Psicadelizemos, Doutor
As distribuidoras Marvel/Disney têm a vida facilitada: mantendo uma qualidade regular, e chegando até, em alguns dos filmes, a surpreender, o universo cinematográfico destes heróis goza de um hype merecido que garante, à partida, salas cheias.
DR. ESTRANHO, um dos personagens que mais me fascina desde sempre, chega aos cinemas com uma dignidade notável, visuais psicadélicos que, só por si, fazem valer o preço do bilhete (a maneira certa de ver este filme é em IMAX 3D). O trabalho do realizador Scott Derrickson, de toda a sua equipa, e das 7890586 companhias de efeitos visuais que conspiraram para tornar certas sequências possíveis, é absolutamente brilhante, ímpar e único. A transposição do imaginário estético de Steve Ditko (criador), e da não menos marcante interpretação de Frank Brunner (anos mais tarde, a partir dos argumentos de Steve Englehart) é impressionante. Há uma nova fasquia a ultrapassar neste campo, e é muito alta.
Avassaladora também é a banda sonora: o enorme Michael Giacchino ultrapassa-se, outra vez, e oferece aqui um dos seus trabalhos mais inspirados, que dá ao filme a toada perfeita. Arrisco dizer: a melhor das bandas sonoras originais do universo cinematográfico Marvel.
Benedict Cumberbatch na pele de Stephen Strange não podia fazer mais sentido e, apesar do filme girar todo à sua volta - ou não se tratasse de uma 'história de origem' - há espaço suficiente para que todos os personagens brilhem (ou quase todos; já lá vamos). Especial destaque para Benedict Wong, no papel de Wong (a coincidência de nome próprio e apelido é feliz e apropriada), de quem espero muito em histórias futuras. Tilda Swinton eclipsa, logo nos primeiros instantes, qualquer espécie de relutância que se pudesse ter em vê-la a interpretar The Ancient One (personagem que, nos comics, é masculina e de aspecto idoso), e Chiwetel Ejiofor dá aqui os primeiros passos no que se supõe (sabe!) ser um papel determinante nos ópus seguintes.
O filme peca pela duração: sendo que se propõe introduzir a abordagem marveliana ao oculto e ao misticismo, 115 minutos são manifestamente insuficientes para dar a DR. STRANGE uma respiração que penso fundamental. Apesar de bem estruturada, a história é prejudicada pela rapidez do avanço da narrativa, em especial em cenas que poderiam e deveriam ser mais pesadas. A Marvel tem vindo, cada vez mais, a apostar no registo cómico; e, se isso faz sentido em GUARDIANS OF THE GALAXY e ANT-MAN, esta apresentação do Dr. Stephen Strange ao universo cinematográfico beneficiaria, creio, se doseasse o humor, em especial no terceiro acto: aquilo que poderia ser um climático final fica fragilizado pela certa leveza com que é apresentado – a catarse visual está lá, a emocional deixa a desejar.
Uns minutos extra poderiam também permitir que Christine Palmer, interpretada por Rachel McAdams, fosse mais desenvolvida – a presença dela no filme fica muito aquém do que poderia ter sido. O mesmo para o Kaecilius de Mads Mikkelsen, a bisar o que tem sido o maior problema da transposição do universo Marvel para o cinema: vilões pouco marcantes. Mesmo assim, Mads Mikkelsen cumpre muito bem com as ferramentas que lhe são dadas.
DR. ESTRANHO é um valiosíssimo acrescento ao panteão de heróis Marvel transpostos para o cinema, memorável em vários sentidos, mas sai um pouco maculado pela sensação de que este primeiro filme existe para ‘distribuir jogo’, preparar a audiência para as sem dúvida determinantes presenças de Stephen Strange em histórias futuras, mesmo em filmes que não em nome próprio. Seja como for, este é já um dos meus preferidos da Marvel/Disney, um que vou querer rever com gosto.
DR. ESTRANHO, um dos personagens que mais me fascina desde sempre, chega aos cinemas com uma dignidade notável, visuais psicadélicos que, só por si, fazem valer o preço do bilhete (a maneira certa de ver este filme é em IMAX 3D). O trabalho do realizador Scott Derrickson, de toda a sua equipa, e das 7890586 companhias de efeitos visuais que conspiraram para tornar certas sequências possíveis, é absolutamente brilhante, ímpar e único. A transposição do imaginário estético de Steve Ditko (criador), e da não menos marcante interpretação de Frank Brunner (anos mais tarde, a partir dos argumentos de Steve Englehart) é impressionante. Há uma nova fasquia a ultrapassar neste campo, e é muito alta.
Avassaladora também é a banda sonora: o enorme Michael Giacchino ultrapassa-se, outra vez, e oferece aqui um dos seus trabalhos mais inspirados, que dá ao filme a toada perfeita. Arrisco dizer: a melhor das bandas sonoras originais do universo cinematográfico Marvel.
Benedict Cumberbatch na pele de Stephen Strange não podia fazer mais sentido e, apesar do filme girar todo à sua volta - ou não se tratasse de uma 'história de origem' - há espaço suficiente para que todos os personagens brilhem (ou quase todos; já lá vamos). Especial destaque para Benedict Wong, no papel de Wong (a coincidência de nome próprio e apelido é feliz e apropriada), de quem espero muito em histórias futuras. Tilda Swinton eclipsa, logo nos primeiros instantes, qualquer espécie de relutância que se pudesse ter em vê-la a interpretar The Ancient One (personagem que, nos comics, é masculina e de aspecto idoso), e Chiwetel Ejiofor dá aqui os primeiros passos no que se supõe (sabe!) ser um papel determinante nos ópus seguintes.
O filme peca pela duração: sendo que se propõe introduzir a abordagem marveliana ao oculto e ao misticismo, 115 minutos são manifestamente insuficientes para dar a DR. STRANGE uma respiração que penso fundamental. Apesar de bem estruturada, a história é prejudicada pela rapidez do avanço da narrativa, em especial em cenas que poderiam e deveriam ser mais pesadas. A Marvel tem vindo, cada vez mais, a apostar no registo cómico; e, se isso faz sentido em GUARDIANS OF THE GALAXY e ANT-MAN, esta apresentação do Dr. Stephen Strange ao universo cinematográfico beneficiaria, creio, se doseasse o humor, em especial no terceiro acto: aquilo que poderia ser um climático final fica fragilizado pela certa leveza com que é apresentado – a catarse visual está lá, a emocional deixa a desejar.
Uns minutos extra poderiam também permitir que Christine Palmer, interpretada por Rachel McAdams, fosse mais desenvolvida – a presença dela no filme fica muito aquém do que poderia ter sido. O mesmo para o Kaecilius de Mads Mikkelsen, a bisar o que tem sido o maior problema da transposição do universo Marvel para o cinema: vilões pouco marcantes. Mesmo assim, Mads Mikkelsen cumpre muito bem com as ferramentas que lhe são dadas.
DR. ESTRANHO é um valiosíssimo acrescento ao panteão de heróis Marvel transpostos para o cinema, memorável em vários sentidos, mas sai um pouco maculado pela sensação de que este primeiro filme existe para ‘distribuir jogo’, preparar a audiência para as sem dúvida determinantes presenças de Stephen Strange em histórias futuras, mesmo em filmes que não em nome próprio. Seja como for, este é já um dos meus preferidos da Marvel/Disney, um que vou querer rever com gosto.



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