sexta-feira, agosto 11, 2017

Muita gente indignada porque a fadista Mariza fez, no festival Sol da Caparica, um comentário depreciativo acerca dos calçōes que as moças usam com (sic) "o rabo de fora". O que muitos se esquecem, não dando por isso o devido desconto, é da antiguidade da Mariza, que explica o porquê de tamanha velhodorrestelização em relação aos ditos calções. Antes de ser fadista e símbolo nacional para botar factor-uau nas campanhas a puxar turista, a Mariza já era da linhagem de Vlad Dracul, contando com um milenar currículo no domínio do vampirismo. Falhou o romance de Bram Stoker por culpa do manager, como toda a gente sabe; e as cenas que filmou para o Nosferatu de Murnau acabaram no chão da sala de montagem, depois de um desaguisado com a produção do filme, no que constituíu um duro revés para o próprio cineasta. Mas Mariza não deixou, por isso, de firmar nome e imagem na carreira que abraça, há séculos, com unhas e dentes. Parece-me óbvio que alguém com esta longevidade, ex libris do gótico, terá uma certa dificuldade em lidar com modernices. Respeitem a senhora de antanho, lembrem-se que, p.e., na época vitoriana não se andava de nalguedo à mostra, e que é, portanto, perfeitamente natural, que a actualidade lhe cause estranheza. Haja tolerância e respeito.

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