domingo, março 31, 2019

Feito. Semanas de escrita intensíssima, em especial esta última, uma “maratona em ritmo de sprint”, como costuma dizer o meu amigo Tiago R. Santos. Dois trabalhos, de concretização a médio/longo prazo, que chegam assim ao fim da sua primeira fase - e tudo começa com a escrita. Agora, é partir para as fases seguintes, tudo fazer para que as coisas cheguem a bom porto. Mas, para já, comemorarei com um ensopado de enguias.

Almada.

sexta-feira, março 29, 2019

Excerto d’A Imortal da Graça:

«- Poupava-se imenso trabalho se o mundo acabasse amanhã.
Para ti pode acabar hoje, pensou o Gabriel. Abriu a boca e saiu-lhe isto:
- Acho que a maioria das pessoas não pensa assim.
- A maioria, não me faças falar da maioria. A ditadura da maioria. Não confio na maioria para me escolher um filme para ver, um livro para ler, achas que confio na maioria para me escolher um Governo? A maioria já fala mais do que devia por mim.
Pareceu-lhe ver a Outra Senhora gatinhar pelo corredor. Prosseguiu:
- A democracia deixa os nossos desejos, quereres, vontades e necessidades dependentes da boa-vontade, do discernimento de estranhos, que raras vezes os têm, o discernimento e a boa-vontade. O que é que a escolha da maioria faz às minorias?
- Vê-se como uma minoria?
- Agora não. Os velhos andam a tomar conta do mundo; pelo menos de Portugal. Só perdemos para os turistas.
Uma sensação estranha apoderou-se do Gabriel: sentia-se a aprender. Pela primeira vez em muito tempo, conseguia ouvir alguém que não a si próprio. E assim ficou, a escutar.
- Todo o sistema social e político deveria tender para a criação de uma maioria esclarecida. O que temos é o diametralmente oposto. É que já nem se pode dizer que tende para o medíocre. Esses belos tempos já lá vão. O gosto e a noção das pessoas estão estragados e só por acidente, ou coincidência das conveniências, a verdade chega e provém da maioria.
- Depende das circunstâncias.
- As circunstâncias, o maior bode expiatório do século XX, do século XXI, de sempre. Se vais desconversar, não vale a pena.»

quarta-feira, março 27, 2019

É nosso! Donos Disto Tudo!

É hoje a gala do Prémio Autores, da Sociedade Portuguesa de Autores, para o qual tenho a honra de ter nomeadas duas séries das quais fui co-autor: 1986 (na categoria Melhor Programa de Ficção) e DDT - Donos Disto Tudo (na categoria Melhor Programa de Entretenimento). Vai ser uma bela festa, na qual, infelizmente, não poderei estar presente, apresentada pela minha estimadíssima Inês Fonseca Santos e pelo Luís Caetano. Neste dia em que se celebram autores, deixo aqui um grande saravá àqueles ao lado de quem escrevi estas séries - no 1986: o Nuno Markl, a Ana Markl, a Joana Stichini Vilela e o Henrique Oliveira; no Donos Disto Tudo: a Maria João Cruz, a Ana Ribeiro, o Daniel Leitão, o Guilherme Fonseca, a Joana Marques, a Mariana Garcia, o Mário Botequilha e a Susana Romana. Vença quem vencer, os prémios estarão muito bem entregues, e a festa de logo adivinha-se supimpa.

A minha submission para o March Modok Madness deste ano.
All hail M.O.D.O.K.!

segunda-feira, março 25, 2019

No sábado passado, tive o gosto de estar quase duas horas à conversa com o João Gobern e a Margarida Pinto Correia nos Encontros Imediatos da Antena 1. O mote foi A Imortal da Graça, mas houve tempo também para escutarmos dois génios: John Coltrane e Miguel Martins. Connosco, o Jorge Coelho, que nos brindou com a sua abordagem à ilustração, à banda desenhada, ao trabalho e à vida. Deixo aqui os links para as duas partes da conversa:
1.ª parte
2.ª parte

Em 1946 (ou 48; já encontrei duas versões), o grande Mac Raboy foi contratado pela King Features para ficar responsável pela página dominical de Flash Gordon. Celebrizado pelo trabalho em Captain Marvel Jr. e Green Lama, Mac Raboy continuou assim o trabalho de Alex Raymond - e, depois dele, de Austin Briggs - até morrer em 1967.

Mac Raboy, 1942

domingo, março 24, 2019

Stan Lee, John Buscema, Joe Sinnott, Artie Simek. Silver Surfer #3, “The Power and The Prize”, Dezembro 1968.

Mark Waid, Alex Ross, Kingdom Come.

Aconteceu ontem: a sessão inaugural de Sidekicks! Obrigado a todos os que vieram, ao nosso convidado Nuno Duarte, e à FNAC Chiado pelo acolhimento. Em breve, disponibilizaremos o podcast da conversa de hoje. Até lá, vida longa e próspera ao nível da Força!

sexta-feira, março 22, 2019


Lee/Ditko, topo da forma.

quinta-feira, março 21, 2019


Palavras de Alan Moore, arte de Stephen Bissette e John Totleben.
Swamp Thing #27, 1984.

Poesia e tal.

Mete mais alto #586


Beck
"Debra"
Midnite Vultures
1999

quarta-feira, março 20, 2019

Mete mais alto #585


The Soulful Piano of Junior Mance
1960

Quem não sabe é como quem não escuta.

Mete mais alto #584


Miles Davis
Bags Groove
1957

terça-feira, março 19, 2019

Do pai da Graça, n’A Imortal da Graça:

«Uma vez, tinha a Graça 7 anos, o pai meteu-se em confusões com um vizinho por causa destas avarias. Eram quase quatro da manhã e o homem acabara de estacionar. Subiu para casa e o Azevedo desceu à rua. O motor estava quente e o gato procurou calor e o pai da Graça procurou-o com a vareta. O vizinho voltou a descer, esquecera-se de qualquer coisa no carro, e deu com o indivíduo de robe e de joelhos a escarafunchar-lhe o motor com a vareta de ferro. Empurrou-o com o pé e o pai caiu num dos buracos das obras, era Outono e chovera, lama por todo o lado.
E o Azevedo, tanto barulho ao entrar em casa, até acordou a filha, agora de pé e de pijama no meio do corredor, a olhar para os passos de entulho que o pai deixara no soalho,
Trouxe as obras da rua para dentro de casa.
deitou-se assim como veio, lama e tudo, levou as obras para a cama, a ver até onde é que a mulher aguentava, até onde estava disposta a levar a desistência.
No dia seguinte, sábado, perto da hora de almoço, o pai levantou-se do sofá, e, sem dizer uma palavra, sem que ninguém mais tivesse a chance de dizê-la,
- Pára.
abriu a porta da varanda e atirou-se do 5.º andar.
O pai estendera os braços, asas de um abutre guloso pela ideia do cadáver próprio, e fez-se voar em direcção ao solo. Ou pelo menos foi assim que Graça imaginou o momento decisivo, pois que quando o pai abriu as portadas, uma corrente de ar fez-se da casa, abusadora, fez esvoaçar folhas de pauta sobre o braço do sofá, notas onde a Graça, mais tarde, tentaria encontrar justificação para o que o pai fizera, já que não a encontraria nas conversas que, à força, tentaria manter com a mãe sobre o assunto.
E a atenção da Graça refugiou-se nessa pauta, folhas que voaram leves em oposição ao peso do gesto paterno e se acomodaram docemente sobre a alcatifa sem cor. A Sinfonia n.º 8 de Schubert, a Inacabada, onde nunca encontrou respostas; tão pouco percebeu o fascínio do pai, a frustração sentida quando se atrevia a imaginar a música em falta. Como poderia a Graça, que deixa tudo pela metade, compreender o peso de uma obra que nunca conheceu fim?»

Das entrevistas mais extensas e completas que já me fizeram. Obrigado ao António Moura dos Santos.

«Uma comunidade em estado de sítio, onde os seus habitantes resistem como podem às adversidades em isolamento. Podia ser uma história bélica, mas em “A Imortal da Graça” a guerra é outra: a dos habitantes do bairro histórico de Lisboa pelo direito a manter as suas casas. Foi com este confronto em pano de fundo que Filipe Homem Fonseca lançou o seu terceiro romance, pretexto para uma conversa com o SAPO 24.» - aqui.


Foto: Paulo Rascão

segunda-feira, março 18, 2019

É já este sábado, na Fnac Chiado, que o Gonçalo Freitas e eu vamos apresentar a primeira edição do Sidekicks! Banda desenhada e tudo à volta. Sigam a página para irem acompanhando as novidades - aqui.

sexta-feira, março 15, 2019

A Black Widow de Paul Gulacy.
Bizarre Adventures 25 (1981).

Estive há tempos à conversa com o António Vieira nas Madragoas da Rádio Amália, a propósito d'A Imortal da Graça. Uma visão sobre o livro, e sobre o (meu) processo de escrita, para quem se possa interessar - aqui.


quinta-feira, março 14, 2019

O primeiro cartoon político que vi na vida terá sido, muito provavelmente, do Grande Augusto Cid.
Partiu hoje. Deixa uma imensa obra. Mais tempo tivesse, mais obra deixaria.
Um gigantesco obrigado ao Mestre.

Há uma semana estava a poucas horas de fechar a noite do Maxime Comedy Club. Stand up comedy é daquelas coisas que faço meia dúzia de vezes num ano, e isto nos anos em que o faço, sequer. Mas lá que sabe bem, isso sabe. Foram 20 ou 25 minutinhos que passaram de rajada. Saravá à malta que partilhou o palco comigo nessa noite, ao Henrique Mota Lourenço pelo convite, e ao público que gargalhofou a bom gargalhofar.
A foto é da Ana Marta Ferreira.

Whatever it takes.

terça-feira, março 12, 2019

Armas para daqui a pouco.

Hoje

O último foi quê - em 2011? É coisa rara. Muitas vezes me perguntam: então e quando voltas a dar um workshop? Pois bem, aqui está.

segunda-feira, março 11, 2019

As gravações começam amanhã.
Novidades brevemente.

sábado, março 09, 2019

E de repente a sensação era a de que estávamos todos numa espécie de catedral. A apresentação d’A Imortal da Graça, a mais bela de sempre, de sempre, arquitectada pelo meu genial irmão Miguel Martins, uma coreografia de vozes, dele e das talentosíssimas Ana Água e Maria Rueff, poços de generosidade sem fundo, sem fim. Todos os ali presentes, os amigos, a família, os amigos que são família, uma avassaladora dádiva. Nenhuma palavra a não ser amor pode definir o que senti ontem naquela sala cheia; amor de todos os presentes, de vós para mim, de mim para vós. Obrigado, obrigado, mil vezes obrigado.



























Fotos: Vânia Custódio, Graça Ezequiel, Sérgio Alxeredo e Maria Clara Garganta.

sexta-feira, março 08, 2019

Hoje é o dia perfeito para a apresentação da Menina Celeste, da Graça, da Glória, da Rosalina, da Gorete, da Manuela, e tantas outras habitantes d’A Imortal da Graça. Terei o enorme prazer de contar com grandes amigos ao meu lado: o Miguel Martins a apresentar, a Ana Água e a Maria Rueff a ler. Agora faltam vocês. Vinde! 21h00 na Fnac Chiado.

Entretanto, isto também vai acontecer. Eis parte de uma belíssima equipa. Patrulha da Noite. Vai ser na RTP1. Novidades em breve.

Ontem foi deveras supimpa! Obrigado a todos os que encheram o Maxime Comedy Club, ao Henrique Lourenço pelo convite, ao Jel por ser um belo anfitrião, e a todos os comediantes que actuaram antes de mim. Foi uma bela noite!

quarta-feira, março 06, 2019

Na próxima sexta-feira, 8 de Março, às 21h00, na FNAC Chiado, terá lugar a apresentação d’A Imortal da Graça. Terei o grato privilégio de ter nesta sessão o Miguel Martins, a Maria Rueff e a Ana Água. Vinde todos, vai ser bonito.

segunda-feira, março 04, 2019


Godspeed.