quinta-feira, junho 22, 2017

Sempre que desfruto de uma refeição demasiado calórica, no dia seguinte leio uma crónica da Maria João Marques, do Observador, de maneira a causar um reviralho tripal que me permita jejuar e repôr níveis de colesterol e glicémia. Ora, como na terça-feira aconteceu deglutir frondoso pernil assado no forno com batatinhas a murro, atirei-me ao textiúnculo de ontem, sobre o fogo de Pedrógão Grande. Numa apologia do tipo beija-mão ao governo de coligação anterior, com todas as responsabilidades endereçadas ao actual, consegue, p.e., a cabriola de mencionar Cristas sem nunca referir ter sido a Assunção a autora do Decreto-Lei n.º 96/2013 que implementou o regime de arborização que liberaliza a plantação em monocultura de eucalipto, arvorezinha tão estimada por produtoras de celulose e tão amiga de uma boa combustão. Se a ideia era fazer um rol de todas as vergonhas que causaram mais esta tragédia, seria de disparar à esquerda e à direita, que há alvos dos dois lados da estrada. Agora, o que rebenta com o tracto digestivo é ver este aproveitamento político ser feito sob o estandarte da indignação pelas vítimas, pela desgraça alheia; nada subtil, nauseante - é garantido que não conseguirei comer mais nada até ao fim do mês.

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