sábado, março 17, 2018

O ataque feito ao último solo de Ricky Gervais, “Humanity”, com o argumento de que o material dele é transfóbico, pôs em evidência uma realidade que se tem vindo, desde há algum tempo, a verificar, e que explica porque casos como, por exemplo, o de Louis CK são tão batidos, e depois casos bastante mais graves, como o de Roy Moore, não levantam um milésimo do bruá. É que, a coberto de uma pseudo-preocupação com questões de justiça social, há muito wannabe humorista a quem a vida não correu de feição e que agora retira especial gozo do ataque a humoristas bem sucedidos. A suposta homofobia, transfobia, seja o que for, é só uma desculpa. Porque se fosse esse o verdadeiro motor da indignação, os focos seriam também outros. E não são. Havendo, sem dúvida, casos em que há matéria para a crítica e a condenação - ser humorista não constitui sinónimo de impunidade quando se trata de discurso assumidamente de ódio ou deste ou daquele comportamento predatório, como é óbivo -, não deixa de ser sintomático o crescendo de tentativa censória quando se trata de palavras, de piadas, onde a bitola do que é de bom ou de mau gosto não deve - não pode - servir de fasquia para o que pode e para o que não pode ser dito. No caso deste solo de Ricky Gervais, dizer que há ali verdadeira transfobia só pode ser fruto de uma de duas coisas: ignorância ou ressabiamento. Ou, amiúde, de ambas.

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