quarta-feira, fevereiro 27, 2019

A gratidão é partilhada e recíproca! Bela notícia, esta nomeação. Grande abraço, irmãos de escrita, e a toda a maravilhosa equipa que tornou esta série possível!

Repost do Nuno Markl (no Instagram):
“1986 nomeada para Melhor Série de Ficção nos Prémios Autores da Sociedade Portuguesa de Autores! Obrigado pela honra. 1986 foi criado por muitas razões - divertir o público, prestar tributo a pessoas, momentos e coisas importantes do meu crescimento. O mero facto da série existir deu-me doses generosas de felicidade e é, em si, um prémio do caraças. Em nomeações para prémios de prestígio não tínhamos pensado, mas é um bónus que só aumenta a felicidade da coisa. Temos concorrência de muito, muito valor - Sara, do homem que beijei na boca ainda há dias, Bruno Nogueira, e Três Mulheres, do Fernando Vendrell (que não conto beijar, embora o admire e respeite muito). Mas o facto de termos chegado aqui, é épico. Obrigado a vocês que viram a série, obrigado a quem a nomeou. E abraços e beijos a toda a equipa da série: actores, técnicos, músicos, artistas. E um especial abraço ao Henrique Oliveira, maestro da obra, à minha irmã Ana Markl e ao meu irmão de escrita Filipe Homem Fonseca. E à nossa irmã-máquina do tempo Joana Stichini Vilela. A minha gratidão para com todos, e para com a RTP, por terem feito esta viagem comigo é eterna.”

terça-feira, fevereiro 26, 2019

Estive agora com a Inês Fonseca Santos para a gravação do Todas as Palavras e não resisti a tirar esta foto do seu exemplar d’A Imortal da Graça; manuseado, sublinhado, anotado. Vivo. Ver assim um livro que se escreveu é um privilégio.

segunda-feira, fevereiro 25, 2019


A Imortal da Graça

Da direita para a esquerda: David Toscana, Bruno Vieira Amaral, Manuel Alberto Valente e eu. Uma tarde de sexta-feira com sala cheia para ouvir histórias, celebrar os livros. Já me tinham dito que as Correntes D'Escritas eram excepcionais; tive oportunidade de vivê-las e não podia estar mais grato.


Reportagem da sessão aqui.
Fotogaleria aqui.

terça-feira, fevereiro 19, 2019

A 20.ª edição das Correntes d'Escritas já começou! Estarei alegremente presente a partir de amanhã. No dia 21 (quinta-feira) irei apresentar A Imortal da Graça; e no dia seguinte estarei à conversa com Bruno Vieira Amaral, David Toscana, João Pinto Coelho e Luís Sepúlveda. Vemo-nos lá.

A Imortal da Graça, Livro do Dia na TSF - aqui.

quinta-feira, fevereiro 14, 2019

Uma foto tirada hoje, provando que a Graça é imortal, e um excerto do meu livro, mostrando que isto do amor e da morte não é de agora:























«Foi na estalagem que o conheceu. Mais velho, a atirar para o meio século. Hoje em dia, não conseguia sequer dizer o nome dele em voz alta, nem dentro da cabeça nem cá fora. Era uma falta assim grande. Conheceu-o e ele foi educado, daquela maneira que a jovem Celeste não sabia existir. Servia à mesa no Café Chave D'Ouro, no Rossio, aprendera maneiras com aqueles que atendia, esforçava-se para falar como eles, cheirava a roupa lavada. E a Celeste tirou os cabelos do rosto, deixou-se ver e casaram na Igreja de Arroios. A assistir, carpideiras de um funeral que ia acontecer a seguir, vieram mostrar serviço chegando mais cedo. A Celeste nem se deu conta; estava feliz.
O casebre em Loures teve o mesmo destino das cabras, foi consumido pelo vazio que lhe crescia no estômago. A Celeste escolheu lençóis e toalhas para a casa na Calçada do Poço dos Negros, ele gostava de a ouvir explicar a correcta combinação de cores e padrões; era sabedoria que lhe vinha de lidar com tanta roupa.
Ele tinha um piano, ficara ali esquecido pelo antigo inquilino. Não sabia tocar, mas tocava, e o som que saía era música para os ouvidos da Celeste. Fazia a Celeste sentir-se uma princesa e ela começou a comportar-se como tal, dentro das suas limitações - sabia lá a Celeste como se comporta uma princesa. Ele levava-lhe o pequeno-almoço à cama. Algumas noites, ao regressar do café, trazia-lhe um bibelô de porcelana, um mimo. E um dia morreu.»

terça-feira, fevereiro 12, 2019

«Dizem-nos para vivermos o agora, porque é no momento presente que existe a felicidade. Pensar apenas no agora é o que fazem os outros animais que não o homem.
»Pensar no futuro, pesar consequências de actos ou inacções, aprisionar sonhos na almofada das noites e cantá-los na mansidão frenética dos dias são factores que nos definem enquanto espécie. Viver apenas no momento é negar a nossa humanidade.
»

domingo, fevereiro 10, 2019

Rui Lagartinho no Expresso:
«Filipe Homem Fonseca escreveu o romance que anda na cabeça de muitos desde que Lisboa aprendeu a soletrar a palavra gentrificação. (...) desde que José Cardoso Pires, em "Alexandra Alpha", encostou uma personagem ao muro de azulejos da Vila Berta (e nessa altura a Graça já era um território estranho) que não tínhamos uma experiência tão estimulante.»

All Them Witches // Live on KEXP from Avast! Recording Co. (November 16th 2018)

A Imortal em casa.

sexta-feira, fevereiro 08, 2019

«Amarga e dilacerante como um copo de lixívia bebido de uma só vez, Celeste, já desististe do mundo há muito, o problema é que o mundo ainda não desistiu de ti.
Estica o braço relutante, qualquer interacção lhe custa, um preço que não quer pagar. Acende a televisão, segunda das duas naquela casa, uma maior na sala, esta na cozinha, pequena como o mundo que nela se espreita.
Só tem dois canais e já são dois a mais do que preferia ter. Há pessoas que deixam de comer para pagar pacotes de canais onde abundam programas de viagens que nunca farão a sítios onde se come comida que nunca irão comer porque gastam o pouco dinheiro que têm em pacotes de canais. Um ciclo vicioso de substituição da vida por uma imitação em alta definição, num ecrã maior do que quaisquer ambições permitidas àqueles a quem querem sossegados em casa, contentados. O básico de ontem, o luxo de hoje: um tecto. Segurança. Viagens para quê? Já bastam as emissões em directo: mais um atentado, daqueles que nos fazem telefonar para familiares e amigos. Sabemo-los longe da tragédia, só lhes queremos ouvir a voz. Mais um nome de gente, cidade ou estabelecimento, ligado de forma irremediável à ideia de tragédia. Não de descoberta revolucionária, maratona com requinte de recorde batido, especialidade gastronómica ou prova de equitação, mas de horror; monumento ao mais monstruoso do ser humano, a mais uma prova de que dizê-lo assim talvez seja uma redundância.
Cada evento destes retira mundo a toda a gente, menos vida e História, duas coisas que só são uma. Desaparece e é substituída por outra infinitamente maior pela pequenez a que nos sujeita. Lugares que deixam de ser aquilo que nos lembrávamos para passarem a ser aquilo que tentaremos esquecer. O silêncio na TV não é pelas vítimas; não há homenagem possível.
Seguem-se os pedidos de contribuição, os donativos, os números 760 para onde é suposto ligar; o luto e a regeneração e a bondade em nove dígitos e uns cobres + IVA.
No meu tempo, ajudar não era nada disto.
O teu tempo, Celeste? Que tempo é o teu?
A Menina Celeste escolhe dar atenção a isto mais tarde, talvez no anúncio do próximo atentado já consiga lidar com este.»

A Imortal da Graça
já está à venda em vetustos estabelecimentos.

Atenção, Invicta! Hoje e amanhã!

Shazam!

Desenhada esta noite: a minha versão da Mary Marvel,
inspirada na Bettie Page.
(click na imagem para aumentar)

quinta-feira, fevereiro 07, 2019

sexta-feira, fevereiro 01, 2019

Já à venda























Do press-release:
É no coração de Lisboa, entre os ruídos dos martelos pneumáticos e de uma cidade dividida entre o fascínio da novidade e a angústia da tradição, que nasce o mais recente romance de Filipe Homem Fonseca.
Ambientado numa das zonas mais populares da cidade, A Imortal da Graça retrata um grupo de moradoras (e um morador) na sua luta pelo poder – neste caso, pela sobrevivência – dentro de um bairro sitiado pela especulação imobiliária, de onde é literalmente impossível sair por causa das eternas obras de renovação.
Com laivos de farsa e comédia, A Imortal da Graça evoca também a situação presente dos bairros históricos alfacinhas, de onde residentes mais velhos e mais pobres são sistematicamente expulsos, em resposta à pressão crescente dos interesses de grupos financeiros e imobiliários.
Com a mestria e o sentido de humor de quem escreve uma crónica de bairro, Filipe Homem Fonseca traz para o seu romance situações-limite cheias de imaginação – sob a forma de histórias de amor, de perda, de ternura, de disputa e de delírio – e personagens cheias de encanto e complexidade, como o é Lisboa dos nossos dias.