quinta-feira, fevereiro 11, 2016

O tipo não se cala. Como tinha mesmo de ser.

Uma desbragada comédia de ritmo acelerado e acção violenta, coreografada com o riso na mira, sátira ao género a que também pertence, com uma relutância fingida: o filme de super-heróis. É hilariante e inconsequente, como não podia deixar de ser, ou não estivesse a falar de Deadpool.

As histórias de origem ganham aqui um novo referencial, pois que a estrutura seguida pelos argumentistas Rhett Reese e Paul Wernick (Zombieland), sem ser nada de novo, consegue alcançar logo de início uma dinâmica imparável que contrasta com a pasmaceira que nos habituámos a suportar nos primeiros actos.

Deadpool é um fresco de vários estilos de comédia, do slapstick (ultra-violento, verdadeiramente cartoonesco) ao humor negro. A brejeirice, muito presente, funciona mais pela entrega irrepreensível de Ryan Reynolds do que pelo índice galhófico das piadas. É na sátira, da qual o próprio Reynolds é um dos principais alvos, que a galhofa é mais bem conseguida: incontáveis gags e referências destrutivas ao género dos super-heróis, característica que este Deadpool herdou da sua encarnação original, nas páginas de banda desenhada.

Esta é, aliás, uma transposição para o universo cinematográfico muito fiel ao material dos comics, com um meta-discurso e a quebra da 'quarta parede' (acontece com uma contenção que merece vénias; era fácil dar para o torto), várias piscadelas de olho à cultura pop, e uma dose saudável de 'gore' que nunca se poderia ter num filme dos estúdios Disney - só por isto, Deadpool já seria refrescante.

Todo o resto, para além do protagonista, é acessório. Os outros personagens só lá estão a marcar presença para um filme futuro, a própria história é um enorme MacGuffin que só serve para que possamos ver Deadpool brilhar. E se brilha: são 107 minutos de palco para Ryan Reynolds - merecido, ou não fosse ele o grande responsável por este filme alguma vez ter sido feito; e, principalmente, porque encarna na perfeição o personagem.

Que o maior pecado de um filme intitulado Deadpool seja o principal motivo de interesse ser o próprio Deadpool, não é grave. Até porque, se assim não fosse, não era um filme do Deadpool.

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