sexta-feira, agosto 31, 2018

RIP Gary Friedrich

RIP Marie Severin

A Favola da Medusa apresenta
NÃO SEJAS BECKETT PARA CIMA DE MIM, ‘TÁ?
Performance de Ana Água e Miguel Martins,
musicada por Ana Isabel Dias, Filipe Homem Fonseca e José Anjos
22 de Setembro, 21h30, Teatro Taborda

terça-feira, agosto 28, 2018

sábado, agosto 25, 2018

RIP Russ Heath
& Fuck you, Roy Lichtenstein

sexta-feira, agosto 24, 2018

Em Outubro: o novo livro do gigante Miguel Martins, editado pela Do Lado Esquerdo. Excepcional capa da lavra da Ana Roque.

quinta-feira, agosto 16, 2018

Aretha

“Anda, Hannibal Lecter, vamos debater essa tua apetência pelos miolos humanos”

Defender a vinda da Le Pen à Web Summit com a falácia da “liberdade de expressão” é tão arrevesado quanto o convite em si. Como sempre acontece quando se deita as mãos a uma ferramenta que não se conhece, tenta dar-se-lhe um uso para o qual não serve. Defender discurso de ódio e intolerância com o estandarte da “liberdade de expressão” faz tanto sentido quanto usar um berbequim para martelar um prego.
Esse tipo de argumentário é duplamente pernicioso, no sentido em que coloca o discurso de ódio ao mesmo nível do exercício da verdadeira liberdade de expressão. Porque a fragiliza. Colocar na mesma prateleira um discurso manifestamente xenófobo, e, por exemplo, uma denúncia contra regimes totalitários, faz mossa à denúncia.
- Vais levar aqueles mirtilos?
- Eh pá, não; estão ao lado do frasco de banha, também devem ser meninos para me rebentarem com a dieta.
O que é dito tem um peso contextual: depende do lugar, da situação em que é dito, da intenção com que é dito. Se o Hitler tivesse dito metade do que disse num espéctáculo de comédia, por exemplo, seria recebido com apupos e vaias, “não tens piada, ó bigodes” - porque aqueles que o ouvissem e divisassem verdades naquelas palavras, estariam a tomar notas e a pensar “este indivíduo está a falar-me ao coração”; e aqueles que percebessem que a única punchline que ia sair dali era um corrupio nas linhas férreas até Auschwitz, Treblinka e Birkenau, iriam à bilheteira, pediriam o dinheiro de volta, e iriam escrever nos seus murais “Aquele bigodes, apesar de vegetariano, é um indivíduo perigoso. E também tirei uma selfie com ele”.
Como Hitler vociferou o que vociferou de cima de um palanque, num contexto de seriedade, só se riram aqueles que nem conseguiam ouvi-lo porque estavam demasiado absortos no ridículo daquele bigode. Os outros, puseram-se a perguntar: “Este jovem empreendedor terá TedTalks no You Tube? Espera, eu não tenho um vizinho chamado Goldstein? Quanto é que paguei este mês de gás?”
No argumentário do “deixem a Le Pen falar”, têm cabido também pensamentos do tipo: “é importante debater com pessoas que têm ideias diferentes das nossas”. Esta é uma etiqueta preguiçosa, comodista. Pela lei do menor esforço, dá jeito meter tudo nesse grande saco que são “as ideias diferentes das nossas”. Mas, se quisermos usar de algum bom-senso (é uma canseira, eu sei), consegue-se perceber que há inúmeros tipos de “ideias diferentes das nossas”, e que há “ideias diferentes das nossas” que não vale a pena debater. Se vierem com a conversa, por exemplo, de que a Terra é plana, o único debate que tal convicção deverá suscitar será sobre qual o estabelecimento de cuidados psiquiátricos mais indicado para internar quem diz tamanha enormidade.
Cruzando-nos com Hannibal Lecter, é de debater a legitimidade do seu processo de abastecimento do frigorífico? “Não te contentas com uma lasanha do Lidl, Aníbal? Tens de matar uma pessoa e fritar-lhe os miolos com ovos mexidos, não é? Não concordo nada com isso, mas vamos lá debater essas tuas ideias diferentes.”
Outro argumento falacioso é aquele do “vamos deixá-los falar para que se perceba que têm ideias perigosas”. Como se a História não tivesse já exemplos mais do que suficientes do perigo dos discursos de ódio. É, infeliz e inevitavelmente, fácil de perceber a necessidade de lembrete: conhecer a História, aprender com os erros do passado, dá trabalho; faz parte do processo de infantilização em curso, esta ideia de que tudo está a acontecer pela primeira vez, e que o património de noção granjeada ao longo de gerações é para deitar fora. Nesta altura, urge sublinhar: é exactamente para preservar a liberdade de diálogo que os ideais totalitários não se discutem - combatem-se. Mais atenção haja à História e não a histórias da carochinha.
Não se atirem os costados da liberdade da expressão para a lama, pondo-a ao lado da propagação da ignorância, do incitamento a outra violência que não seja aquela contra uma máquina que já nos comeu 3 euros e continua sem deitar a lata de gasosa cá para fora. Por incrível que pareça - e vão ter de ser fortes, isto é uma coisa terrível, no sentido em que não dá jeito nenhum para quem se acomodou numa visão bipolarizada do mundo - as coisas não são só pretas nem só brancas.
E já temos exemplos que cheguem para perceber que há tons de cinzento que resultam, invariavelmente, em merda da grossa.

quarta-feira, agosto 15, 2018

terça-feira, agosto 14, 2018

Pelos vistos, é possível não se ser “suficientemente lésbica”.
Para cada quilómetro que falta percorrer em questões de identidade de género, há uns bons quilómetros a palmilhar no que respeita a não ser profundamente estúpido.

segunda-feira, agosto 13, 2018

Grande guitarrista, grande pessoa, talento e coração enormes. Deixa saudades. Até sempre, Phil.

sexta-feira, agosto 10, 2018

Poetas que escrevem sobre poesia
são como cirurgiões a operar
um bisturi.

segunda-feira, agosto 06, 2018

A Sara Moura fez esta pérola. Quero!