domingo, setembro 24, 2017

Nunca gostei de mimos. De todos, só o grande mestre Marcel Marceau chegou a provocar-me alguma emoção. Inevitável: tratava-se de um grande mestre. De resto, nicles. Não foi por isso de espantar que, quando no Edinburgh Fringe de 2005 ou 2007 ouvi falar pela primeira vez falar do Tape Face (Sam Wills, à época conhecido como The Boy With Tape In His Face), a minha primeira reacção tivesse sido "não, obrigado." Preoconceito ultrapassado e, com poucos minutos vistos da actuação, já estava rendido. Tape Face é muito mais que um mimo e, mesmo quando o é, aborda o métier de uma maneira bastante original. O resultado em palco é um equilíbrio desconcertante entre o absurdo e o maravilhoso, que nos predispõe para o nível de insanidade que vai crescendo ao longo do espéctáculo. Quando ouço dizer que o trabalho de Sam Wills é clownesco, dou por mim a pensar "'tá bem, mas é clownesco q.b". E nem sequer sei bem o que isto quer dizer, 'clownesco q.b'.; mas, uma vez que também não sou grande apreciador de clowns, presumo que o Tape Face use a coisa com conta, peso e medida e, principalmente, alguma frescura. Em suma: à partida, este personagem de Sam Wills tinha tudo para que eu não estivesse para ali virado mas a verdade é que me agarrou facilmente. Entre o sorriso e a gargalhada que nos vai desenhando, Tape Face consegue dizer muita coisa sem nunca abrir a boca. A parte realmente boa disto tudo é que ele vai estar amanhã e depois no Tivoli, às 21h30. É de ir. Pessoalmente, estou muito curioso para descobrir de que maneira o número dele evoluiu nos últimos dez anos.

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