terça-feira, março 21, 2017

A obscuridade é o refúgio da incompetência

"Rodin morreu mais ou menos na altura em que o mundo começou a sacudir a sua tampa. Os seus sucessores notaram as coisas fantásticas que ele tinha feito com luz, sombra e material e composição e copiaram essa parte. O que eles não conseguiram ver foi que o mestre contava histórias que revelavam o coração humano. Desdenharam pintar ou esculpir essas histórias... e apelidaram tal trabalho de literário. Partiram todos para as abstrações. (...) O desenho abstracto está correcto: para papel de paredes ou para linóleos. Mas a arte é o processo de invocar piedade e terror. O que os artistas modernos fazem é masturbação pseudo-intelectual. Arte criativa é uma relação sexual em que o artista emociona a sua audiência. Estas senhoras que não se dignarão fazer isso... ou não podem... perderam o público. O indivíduo vulgar não comprará «arte» que o deixe insensível. (...) Uma pessoa tem de aprender a olhar para a arte. Mas cabe ao artista usar linguagem que possa ser entendida. Muitos desses brincalhões não querem usar uma linguagem que tu e eu possamos aprender; preferem escarnecer porque nós não «conseguimos» ver aquilo que eles querem dizer. Que não é nada. A obscuridade é o refúgio da incompetência."

- Jubal Harshaw, o alter ego do próprio Robert A. Heinlein n'"Um Estranho numa Terra Estranha" (1961) e em alguns outros livros.

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