terça-feira, novembro 28, 2017

BLADE RUNNER 2049
Notas #3

(contém spoilers)
Uma das cenas mais emocionalmente devastadoras de BR2049: o encontro de K com uma versão gigantesca da mulher amada, uma sem memória da relação entre os dois, produto em série, retrato único, com promessas programadas?, predestinadas?, haverá diferença? É-se especial em momentos muito objectivos e depois, às vezes, fica uma memória. É de uma ironia dolorosa que seja no encontro de um ser sintético com um holograma de IA que o primeiro experimenta a perda inerente à condição humana. Uma perda que também é - como, se calhar, todas são - do sentimento de se ser único ("Tens cara de Joe") e que é, paradoxalmente, passo na construção de identidade. Talvez esteja aqui o indício mais evidente de que BR2049 é, afinal, uma história de 'coming of age'. A chuva (a água; sempre a água) cai copiosamente e não há lugar a lágrimas. Nesta cena, a um segundo ou terceiro visionamento, é-nos até oferecido convite para quebrar a quarta parede. Actores que são pessoas a fingir que são máquinas que são pessoas acreditando que o são. E nós, acreditando em tudo. Cinema.

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