quinta-feira, julho 21, 2016

Há uns anos valentes assisti a uma actuação do Grande Serip, Mestre da Micromagia, amigo do meu amigo Rui Cardoso Martins que, aliás, fez de Serip personagem do seu romance "Deixem passar o homem invisível". Na magia de Serip via-se o que tentava esconder nas mãos e nas mangas, viam-se os fios, via-se o truque, sem resguardo capaz. E nós, na assistência, a fazer de conta que estava tudo bem, que as salsichas que Serip pretendia fazer aparecer do ar não lhe escorregavam pela manga abaixo. Assim está o mundo perante o que se passa na Turquia: um mal-amanhado golpe de Estado em que se topam os fios e os truques com espelhos, um Erdogan a aproveitar-se da situação cheio de manhas na manga, a fazer uma razia de todos os possíveis e eventuais opositores que vão sendo afastados e presos como que - aí, sim - por magia; e o mundo a fazer de conta que não se passa nada de esquisito. A grande diferença: mesmo mostrando tudo o que tinha nas mangas, o Grande Serip dava um espectáculo memorável, não menos merecedor de aplausos do que se estivesse a separar as águas do Mar Vermelho. Já o que Erdogan está a fazer, sendo também memorável (até porque as repercussões disto vão ser mais que muitas), não merece palmas; merece dedos que o apontem, dizendo que o Erdogan - que quer ser Rei, Imperador Supremo, Darth-Lex-Vader-Luthor - também vai nu. O Erdogan vai nu, sem uma parrita a tapar-lhe as partes, e ninguém lhe diz "Jovem, então mas isso é assim, nem sequer uma sunga?"

Na foto: Erdogan executa o famoso truque de fazer aparecer uma lira turca de trás da orelha.

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