segunda-feira, abril 30, 2018

A QUIET PLACE (Um Lugar Silencioso) tem muitas virtudes, sendo uma delas a de que faz das salas de cinema o lugar silencioso a nível das conversetas e mastiganço de pipoca que deveriam ser sempre: a horda normalmente ululante demonstra um nítido desconforto na prática dos ruídos e exibe um cuidado inédito, uma vez que o filme é, na sua maioria, bastante silencioso e qualquer choque molar-milho ganha proporções bíblicas. A gestão dos silêncios é, aliás, peça fundamental na tensão que o filme mantém com sucesso absoluto até à segunda metade do segundo acto, altura em que dá entrada um elemento - do qual não posso falar, porque seria um spoiler - que remete para uma solução a meu ver trapalhona em sentidos que, lá está, não posso referir.
O não-dito é peça dramatúrgica essencial na narrativa, coerente com o dispositivo de terror que serve de base a todo o filme. Uma família luta pela sobrevivência e - num plano menos metafórico e mais próximo do que é a experiência real - para estabelecer uma comunicação aberta entre si. Que o tenha de fazer num mundo em que o som chama a morte, faz deste drama familiar uma bela peça de terror cinematográfico que "só" peca pela conclusão; ou melhor, pelo mecanismo que nos leva até ela.

domingo, abril 29, 2018

When Harry Met Sally

Lindíssimo filme. Parabéns, Filipe Melo e toda a equipa. Sempre que comer tarte de maçã, vou lembrar-me deste Sleepwalk.

quarta-feira, abril 25, 2018

Mais do que aos reaccionáriozitos da treta que não percebem a necessidade de reafirmar Abril, acho uma piadinha do cacete àqueles que passam o ano a tentar censurar o que os outros podem ou não dizer e escrever, tendo como critério a sua noção de “bom gosto”, e que hoje andam lampeiros a celebrar a Revolução. Alguns já os vi a descer a Avenida e tudo.
O 25 de Abril não se fez - não se faz - convosco, faz-se apesar de vós. Às vezes, muitas vezes, faz-se contra.

Esta noite sonhei que um condutor de tuk-tuk estava tentar cativar turistas para uma voltinha dizendo-lhes que oferecia uma reconstituição low cost da Revolução do 25 de Abril no seu chaimituk, com direito a um Salgueiro Maia de PVC que dizia “Fascismo nunca mais” quando se puxava um cordelinho nas costas, e um ramo de cravos que mudavam de cor consoante a humidade do ar.
Depois acordei com o barulho de um tuk-tuk a passar na rua.

terça-feira, abril 24, 2018

A impossibilidade de falar sobre AVENGERS: INFINITY WAR antes das 23h poderia ser fardo pesado. Mas não, na realidade não. Porque não há muito mais que tenha para dizer além disto: a partir do momento em que o filme estreie, vou fechar-me numa sala IMAX e ver todas as sessões consecutivas até o filme sair de cartaz. É o quanto gostei. Que. Portento.
Arrojado, ambicioso, único. A escala, a magnitude, a dimensão verdadeiramente cósmica deste culminar de 10 anos de MCU, a fazer jus às histórias de Jim Starlin em que a saga das Infinity Stones se baseia, é orquestrada com total maestria pelos irmãos Russo, a partir de um sólido argumento de Christopher Markus e Stephen McFeely. A grande maioria das inúmeras personagens tem chance de brilhar, no que é mais uma amostra do virtuosismo desta máquina bem oleada que compõe os Marvel Studios: a intimidade é o maior e mais impactante dos universos expostos.
E Thanos, o Titã Louco, grandiloquente, decidido, imparável, personagem trágica e centro de toda a trama, um dos maiores vilões dos Comics e agora, sem sombra de dúvida, da História do Cinema.
Um filme onde o grande tema é o sacrifício, AVENGERS: INFINITY WAR é uma tareia a todos os níveis, carregado de humor (nas doses e sítios certos, nunca prejudicando picos dramáticos), justíssima recompensa para todos os que seguem a saga desde há 10 anos, mais ainda para quem segue os comics desde sempre. É filme que se basta a si próprio mas não faz, de forma alguma, tabula rasa do que vem de trás (nem poderia, obviamente) e, mais importante ainda, abre portas para o muito que está para vir. Que celebração absolutamente brutal. Jack Kirby estaria feliz, não tenho disso dúvidas. Muito feliz. Eu sei que estou.

Somos todos - o Nuno Markl, a Ana Markl, a Joana Stichini Vilela e eu - fãs absolutos de ANNIE HALL. Por isso, quando surgiu a ideia de incorporar um pastiche da mítica cena das legendas (penso não mentir quando digo que foi o Nuno a trazê-la para a mesa), rejubilei com a oportunidade de fazê-lo neste episódio 7, "Os Cinco e a Bomba". Adaptar a ideia ao momento específico da relação entre Eduardo e Alice foi das coisas que mais gozo me deu escrever - a frase "Ai tem a cassetezinha, tem?" constará para sempre na minha prateleira de troféus de argumentista. Vénias redobradas à Teresa Tavares e ao Adriano Carvalho que elevaram a cena, interpretando de forma sublime texto e metatexto. Todo o episódio foi escrita que muito prazer me deu, e melhor ainda foi vê-lo: pela incursão na noite do Barro Alto dos anos 80, a introdução da tia Belinha (olá, Marina Albuquerque) e o consumar da relação entre Eduardo e Alice.
Há uma coisa que já disse várias vezes, mas nunca é demais repetir: para além de todas as outras qualidades, o Nuno Markl é de uma generosidade enorme, ao ponto de, num projecto que lhe é tão querido e tão próximo, ter dado espaço para que cada um de nós que escrevemos com ele a série pudéssemos ali colocar parte do nosso próprio ADN. Que tenhamos muitas referências em comum tornou o processo ainda mais orgânico, numa fluidez de diálogo que se estendeu depois ao Henrique Oliveira, a toda a equipa, a todo o elenco. Sem nunca precisarmos de legendas.
Tau! - viram a ligação com a cena do Annie Hall? Hã? Foi ou não foi bonito? É bonito porque é true, peeps.
Como é que se faz aquele coraçãozinho? Ah, é assim: ♥️

Estava a pensar assinalar o regresso com uma das falas de Dolores no primeiro episódio desta segunda temporada, mas não consigo escolher, são todas boas.
Westworld está de volta.

segunda-feira, abril 23, 2018

Mais fan art de 1986: eis outro cartaz feito pelo Miguel Jorge, desta feita inspirado pelo “Highlander - Duelo Imortal”. Tiago (Miguel Filipe) e Gonçalo (Henrique Gil) disputam o coração da Marta (Laura Dutra), e “there can be only one”.
Obrigado, Miguel!

Feliz dia do livro.


domingo, abril 22, 2018

O manga de Yūsei Matsui já deu origem a dois filmes em live action e a uma série de animação. Foi esta última que me caíu nas retinas e a história reza assim: um misterioso ser octópode rebentou com 70% da Lua e promete destruir a Terra dentro de um ano. Enquanto esse dia não chega, torna-se professor de uma turma do secundário onde os alunos têm a missão de assassiná-lo e assim salvar o mundo. Se acham isto bizarro, imaginem quando perceberem que este ASSASSINATION CLASSROOM apresenta a mais inspiradora relação professor-alunos desde “O Clube dos Poetas Mortos”.

#AssassinationClassroom #AnsatsuKyōshitsu #YūseiMatsui

sábado, abril 21, 2018

sexta-feira, abril 20, 2018

Tendo em conta o tom da série original (1965-68) e até do filme (1998), não contava que o primeiro episódio fosse o tenso turbilhão que acabou por revelar-se. Matt Sazama e Burk Sharpless pegaram nas personagens criadas por Irwin Allen e deram-lhes uma grande volta. Percebe-se logo no episódio piloto, que é tudo o que um episódio piloto deve ser: apresentação perfeita de personagens e das relações entre eles com uma história - desenrolada em várias linhas temporais - que, mais do que apenas um ponto de partida, é uma corda na garganta do espectador que se vai apertando sem clemência. Ajuda que seja realizado por Neil Marshall (também produtor executivo) que sabe tão bem estabelecer ambientes claustrofóbicos - basta lembrar THE DESCENT (2005). Sem nunca perder o perfil de série para toda a família, a verdade é que o novo LOST IN SPACE está a anos-luz de tudo o que foi feito antes sob este nome; caso estreasse sem qualquer relação com a família Robinson, não seria de estranhar.
Três episódios vistos, e já é fácil perceber que o verdadeiro trunfo da série é o incrível elenco. De Parker Posey (a outrora musa de Hal Hartley) não esperava menos que sublime, e ela entrega-o; mas o inicial e impressionante impacto é dado pelos membros da família Robinson, todos interpretados sem falhas - casting perfeito, a contrariar o que, muitas vezes, acaba por revelar-se o elo mais fraco nas séries de ficção científica (e não só), especialmente as mais recentes (vide ALTERED CARBON). Esta é daquelas (raras) séries de FC que oferecem motivos de interesse para toda a família, dos 8 aos 80, não querendo dizer, de forma alguma, que é uma série “levezinha”. Longe disso. Já falei do angustiante primeiro episódio? Pois. Do catano (termo técnico).

quinta-feira, abril 19, 2018

Mais fan art de 1986: este Marty McTiago inspirado pelos acontecimentos do episódio 6, junto ao seu 2CV capaz de fazer um DeLorean corar de inveja, foi feito pelo Luís Silva.

quarta-feira, abril 18, 2018

Estamos na recta final: 21h00, RTP1, o penúltimo episódio de Excursões Air Lino. Alucinante é a palavra.

Super-Homem, 80 anos.

Arte: Frank Quitely

Anita vai à Bruxa

Hoje, 21h00, RTP1, episódio 12 de Excursões Air Lino: o ambiente místico de Sintra conspira com a recém-chegada Celeste para a realização de uma sessão de yoga e meditação. Lino encontra o seu verdadeiro eu interior, ainda mais insuportável do que o exterior.

terça-feira, abril 17, 2018

E depois há este filme, tão mais especial, tão mais, do que aquilo que quiseram fazer dele, a promoção, o hype, a crítica. É irónico que, tratando tão bem de questões de identidade e emancipação, tenha havido esta tentativa de tomá-lo pelo que não é; quase "panfletalizá-lo". LADY BIRD é daqueles que, quando se acaba de ver, guarda-se com zelo e nem vale a pena dizer até já, porque não nos larga.

sexta-feira, abril 13, 2018

Série documental absolutamente notável sobre um cautionary tale surreal que a realidade se encarregou de nos contar. Claro que qualquer carácter pedagógico que esta realidade pudesse ter parece condenado à partida: basta ver a quantidade de tretas que Osho e afins continuam a propagar (e a lucrar à grande com isso); e, do outro lado, os conservadores tacanhos, avessos a qualquer mudança, que continuam a disseminar-se. Apanhados no fogo cruzado, aqueles que só procuram essa coisa intangível que é a felicidade, com toda a ingenuidade que essa procura acarreta. Seja como for, é de enorme importância que este caso não seja esquecido, em especial quando está documentado de forma tão virtuosa. Vejam WILD WILD COUNTRY que é absolutamente imprescindível.

Este é o Tiago André Alves. O Tiago está a morrer de cancro. Há umas semanas, organizou um roast no Cinema S. Jorge, em que convidou vários comediantes para falar da sua morte inevitável em registo humorístico. Porque o Tiago sabe que o humor também serve para tirar peso das coisas pesadas. O humor ajuda-nos a tornar sustentável o que é, por definição, insustentável. Os valores da bilheteira foram doados ao IPO. O humor também pode ser uma forma de amor. O Tiago é um exemplo. Mais que isso, o Tiago é uma inspiração, e eu admiro-o muito.

Estou a ver mais gente indignada com a ironia do Quintela do que com a situação dos putos no hospital de S. João. As vossas prioridades são um mistério. Ou talvez não: ainda somos o país das aparências, do “respeitinho é muito bonito”. Palminhas para vocês. Vamos longe.

quinta-feira, abril 12, 2018

Standing order desta pérola! Parabéns, Almirante Jorge Coelho!

É numa Bertrand de Coimbra mas o fenómeno não é desta exclusivo. A frase “Ler prejudica gravemente a ignorância” numa montra inteiramente dedicada a estes dois pesos pesados da literatura. Esperar-se-ia que tamanho paradoxo resultasse numa hecatombe cósmica. Mas não: o bordel arrepia caminho, com aquela legitimidade literária que só os números de venda podem oferecer. Viva a cultura. E tal.

quarta-feira, abril 11, 2018

30 anos.

Hoje não há Excursões Air Lino porque joga o Cristiano Ronaldo e a Anita quer ter a certeza de que não foi ele que lhe levou a bicicleta. Voltamos para a semana. Entretanto, é ir ouvindo a playlist actualizada com os temas da banda sonora da série, onde Madalena Iglésias, Natércia Barreto e Os Conchas convivem alegremente com Motörhead, Steppenwolf e Messer Chups.

terça-feira, abril 10, 2018

Hoje sonhei que representantes de várias áreas culturais iam ao Preço Certo e tinham de girar a Grande Roda dos Subsídios para ver se chegavam ao 1%, enquanto o Fernando Mendes roía uma morcela. Depois, os representantes começavam à chapada uns com os outros, o Nandinho gritava “Xetáááculo” e o programa acabava.
Acordei com uma galga, fui logo fritar bacon com ovos.

Mais um cartaz feito pelo Miguel Jorge, desta vez inspirado pelo filme “A Mosca”. E este está intimamente relacionado com os acontecimentos do episódio que vai hoje para o ar, 22h00 na RTP1!

segunda-feira, abril 09, 2018

domingo, abril 08, 2018

Não sei que documentário ganhou o óscar no ano em que “Let’s Get Lost” esteve nomeado e Bruce Weber não levou a estatueta para casa. Mas, seja qual for, é atestado de que os óscares, pelo menos já desde 1988, são atribuídos por gente de fraca noção.

sexta-feira, abril 06, 2018

Cecil Taylor 💜

Vi ontem, finalmente, o Alien: Covenant. Meh.

Quantum Reality: Space, Time, and Entanglement


Brian Greene, Mark Van Raamsdonk, Gerardus ’t Hooft, David Wallace, Birgitta Whaley.

Obrigado por tanto, Mestre Isao Takahata.

quinta-feira, abril 05, 2018

quarta-feira, abril 04, 2018

♥️
Quem viu, sabe.

Incrível, o golo do Cristiano Ronaldo, mas o video que mais tenho visto em loop é o de Bruno de Carvalho a amuar no Parlamento.

Vocês pensam que estão preparados para o episódio de hoje de Excursões Air Lino.
Mas não estão.
21h00, RTP 1.
Imperdível.

O regresso do Didi.
Hoje, 21h00, RTP 1
Excursões Air Lino

terça-feira, abril 03, 2018

Hoje vou estar com parte dos milnovecentoseseisistas na Cave do Markl para assistirmos juntos ao episódio 4 de 1986. Este é um episódio que me é particularmente querido pelos temas explorados (a disponibilidade e as expectativas), pelas referências (Lady Hawke, o Ninja Americano, a Ginger Lynn, 10000 anos depois entre Vénus e Marte, e o cometa Halley), e por alguns dos diálogos (a sequência do almoço em casa do Tiago é das minhas preferidas) . Às 21h00 vai haver um directo da Cave (ide à página de FB do Nuno Markl) e a Ana Bacalhau vai cantar o “Pensamos no Futuro Amanhã” enquanto o Miguel Partidário resiste ao impulso de fazer mosh.

Está online a conversa que tive com o Gonçalo Câmara e o Nelson Nunes no "Ainda Há Quem Queira Escrever". Ouçam aqui, que a conversa foi bem catita, apesar de eu também falar.

Estou a stressar porque este ano ainda não revi Blade Runner 2049.

segunda-feira, abril 02, 2018

50 anos de 2001: A Space Odyssey.

Steven Bochco estabeleceu o paradigma pelo qual se rege ainda hoje a ficção televisiva. Legado inestimável, influência incontornável. Obrigado, Mr. Bochco.

domingo, abril 01, 2018

Como é que vai essa ressurreição?