quarta-feira, novembro 30, 2016

Sobre a visita dos reis de Espanha

Uma vez os reis de Espanha visitaram a minha escola e todos os meninos da minha turma se levantaram para saudá-los, mas eu estava distraído a ler um post no Facebook acerca de Fidel gostar muito de charutos e deixei-me ficar, e a minha professora, que era muito parecida com a Assunção Cristas no sentido em que também costumava falar no radicalismo do amor - Stôra Maria de Bettencourt e Pocahontas, usava begónias nas tranças que lhe chegavam aos calcanhares -, chegou-se ao pé de mim e disse então, Carlos, não te levantas?, e eu, que já na altura tinha uma vaga ideia de não me chamar Carlos, continuei sentado, deixei a leitura do post sobre o Fidel e os charutos a meio, publiquei uma foto dos reis de Espanha no Instagram, só tive três likes, e duas semanas depois a foto apareceu na capa da Hola! sem que eu aparecesse creditado.
Vidas.

1 9 8 5

Prince - Purple Rain Live @ AMA Awards, 1985

Percebo que o BE não tenha aplaudido a realeza espanhola, o que não percebo é pessoas que aplaudem os Coldplay.

3 x Georges Dussau



Vladimir Kush

Jacek Yerka

Excerto do prefácio que escrevi para o "Com o Humor Não se Brinca" do Nelson Nunes:

O panorama do humor nacional mudou muito nos últimos 30 anos, mais ainda nos últimos 20, e muito mais nos últimos 10. Um crescimento exponencial avassalador. A comédia atingiu o nível de variedade da música: há blues, e disco, e funk, e blues, e jazz, e pimba; e depois, dentro do rock, há o metal; e dentro do metal há o heavy, e o thrash, e o doom; e depois há os que fazem pimba mas acham que estão a fazer rock, e os que fazem rock fazendo pimba, e os que fazem pimba sabendo que estão a fazer pimba. Há música de todos os géneros e sub-géneros, para todos os gostos e, porque não dizê-lo, para todos os sub-gostos. Assim é na comédia. Esperar que a mundivisão de um Stockhausen seja igual à de um Artur Gonçalves, autor do seminal “Não Passes Mais com Ele na Musgueira”, é ingénuo.

Darkwood (2014)
Daria Endresen


Site

"The negative effect of Narcissist Personality Disorder happens in stages, and we have watched Trump’s relationship with his supporters, and it is very familiar to us. In a classic NPD relationship, first comes the love-bombing: the narcissist tells you what you want to hear. Then they manage down expectations: doing whatever they want, and expecting or demanding that you accept it without incident. Now, the pathological lying comes full force: you call them out on what they said or did and they vehemently deny it, making you question your sanity. Then comes the devalue stage: because you questioned or criticized them, they discredit you. Now, the discard: the punishment and alienation begins, and any attempts to please them are used to give them more control over you. It doesn’t end there. The cycle continues and the disorder becomes your new normal. It’s not. "

Silent treatment, love-bombing, gaslighting and other traits of Narcissist Personality Disorder - ler aqui

Jerry Lewis & Count Basie

Jerry. O Jerry.

terça-feira, novembro 29, 2016

Terry Dodson e Rachel Dodson

Wonder Woman #34
Selfie variant cover
Outubro 2014






















(click para aumentar)

Dream Team

Mete mais alto #493

THE DEAD WEATHER - I FEEL LOVE (EVERY MILLION MILES)

Egor Zhgun

Jason Schaltz


"Everyday Horrors"
Mais aqui

segunda-feira, novembro 28, 2016

Esta coisa do Mannequin Challenge é de uma enorme violência psicológica para o Michael J. Fox.

You blink when you breathe

AaAaaAa, AaaAaaA

Eddie Liu


"They Let You Do IT"
Lennart Gäbel


sábado, novembro 26, 2016

James Jean

O impressionante genérico da série WESTWORLD

Isto não é o faroeste

Muita gente maluca com WESTWORLD, eu incluído, apesar de achar que a série perdeu algum fòlego nesta segunda metade. O arranque do 8.º episódio, p.e., foi um tratado de má exposição narrativa - nada que, infelizmente, não se espere de algo com o toque de Jonathan Nolan -, e isso desmotivou-me um bocado. Mas a verdade é que a série tem sido bastante boa, com brutais valores de produção, elenco de excepção e momentos que já garantem lugar num qualquer panteão televisivo. Criada por Jonathan Nolan e Lisa Joy a partir do filme homónimo escrito e realizado por Michael Crichton em 1973, e da sequela, FUTUREWORLD (realizado por Richard T. Heffron e escrito por Mayo Simon e George Schenck), extrapola o conceito muito para lá do sequer esboçado no primeiro filme; mas, se viram FUTUREWORLD, talvez já tenham uma ideia muito concreta do rumo que a série vai tomar. Como aposta da HBO num porta-aviões pós-Game of Thrones, parece-me vencedora. Está garantida uma segunda temporada, que poderá só vir em 2018.
Curiosidade, para aqueles já cativados pela orelhuda música do incrível genérico: o tema é da autoria de Ramin Djawadi, que também compôs o tema de Game of Thrones.

Romy Schneider em L'ENFER, o filme inacabado de Henri-Georges Clouzot.

Holy na-na-na-na-na-na-na-na, Batman!

Fidelíssimo ao espírito da série original, aqui elevado a novas alturas pelas possibilidades permitidas pela animação e um exarcebar dos conceitos barrocos da ficção científica típicos da Silver Age. O melhor filme da DC/Warner deste ano, seja de animação ou de imagem real, é este BATMAN: RETURN OF THE CAPED CRUSADERS, com os lendários Adam West, Burt Ward e Julie Newmar a darem vozes aos personagens que interpretaram na década de 60. O genérico é uma bela homenagem a capas clássicas da Detective Comics, e os créditos finais são uma pérola por si só. Não alcança a grandiosidade de outros filmes de animação da DC/Warner, mas também não creio que fosse isso o pretendido.

"Clairvoyant, you leave me blind"

https://www.youtube.com/watch?v=Lp8pLaXmfroLÂMINA
"In The Warmth Of Lilith"
Official Video

Mete mais alto #492


Ethereal Riffian
"Drum of the Deathless"
I AM. Deathless
EP, 2016

Fidel Castro
638 tentativas de assassinato: "C'um catano."
Ano 2016: "(bocejo)"

Os cartazes da Intimissimi são o novo rebarbómetro. A cada referência babada nas redes sociais, o índice dispara.

sexta-feira, novembro 25, 2016

Mike McKone, 2016

Ontem n'A Barraca






















Fotos: Joana Azevedo

Daqui sairá um Nobel da Literatura. Aí é que a barraca vem abaixo.

Não consigo perceber se a loucura da Black Friday é pior dentro ou fora das redes sociais.

A par das notáveis composições de Jóhann Jóhannsson, a banda sonora do magistral ARRIVAL (O Primeiro Encontro) também conta com este tema de Max Richter. De uma pungência avassaladora, "On the Nature of Daylight" é a estocada final, o derradeiro aperto no peito.

quarta-feira, novembro 23, 2016

Sobrou
a justa luz de venerar nuvens
o volume de um sigilo
em tangente ao
desnorte
— saber-se povoado
de falésias
e sua vegetação tenaz
sem ter
o que teimar —
apenas sensível
à agulha inquieta da maresia
de chaves no bolso
como em todas
as partidas

- Vasco Gato

Amanhã

Conforme anunciado no blog do Miguel Martins:


Poesia às Quintas – com Miguel Martins – 210ª sessão – Bar a Barraca – 24 de Novembro – 22.30h – entrada grátis

Filipe Homem Fonseca, “O Experimentalista Gnosiológico”, toca teremim.
Miguel Martins, “O Suprematista Abexim”, lê a primeira página de 22 livros (!) do genial e méconnu Alberto Velho Nogueira.
Quem não aparecer é bom para puxar charretes.

Pazuzu Laranja


Oranssi Pazuzu
"Saturaatio"
Värähtelijä
2016

Ainda sobre essa obra-prima que é Arrival (O Primeiro Encontro): na senda da elegância e excelência que define este filme, a banda sonora de Jóhann Jóhannsson tem um papel importantíssimo. Marcante sem, no entanto, nunca se tornar intrusiva - antes pelo contrário, é o perfeito sublinhar da ambiência de cada uma das cenas -, é, a par da sonoplastia, mais uma peça sublime entre todas as peças sublimes que compõem este filme. Este tema, com indiscutíveis ecos da banda sonora de Akira (composta por Shôji Yamashiro, aka Tsutomu Ōhashi, e executada pelo seu colectivo Geinō Yamashirogumi), representa bem o grau de brilhantismo em questão. Sendo que Denis Villeneuve e Jóhann Jóhannsson estão agora encarregues de trazer à vida o próximo Blade Runner (Blade Runner 2049), respectivamente na realização e na banda sonora, não há como perder o optimismo no que aí vem.

terça-feira, novembro 22, 2016

Da elegância

Um filme sobre o processo (de linguagem, de contacto, de vida) teria, à partida, tudo para ser desordenado e agressor, pelo menos estruturalmente. Mas o que Dennis Villeneuve (realização) e Eric Heisserer (argumento, a partir de um conto de Ted Chiang, "Story of Your Life") aqui alcançaram é em tudo elegante. As interpretações, com devido destaque para Amy Adams, Jeremy Renner e Forest Whitaker, são elegantes, a realização é elegante, e o argumento, elegantíssimo, é um exemplo magistral de narrativa não-linear e contenção. Até os momentos de exposição pura são bem conseguidos e - para usar uma palavra que ainda não usei - elegantes. Cerebral, emotivo, belo: ARRIVAL (O Primeiro Encontro) é um clássico instantâneo da ficção científica, um exemplar notável da arte do cinema.

Mete mais alto #491

Oranssi Pazuzu, das bandas mais refrescantes e inovadoras a surgir nas últimas décadas, com um tema de um dos melhores discos deste ano, o magnífico Värähtelijä.

Mete mais alto #490

Ainda em relação ao post abaixo: os Spastic Ink, dos irmãos Jarzombek, começaram em 1993 e são mais uma prova de que muitos dos projectos mais inovadores estão arredados do mainstream. Sendo que não lançam nada desde 2004, resta-nos ir acompanhando o senhor Ron Jarzombek a solo ou com os Blotted Science.

Em comentário a um post do meu amigo José de Pina no FB, que se pergunta onde anda a novidade no rock, deixei as notas que aqui reproduzo. Com a certeza de que o que escrevi não responde por inteiro às suas angústias, que também são, de certa forma, as minhas (se eu, claro está, tivesse um coração que me permitisse ter angústias, em vez deste cubo de Rubik 17x17).
A maior criatividade está a surgir em nichos, longe dos holofotes [complemento: holofotes do mainstream]. As sonoridades mais pesadas e/ou mais experimentais têm dado à luz bandas surpreendentes. Desde Causa Sui, num registo stoner/jazz (mix que, em si, já é supimpa), até aos magníficos Oranssi Pazuzu. All Them Witches e Uncle Acid and The Deadbeats são mais dois exemplos de que o rock está bem vivo, revisitando lugares, buscando novos territórios a partir de zonas já exploradas. Radio friendly? O radio friendly, por definição, já não tem interesse nenhum. A não ser, lá está, que estejamos a falar de estações/programas de nicho.
Outro projecto a acompanhar: Spastic Ink.
Acrescento ainda: não é uma questão de esperar que estas bandas saltem 'cá para fora'; nós é que temos de saltar 'lá para dentro'. Assim na música como em tudo.

Não percebo. Ele parecia tão bem. Desde sempre.

segunda-feira, novembro 21, 2016

Spastic Ink ♡

Spastic Ink - A Wild Hare - Completo

sexta-feira, novembro 18, 2016

Verdadeira classe demonstrou a Rainha de Inglaterra. Da última vez que relembrei a uma tia minha que ela tinha andado comigo ao colo, levei duas lamparinas porque disse que a estava a chamar velha.

Porque é importante conhecer outros pontos de vista, não perdendo, no entanto, o foco, e a capacidade de chamar às coisas o que elas são. A cultura do eufemismo e do politicamente correcto só traz mais problemas. Uma aberração que alastra não passa, por isso, a ser normal. Polémico é uma coisa; racista, xenófobo e homofóbico é outra. A hipernormalização é a ameaça imediata. Muito bem ilustrado neste cartoon de Benjamin Schwartz, publicado no New York Times.

Vi a Ágata a cantar o "Hallelujah" do Leonard Cohen e não consigo perceber se aquilo é fumo ou cuspo.

Generate your own Metallica logo

Acho que dei uso digno a esta aplicação.

http://metallica.alwaysdata.net/

Cartoon Trump And Cartoon Putin Make First Joint Public Appearance

quinta-feira, novembro 17, 2016

No meu "e enquanto espero que me arranjem o esquentador penso em como será a vida depois do sol explodir", 2015.

PARADISE - A contemporary interpretation of The Garden of Earthly Delights

PARADISE - A contemporary interpretation of The Garden of Earthly Delights from STUDIO SMACK on Vimeo.

É a questão do momento? Fumo ou cuspo? A sério? Foda-se.

Here Comes Revenge

A escassas horas de darem à luz o seu novo álbum, "Hardwired... To Self-Destruct", os Metallica​ colocam videos online como se não houvesse amanhã. A par de "Murder One", e da paródia de "ManUnkind", este é um dos meus favoritos. Realizado por Jessica Cope.

Parecendo que não, Grândola é outra coisa

As reacções e o tratamento dado aos discursos de ódio são o tipo de coisas que mostram que a cultura do eufemismo e do politicamente correcto não está com nada. Quando um jornal se refere a Pinto Coelho como “polémico dirigente”, não se está a fazer jus à categoria, ou à falta dela, de alguém cujo programa eleitoral se concentra em não querer mulheres de burka ou orações nas ruas de pessoas viradas para Meca. De apoiantes que, numa manifestação anterior, empunhavam cartazes com pérolas da homofobia como “80% dos pedófilos são homossexuais”. Isto não é polémico, peeps. Isto é falso, e perigoso.
Ouvir aqui

http://www.tsf.pt/programa/nao-e-mau/emissao/parecendo-que-nao-grandola-e-outra-coisa-5502494.html
 

Murder One

A homenagem dos Metallica ao Deus Lemmy.
Tema incluído no novíssimo"Hardwired...To Self-Destruct"
(sai amanhã).
Video realizado por Robert Valley.

terça-feira, novembro 15, 2016

Desta onda, continuo a preferir casacos com headphones.

As longas-metragem de animação da DC continuam a dar dez a zero ao que tem feito em live action. Três exemplos recentes.

Mete mais alto #489

Baron Crâne - "Warm Lake"
Live @ Sylicone Studios
Paris, FR
Março 2016


(click para aumentar)

Mete mais alto #488

Mammoth Weed Wizard Bastard
"Valmasque"
do novíssimo Y Proffwyd Dwyll

Sobre os maduros do crossfit

A ternura do crossfit nos 40 - ouvir aqui

http://www.tsf.pt/programa/nao-e-mau/emissao/a-ternura-do-crossfit-nos-40-5498294.html

domingo, novembro 13, 2016

PNR ficou com o excitex por causa da vitória do Trump. Um acto onanista no recato do lar, em frente a um busto do Trump, não seria mais saudável?

Tanta gente comovida com a interpretação emocionada da Kate McKinnon do Hallelujah, com mensagem de apoio à Clinton, ontem no SNL. O que não vi, há coisa de um ano, foi gente revoltada com o facto de terem convidado o Trump para host. Agora choram. Chuif.

sexta-feira, novembro 11, 2016

O Facebook a relembrar-nos da nossa mortalidade. Como se, mais ainda nos tempos que correm, fosse preciso.
Ei. Zuckas, e se fosses para o real caralho?

Kevin Nowlan, 1987


Grace under pressure.
Move forward.

Lucidez. Está aqui tudo.

Que o ano acabe antes que acabe com tudo.
RIP Leonard Cohen.

quinta-feira, novembro 10, 2016

Mete mais alto #487

Boss Keloid
"Lung Mountain"
Herb Your Enthusiasm
2016


Capitão América??? Heresia!


O que espero da esquerda não é uma atitude carpideira de "ai, credo, quero emigrar, de planeta"; é esta tomada de consciência - que já peca por tardia - e acção imediata. Porque, por incrível que pareça, o pior pode estar para vir, se o paradigma mudar só para alguns e não para todos.

quarta-feira, novembro 09, 2016

"Ai e tal, não percebo como é que o Trump ganhou."
Chama-se democracia.

A vitória de Trump legitima uma certa estética capilar. E isso é grave.

Cara imprensa americana, portuguesa, internacional: não sabeis um caralho.

Vou ali sonhar o Sonho Americano e já venho.
Boa noite.

O Walking Dead e o Game of Thrones vão deixar de parecer assim tão brutais.
#ElectionNight #ElectionNight2016

American Dream

terça-feira, novembro 08, 2016

Pedro Dias é o novo Tarzan. Veio da mata para gáudio da mulher urbana. "Mim Pedro Dias. Tu Jane." Sócrates, estudasses.

Triângulos: Pedro Dias entrega-se à polícia, Sandra Felgueiras entrega-se a Pedro Dias.

Isto bem falado, e o Pedro Dias ainda é capa da próxima edição da revista Cristina.

Ouve-se a Sandra Felgueiras falar de Pedro Dias e pensa-se que talvez a jornalista precise de um abraço.

Pedro Dias entregou-se. Até ele estava farto desta coisa de nunca mais ser apanhado.

Debra Paget

"The Indian Tomb" (1959), de Fritz Lang

Não é mau:
Americano criacionista com duas metralhadoras na despensa, vote bem

Ouvir aqui

http://www.tsf.pt/programa/nao-e-mau/emissao/americano-criacionista-com-duas-metralhadoras-na-despensa-vote-bem-5485676.html

Para circular em Lisboa durante a Web Summit é preciso mindfulness para garantir design thinking daquele out of the box.

Pergunta aos 2500 voluntários da Web Summit: trabalhar de borla também conta como empreendedorismo?

Lisboa é uma app criada para a Web Summit, aquela parte do Metro é que está cheia de bugs. Os participantes da summit foram avisados que eram beta testers? Os lisboetas, sei que não.

segunda-feira, novembro 07, 2016

Amanhã, quer vença Trump, quer vença Hillary, não sejamos fatalistas. Não é o fim do mundo. Não esqueçamos que por cá, por exemplo, sobrevivemos a décadas de Cavaco.