domingo, junho 29, 2014

Se dá para parar uma partida de futebol por causa do calor, não dá para interromper uma legislatura? É que por cá também anda muito abafado.

Cooling break? Pausa por causa do calor? Se durante a Segunda Guerra Mundial estivessem em vigor pausas por causa da temperatura, talvez o Hitler se tivesse safado em Estalinegrado.

O que vai ser a TEORIA DO CAOS?
Espreitem aqui.

sábado, junho 28, 2014

Suárez a fazer escola.

O meu perfil de FB está a ficar sem espaço para novas amizades, e isto mesmo com o meu esforço diário de eliminar quem não anda aqui a fazer nada. Na verdade, também há muito que ando para tornar o meu perfil privado, só acessível a quem conheço pessoalmente. Se me quiserem continuar a seguir - terei todo o gosto; sem vós sou apenas uma partícula de pólen lançada à estratosfera - é laikar esta página que acabo de inaugurar.

Ando a usar poucas vezes a palavra "labrego" e não é por falta de oportunidades. Há que rever isto.

O palhaço do Le Pen é que tem a culpa.

sexta-feira, junho 27, 2014

Mete mais alto #347

RE-STONED - CRYSTALS

Mete mais alto #346

DEAD MEADOW - ME AND THE DEVIL BLUES

A maior parte das publicações no FB que celebram os 800 anos da língua portuguesa não está escrita em português.

quinta-feira, junho 26, 2014

A Culpa de Gutenberg - crónica de Fevereiro de 2012

Crónica minha, A Culpa de Gutenberg, Fevereiro de 2012 na revista Os Meus Livros. Não era sobre a selecção nacional, mas podia ser. Aqui fica.



O QUE É NACIONAL NEM SEMPRE É BOM

Há muitas coisas irritantes durante uma crise, o que é o mesmo que dizer que há muitas coisas irritantes na vida. A maior parte delas, das coisas irritantes, têm a ver com as Finanças, a Segurança Social, e as instituições bancárias. Irritante também é a vaga de optimismo desmedido que reage ao discurso derrotista, também ele irritante mas, pelo menos, mais fácil de descartar com um virar de página de jornal, o mudar de canal de televisão, ou o corte de relações com um amigo. As vagas de optimismo, quando levadas ao extremo, são, mais que irritantes, perigosas. São como manuais de auto-ajuda que nos garantem que vai ficar tudo bem, uma pessoa cai mas depois levanta-se, não é?, só para a morte é que não há remédio, isto com calma e paciência tudo se resolve, e, por isso, convidam à inacção. A mudança enquanto coisa que vem ter connosco, hoje mal mas amanhã bem, é a ordem natural das coisas, e não há nada que se possa fazer, por isso mais vale estar quieto e esperar que a manada de búfalos passe a ferro a aldeia para depois ir vasculhar escombros e sacar o que sobrou, porque sobra sempre qualquer coisa mesmo quando não sobra nada, que optimismo irritante.

O optimismo desmedido, em última análise, é tão perigoso quanto o fanatismo religioso. É, à sua maneira, uma espécie de religião, que oferece cegueira embrulhada em esperança, uma fé em que as coisas vão mudar porque isto é mesmo assim e, se olharmos à volta, é só sinais de que isto vai melhorar. Nesse afã de procurar sinais de excelência a torto e a direito, perde-se o critério e começa-se a elogiar aquilo que antes se achava medíocre. Começam os exageros. Que o que é nacional é bom, mesmo quando não é, que se calem os detractores da (inserir actividade à escolha), que em Portugal há excelentes exemplos de (inserir produto, serviço, arte ou especialidade à escolha).

E há, sem dúvida nenhuma. Mas também há para aí muita, muita coisa que não interessa a ninguém, só serve para que os optimistas a defendam com unhas e dentes de cada vez que alguma alma, lúcida, devidamente informada e, acima de tudo, imune à vaga de bota-acimismo (em oposição ao bota-abaixismo), vem dizer que aquele caso concreto é uma miséria e que só serve para baixar a fasquia e distanciar-nos do que presta, do que se destaca, do que precisamos. O optimismo desmedido mata o bom gosto, por mais relativo que seja o ponto de vista adoptado, rebenta com qualquer sentido de estética e põe em risco a ética de trabalho e talento dos que realmente se esforçam. É um facilitismo. Pois que todos os produtos nacionais têm 'direito à vida', sim senhores, com excepção dos já referidos manuais de auto-ajuda (esses, nacionais ou interplanetários, são à partida prova irrefutável de que nas livrarias também se vende banha da cobra), mas não nos deixemos cair em tentação: nem tudo o que é nacional é bom, e ainda bem que assim é. Porque enquanto houver erro, há margem para crescer, enquanto houver coisas más, há espaço de manobra para melhorar, enquanto houver quem não se contente com um rótulo de made in Portugal e queira algo que seja tão bom aqui como em qualquer outra parte do mundo, vive a hipótese de fazer mais e melhor. O que é nacional pode melhorar muito, e a prova disso é que há muita coisa feita por cá que é excelente. Só não acredito que um dia possamos ter um bom serviço nacional de saúde porque, lá está, optimismo desmedido é doença que não me assiste.

FHF, Lisboa
Fevereiro 2012

CR diz que "afinal era possível". Vou já a correr para o Marquês.

Foi uma vitória amarga sobre o Gana, mas a selecção tem 200 quilos de bacalhau para tirar o sabor da boca.

Empreendedorismo

Agora sem Portugal no Mundial, já se vai notar mais o novo aumento de impostos que aí vem.

Se Passos Coelho não se demite, estão mesmo à espera que Paulo Bento o faça?

E agora resta ir receber a selecção ao aeroporto como os heróis que são. Dependendo dos ânimos dos adeptos, as lesões dos jogadores poderão aumentar.

Gyan deu com o maço de notas na cara de João Moutinho.

Beto chora. A maior lesão deste Mundial foi a prestação da selecção.

As lesões da selecção portuguesa são mais graves do que se pensava: é que os jogadores nem comemoram os golos, com medo que lhes caiam as rótulas.

A selecção levou para o Brasil não sei quantos quilos de bacalhau, mas regressa de lá com umas boas toneladas ao nível do melão.

O que vale é que o grande Eusébio foi poupado a assistir a isto.

Em alguns países, hoje é Dia Nacional do Perdão. Importe-se esta moda, a ver se dá para perdoar este treinador e esta selecção.

Aquela coisa de dependermos dos nossos jogadores para marcar golos está ultrapassada. Viva Boye.

Apreendidas cápsulas de cocaína com fotos de Cristiano Ronaldo

Diz que é para combater a Inércia.

Agora no intervalo, selecção portuguesa compõe penteados, selecção do Gana conta os maços de notas pela milésima vez.

Confirma-se: Portugal está a jogar com 12.

(Falo de corpo presente; se vamos pelas prestações, são poucos.)

Este auto-golo do Gana foi caridade ou foi a gozar?

Foi auto-golo porque a bola ressaltou no molho de notas que o jogador do Gana tem no bolso.

CR para um jogador do Gana: "Esse chumaço nos calções são 80 mil euros ou estás só contente por me ver?"

Obrigado aos comentadores da RTP, que iluminam os espíritos dos comuns mortais, esclarecendo que, quando remata à baliza, CR tem intenção de marcar golo. Nunca tal me passaria pela cabeça.

Se virem dinheiro a voar pelo relvado, foram os jogadores do Gana que não quiseram deixar os molhos de notas no balneário.

É comovente ver o esforço que Paulo Bento faz para conseguir cantar o hino nacional sem se enganar e sem ter um derrame por causa do esforço.

Das lesões: tenho cá para mim que a selecção portuguesa só não entra em campo de cadeira de rodas porque a relva dificulta a tracção dos pneus.

quarta-feira, junho 25, 2014

Tuco Benedicto Pacifico Juan Maria Ramirez

Se isto é uma compensação pela saída precoce do Mundial, às tantas também nos calha. Dedos cruzados.

RIP Eli Wallach

Só por esta cena já merecia um enorme obrigado; um dos meus filmes preferidos.

segunda-feira, junho 23, 2014

A dar novo significado à expressão "nascer de novo".

Publico no FB uma crónica sobre a praga dos livros de auto-ajuda, e aparece-me uma editora desses ditos livros na lista de páginas em que terei feito like. Quando, obviamente, não fiz. FB, estais-te a esticar.

Mete mais alto #345

THE EGOCENTRICS - BRIGHT DAWN OF THE SOUL

Mete mais alto #344

Ver estes meninos no Reverence. Yeah!

Mete mais alto #343

THE BLACK ANGELS - ENTRANCE SONG

Reproduzo aqui parte do comentário que deixei em mural alheio do FB, porque acho que ilustra bem a minha opinião acerca do caso da "bandeira enforcada". Aqui ficam os meus "dois cêntimos", a quem possa interessar: a bandeira é "sagrada" porque representa o povo português. Portanto, ao colocá-la enforcada, está-se a criticar não a bandeira, mas sim aqueles que a enforcam, ou seja, aqueles que enforcam o povo português. Não deveria ser preciso "fazer um desenho" para que isto fosse perceptível. Sacralizar a bandeira por si só, sem entendimento do que ela realmente representa, é adulterar completamente o propósito dessa própria "sacralização".

Mete mais alto #342

THE MACHINE - MOONS OF NEPTUNE

Algumas opiniões que vejo escritas pelas redes sociais fazem-me questionar: como é que gente que vive na Idade Média tem conta no FB e no Twitter?

Não sei se viram há pouco as imagens dos adeptos no Parque Eduardo VII, mas deu-me ideia que lá estavam índios que nem na Amazónia se encontram.

Depois do jogo em Manaus, o futuro da selecção está mais ameaçado que o da floresta amazónica.


De todas as lesões, a mais grave parece-me ser a de Paulo Bento, que está com a táctica toda entrevadinha.

Acreditem sempre, nunca leram Paulo Coelho? Se acreditarem muito, tudo é possível, até unicórnios vos podem despontar no cucuruto.

domingo, junho 22, 2014

Adormeci a ver a primeira parte e mesmo assim contribui mais que o Postiga.

sexta-feira, junho 20, 2014

Mete mais alto #341

ELECTRIC MOON - LUNATIC

A ubiquidade

é uma ciência de difícil domínio, e nem sempre consigo estar em dois lugares ao mesmo tempo. Vai daí, e tendo hoje de apresentar o Lisbon Speakers (22h no Musicbox) e tocar com A Favola da Medusa (22h no Teatro A Barraca), tive de optar. O compromisso de ser anfitrião do Lisbon Speakers, para a final do Slam LX, que apresento desde sempre, estava tomado. Felizmente que, quando eu e o Miguel Martins fundámos A Favola da Medusa, fizemo-lo como um ensemble mutante, com convidados diferentes a cada apresentação, que permite concertos em que um de nós não está presente. Ainda não tinha acontecido, mas vai acontecer hoje. Ao Miguel, junta-se a nossa terceira Favola, a Ana Isabel Dias, e os convidados Mário Rua, Rui M. C. Godinho, e Bruno Graça. Presente também estará Beverley Chadwick, com quem já tocámos, salvo erro no ano passado, e que hoje volta às fileiras favólicas. Perante a impossibilidade de tê-la em território luso noutra data para tocar connosco, houve que assumir este dia, mesmo sem a minha presença. Por isso, hoje vou estar em dois sítios ao mesmo tempo, apesar de, num deles, apenas em espírito. Apareçam. De preferência, nos dois eventos em simultâneo.

quinta-feira, junho 19, 2014

A Favola da Medusa no Festival Edita

10 de Maio de 2014

"Mais qui nada / Sai dá minhá frentchi queu quero passá-á"

Objectivo n.º 84763789:
Ter um CD de música improvisada distribuído no Japão
- check!

A Culpa de Gutenberg - crónica de Outubro de 2010

Aqui fica a segunda parte da minha crónica acerca dos livros de auto-ajuda, publicada originalmente na edição de Outubro de 2010 da revista Os Meus Livros.


COMO DETESTAR LIVROS DE AUTO-AJUDA EM DOIS PASSOS
Passo 2: Ter Mais que Fazer

No mês passado recomendei a todos aqueles que estavam a meio da leitura de um destes canhenhos arrepiantes que o deixassem sossegado até à chegada da segunda crónica dedicada ao tema. Aos que não seguiram este singelo conselho, pergunto: a vossa vida melhorou? Se responderam afirmativamente, reconsiderem – afinal, passaram o último mês da vossa vida agarrados a um livro de auto-ajuda.

Todos os livros deste género que não abrem com a frase “Qualquer semelhança entre o que aqui vem escrito e a realidade é pura coincidência” estão a mentir de forma descarada. O que dizer das publicações que recorrem ao esoterismo? Anjos, espíritos, pedras místicas e pulseiras de energia - vale tudo. O que leva a três perguntas:
- Então mas esta coisa da auto-ajuda não era suposto vir de mim próprio?
- Agora querem pôr-me a falar com o Além e com calhaus mágicos?
- O preço que vem na contracapa é mesmo este?
- Está tudo doido?
(Sim, são quatro perguntas, mas esta última é retórica - se não estivesse tudo doido, não havia tanta gente a depositar fé em livros de auto-ajuda)

 Jesus também é muitas vezes trazido à baila. Veja-se o caso de Alexandra Solnado. Acredito que Jesus converse com ela. O que me custa a acreditar é que haja quem leia o que ela escreve.

Depois há a Mãe de Todos os Livros de Auto-Ajuda, "O Segredo". Aqui o embuste é por demais evidente. Como é que uma técnica de auto-ajuda propagada num mega-bestseller pode ser um segredo?

Lareira, meus amigos. Foi para publicações deste calibre que Ray Bradbury criou Guy Montag e as suas acendalhas.

A farsa da auto-ajuda chegou até a ser apregoada por pessoas que tinhamos em boa conta, até se sairem com pérolas deste calibre: "A diferença entre o possível e o impossível está na vontade humana." A frase é de Louis Pasteur. Falou de barriga farta, cheio de dinheiro até às orelhas por causa da chamada pasteurização, que lhe destruiu não só os microorganismos patogénicos nos alimentos mas também na conta bancária.

John Kennedy também se saíu com uma boa: "Às vezes é preciso parar e olhar para longe, para melhor podermos ver o que está diante de nós". Serviu-lhe de muito esta lucidez. Tivesse olhado para longe em Dallas e talvez visse a bala que vinha a caminho antes que fosse tarde demais.

Até Einstein se deixou apanhar nesta rede quando uma vez disse: "O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário". Caro Einstein, isso é relativo. Uma palavra: herdeiro.

Mas enfim, estes senhores mais do que provaram o seu valor e não devem ser julgados por estes deslizes. A verdadeira ameaça reside nos Rodrigo Romo, nas Barbara Hand Clow e nos Paulo Coelho deste mundo. Melhor fariam em pautar-se por esta frase retirada das próprias bíblias da auto-ajuda, travestida de provérbio popular: "Às vezes é melhor ficares calado e deixares que pensem que és um idiota, do que abrir a boca e não deixar nenhuma dúvida.”

Os que precisam de auxílio e não o encontram nos outros devem começar por seguir este conselho precioso: mantenham-se longe dos livros de auto-ajuda. Quando circularem numa livraria, afastem-se o mais possível das prateleiras deste sub-produto. Acredito piamente neste princípio, é a melhor maneira de prestarem auxílio a vocês próprios. Um dia ainda vou escrever um livro sobre isto.

FHF
NY, 2010

(para lerdes a primeira parte, ide aqui)

quarta-feira, junho 18, 2014

A Culpa de Gutenberg - crónica de Setembro de 2010

Em Setembro de 2010, no meu espaço A Culpa de Gutenberg na revista Os Meus Livros, escrevi esta crónica sobre essa praga que são os livros de auto-ajuda. Foi a primeira parte de duas, tendo a segunda sido publicada no mês seguinte. Aqui fica então a primeira e amanhã publicarei a segunda.


COMO DETESTAR LIVROS DE AUTO-AJUDA EM DOIS PASSOS
Passo 1: Reconhecer a Fraude

Não conheço canhenho competente na missão de ensinar quem esbraceja na água a safar-se do afogamento, se esse alguém não sabe nadar. E não é com livros, por mais bonecos e gráficos explicativos que possam ter, que se aprende um crawl.

Se acham que a minha palavra nesta matéria - ou em todas, já agora - pouco ou nada vale, façam a experiência. Aproveitem os últimos dias de calor, desloquem-se a uma praia não-vigiada. Arrebitem as orelhas para escutar gritos de socorro, daqueles gorgolejantes, próprios de quem sente a água salgada arranhar-lhe garganta e pulmões. Detectem a vítima e atirem-lhe com "Twice the Hero", a biografia de Johnny Weissmuller. Vão ver o corpo a ser arrastado pela corrente e as bolhinhas a formarem-se na superfície. Eu já o fiz, não aprendi isto em nenhum livro.

O próprio Camões, quando naufragou na foz do Mekong, não foi n'"Os Lusíadas" que encontrou salvação. Na verdade, a obra só o atrapalhou, não lhe bastava ter apenas um olho para detectar a margem, ainda teve de nadar só com uma mão, que a outra estava ocupada a manter seco o manuscrito. Sorte que o poeta já sabia nadar, não tentou aprender auto-ajuda em nenhum livro, guardou o lirismo para outras coisas.

A prepotência obscena deste tipo de publicação, insistente na ideia de que quem precisa de socorro deve ajudar-se, em vez de procurar ajuda, começa logo no título. Tome-se como exemplo "A Arte de Não Fazer Guerra", da autoria de Devanir Arantes. Vem este senhor desdizer o milenar "Arte da Guerra", de Sun Tzu, provavelmente o único livro de auto-ajuda onde se aprende de facto alguma coisa, a par d'"O Príncipe" de Maquiavel. Ora, isto pode parecer preconceito, mas entre um autor chamado Sun Tzu e outro chamado Devanir Arantes, eu deposito a minha confiança naquele com nome mais fácil de pronunciar. E quando espirro nem por sombras me sai nada parecido com Devanir.

(Uma nota breve acerca das obras acima citadas, a de Sun Tzu e a de Maquiavel: refiro-os como livros de auto-ajuda que funcionam - talvez os únicos - porque são autênticos manuais de instruções de como bem lixar o próximo. Nestes casos, a auto-ajuda é uma consequência do que se ensina, não um fim em si mesmo.)

A qualidade das "lições" que os livros de auto-ajuda nos tentam impingir é atroz. Frases do tipo "Quer ser feliz um dia, vingue; quer ser feliz toda a vida, perdoe" foram sem dúvida escritas por quem nunca foi levado para a Casa de Elvas.

Livros de auto-ajuda mascarados de romance são ainda mais assustadores. E neste território Paulo Coelho é senhor absoluto, ao ponto de já ter maculado o soberbo Moebius ao pô-lo a ilustrar uma nova versão d'"O Alquimista". Já não se via um talento tão supimpa a ser usado em função de causa tão vil desde que Luís Figo apoiou a candidatura de José Sócrates.

No próximo mês daremos mais um passo na jornada pela completa abjecção por esta farsa pseudo-literária que são os livros de auto-ajuda. Se entretanto, para ler esta crónica, interromperam a leitura de uma dessas obras menores, resistam à tentação de retomá-la nem que para isso tenham de fazer como o Camões e perder uma vista. Vão ver que ajuda.

FHF
NY, 2010

Mete mais alto #340

STONED JESUS - BRIGHT LIKE THE MORNING

terça-feira, junho 17, 2014

Mete mais alto #339

EARTHLESS - LOST IN THE COLD SUN

Mete mais alto #338

EGYPT - VALLEY OF THE KINGS

Rejubilai: Rick e Ilsa terão sempre Paris, nós teremos sempre o piquenicão.

Mete mais alto #337

STONED JESUS - I'M THE MOUNTAIN

Mete mais alto #336

A Favola da Medusa - "Slez ze mě si opilec hrubé (Larga-me bruto que estás bêbado)". Só para duros: excerto da nossa actuação, improvisada como sempre, de 2 de Abril de 2011.Em breve, novidades do lançamento do nosso álbum com George Haslam, Dada Dandy.

A Culpa de Gutenberg - crónica de Novembro de 2011

Tenho andado a publicar aqui as crónicas A Culpa de Gutenberg, que escrevia para a revista Os Meus Livros. Esta é de Novembro de 2011. Desde então, tenho esquecido alguns livros.


ESQUECER UM LIVRO

Sou muito apegado aos meus livros. Aos livros enquanto objecto. Investi ali muito: sublinhados a lápis, notas nas margens, dobras nos cantos, marcadores que destacam esta ou aquela página. Quando vieram parar às minhas mãos, eram livros; agora são mapas de viagem, diários de bordo.

O lugar de um livro não é numa estante. A sua posição natural não é fechada. Quando entro numa biblioteca, por exemplo, olho para todos os livros alinhados e sinto-os adormecidos. Ursos que hibernam durante os entretantos Invernos da não-leitura. À espera. Acordados – vivos – estão aqueles que se movimentam nas mãos de quem os lê. Um livro numa estante é apenas uma promessa, uma porta por abrir. Depois de entrarmos no livro, e se o mundo encontrado nos causa uma forte impressão, nunca mais de lá saimos. E assim vamos ficando dentro dos livros que lemos, tanto – e, em alguns casos, mais, até – do que eles ficam dentro de nós. Com ou sem sublinhados e notas à margem, que às vezes o caminho que por eles fizemos e fazemos só se marca com pegadas na memória colectiva de nós próprios e do livro.

Há livros-objecto de que não abdico, nunca abdicarei. Mas há outros que – reconheço, mesmo na minha ânsia fetichista de tudo guardar – não faz sentido continuar a manter hibernados nas estantes. Estão presentes na minha memória, contêm orientações, como migalhas de pão à la Hensel e Gretel, pistas rabiscadas a lápis acerca do caminho a tomar (que nem toda a gente se movimenta da mesma forma dentro de um livro), mas já não são objecto de consulta directa, quotidiana nem esporádica.

Um livro, mesmo enquanto objecto, tem espaço para nós, para as personagens, e para mais um número infinito de leitores. Esquecer um livro num sítio qualquer da cidade é um convite. É deixar a porta escancarada com um tapete de boas-vindas a todos os que quiserem entrar e passar a viver ali dentro. Connosco, na memória colectiva de todos os leitores e do livro.

Convido-vos por isso a esquecer um livro. Guardá-lo como algo que vos marcou de forma indelével, mas a deixá-lo algures, convosco lá dentro. Esquecê-lo num banco de jardim, em cima de um marco do correio, no tejadilho de um automóvel. Em qualquer lado onde possa ser encontrado, descoberto, levado e lido.

Esqueçam exemplares com ou sem coordenadas – os tais sublinhados e notas nas margens. Mas, se as tiverem, tanto melhor. Dessa forma, os novos leitores vão poder não só ler o livro que foi escrito mas também o livro que vocês leram. Não é a mesma coisa, como qualquer leitor sabe.

No interior do livro esquecido, na primeira página, escrevam “Este livro foi esquecido por (incluir o vosso nome) em (incluir local) no dia (incluir data)”. Estarão, mais do que a marcar a passagem do livro pelas vossas mãos, a assinalar a passagem das vossas vidas pelo livro, e a convidar outros a fazer o mesmo.

A intenção é disseminar um espólio a ser partilhado e descoberto por novos arqueólogos da escrita que querem mais gente a viver dentro dos livros que também nos acolhem.

À data da publicação desta crónica, conto já ter esquecido três livros. Se os encontrarem, digam qualquer coisa.

E, entretanto, esqueçam também um livro.

FHF
Lisboa, Novembro 2011

Mete mais alto #335

STONED JESUS - BLACK WOODS

Mete mais alto #334

HORN OF THE RHINO - SPEAKING IN TONGUES

Franjas sonoras do século XX

O grande João Morales propõe, nos dias 5 e 6 de Julho, uma curta mas intensa formação sobre diversas figuras, momentos e correntes da música do século XX. Vai chamar-se justamente FRANJAS SONORAS DO SÉCULO XX. O local é o Fórum Dança, nas suas novas instalações, na Travessa do Calado, nº 26 B, em Lisboa, perto da Junta da Penha de França, que fica no extremo da rua com o mesmo nome. O horário: 10h30-12h30 e 13h00-15h00. Ter um melómano do calibre do João Morales a partilhar o seu vastíssimo conhecimento connosco é uma oportunidade que não querem deixar passar.
Nas palavras do próprio Morales: "FRANJAS SONORAS DO SÉCULO XX dirige-se a artistas e a todos os que pretendam ampliar os seus conhecimentos nesta área. Estas sessões destinam-se a promover um olhar orientado e contextualizado por diversas expressões musicais nascidas na realidade do século XX; figuras que criaram a sua própria classificação e outros momentos de rotura na epistemologia musical. Alguns destes pontos constituem a demonstração cabal de uma realidade tantas vezes citada no âmbito de campos tão díspares como a Economia, a Gastronomia, a Política ou a Moda: a Globalização. Optando por um modelo que não se quer espartilhado pelos constrangimentos de uma abordagem estritamente diacrónica ou sincrónica, é da articulação destes dois contextos – diferentes quadrantes geográficos num mesmo tempo ou as metamorfoses que decompõem e testemunham as mutações em alguns deles – que surge o modelo de comunicação adoptado. Jazz, rock, sons nascidos da etnicidade ou da experimentação tecnológica, diferentes caldos culturais e socio-políticos, contaminação mútua com a literatura... tudo será abordado, ainda que da forma sucinta a que a dimensão temporal obriga. Não se pretende esgotar nenhum destes tópicos, mas sim abrir janelas para que cada um possa seguir a sua sensibilidade pessoal ao explorar posteriormente aqueles que maior interesse lhe despertem. Naturalmente, as sessões contam com inúmeros exemplos áudio e/ ou vídeo das realidades explanadas – não haverá melhor forma de demonstrar uma realidade sonora do que ouvi-la."
Preço: 40€ até 27/7; depois 45€
Mais info aqui.

Mete mais alto #333

THE COSMIC DEAD - INNER CIRCLE

Mete mais alto #332


4 de Outubro de 2011 no Musicbox. Guardo muito boas memórias desta noite.

Se pensavam que as coisas não podiam piorar, lembrem-se de que ontem, por esta hora, não se vivia num mundo em que a selecção portuguesa tinha levado quatro secos dos alemães. Bom dia.

Terminada a quarta temporada da Guerra dos Tronos, chego a uma conclusão, de que já suspeitava desde os últimos episódios da terceira: há gente tremendamente estúpida e egoísta, ao ponto de não ter qualquer pejo em despejar spoilers sem sequer um aviso prévio, sem pensar nos que ainda não assistiram a um episódio que nem há 24 horas foi exibido no país de origem. Desde finais inteiros contados, até pequenas frases e informaçōes - que, pensam os desnaturados, só são compreendidas por quem já viu, quando na verdade estragam a surpresa porque mais do que indiciam o que vai acontecer -, vi de tudo. Vale o que vale, e com certeza que há coisas muito mais importantes e graves, mas não deixa de ser sintoma da falta de consideração que abunda, isto de haver quem escolha mostrar "ai e tal eu já vi, sou 'muita bom'" com comentários que estragam completamente o gozo dos outros. A esses verdadeiros atrasados mentais, um grande "fecundai-vos". Aos outros, estamos juntos, venha a quinta temporada.

segunda-feira, junho 16, 2014

A RTP vai mostrar como são os bastidores da selecção. Eu gostava de ver é como é que a selecção é em campo a jogar, porque hoje não vi nada.

Os japoneses perdem o jogo e limpam as bancadas. Os portugueses perdem e limpam o stock de cervejas. Adoro a diversidade de culturas.

As reacções vagais da chanceler são muito mais mexidas.

Se acharam mau este resultado da selecção, esperem até ser anunciada nova subida de impostos.

Depois deste resultado, até Cavaco teria vergonha da selfie com a selecção. Isto se ainda se lembrasse de que essa foto existe.

Este jogo com a Alemanha devia ter sido feito com programa cautelar.

O camelo que previu a vitória de Portugal acaba de ser abatido e a carne dele vai ser congelada e vendida com 50% de desconto nos próximos saldos do Pingo Doce.

Ainda bem que temos a jogar na selecção o melhor jogador do mundo, que ontem disse que estava a 100%, senão tinha sido muito pior.

Schumacher acordou do coma, agora era bom que a selecção portuguesa fizesse o mesmo.

Acho que tenho sido injusto em comparar Messi a um hobbit. Realmente, ele, quando vomita, dá mais ares de Gollum.

Viva Maradona!

Noite muito forte no género Fantástico: final da quarta temporada da Guerra dos Tronos, e Hobbit Messi no Mundial.

Vejo Messi jogar e penso o mesmo que toda a gente: ele é uma espécie de Bilbo Baggins só que metido em problemas com o fisco.

Argentina-Bósnia: gostei mais da prestação do Messi no Hobbit 2.

Costa tem a panca das bicicletas, por isso é de espantar que queira pôr os patins a Seguro.

Parecia a Igreja Maná, mas era o Seguro no Porto.

Uruguai - 1, Costa Rica - 3, Piadas que relacionam expulsão do Maxi Pereira com o facto de jogar no Benfica - 38680.

sexta-feira, junho 13, 2014

O boato corrente: Cavaco Silva tem Alzheimer. A ser verdade: à tragédia de um indivíduo sobrepõe-se a de um povo a quem escondem o real estado de saúde do seu presidente, a sua capacidade para exercer o cargo. Os jornais não investigam o episódio da reacção vagal porque existem cada vez menos jornalistas nas redacções. Facto: Alzheimer, ainda que metafórico, temos todos nós, se não conseguirmos identificar a triste realidade de um futuro distópico cada vez mais próximo, se é que não chegou já. Mas o sol está generoso e a praia apetecível, siga a escandaleira, que já nem o é, de tão quotidiana. Beba-se uma fresquinha e aguarde-se o próximo jogo do Mundial, isso é que é tabaco.
 
(Na foto: Iggy Pop sem um dente)

A lamechice bacoca, cheia de macacadas sentimentalóides e pseudo-confessionais, granjeia muitos likes pelo FB, e há quem ceda à tentação. Grassa a bimbalhice. Muita vergonha alheia, a que cada vez mais sinto ao visitar o Facebook. E agora vou postar uma foto de um gatinho, infinitamente menos ofensiva do que muitas publicações de quem pede festinhas na barriga.

terça-feira, junho 10, 2014

Guarda < Dallas

Reacção Vagal é um bom nome para uma banda punk.

Também costumo ter reacções vagais, mas é quando recebo cartas das Finanças.

Incrível: nem Romero, nem Argento, nem Kirkman, nem Darabont se lembraram alguma vez de zombies que desmaiam. Ainda há espaço para inovar.

domingo, junho 08, 2014

"Faremos uma fornada com eles."
Isto é plágio.

sábado, junho 07, 2014

Vendi o sofá e fui viajar

É hoje às 19h que estreia, no YouTube, a série de webisódios do meu grande amigo Gonçalo Luz. Não se admirem se, ao vê-la, sentirem a tentação de venderem também o sofá e ir viajar. É perfeitamente natural - o mundo, pelos olhos do Gonçalo, vale sempre a pena ser conhecido.

Nas palavras do próprio:

"Era 2010 quando desliguei a televisão.
Naturalmente, dormi melhor as noites e voltei a sonhar os dias. Propus-me então concretizar um projecto que trazia comigo há muito: viver a viajar. Para começar desfiz-me da tralha que trazia aos ombros - tudo aquilo que tomava como garantido, ou tudo aquilo que eu achara que era meu e que afinal, nem era eu.
E assim comecei: vendi o carro, livros, os dvd's e comprei um bilhete de avião.
Aproveitei os ventos contrários, escutei com carinho os prantos do Restelo e fui de viagem, à bolina de tudo, em direcção à Índia.
Começava 2011.
Meses depois do primeiro regresso, estava mais certo deste ser o caminho. Foi nesse verão que troquei finalmente o incerto pelo mais incerto, e me tornei viajante. Encaixotei pratos e copos, deixei a casa, vendi o sofá, e marquei outra passagem. Desta vez por mais tempo. Em busca dos dias, e de outros lugares perdidos.
Este é o relato das primeiras viagens. E das seguintes também."

Façam já o like nesta página e não se esqueçam: hoje às 19h.

Hipster que é hipster diz: "O Primavera Sound era bom era dantes, quando era Optimus. Agora é Nos, é muito mainstream."

(Não liguem, isto sou eu a sofrer por não estar a ver Pixies.)

sexta-feira, junho 06, 2014

Mete mais alto #331

BLACK SABBATH - THE WRIT

11 de Julho no Alive

Mete mais alto #330 (enfim, nesta podem ter o volume a meio gás)

O novíssimo video de "Show Me a Miracle", segundo avanço do novo álbum de Klaxons, "Love Frequency", que sai dia 16. Adoro o video, reaizado por BRTHR. A música? Meh. Saudades dos Klaxons de "Myths of The Near Future".

A Fanny está na capa do Notícias Magazine vestida de esfregona do CR7.

Preparem-se. Vai ser o caos. Em teoria.

Bilhetes à venda online aqui e aqui.

Ei-lo.

Acabadinho de chegar às nossas mãos, o álbum de estreia d'A FAVOLA DA MEDUSA com a participação de George Haslam. Editado pela britânica Slam, lar de gigantes como Max Roach, Steve Lacy, Mal Waldron, Muhal Richard Abrams, entre outros, este é o primeiro disco desta mítica editora onde figuram músicos portugueses. Já distribuído no Japão, Alemanha, Itália, Reino Unido, Estados Unidos da América, e Canadá. Brevemente, também por cá. Esperem grande festa-concerto, anuncio assim que tiver novidades. Na foto, o Miguel Martins e eu, babados com este nosso filhote. Tocam connosco neste álbum os companheiros favólicos Ana Isabel Dias, Bernardo Nascimento, Sónia Montenegro e Rebeca Gradissimo.

quarta-feira, junho 04, 2014

Assunção Esteves comeu um gelado Olá e passou a escrever
"incon-seguimento".

Anda aí uma polémica sobre o excesso de , e eu percebo mas faz-me mais confusão o exagero de %

"Gostava de saber porque é que é errado cortar nas pensões de sobrevivência."

- Ninguém, nunca.

Mete mais alto #329

Do TC para o Governo:

Passos cancelou a viagem ao Brasil porque não quer aparecer numa selfie do Meireles.

Aclaração

Governo quer aclaração sobre chumbo, os juízes do TC vão ter de usar vestidos como o da Rhianna.

Esta coisa dos padres a casar é quê, casarem uns com os outros?

Governo vs TC, Seguro vs Costa - Guerra dos Tronos, rói-te de inveja.

A Culpa de Gutenberg - crónica de Março de 2012

Na senda da republicação aqui no blog das minhas crónicas d'A Culpa de Gutenberg na revista Os Meus Livros, e porque está a decorrer a Feira do Livro de Lisboa, deixo-vos com o meu texto de Março de 2012, que tem a ver com isso das recomendações literárias.


MANUAL DE BOLSO DA GUERRILHA LITERÁRIA

Aconselhar ou desaconselhar livros é uma missão importante demais para que a deixemos nas mãos das editoras e das livrarias. Defendo a intervenção directa dos leitores/consumidores na disposição que os livros tomam nas estantes, e acredito na partilha de informações para além dos motes promocionais que enfeitam expositores e cintas. Deixo aqui sete medidas que qualquer leitor pode tomar para influenciar o mercado e tentar evitar o flagelo dos maus livros que são lidos às pazadas.

1) Conte a toda a gente o final de livros que leu e não gostou, para impedir que tenham mais leitores.

2) Conte a toda a gente o final de livros que não leu e não gostou (não é preciso comer uma urtiga para se saber que não é boa), para evitar que tenham mais leitores. Convém, no entanto, ler o final, para não se correr o risco de inventar um que seja melhor que o original, acabando assim por angariar mais leitores, um efeito inverso do pretendido.

3) As duas medidas anteriores ganham uma força acrescida quando são tomadas no terreno, ou seja, nas livrarias. Ao ver alguém levar as mãos a um livro que encaixe numa das categorias acima, conte-lhe imediatamente como acaba. Finja-se muito excitado/a, faça figura de parvo/a o suficiente para que a outra pessoa associe o seu perfil de parvo/a à leitura de canhenhos como aquele, de maneira a que acabe por abandonar a ideia de adquiri-lo.

4) Se não quiser fazer figura de parvo/a, pode optar pela atitude sobranceira, soltando um riso de gozo quando alguém pegar no livro que deseja sabotar. Quando lhe perguntarem porque é que se está a rir, olhe com repulsa para o dito livro e afaste-se dizendo “nada, nada”. Se tudo correr bem, a pessoa vai acabar por pousar o livro enquanto olha à volta para ter a certeza de que mais ninguém a viu a pegar nele.

5) Qualquer uma das medidas acima referidas ganha particular eficácia quando aplicada junto à caixa. É na altura de pagar que o crítico dentro de cada leitor está mais sensível. Mesmo com pouca prática de sabotagem, é fácil, nesta fase, fazer com que alguém olhe uma segunda vez para «O Céu Existe Mesmo», de Todd Burpo e Lynn Vincent, e se pergunte “Mas eu vou mesmo gastar dinheiro nisto?”.

6) Esconder livros que não se gosta deve ser prática constante quando se está numa livraria. Quanto mais casuais forem os gestos envolvidos no processo, maiores são as chances de não se ser detectado. Coloque livros que gostou e que quer recomendar por cima daqueles que acha não interessarem para nada. Mude-os de prateleira e de secção. No caso de livros de auto-ajuda, meta-nos no lixo – é um recado que está a deixar aos responsáveis pela livraria. Se estiver num hipermercado, coloque os livros que não gosta junto das sacas de areia para a caixa de cocó dos gatos. Pode ser que os ditos livros acabem por ser levados para a estante que merecem.

7) Cada vez que se deparar com uma edição nova de um livro, uma que já venha “de acordo com o novo acordo ortográfico”, peça aos funcionários da livraria por uma edição com a “antiga ortografia”. Se não a tiverem, não adquira o livro. Esta medida também é válida para livros que nunca foram editados de acordo com a “antiga ortografia”.

E lembre-se: não se deixe apanhar. Ninguém pode desconfiar do que andamos a fazer. Negue, negue sempre e, se preciso for, diga que nem sabe ler. Ou que adorou o «O Rio das Flores».

FHF
Lisboa, Março 2012

Pena que o Mundial não seja durante o Carnaval, porque a roupa e o penteado do Raul Meireles iam fazer o maior sucesso no sambódromo.

A Culpa de Gutenberg - crónica de Maio de 2011

Diz que a troika se foi, é palavra já caída em desuso. Ainda me lembro de quando chegou, o trio maravilha, estávamos em 2011. Para ajudar na ressaca, ou no simples adeus, até à próxima, deixo-vos aqui a crónica que escrevi em Maio desse ano para revista Os Meus Livros, no meu espaço intitulado A Culpa de Gutenberg.


OS LIVROS QUE A TROIKA LÊ

Troika. Palavra de origem russa. Uma carruagem típica dos séculos XVII a XIX, puxada por três cavalos, atingia os 50 km/h. Estava portanto associada à rapidez. Mas o século é outro. Agora, quando entra a troika, a velocidade abranda.

Há palavras que nos entram pelo vocabulário adentro, sem pedir licença. Não percebemos muito bem como, de repente estamos a usá-las a torto e a direito. Ainda ontem nem nunca as tínhamos ouvido, há pouco não fazíamos ideia do que significavam, e agora não passamos sem elas.

Normalmente têm a letra “k” lá pelo meio e operam à margem de qualquer acordo ortográfico. Tão fortes que substituem por completo o anterior nome do – digamos – animal. Podemos não ter consciência disso, mas a verdade é que, por causa destas recém-chegadas, há outras que deixam de usar-se. É geracional, porque hoje em dia há palavras dessas com tamanhas barbas que mal se dá por elas no meio de tanta pilosidade. Mas durante muito tempo berbequim passou a ser black and decker, e um maternal “veste o impermeável, olha que está a chover” passou a “veste o kispo, olha o que chove”.

Nos últimos meses, surgiu mais uma. Não fura a parede como o black and decker, embora seja suposto salvar o país do buraco. Não protege da chuva, mas parece que vai estender uma folha de jornal sobre o sem-abrigo em que se tornou Portugal. Um sem-abrigo numa cadeira de jardim à beira-mar plantado.

Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia: os três quadrúpedes que puxam a carruagem do resgate financeiro ao nosso país. Poul Thomsom, Rasmus Ruffer e Jurgen Kroeger, três nomes e apelidos escanifobéticos demais para entrarem no vocabulário do dia-a-dia, apesar de um deles ter um “k”. Um triunvirato que ganha honras de repetição diária nos lábios de tudo o que é político, economista, jornalista, cronista, senhora idosa que passa as tardes a comer duchesses e a beber galões na pastelaria da rua, na forma desse vocábulo simples e aglutinador que é troika.

Cuspido por uns, mastigado por outros, dito a medo por alguns, com respeito por poucos. Tem aquela característica das palavras fortes e novas que facilmente assentam arraiais no nosso palavreado quotidiano: podem não só ser ditas com todas as inflexões possíveis, mas também – este sim, um dom comum a poucas – ser ditas sem nenhuma inflexão. Porque nunca se sabe realmente o que significa. O que é a troika? Quem se esconde por trás daqueles fatos xpto?

De currículo em currículo, como quem inspecciona os bolsos de um kispo, lá se vai decifrando a troika. “São os senhores do mundo”, ouvi um velhote dizer na TV. Deus ganha nova um novo nome e desta vez tem “k”. Se é verdade que temos os Senhores do Mundo a pisar calçada portuguesa, exige-se deles um conhecimento mais profundo.

Mário Crespo tem de entrevistar a troika. João Baião e Tânia Ribas têm de falar com a troika, a Júlia Pinheiro tem de conversar com a troika. Daniel Oliveira tem de perguntar à troika “o que dizem os teus olhos?”. Francisco José Viegas, João Morales e a Oprah têm de nos falar dos livros que a troika lê. Sem ser os de tabuadas, esses já a gente supõe que eles tenham lido e escrito todos; os livros de ficção, de poesia, de banda desenhada.

Saber os autores favoritos dos Senhores do Mundo é o mínimo indispensável para se poder adormecer em relativa paz todas as noites. Até ao dia em que a troika kaput e cair no desuso dos black and deckers e kispos.

FHF
Lisboa, Maio 2011

terça-feira, junho 03, 2014

Ui, o quê? Ao vivo? Com quem? Mas quando? Julho?


Novidades em breve.

Estavam a fazer escavações no Algarve e encontraram 25% de IVA.

Irmã Lúcia teve a Aparição de Fátima, Cavaco tem a Selfie com Raul Meireles, e nós temos as medidas alternativas ao chumbo do TC. 25% de Abril sempre!

segunda-feira, junho 02, 2014

Foi rápido.
25% de Abril sempre.

domingo, junho 01, 2014

O PS é o Game of Thrones com um anão mais desinteressante chamado Seguro.