutos e de uma vasta galeria de novos personagens. Com o bónus de perceber que existe uma enorme sintonia de referências entre nós e o Herman José, que anda a ver e a adorar pérolas como o The Office, Little Britain, e The League of Gentleman. Escrever o Hora H, junto com o José de Pina, o Nuno Markl, o Francisco Palma, o Vitor Elias, o António Marques, a Maria João Cruz e o Nuno Artur Silva, dá gozo ao mesmo tempo que traz o enorme peso da responsabilidade. Lembro-me do que senti em 1997 - o delírio que foi começar a escrever para televisão precisamente para o humorista que, com os seus Tal Canal, Humor de Perdição e Casino Royal, mais tinha contribuído para moldar o meu sentido de humor, numa proporção talvez apenas igualada pelos episódios de Monty Python's Flying Circus que eu também costumava devorar na RTP 2. Quase dez anos depois, a sensação é muito semelhante: já estão prontos os três primeiros episódios de Hora H e não houve um instante em que qualquer um de nós deixasse de sentir o gozo nem a tremenda responsabilidade que é escrever para um humorista do calibre do Herman. Hoje à tarde, nós, os guionistas, fomos pela primeira vez aos cenários do novo programa, que começam a ganhar forma nos Estúdios Valentim de Carvalho, e a vontade de ver este programa no ar triplicou. Já faltou mais. Vai ser às 9 e pouco da noite, SIC, aos domingos, apesar de a estreia ser a um sábado, 10 de Fevereiro.

Inocente até prova em contrário

Então não é que exactamente no mesmo dia em que vai on line o video em que ponho a tocar o "My Favorite Things" do John Coltrane para abafar o ruído das obras (post abaixo), a mulher dele - aliás, viúva - morre?

A rodar na FHfm: Stevie Wonder - "Superstitious".