segunda-feira, maio 07, 2018

Generalizando: enquanto que a ficção ocidental assenta, em grande medida, em estafados contos morais unificadores, positivistas até no retrato que fazem de futuros distópicos mais ou menos próximos, a ficção asiática (foco-me mais na japonesa e sul-coreana) não receia explorar um lamaçal mais primitivo, por isso mais íntimo e assustador, que só causa ressonância emocional quando o público se permite ver reflectido sem ter, para isso, de se sentir julgado. A estranheza que muitos sentem quando são, pela primeira vez, expostos a determinados autores asiáticos, prende-se talvez mais com a temática subjacente do que com a estrutura e estética, causas normalmente apontadas para atracção ou repulsa.
Mais do que a questão do aspecto formal, há um conteúdo tratado na grande maioria da ficção de origem asiática que se aproxima perigosamente de tudo aquilo que, no ocidente, estamos demasiado ocupados a tentar ignorar, negar, e ocultar, usando para isso - ironicamente - mecanismos nascidos de uma visão deturpada do que é (generalizo, novamente) a “filosofia oriental”.

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