quinta-feira, maio 22, 2014

A super-heroística cinematográfica - Parte 1










Tenho andado caladinho porque já sei: quando me lanço a escrever sobre estes temas, acabo em grandes lençóis de texto, e as vossas retinas não merecem tamanho desgaste.

Porquê agora? Porque, depois de ter visto ontem X-Men: Days of Future Past - que achei surpreendentemente bom -, considero que chegámos a um ponto sem precedentes nesta divisão que os personagens da Marvel têm por três estúdios diferentes (Marvel Studios / Sony / Fox): parece que sabem todos o que andam a fazer.

E porque há vida para além das eleições europeias.

Aqui vai então, tentando ser breve, sem grandes considerandos, e, desde já, com um “muito obrigado, valentes” a todos os que lerem esta série de quatro posts até ao fim; os outros, que preferirem ir jogar à bola lá para fora – eu compreendo perfeitamente. Amigos como nunca.

PARTE 1 - WINTER SOLDIER É UM FILMALHAÇO EM QUALQUER PARTE DO MUNDO MENOS NESSE PAÍS DAS TREVAS QUE É A CABEÇA DOS CRÍTICOS DO JORNAL PÚBLICO


A Marvel Studios está a fazer um belíssimo trabalho nas adaptações cinematográficas que tem vindo a produzir: é coisa que seria unânime, não fossem os já referidos críticos do Público, cujo nível de sobranceria não lhes permite descer ao nível dos comuns mortais e perder tempo com coisecas, Toutatis os guarde a todos.

Captain America: Winter Soldier foi, provavelmente, o melhor de todos os filmes produzidos até agora, uma narrativa quase irrepreensível em que Anthony e Joe Russo, Christopher Markus, Stephen McFeely e Ed Brubaker alcançaram o tom que a trilogia do Batman de Christopher Nolan e David S. Goyer pôde apenas ambicionar. Entre outras razões, nem Nolan nem Goyer perceberam os personagens com que estavam a lidar (excepção feita talvez para Ra's al Ghul), nomeadamente o próprio Batman, e o Joker – este último salvo do desastre apenas por uma boa representação de Heath Ledger, se bem que elevada a píncaros despropositados. Enfim, toda a trilogia de Nolan é sobrevalorizada, mas sobre isso já terei falado, e reservo a parte 4 desta série de posts para falar da DC.

Continuando: o único reparo que poderia eventualmente ser feito em relação a Winter Soldier é a falta de fantasia super-heroística, se é que me faço entender - falta ali uma condição quase-divina dos personagens e dos acontecimentos a instaurar aquele nível de fantasia que atira com a audiência para um nível de suspensão da descrença e abertura ao maravilhoso normalmente só atingível quando somos crianças. O que é completamente diferente de uma narrativa infantil - antes pelo contrário; só que isso é algo que os críticos do Público não fazem a mínima ideia do que seja porque já nasceram velhos e cansados.

Posto isto, e nesse sentido, Avengers de Joss Whedon continua no top dos meus gostos, mas - concedo - Winter Soldier é melhor filme. Os estúdios Marvel têm um plano muito bem gizado, e os fãs de comics sabem muito bem para onde é que este universo partilhado por todos estes filmes está a caminhar. Ler Civil War e as sagas cósmicas de Jim Starlin à volta de Thanos e das Infinity Gems (chamadas 'stones' nos filmes) é saber com elevado grau de exactidão o que nos está reservado para os terceiros Captain America e Avengers.

Três pesos pesados a nível de elenco: Robert Downey Jr, Scarlett Johansson, e Samuel L. Jackson, cada um pelas suas razões, e timoneiros fortes como Joss Whedon e os irmãos Russo, encarregados também do terceiro Capitão América, garantem à partida um elevado nível de catitidade no futuro próximo. A mais recente aquisição: James Gunn, com o Guardians of The Galaxy, a estrear no princípio de Agosto.


GotG de James Gunn vem inaugurar o lado sci-fi da Marvel, insinuado em Avengers. Não espero nada menos do que excelência de Zoe Saldana como Gamora e Karen Gillan como Nebula. E quanto a banda sonora, repito: este filme já ganhou. Celebra-se muito o remake que James Gunn escreveu de Dawn of The Dead, realizado por Zack Snyder a partir do clássico de George A. Romero, mas para mim a obra maior de Gunn é o argumento do videojogo Lollipop Chainsaw; um mimo (se ainda não experimentaram, façam-se o favor). Entretanto, começa-se a desenhar a faceta da magia, com o anúncio de um filme dedicado ao Dr. Strange para breve. Ant-Man também vem a caminho. Portanto, supimpidade no horizonte.

Isto tudo para dizer: sim senhores, daquele lado anda sem dúvida a fazer-se um bom trabalho.

Depois temos a Sony.

A seguir: PARTE 2 - EU SOU DO TEMPO EM QUE A TRILOGIA DO RAIMI PARECIA BOA, MESMO QUE O ÚLTIMO FOSSE UM DESASTRE

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