quarta-feira, julho 26, 2017

64 em 24

Passei muito tempo a achar que, quando se insistia no mesmo gesto, à espera de um resultado diferente, se estava perante um caso de loucura. Acontece que, nos últimos tempos, ficou provado que não é assim. Também se pode dar o caso de a insistência ter a ver com estupidez (própria) ou com o facto de tomar os outros por estúpidos. Há uma convicção arredada de toda a lógica e humanidade neste escavar da miséria alheia para tentar provar um facto (que não o é), chegar a um objectivo, derrubar um governo. Já nem falo do discurso populista dos políticos - foco-me nas alarvidades propagadas por aqueles que, por interesse palpável ou rendição a dogma quase-religioso, se vão revelando nos media, os ditos tradicionais e os outros. Costuma dizer-se que, de génio e de louco, todos temos um pouco. A parte do génio, enfim, remeto para outro ditado popular: presunção e água benta, cada um toma a que quer. A parte do louco - a essa, há que acrescentar o epíteto de ignorante, porque só mesmo os ignorantes poderão ter a convicção de que um discurso populista e desumano consegue trazer outro resultado que não seja a chacota. Chega de disfarçarem as vossas intenções com dores alheias.

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