quinta-feira, agosto 04, 2016

Vi há pouco o Suicide Squad


Nenhum texto que se escreva sobre Suicide Squad pode começar de outra maneira que não seja: Margot Robbie, faz-me um filho.

Tendo isto resolvido - queria tanto ter adorado este filme. Mas não aconteceu. E o providencial "O problema não és tu, sou eu", aqui não se aplica. O problema é mesmo do filme. Vamos a isto? Sem spoilers? Ok, vamos a isto sem spoilers. Mas atenção que, se querem ir completamente virgens para a sessão, então arredem-se de ler isto; não tem spoilers, mas não deixa de ser a minha visão.

Suicide Squad é o desastre que muitos apregoam? Não. Entretém? A primeira metade (que, atenção, também tem problemas à farta). O espectador envolve-se? Meh.

É a prova de que o problema nas adaptações da DC ao cinema não tem a ver com o tom sombrio (como se mais provas fossem precisas depois do inenarrável Green Lantern). Tem momentos de galhofa, mas é galhofa daquela de fazer um ligeiro esgar num dos cantos da boca; raras são as vezes em que deixamos escapar genuína gargalhada. O problema aqui, acima de tudo, é o argumento. Desgarrado, com problemas de estrutura e dinâmica incompreensíveis; previsível e, quando não é, é pelos piores motivos (já lá vou). A edição não ajuda: tendo em conta o que vimos nos trailers - qualquer um deles muito superior ao filme -, é de ficar boquiaberto com algumas das escolhas feitas na montagem. Já para não falar de que alguns dos momentos altos dos trailers nem sequer chegaram ao corte final (talvez que fiquem reservados para o blu-ray, mas essa é moda que não papo).

O elenco é bom, entrosado - pena que tenham pouca oportunidade de interagirem, que pouco lhes seja dado para fazer. Joss Whedon teria feito maravilhas com estes personagens, interpretados por este elenco (vamos esquecer que Whedon fez o Age of Ultron, ok? Pronto). Will Smith domina, como seria de esperar, e sem esforço aparente. É daqueles actores que, quase sempre, sobrepõe a sua personalidade ao personagem e ninguém lhe consegue levar a mal; antes pelo contrário. Margot Robbie domina, e mal posso esperar para ver o filme a solo que lhe está reservado. Viola Davis - num dialecto extraterrestre qualquer, Viola Davis significa "Aquela Que Parte a Louça Toda" e é exactamente isso que ela faz em qualquer papel que interprete. Aqui não é excepção: Viola Davis é Amanda Waller, uma transposição perfeita dos comics para o cinema (felizmente que o guião lhe dá o suficiente para brilhar). A surpresa: Jai Courtney. Pena é que o personagem que interpreta, Captain Boomerang, não tenha qualquer tipo de evolução durante a história. Desperdício.

E, por falar em desperdício: há personagens que pelamordedeus. Uns não estão lá a fazer nada, outros fazem coisas que não faz sentido que façam porque não há motivação nenhuma, nada que os tenha levado àquele momento. Verdadeiros Deus Ex Machina - acontece porque dava jeito. É coisa para fazer rasgar um pedaço da cadeira do cinema com as unhas, quando nos agarramos e torcemos no assento; reviravoltas completas dos personagens que acontecem sem construção, caídas do ar.

Cara Delevingne. Não me façam falar da Cara Delevingne. O que é aquilo? Quem é que a deixou fazer aquilo? Quem é que a pôs a fazer aquilo e disse "boa"? Não, Cara, assim não brinco. És fofa e tal mas pôrra, Cara.

Jared Leto tem uma abordagem interessante ao Joker. E não consigo dizer mais do que "interessante" porque neste filme ele está longe de ter uma posição de destaque. Funciona como love interest da Harley Quinn e não vejo problema nenhum nisso. Havemos de ter mais Joker Leto em filmes futuros. E o que o Jared fez aqui já bastou para me deixar com vontade de ver mais. Tirando aquela coisa dos 30 Seconds to Blargh, o Jared dá sempre grandes alegrias ao peeps.

Depois, há uma coisa em específico que acontece, e da qual eu não posso falar porque prometi que não ia spoilar nada, mas é uma cena que é tão, mas tão, mas tão avessa a tudo o que o personagem (não vou dizer qual) representa que, das duas uma: ou David Ayer não tem a mínima noção do personagem com que está a lidar (o que me parece impossível), ou achou que era extremamente subversivo pô-lo nesta posição. Se era essa a intenção, para mim não resultou. Aliás, a partir daí não consegui deixar de continuar a assistir ao resto do filme com um sentimento de desconfiança.

O antagonista? Vou dedicar tanto tempo a escrever sobre o antagonista quanto o argumento se dedicou a desenvolvê-lo.
Pronto, já está.

A sensação que fica: a experiência de fazer este filme foi do caraças, todos os envolvidos se relacionaram e criaram laços, sim senhores, e por isso é que parecem tão entrosados nos press junkets; mas isso não passa no ecrã, não está no filme, a história não permite a cumplicidade entre os personagens, a cumplicidade de que o filme depende. Não há construção. A própria banda sonora sofre com isso. Tanto hit a musicar o quê? A fórmula do Guardians of the Galaxy (que só é nova em filmes de super-heróis) funcionou porque estava a servir uma história, personagens bem escritos, bem desenvolvidos. Quando está ao serviço de uma coisa tão mal estruturada como este Suicide Squad, cai no vazio.

Enfim, que pena.

Se acho que devem ir ver o filme? Sim, deve ser visto, e deve ser visto em Imax. Não ver em Imax um filme pensado para ser visto em Imax é como ver um filme num smartphone. Disse.
Agora, o que fazem melhor é: logo a seguir a verem este Suicide Squad, assistam à longa-metragem de animação Batman: Assault on Arkham. É praticamente com os mesmos personagens (salvo algumas diferenças) e só não dá cinco a zero a este Suicide Squad porque este tem Margot Robbie. E eu, não sei se já vos disse, mas quero que a Margot Robbie me faça um filho. E tem de ser já, porque depois são nove meses de concepção e em Junho de 2017 já tenho apalavrado com a Gal Gadot engravidar dela quando sair o Wonder Woman.

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