quarta-feira, junho 20, 2018

A par da barbárie do que se passa nos EUA, na Austrália, Húngria, Itália, temos a selvajaria dos comentadores de FB que, mesmo aqui em Portugal, se desdobram em justificações para o que Trump está a fazer, como se fosse possível justificá-lo. A mesma cassete psicopata, fascista, criminosa, repetida até à exaustão por gente que depois, na sua fotografia de perfil - e na mais ignominiosa ironia - aparece acompanhada dos filhotes, num ambiente de santa castidade, com ar de quem acabou de fazer biscoitinhos no forno para ofertar à criançada. Dá vómitos, dá muitos vómitos, saber que convivemos com gente desta estirpe, saber que existem, saber que votam. Há aquela anedota do tipo que conduz e ouve na rádio que há um maluco a conduzir em contramão na autoestrada. E diz: “Só um? São às dezenas!”. A piada resulta porque pensamos logo que é ele que está mal, uma vez que a maioria conduz em sentido contrário. Isto das maiorias escolherem é produto de uma democracia saudável, assente em princípios humanistas. Mas uma democracia doente não pode ser chamada de democracia. Se o critério da maioria assenta em ideiais não-democráticos, ao ponto de eleger criminosos, resta-nos conduzir em contramão. Resistir, resistir, resistir.

Cartoon de Tjeerd Royaards

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