segunda-feira, dezembro 04, 2017

DARK
Notas #01

(sem spoilers)
Existe uma obsessão nada subtil com a ideia de uma aparente simetria quer na temática, quer na composição de quadros e na estrutura narrativa de DARK. O verdadeiro 'golpe de asa' está na maneira como essa abordagem não é, de todo, apenas um exercício formal, mas parte integrante do que faz desta série um objecto único, apesar das inúmeras referências a partir das quais se vai construindo. O Labirinto de Dédalo, arquétipo sobre o qual assenta a intriga, é explorado numa cadência exemplar que sublima cada recanto da sua arquitectura narrativa. O fio de Ariadne que nos permite avançar é, nada paradoxalmente, o mistério que se vai desnovelando. Que, a partir de certa altura, a simetria evolua para a supersimetria quântica (sugerida logo de início pela citação de Einstein) e dê lugar a um fractal caleidoscópico, reiteradamente cíclico, é mais uma demonstração do virtuosismo estrutural de DARK.

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