quarta-feira, agosto 30, 2017

Vilões de circunstância

Belíssimo álbum, este VILLAINS dos Queens of The Stone Age. Sonoridade próxima de ERA VULGARIS mas, a espaços, com reminiscências de RATED R, e de um pouco de outros projectos de Josh Homme - de Them Crooked Vultures a Eagles of Death Metal, e até do (magistral) trabalho que fez com Iggy Pop (ouça-se "Hideaway"). A par dos dois primeiros avanços, "The Way You Used To Do" e "The Evil Has Landed", destaca-se, à primeira audição, "Domesticated Animals" (sim, Bowie would be proud), "Un-Reborn Again" e "Head Like a Haunted House"; no entanto, uma segunda passagem pelo álbum logo faz sentir o carácter infeccioso de "Fortress" e "Villains of Circumstance", temas que à primeira não prenderam sobremaneira e que agora confirmam a suspeita de que este é um daqueles trabalhos que se entranha cada vez mais à medida que com ele se convive. Maravilha.
Servido, de forma acessória mas não despicienda, com as elegantes ilustrações de Boneface que abrilhantam capa e cada um dos temas, VILLAINS está carregado de letras alerta à actualidade e ao nível do melhor que QOTSA já nos trouxe ('To be civilized / One must tell civil lies', no tema "Feet Don't Fail Me"). Um dos mais sólidos trabalhos da banda que demonstra a maturidade de quem, ao sétimo álbum está, uma vez mais, a fazer exactamente a música que quer fazer. Da minha parte, agradeço.
Aos saudosos de SONGS FOR THE DEAF, recomenda-se o seguinte: de cada vez que quiserem muito regressar àquela sonoridade (a mim acontece-me bastante, já que adoro esse álbum), em vez de esperarem que os QOTSA voltem a fazer um trabalho parecido, experimentem esse gesto ousado, inesperado, maluco que é... ouvirem o SONGS FOR THE DEAF. VILLAINS é de outro lugar porque, como canta Josh Homme a certa altura em "Fortress", 'I know you're afraid / But you gotta move on'.

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