quarta-feira, agosto 16, 2017

‪Há muito que a converseta acerca dos supostos "limites do humor" ultrapassou os limites da minha paciência.‬

sábado, agosto 12, 2017

About Charlottesville

Do momento da escrita, passando pelas gravações e, creio, até ao produto final - esta série está a ser uma viagem ao passado: olho para esta imagem do Sérgio (Miguel Partidário) e é como se me estivesse a ver a mim próprio, no meu quarto, quando tinha aquela idade.
#1986asérie

Já corri, fiz alongamentos, fui ao ginásio trabalhar glúteos, cardio, peitorais, abdominais, bícepes e trícepes, papei comidinha vegan, paparoca sem glúten, meditei, realinhei os chakras, fiz-me uno com a Mãe Terra e saudei o Universo. Agora à noite vou mamar vodka com red bull e emborcar químicos. Amanhã volto ao ginásio e, dependendo da ressaca, ainda afino os chakrazinhos com um derivado do guronsan mas homeopata.
#omeucorpoéomeutemplo #sócomooqueanaturezaoferece #nãocomocomidaprocessada #processadassóasdrogas #acarnetemquímicos #acocaécemporcentovegan #seeunãogostardemimquemgostará #fazdeumladodesfazdooutro #étodaumaescola #omeuchakradatestaestácomumagrandemoca #bomdiauniverso #boanoitedealer #drogadosaudável

Sushi com peixe é tããão 2016.


#ilovesushi #livingthelife #soubuéespiritual #dietaveganporqueosgafanhotossãorésvésvegetais #oamorvencetudo #senãopublicarfotosdoquecomonãoconsigofazeradigestão #lesmassemglúten #deusnocomando #ohpááááá

O Nuno Markl a tentar perceber o dress code de um concerto de black metal.

sexta-feira, agosto 11, 2017

Mete mais alto #549

Há malta que rebenta com tudo o que é aparelho. O Benfica escangalhou o video-árbitro de tal maneira que aquela bodega agora até favorece o Sporting.

Muita gente indignada porque a fadista Mariza fez, no festival Sol da Caparica, um comentário depreciativo acerca dos calçōes que as moças usam com (sic) "o rabo de fora". O que muitos se esquecem, não dando por isso o devido desconto, é da antiguidade da Mariza, que explica o porquê de tamanha velhodorrestelização em relação aos ditos calções. Antes de ser fadista e símbolo nacional para botar factor-uau nas campanhas a puxar turista, a Mariza já era da linhagem de Vlad Dracul, contando com um milenar currículo no domínio do vampirismo. Falhou o romance de Bram Stoker por culpa do manager, como toda a gente sabe; e as cenas que filmou para o Nosferatu de Murnau acabaram no chão da sala de montagem, depois de um desaguisado com a produção do filme, no que constituíu um duro revés para o próprio cineasta. Mas Mariza não deixou, por isso, de firmar nome e imagem na carreira que abraça, há séculos, com unhas e dentes. Parece-me óbvio que alguém com esta longevidade, ex libris do gótico, terá uma certa dificuldade em lidar com modernices. Respeitem a senhora de antanho, lembrem-se que, p.e., na época vitoriana não se andava de nalguedo à mostra, e que é, portanto, perfeitamente natural, que a actualidade lhe cause estranheza. Haja tolerância e respeito.

Em 1986 havia o Duarte e Companhia! Eis o mítico Rocha, interpretado pelo Pedro J. Ribeiro.
#1986ASérie

A ter algum avatar em #1986ASérie, será o Sérgio (Miguel Partidário), que não é muito diferente do que eu era quando tinha a idade que ele representa na série. Se na escrita já havia um factor 'viagem no tempo', ver esta malta tão talentosa a encarnar os personagens atira-nos aos rebolões para o passado.

Sérgio (Miguel Partidário), Tiago (Miguel Filipe) e Patrícia (Eva Fisahn).
#1986asérie

O fim do mundo como nunca o viram antes

Fogo e fúria, diz o Trump com a piroca na mão; o Kim, também de mangueirita ao léu, não se fica: micta em arco, desenha ameaças na parede à força de repuxo. Robert Jeffress, conselheiro do Trump sempre com evangelhos na boca, já disse que deus deu autoridade moral ao Donaltim para limpar o sêbo ao ao Kim. E os apoiantes, aqueles de sempre, batem palminhas e montam-se no lombo das burras, venha de lá o fogo e a fúria - o Trump de dedo roliço no botão, dizendo aos mísseis: "You're fired!", quando, no fundo, nos está a despedir a todos.

Comamos sardinha antes que entre em vigor aquela suspensão de 15 anos. Depois, andaremos à míngua.

quinta-feira, agosto 10, 2017

Problemas do Primeiro Mundo (que isto não pode ser só guerra nuclear, fome, e video-árbitros): a propósito das muitas e más reacções ao novo trabalho dos QOTSA, dei por mim a pensar nesta discrepância - aquela conversa de "a banda deve fazer o som que lhe apetece, sem se preocupar com o gosto dos outros, porque isso é que é BUEDA TRUE", esbarra na trave do "Eish, os gajos agora estão muito diferentes do que eram, bela merda", sempre que o som que apetece à banda, em determinado momento da sua carreira, não é o som que apetece aos "fãs". As bandas evoluem, conquistam outros públicos, perdem outros pelo caminho, e assim é que é bonito. Não nos devem nada.
(ps - Bem catita, o segundo avanço do novo álbum. Haters gonna coiso.)

quarta-feira, agosto 09, 2017

Feito.

Mete mais alto #548























Aqui

Hoje, aniversário do bombardeamento de Nagasaki, convém lembrar ao shôr Donald e ao shôr Kim: calminha no fagote nuclear, há gente que tem trabalhos para concluir, coisas por dizer e, por bizarro que pareça, vidas para viver. Mandem-lhes recado que eu estou sem rede no tele. Obrigadinhos.

terça-feira, agosto 08, 2017

Há muitas referências cinematográficas em #1986ASérie. O horror, às tantas, também dá um ar da sua graça. Que clássicos do género acham que lá estarão representados?
Brevemente na RTP 1

"Ah mas eu não fiz spoilers, eu só publiquei um gif e/ou uma imagem da CENA MAIS IMPORTANTE DE TODO O EPISÓDIO!"

Osga-se. Asnos ou malta sem consideração; ou ambos.

Da esquerda para a direita: Joana Stichini Vilela, Laura Dutra, Miguel Moura e Silva, Nuno Markl, e este que se assina.
Acabou de ser aqui gravada uma cena épica, digna de figurar num VHS deste clube de video dos anos 80.

(Antes que venham com coisas: a Laura e o Miguel estão com roupas deles, e não de 1986. 'Tá? Pronto.)
#1986ASérie

Vós não vos cansais de vos comportardes como sevandijas imundos; não me cansarei de vos desejar todo o mal do multiverso: gentinha dos spoilers de GoT - que vos murche o entrepernas, que vos seque a bucetinha, que a sífilis vos consuma do toutiço aos dedinhos dos pés e acabem os vossos dias a comer caganitas de piriquito servidas em alguidares de regurgitação de saguim. Posto isto, tende um dia de merda, é o que vos desejo.

segunda-feira, agosto 07, 2017

Cotãozinho

Em 20 anos a escrever para televisão, já me deparei com incontáveis situações em que pessoas ou instituições não aceitam participar em séries, ou não permitem que lá se grave, por acharem que a sua credibilidade está a ser posta em causa - mesmo quando não há paródia envolvida - só porque se trata de ficção. Quando há paródia, isso então, é a loucura. Acontece - e ainda bem - o contrário. Lembro-me, por exemplo, do enorme e saudoso Vasco Granja, que não só aceitou fazer de si próprio num sketch que fizemos para o Herman Enciclopédia, como ainda improvisou por cima do texto, acentuando ainda mais a paródia. Sinal de grandeza, em contraste com a sobranceria que abunda (gostava de deixar aqui link para esse sketch, mas não encontro um onde a rábula apareça completa).

Pense-se nos míticos celebrity roasts apresentados por Dean Martin, na NBC, entre 74 e 84. Veja-se, por exemplo, esta pequena amostra do roast de Frank Sinatra. Há tantas lendas presentes que se pode falar em Olimpo: Lucille Ball, Gene Kelly, Don Rickles, Orson Welles, Dom DeLuise, Jimmy Stewart, Milton Berle, Ernest Borgnine, Ronald Reagan, Peter Falk, para mencionar só alguns. Todos a fazer roast, a levarem por tabela, e a divertirem-se genuinamente com isso. Cá em Portugal, já aconteceram dois roasts, um deles exibido na Radical, mas a norma continua a ser o avesso. "Ah, mas ó Filipe, nos States essas coisas sempre foram diferentes, é uma questão cultural". Pois é. Ou, neste caso, da falta dela. Quando alguém se leva demasiado a sério, normalmente é sinal de que tem razões mais do que suficientes para não sê-lo. E não é por se recusar a participar em auto-paródias que vai ganhar respeito.

Há pó ao nível do cotão em muita cabecita, e é pena porque, parecendo que não, o pó pesa e acaba por atrasar aquela coisa que se chama andar para a frente.

Malta que classifica o plano do seio coberto durante o jogo de futebol como "porco e ordinário" devia receber 10 dick pics por dia no telemóvel, só para verem o que é bom para a tosse.


(nota adicional: receber dick pics não cura a tosse; isto é uma força de expressão, não estou para aqui armado em homeopata.)

Horas de emissão pornográfica com imagens de pessoas de que perderam tudo o que tinham, a chorar; cadáveres e familiares em choque - e tudo bem. Três segundos (nem tanto) de um seio coberto, durante um jogo de futebol, e é a indignação geral. O peeps anda com as prioridades trocadas e os critérios estragados. E um indivíduo com os cinco alqueires bem medidos sente-se como uma bola numa máquina de pinball, batendo ora no nojo, ora na pena, depois na revolta, depois de novo no nojo; e assim sucessivamente.

Um dos mais negros e hilariantes solos do senhor. Devia ser comparticipado pelos serviços de saúde, porque é remédio que trata os efeitos da bullshitada diária a que somos expostos. Não cura mas dá aquele quentinho no âmago. Uma dose de lucidez nunca fez mal a ninguém; antes pelo contrário. Long Live King Louis.

sábado, agosto 05, 2017

Moebius

Paradoxo zigomático: aqueles sem sentido de humor dão-me vontade de rir.

sexta-feira, agosto 04, 2017

Há uma porção do trabalho de escrita que permite a audição de música. Uns 5%, assim por alto. São 5% muito importantes. Falo por mim.

How Information Overload Robs Us of Our Creativity: What the Scientific Research Shows

Anda, Sarah Connor, 'tá na hora.

quinta-feira, agosto 03, 2017

Takatsugu Kimura, 1984

Subir na vida.
Que cabrõezinhos, hein?

quarta-feira, agosto 02, 2017

Dantes, batiam-nos à porta com revistas Sentinela. Hoje, arrombam-nos o feed com poemas.














(imagem: a única fotografia conhecida de Jesus com um filtro Hudson publicada no Snapchat)

Se um intolerante ao glúten vir uma foto de comida com glúten no Instagram, a realidade implode ou morre só um golfinho?‬

Malta, não tenho nada de achar mas, por acaso, até acho muito bem que andem a malhar no ginásio. E se querem postar centenas de videos em que aparecem a malhar, são obviamente livres de fazê-lo. Mas vou ter de deixar de segui-los, 'tá? Limitação minha, com certeza, só que às tantas é constrangedor: se quiser ver pessoas suadas e em esforço, vou ao Pornhub. Mais: sinto que estou a ver uma sequência de treino do Rocky sem o pay-off da luta no fim. Continuo a gostar muito de vocês todos, mesmo daqueles sem abdominais. Dica: publiquem esses retratos de esforço no Tinder, verão que rende imenso. De nada.

LÂMINA: saiu hoje a revista LOUD! deste mês e traz uma entrevista à Katari e uma review ao nosso álbum de estreia, LILITH ("Corta fundo, esta lâmina. É perfurante, arrojada, expressiva das mais variadas formas.")
Check it out!

terça-feira, agosto 01, 2017

Chiçacaburros

Norwegian Islamophobes confuse empty bus seats with women in burkas

Do humans dream of electric threats?

O medo, e ódio consequente, é a maneira mais cómoda de enfrentar o que não se compreende. Tende calma no fagote.

The 'creepy Facebook AI' story that captivated the media

1969

Paul Kinsella

"Van De Schoonheid en de Troost"

"Da Beleza e Consolação" - as maravilhosas entrevistas conduzidas por Wim Kayzer, por cá exibidas na SIC, há uns anos que se fazem largos. Aqui, a de George Steiner.

(Obrigado, António De Castro Caeiro, pela lembrança)

Alerta a todos os coleccionadores!

É complicado, mas há que tentar: precisamos de Masters do Universo clássicos da década de 80 ainda na embalagem, para uma cena de #1986ASérie passada numa loja de brinquedos. O material será bem tratado e devolvido intacto.
Se têm, ou se conhecem alguém que tenha, digam qualquer coisa. Obrigado!

Joseba Elorza