quinta-feira, julho 11, 2013

Está quase.

Dia 18 deste mês será apresentado o meu romance, Se não podes juntar-te a eles, vence-os, na Divina Comédia. Mais novidades em breve. Para já, deixo-vos com um excerto.

"(...) depois vão estar cheios de opiniões para dar. Por não saberem o que pensar, vão encher-se de palavras, não vão ter tempo de ouvir as dos outros. Assim, quando acontecer, eles vão lembrar-se, vão relacionar a carta com o sucedido. Nem se vão dar ao trabalho de pensar, vão só especular. Arquivos serão virados do avesso para encontrá-la, na gula de terem nas mãos um exclusivo. Cairão todos no mesmo, os jornais vão todos publicar estas palavras, não há telejornal que não as divulgue, os comentadores vão andar de peito inchado e boca cheia, eu sabia que isto ia acontecer, eu sabia. Não sabiam nada, não sabem nada. Os interesses instalados e os que se querem instalar encarregar-se-ão de interpretar a mensagem de forma a que lhes seja útil, mas falarão dela, não terão mais nada a que se agarrar. Falarão da carta e do seu gesto. Os nomes dos assassinos são sempre mais lembrados do que os das vítimas. Para começar, há mais vítimas do que assassinos, por incrível que pareça, e a cabeça não dá para tudo, nem os jornais podem gastar tinta com tantos nomes, foi para isso que se inventaram as estatisticas. Nada contra a sua formação, jovem, mas acredite no que lhe digo. Eu sei como é que estes assuntos decorrem."

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