quinta-feira, maio 31, 2018

Há um enorme alarido - e, de certa forma, justificadíssimo - acerca do universo super-heroístico cinematográfico, nomeadamente o da Marvel. Mas o que se está a passar no cinema são apenas inocentes e cândidos passinhos de bebé, quando comparados com a maturidade temática e narrativa que se encontra no meio-mãe, os próprios comics. Em especial, os da DC. O verdadeiro evento que é a corrente série de Mister Miracle, ou o número 1000 de Action Comics, edição declaradamente celebratória, são manifestos da idade adulta de um meio e das suas capacidades de contar uma história, dotados de uma simplicidade que é, talvez, a maior prova dessa mesma maturidade.
Existem muitos comics, muita experimentação gorada (e ainda bem, só assim se avança; quem dera que outros meios dessem a mesma oportunidade aos criadores de experimentar de formas tão arriscadas); existem muitos títulos que só pretendem capitalizar (trata-se também de uma indústria, convém nunca esquecer); mas existem pérolas que se distinguem dos demais e que constituem a verdadeira essência daquilo que faz a banda desenhada norte-americana (fará sentido chamá-la assim quando existem autores e artistas de tantas nacionalidades a tratá-la?) provavelmente a arte narrativa mais polida dos nossos tempos.

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