quinta-feira, março 31, 2016

Mete mais alto #467 ♥

Massive Attack, Azekel - Ritual Spirit (2016)

3

Vai ser exibido hoje à noite na RTP1, mas podem já ver aqui o 3.º episódio de Aqui tão longe.

Mete mais alto #466

Lana Del Rey - Video Games (2011)

Mete mais alto #465

Nirvana - Come as you are (1991)

quarta-feira, março 30, 2016

0 2.º episódio

de Aqui tão longe é exibido esta noite na RTP1, mas já podem vê-lo aqui


segunda-feira, março 28, 2016

Aqui tão longe

Em Junho do ano passado, fui contactado pela SP Televisão para criar e escrever uma série para a RTP 1. Hoje estamos no fim de Março e amanhã estreia a série. Nove meses da concepção à apresentação pública. Uma maratona em ritmo de sprint, como costuma dizer o Tiago R. Santos. Pelos dias em que andava a pensar numa ideia para uma série, calhou ir a um oftalmologista. Durante os exames, descobri o ponto de partida: a distância. A distância entre pessoas, objectivos, sonhos; aquela entre o que queremos e o que podemos, entre o que desejamos e o que precisamos. A distância entre a necessidade de segurança e o impulso pela busca de aventura, entre o que somos e o que desejamos ser, entre o que éramos e no que nos vamos tornar; entre o que o mundo faz de nós e nós com ele. Comecei então a pensar na história, nas personagens. E a escrever. Depois de ter o episódio piloto e a ideia para a série aprovados, havia então que escrever as duas temporadas de 16 episódios cada, num total de 32 episódios. Isto em cerca de seis meses, tarefa que não conseguiria cumprir sem a ajuda do Nuno Duarte, do Pedro Goulão, do Luís Filipe Borges, e do Tiago R. Santos. Foram muitas ideias, abordagens e versões de cada guião trocadas entre nós, muitas dúvidas, epifanias e epifanots, muitas conversas, muitos telefonemas às cinco da manhã pensando que eram cinco da tarde, tal era o ritmo. Obrigado, malta! Obrigado a toda a equipa da SP, obrigado a todo o elenco! Obrigado à direcção de programas da RTP, pela confiança, pela aposta nesta série. A partir de amanhã, de terça à sexta, 22h, a série que ocupou a maior parte das nossas vidas nos últimos meses vai começar a ser exibida. Esperamos que gostem. Vejam todos os episódios, não deixem de acompanhar o crescendo. Nada é o que parece. Esperamos que gostem.

A banda sonora? Brutal! Hans Zimmer & Junkie XL FTW

Zé Pedro, o Gomes


Ouvir aqui

quarta-feira, março 23, 2016

Lost in translation

Vejo muita gente indignada com a foto de uma criança refugiada erguendo um cartaz que diz "Sorry for Brussels". Malta que diz não entender o porquê de a criança pedir desculpa por uma coisa que não fez. Esclareça-se uma coisa: "sorry", em inglês, tem um significado diferente. Não é só "desculpa", como em português; não implica um retratamento por parte de quem o diz, como se estivesse a admitir responsabiliidade. Também é um lamento, como quem diz, "lamento a tua perda". "Sorry" não implica culpa por parte de quem o diz. Anda toda a gente a ferver em pouca água, é importante manter a clareza de ideias.

BvS

Vi há pouco Batman v Superman: Dawn of Justice.

Para começar (sem spoilers):

Melhor Batman que o cinema já viu. A única transposição fiel dos traços essenciais que fazem de Batman aquilo que ele é. Ben Affleck É Batman, os haters que comprem um frasco de Tabasco, reguem o sapo, e engulam-no.

Está a anos-luz de Man of Steel. Finalmente, o essencial de Super-Homem está retratado num filme: um alienígena, sobrevivente solitário de um planeta destruído, o ser mais poderoso da Terra com a cabeça de um jovem de interior rural dos Estados Unidos da América (ou desse ideal, herdado de 1938, data de criação do personagem). Henry Cavill convence mais nesta segunda aparição.

Wonder Woman. Aka WW. Wow. 'Ah e tal, luta entre Batman e SuperHomem, quem ganha?' Ganha a Mulher-Maravilha. Ela aparece (pouco) e torna-se complicado olhar para mais seja o que for. Venha 2017 e o filme a solo da moça. Que poderio.

Jesse Eisenberg como Lex Luthor é Jesse Einseberg como Mark Zuckerberg, só que com um problema mais grave. Jeremy Irons como Alfred Pennyworth: difícil esquecer o Alfred de Michael Caine; talvez tenha sido para distanciar a sua abordagem que Jeremy Irons optou por um tom mais austero do que eu estava à espera. Mas isto eram expectativas minhas, e o senhor Irons convenceu-me ao longo do filme. No tempo de exposição que tem, cumpre.

Sequências de acção dignas de antologia, quer aquelas em espaços fechados, quer as de perímetros de maiores dimensões, com uma sensação de espaço, de hecatombe em larga escala.

Zack Snyder trata o tempo, os ritmos, de forma muito particular nos seus filmes; percebo que incomode. Acho que teve um bom balanço em Watchmen e que também o consegue aqui. Chris Terrio e David S. Goyer escreveram uma boa fábula sobre o poder, misturaram muitas e boas referências, conseguiram uma história consistente, épica e emocional. Tem problemas? Tem. Mas um projecto com este grau de ambição, seria complicado que não os houvesse. No geral, o balanço é tremendamente positivo. Há momentos brutais.

Uma das críticas mais comuns é a de que o filme é demasiado disperso, contendo material a mais, mesmo para as duas horas e muito de duração (da minha parte, anseio por ver o director's cut, com três horas e tal). É certo que Zack Snyder usa de muitos floreados, mas acontece que há uns que funcionam tão bem que até nem custa perdoar a maior parte dos dispensáveis. Sendo que prepara as fundações do universo cinemático partilhado da DC, é certo que BvS deita muitas cartas em cima da mesa, verdade; mas não o faz de forma caótica; antes bem estruturada e com a devida atenção aos aspectos essenciais de cada personagem, e daquilo que delas é preciso ficar a saber para esta história em particular.

Exemplo de como isso foi mal feito, para citar um caso mais ou menos recente, é Avengers: Age of Ultron, que preparou o tabuleiro para a Fase 3 do universo cinemático da Marvel. No caso de BvS, não me parece que a gestão seja mal conseguida. Apesar de partilhar a história com todos os outros personagens, nomeadamente com o Superman, tão protagonista quanto ele, a verdade é que temos aqui o Batman mais bem conseguido de sempre.

Ao lidar com um universo riquíssimo (e a DC está com pressa, legítima, para apanhar a Marvel na corrida), não se pode esperar que um filme de qualquer um destes personagens, que já teve tantas encarnações no cinema (o Batman, então, ui), continue arredado do mundo circundante, com todos os outros heróis e vilões que abundam nas páginas dos comics.

As adaptações cinematográficas de comics, em relação ao meio onde vão beber, estão com entre 20 a 30 anos de atraso. Se é verdade que só agora se conseguem aspectos técnicos que tornam possíveis estas sagas, também é verdade que há todo um património de imaginário que está a transbordar assim, à bruta, pelo cinema adentro.

Esta adorável overdose de filmes (e séries) de super-heróis é, pois claro, uma gigantesca máquina de fazer dinheiro; também não vejo mal que assim o seja, assim venda produtos honestos, de qualidade; mas também é, acima de tudo, uma enchente de personagens e mundos incríveis, criados e desenvolvidos por algumas das mentes mais criativas dos últimos quase 80 anos, histórias brilhantes dos mais talentosos e inspirados escritores, visões de muitos dos melhores artistas (desenhadores, pintores) de sempre, a sairem das páginas de banda desenhada, a assumirem novas formas, num cocktail das suas várias encarnações nos comics, e a tomarem literalmente de assalto outros meios, outros públicos. A entrarem sem pedir licença. E isso é lindo.

No cinema, isto ainda agora começou. Até quando vai durar, não sei; mas estou a adorar a viagem.

Se gostam dos filmes e não conhecem os comics, leiam os comics. Se não gostam, leiam à mesma. São capazes de gostar; comics são como o vinho - há colheitas indispensáveis.

terça-feira, março 22, 2016

Não se pode trocar vida por sobrevivência, uma que nos é garantida (nem isso) em troca de nos tornarmos também selvagens radicais. O preço para manter um estilo de vida, uma civilização, não pode ser abdicar exactamente deles. Isso será uma derrota. Não haverá então mais nada a defender, nada em que acreditar. O que é preciso perceber será talvez se aquilo que defendemos enquanto o nosso estilo de vida ainda é ainda aquilo que julgamos ser; se não se perdeu já tanto pelo caminho. Perceber quem somos está na ordem do dia, para podermos ser irredutíveis, ter uma fé profunda naquilo que somos e representamos. Sem medos, que também os temos sem ameaças exteriores. Tem sido difícil. É esse foco que, parece-me, é urgente refazer. Sermos mais nós próprios, porque temos deixado de o ser. De dentro para fora.

segunda-feira, março 21, 2016

Hoje

André Gago, Pedro Rolo Duarte, Paola D'Agostino, Daniel da Rocha Leite, Catarina Molder, José Anjos, Joaquim Paulo Nogueira, Francisco Rosa, Filipe Homem Fonseca, Vera Barbosa, Leo Leonel, Luís Carmelo, Nuno Costa Santos, Isabel Nogueira, Rosa Azevedo, Valério Romão e Manuel Cintra.























Versão: Vasco Gato

Malcolm Lowry


(via Miguel Martins)

sexta-feira, março 18, 2016

O que eu penso do que se passa no Brasil - aqui

terça-feira, março 15, 2016

Quando morre alguém como o Nicolau Breyner, há todo um vazio que fica. E esse vazio, infelizmente, é amplificado pela pequenez de alguns que ficam. Falo daqueles que, nunca o tendo conhecido para além do "olá, bom dia, boa tarde", se tanto, falam agora dele como se fossem íntimos. Para cada pessoa que realmente sente a perda, para além da figura pública, do invulgar talento, há dois ou três que aproveitam para se pôr em bicos dos pés, manobra de autopromoção mórbida, ridícula, lamentável. Nunca o conheci, nunca trabalhei com ele. Lamento imenso a perda de um talento, de uma referência incontornável. Os meus sentimentos à sua família e amigos. O país ficou mais pobre. Que se façam as homenagens devidas, dignas, merecidissimas. Tudo o mais é folclore.

quarta-feira, março 09, 2016

E pronto, agora já tem quem passe a roupa por ele.

terça-feira, março 08, 2016

Adeus, Cavaco. Ides fazer tanta falta quanto um banho de caganitas de castor recheadas de caspa, embebidas em escabeche de peixe com duas semanas de secura ao sol, polvilhadas de unhas encarquilhadas de ovelha perneta com raspas de sebo e cotão rançoso daquele que se encontra por entre as frinchas de uma cabana feita de tíbias de porco preto podres, abandonada num campo recentemente adubado com poias fritas de cagarra sifilítica com cocktail de ramelas peganhentas e chulé com cera dos ouvidos de uma vaca com um abcesso na teta traseira da direita.

quinta-feira, março 03, 2016

quarta-feira, março 02, 2016

Sergueï Volkov, Mikhaïl Kornienko e Scott Kelly regressaram hoje à Terra, depois de 340 dias na Estação Espacial Internacional. Astronautas, cosmonautas, espaçonautas - heróis, pelo que fazem, pelo que representam. Hoje de manhã, no Não é mau, prestámos-lhes esta singela homenagem. Aproveito para dizer o quanto estou feliz pelo privilégio de ter textos destes interpretados pelo Miguel Guilherme; o bom que é poder contar, nesta equipa, com o Mésicles Helin; o quão estupendo é estar mais uma vez a trabalhar com o Mário Botequilha; a maravilha que é estarmos a fazê-lo na TSF. Quando era puto, o que eu queria ser quando fosse grande era astronauta. Mas estar com esta malta a fazer estas crónicas também não é mau. Mas é que mesmo nada, nada mau.
Ouçam aqui

28 de Março de 1986, Frank Zappa explica a liberdade de expressão aos grunhos. Praticamente 30 anos depois, os grunhos ainda não perceberam.

I'm afraid of americans