sexta-feira, setembro 19, 2014

Ainda não tinha visto o video da campanha do Seguro.

É, à partida, uma daquelas coisas que apetece adiar para sempre, tipo ébola. Li algumas linhas que foram escritas sobre ele, notas lacónicas, não há muito que se possa dizer sobre horrores inomináveis ou vergonhas alheias a partir de um certo grau.

Resisti até à última, ainda trazia fresca na memória a imagem de Seguro a discursar algures, incitando os super-estômagos que o escutavam a responder-lhe mais alto a uma pergunta que se diria retórica, qual Ana Malhoa - que o faz de forma incomparavelmente mais elegante - dizendo ao público

     - Quero ouvir!

entre um "Sinto-me Sexy" e um "'Tá Turbinada".

Acabei por ceder, como quem desacelera o carro ao passar pelo local de um acidente. E vi aquilo.

Nenhum mortal deveria ser obrigado a ver aquele video. Seria de ir às lágrimas com riso se não fosse comprovativo de um ridículo que se assume como alternativa ao ridículo vigente. Tem de haver mais do que aquilo. A um país que andou a dar Novos Mundos ao Mundo, não pode agora só restar isto. Quero acreditar que não.

Tenho para mim que, entre o surgimento da ideia, até ao momento em que, depois de pronto, o video foi posto à solta, morreram centenas de focas bebé, sem explicação aparente. Se ao menos ligassem os pontos, iam perceber que foi este video. Tanta carga de ridículo é, em si, um super-poder, capaz de perturbar o equilíbrio cósmico ao nível das focas bebé.

Percebi que tinha de desabafar, dar largas à torrente de pensamentos, sentimentos, aflições que me assolaram durante e depois do visionamento. Jurei que não seria tão lacónico quanto todas as pessoas que vi referirem-se à peça. E decidi abrir as comportas e deixar fluir todas as palavras que tenho para classificar aquele video.
Aqui vão elas:
F#d@-$€.

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