domingo, junho 30, 2019

Capas de pulps: Norman Saunders

O Aranhiço, impaciente, à espera que a Catarina Raminhos acabe de ler A Imortal da Graça para poder também deitar as teias ao livro.
(Obrigado, Catarina!)

Joe Pimentel

Michael de Adder, despedido de todos os jornais e revistas do grupo canadiano New Brunswick por causa deste cartoon. Que não chegou sequer a ser publicado.
Quem dirige o seu pranto e revolta à sátira e não ao objecto da mesma, é só burro e/ou mal-intencionado.

Gigante Guillermo Mordillo
4 de Agosto, 1932 - 30 de Junho, 2019.

sábado, junho 29, 2019

De coração pesado pela crueza da realidade espelhada, mas contente por ver que, num período em que a memória é pó que se varre para debaixo de um tapete, há quem insista na indispensável fixação da História para que não se repitam os desaires do passado, terminei este As Longas Noites de Caxias. Retrato da vítima e da agressora, fundamentado e profundamente humano, é documento de perigos nada adormecidos e um lembrete da necessidade de vigilância constante para impedir novos cercos às liberdades individuais e colectivas. Obrigado, Ana Cristina Silva.

Sheldon Moldoff, Ira Schnapp.
Março, 1957.

sexta-feira, junho 28, 2019

in Jerusalem, Alan Moore.

Edição egípcia, anos 90 (sim, parece mais antiga, mas não é).

quarta-feira, junho 26, 2019

Belíssima conversa a propósito d'A Imortal da Graça, com o meu caro João Morales, disponibilizada há pouco no Bran Morrighan.

Bill Sienkiewicz para Batman # 400, de Outubro, 1986.

terça-feira, junho 25, 2019

Nos 30 anos do Batman de Tim Burton, adaptação para comic do filme, também de 89.
Dennis O’Neil, Jerry Ordway e Steve Oliff.

domingo, junho 23, 2019

Enviaram-me um convite para um grupo no FB; ao aceitar, percebo que tenho de passar o crivo do administrador da página, respondendo a um curto questionário. Tive de ser honesto, não ando aqui a enganar ninguém.

Homenagem sincera e, por isso, torrencial e delirante, ao legado de Jack KING Kirby: a partir de personagens e conceitos que o Rei deixou esboçados, Kurt Busiek e Alex Ross bolaram, em 2011, este divertido e inspirador KIRBY: GENESIS. A arte de Jackson Herbert - a partir dos layouts de Ross, e junto com as cores de Vinicius Andrade - faz jus à herança de Kirby. A capa do # 1 é, nesta variant edition, de Ryan Sook.

Capa de Enrich Torres. 1973.

‪A defesa do indefensável. Intolerável, intolerável, mil vezes intolerável. Isto acontece no mesmo mundo em que agências de viagem vendem pacotes de visita a Chernobyl como se da Disneyworld se tratasse; no mesmo mundo em que ‘influencers’ tiram selfies em Auschwitz. Não é uma coincidência.‬

sábado, junho 22, 2019

Só por nostalgia se pode lamentar o fim da Vertigo. Há muito, até mesmo desde antes da saída de Karen Berger, que a Vertigo já não ocupava o lugar editorial de antigamente. Outras editoras, em especial a Image, têm editado muitos e bons títulos que, nos anos 90, só podíamos esperar do selo mais louvado da DC. O assombroso catálogo continuará a existir, o património fica. A Vertigo morreu, viva a Vertigo.
(Abaixo: capa de Brian Bolland para o Vol. 6 de THE INVISIBLES de Grant Morrison)

sexta-feira, junho 21, 2019

Capa de Paul Renaud, 2011.

Scarlet #2, escrito por Brian Michael Bendis, ilustrado pot Alex Maleev.
2010.

quinta-feira, junho 20, 2019


Um filme com um grau de auto-indulgência que só não estraga o resultado final porque todos os protagonistas têm um talento elevadíssimo e um carisma irresistível. Estão ali para se divertirem e acabamos por nos divertir com eles. Formulaico, no sentido em que segue a “fórmula-Jarmusch” (e, sendo Jarmusch, nem cai bem dizer “formulaico” - é “marca de autor”, pois claro), Os Mortos Não Morrem é por vezes inconsequente, mas sempre divertido, com aquele ritmo e tom que Bill Murray domina e em que Adam Driver já se sente em casa. São estes os dois actores que, junto com Tilda Swinton, mais se destacam; Chloe Sevigny, Steve Buscemi e Tom Waits fazem o que podem com o tempo de ecrã que têm - e fazem bonito.
O filme só peca, a meu ver, por ser assumidamente consciente de que é um filme, insistindo nessa tecla até como solução para a intriga (chamemos-lhe assim) que mereceria talvez mais trabalho de filigrana. No fim de tudo, isso é o que menos interessa, e os pontos mais fortes são a mensagem social e política (mais social que política), seguidora da cartilha de George Romero e de John Carpenter, e o rigor com que, mesmo tratando-se de uma comédia, as cenas com zombies declaradamente inspiradas no trabalho do Mestre George Romero são concretizadas. Desde Romero que ninguém filmava zombies assim; até dá a ideia de que o Mestre por lá andava, nas filmagens, a dar dicas a Jim Jarmusch. O que é bem possível, visto que - lá está - os mortos não morrem.

domingo, junho 16, 2019

Com Seratonina, Michel Houellebecq passou, cá no burgo, a ser tratado por tu por mais gente, é vê-los, de repente, a dizerem que sempre gostaram do Houellebecq desde pequeninos, leram os livros todos e torceram por ele quando jogou contra o Amora; enfim, chegou ao estatuto, digamos, de uma Agustina, e isto ainda vivo, o que, só por si, é um feito digno de vénias. Fico muito contente de perceber que um dos meus escritores-fetiche é agora sinónimo de ai eu encontro-me sempre na crista da onda no que respeita ao último grito literário, já me fazia espécie que tanta gente da crista da onda não conhecesse a extensa obra do senhor, agora é um vê se te avias nas estantes e, quero acreditar, nem só para enfeite os volumes ali estão, para isso há vasos com plantinhas - se por um lado têm de ser regados, por outro não acumulam pó. Mas ó Filipe, tu, com essa conversa, pretendes o quê?, estás armado em hipster literocoiso, só tu é que podes conhecer o Michel, não é o chef, é o outro, aquele de nome esquisito, como é que ele se chama?, porra, como é que alguém há de conseguir escrever o nome desse indivíduo sem ir ao Google?; porque foi exactamente isso que tantas vezes ouvi, malta que chutou para canto, malta que só se deu conta de que havia um Houellebecq quando os constantes dedos apontados (É islamofóbico!, é misógino!) gesticulavam de forma mais aparatosa; e alguns desse clube são os mesmos que, hoje em dia, abanam os seus exemplares como quem, num concerto, ergue um cartaz a dizer “Faz-me um filho”. E isso, convenhamos, é o tipo de mortal encarpado à rectaguarda que faz tilintar o nervo de quem mantém grande afinidade com os escritos do homem; é aquele sentimentozinho de posse, o que é que querem?, aquela comichão causada não por ver mais gente a tomar conhecimento de uma coisa que pensávamos poder guardar só para nós (catano, mas brincamos ou quê?, Houellebecq é gigantesco há q’anos, vende que se desunha, é uma pop star!), mas sim por perceber a quantidade e qualidade de quem da obra dele se aproxima (repito: cá no burgo) porque agora é fashion cumó cacete. Reparem: não estou a falar de quem só agora o descobriu: isso, acho muito bem, e nem sequer teria de achar nada, mas acho, pronto, fico muito contente, alguma inveja, até - que bom seria descobrir agora, p.e., Plataforma, O Mapa e o Território, ou Submissão; é magnífica, esta coisa de descobrir um autor que nos enche as medidas e já com tanta, tanta obra feita, nem se sabe por onde começar. Isso é bom, é espantoso, é óptimo. Mas não - estou a falar dos pavões, dos que agora, assim de repente (repito-me), já são Houellebecq desde pequerruchos; apropriaram-se do nome (vão ao Google sempre que é preciso), tatuam a cara do homem na testa se isso lhes der mais meia hora de botanço de faladura neste ou naquele evento, para impressionar, causar boa impressão, dar sainete. Concedo: isto é sinal que o danado do Houellebecq está a galgar degraus, já começa a substituir o Bukowski como escritor de quem mais gente fala sem o ter lido - corrijo: de quem mais gente se mostra íntima tendo-o conhecido há meia dúzia de dias. Não que o Houellebecq precise deste tipo de, chamemos-lhe assim, celebrações, mas - e tendo em conta que é uma pessoa tão consciente de que «a partir de certa idade, a vida torna-se sobretudo administrativa» (vem n’A Possibilidade de uma Ilha, traduzido para português de forma notável pela Inês Rodrigues), não me parece que, de ponto de vista administrativo, lhe cause impressão este súbito fluxo de royalties vindo da tugalândia, seja qual for a razão que levou ao dito fluxo. E esta converseta toda porquê?, para quê? Enfim, acontece que uma dos vermes que me consomem a tripa cerebral - chamo-lhe assim porque há uma dose de maus fígados a complicar esta digestão - é a aversão, o preconceito bacoco que ainda existe em relação à literatura de ficção científica, nervura cutucada na última sessão de Sidekicks, com o Gonçalo Freitas, onde o ilustre convidado, o Mestre João Barreiros, nos contou do incómodo de Margaret Atwood por ver o seu The Handsmaid's Tale nomeado para os Prémios Nebula, uma vez que se tratam de prémios reservados à ficção científica, e a Margaret ui-ui, ficção científica, está quieto ó mau, alguma vez?, vade retro; junte-se a isso a manifesta ignorância e prepotência de Ian McEwan, convencido que, no seu último Máquinas como Eu, descobriu a pólvora: é vê-lo pavonear-se em inúmeras entrevistas, completamente cego ao facto de que as temáticas que jura a pés juntos estar a desbravar já foram mais do que tratadas - e bem melhor, muito, muito melhor - na literatura de ficção científica (quem não sabe é como quem não vê, e depois fazem-se figuras e passam-se vergonhas), e eis-me a rir que nem um perdido por verificar que muitos dos que agora se agarram aos artelhos de Houellebecq são, na maior parte, feitos da mesma massa daqueles que olham com sobranceria para a literatura de ficção científica. E lembro-me do ensaio "Sair do século XX", incluído no Lanzarote do costas-largas Houellebecq (traduzido por Rita Carvalho e Guerra), que tive oportunidade de ler em voz alta para quem me quis ouvir no passado mês de Março, no Inventário Possível na Lua da Bika - A Vizinha, com o António de Castro Caeiro e a convite do José Anjos e do Valério Romão (que, é de referir, traduziu para português o Seratonina). Alguns excertos: «Tendo em conta a extraordinária e vergonhosa mediocridade das "ciências humanas" no século XX, tendo em conta também os progressos alcançados durante o mesmo período pelas ciências exactas e a tecnologia, é de esperar que a literatura mais brilhante, mais inventiva deste período seja a literatura de ficção científica (...) É obrigação dos autores de "literatura geral" recomendarem às populações os seus confrades talentosos e desajeitados que cometeram a imprudência de produzir para a "literatura de género", condenando-se assim a uma obscuridade crítica radical. (...) No seu período áureo, a literatura de ficção científica podia fazer este tipo de coisas: realizar uma autêntica encenação em perspectiva da Humanidade, dos seus costumes, dos seus conhecimentos, dos seus valores, da sua própria existência; tratava-se, no sentido mais autêntico do termo, de uma literatura filosófica. Tratava-se também, profundamente, de uma literatura poética (...) No plano científico e tecnológico, o século XX pode ser colocado ao mesmo nível que o século XIX. No plano da literatura e do pensamento, por outro lado, o desmoronamento é quase inacreditável, sobretudo desde 1945, e o balanço é constrangedor: quando nos lembramos da ignorância científica crassa de um Sartre e de uma Beauvoir, que, no entanto, deviam inscrever-se no campo da filosofia, quando se considera o facto quase incrível de que Malraux possa ter sido considerado - embora por muito pouco tempo - um grande escritor, avaliamos o grau de embrutecimento a que nos levou a noção de compromisso político e admiramo-nos de que actualmente ainda se possa levar um intelectual a sério (...) De facto, não acho muito exagerado afirmar-se que, no plano intelectual, não sobraria nada da segunda metade do século se não tivesse havido literatura de ficção científica.» Fico-me por aqui, até porque se dá a coincidência de não ter mais nada, por agora, a acrescentar ao assunto, com a consciência de que o Michel Houellebecq se está ora a rir, ora a marimbar para os pavões todos - e se ele se está a marimbar, quem sou eu para não marimbar também? Já soltei o vapor, agora vou administrar a minha vida, que também já estou em boa idade para isso. O que vale é que é domingo.

O Mestre Neal Adams comemorou ontem o seu 78.º aniversário.























Capa de Neal Adams com arte-final de Murphy Anderson sobre fotografia de Jack Adler.

sexta-feira, junho 14, 2019

Diz que hoje foi aprovada uma lei que proíbe beatas no chão.

Nick Derington

está nomeado para um Eisner pelo trabalho que fez em Mister Miracle.





quinta-feira, junho 13, 2019

Visionário, já em 2001 Guterres falava de pântano.

“Esta dificuldade em aceitar a mudança; e aquela ainda maior, de a mudança nos aceitar a nós.”

in A IMORTAL DA GRAÇA

quinta-feira, junho 06, 2019

Pequenada, A Imortal da Graça está a um preço bem simpático na Feira do Livro de Lisboa (e o meu anterior, Há Sempre Tempo Para Mais Nada, também). É aproveitar!

Lucio Parillo

No próximo domingo, dia 9, às 17h, os Sidekicks regressam à Fnac Chiado, e com um convidado muito especial: nem mais nem menos que o Grande João Barreiros, sumidade absoluta no que respeita à Ficção Científica! Uma hora de conversa acerca dos mais recentes lançamentos de BD, da adaptação televisiva de Swamp Thing, dos nomeados e vencedores dos Prémios Nebula, e muito, muito mais! Apareçam!

Novas datas

Portanto, acontece o seguinte: CASAL DA TRETA praticamente esgotado até ao fim desta temporada (ainda há uns poucos bilhetes até ao dia 7 de Julho).
Depois, o casal maravilha volta dia 31 de Julho e vai estar às quartas e quintas no Teatro Villaret durante o mês de Agosto!
É ou não é uma belezura?
Bilhetes já à venda; e é melhor apressarem-se que desaparecem mais rápido do que manteiga em focinho de cão!

Estreia hoje A VIDA SECRETA DOS NOSSOS BICHOS 2, onde fiz, na versão dobrada em português, a voz do terrível vilão Sergei!
Ide ver e levai os vossos petizes que o filme é inspirador e muito divertido!

segunda-feira, junho 03, 2019