"Encoste só aqui um bocadinho que eu vou ali assaltar um Banco e volto já."
Tantos anos a apanhar táxi e o taxismo ainda continua a surpreender-me. Acabo de apanhar uma viatura das café com leite, coberta de pó por dentro e por fora. O que poderia ser prova de um desmazelo gritante era, na verdade, poeirada que a PJ espalhou no táxi para encontrar impressões digitais. Isto porque eram 10 da manhã, contou-me o motorista, e um indivíduo espanhol, ali na Avenida do Brasil, entrou para o lugar da frente e dsse que o amigo ia ali ao Banco levantar dinheiro e já voltava. E voltou, com uma arma na mão e um molho de notas. O taxista tornava-se assim o 'getaway driver', involuntariamente, de um assalto ao Barclays. Fez o caminho até Vila Franca de Xira, sempre com a arma apontada às costas. Lá chegado, pagaram-lhe a corrida - roubo feito, não havia necessidade de insistir na criminalidade.
Não é a primeira vez que vejo um táxi envolvido num assalto. Num telefilme que escrevi há uma catrefada de anos, e que foi exibido pela primeira vez na RTP 1 em 2003, de título "Só por Acaso", dei ao protagonista o part-time de taxista. E, estando envolvido num assalto a um banco, é com a sua viatura que cumpre a missão de motorista do carro de fuga. No meu filme o desfecho é bem mais penoso, e o taxista é cúmplice do roubo, ao contrário do que se passou hoje na Avenida do Brasil, em que o motorista foi apanhado não com as calças na mão, mas com o volante nas unhas.
Quando me contou o sucedido, o taxista já se ria, mas a verdade é que, mesmo lhe tendo sido pago o dinheiro da viagem até Vila Franca de Xira, não ganhou para o susto. Chegados ao meu destino, paguei-lhe também, para não fazer pior figura que os outros. Não sei se a nota que me deu como troco era ou não uma das pagas pelos assaltantes.

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