O Contra Informação chegou ao fim, depois de 14 anos no ar. Tive durante quase uma década (desde 2001) o prazer de escrevê-lo junto com os meus colegas e amigos Rui Cardoso Martins e José de Pina, fundadores de um programa do qual muita gente, logo no início, decretou o fim. Alguns disseram-no por falta de fé, outros em jeito de wishful thinking. Diariamente, inspirámo-nos na fértil actualidade nacional e internacional, criámos um património de recorrências e bordões, repescados das palavras proferidas pelos protagonistas em que nos baseávamos, como o "Quem se mete com o PS, leva!" (Jorge Coelho, aliás, Jorge Coelhone), "Quantos são, quantos são? Eu não tenho medo de ninguém!" (Major Valentim Loureiro, aliás, Major Valentão), ou o "Penso eu de que" (Pinto da Costa, aliás, Bimbo da Costa). Após termos posto um cardeal do Vaticano a brincar com um preservativo cheio de água, de termos posto recentemente o primeiro-ministro português a implantar na cara o tumor que o Homem do Rossio removeu - para melhorar a sua imagem -, e Sarkozy e um grupo de ciganos, durante a cimeira da NATO, a tapar o nariz com uma mola de roupa por causa do pivete sempre que o primeiro-ministro se aproxima, é fácil de ver que foi atingido um qualquer zénite. 14 anos no ar - nada mau para um programa condenado desde o primeiro dia. Uma palavra de agradecimento aos muitos actores da equipa de vozes (olá, João Canto e Castro, olá, Bruno Ferreira, olá, Pimpão, olá, Mila Belo), aos vários realizadores (olá, Miguel Soares, olá, Rodil) e bonecreiros (olá, Jel) que passaram pela Mandala (olá, Mafalda), a todos os caracterizadores (olá, Nuno Elias), músicos (olá, Gimba, olá, Rámon) e equipas técnicas que trabalharam no programa e ajudaram a dar vida aos nossos textos. Um saravá também às PF (olá, Nuno), às várias direcções da RTP, e um abraço ao Eduardo Madeira e ao João Quadros que, nos anos anteriores à minha entrada na equipa, estiveram ao lado do Rui e do Pina na escrita dos textos. E por último, uma vénia especial a todos aqueles que nos acompanharam ao longo dos anos, aos que procuraram por nós na grelha de programação, às vezes ao meio-dia de domingo, outras vezes nas noites de quinta - horário onde nos últimos tempos acabou por se estabilizar. Da minha parte, foi um prazer e um orgulho dividir o leme com o Rui e o Pina ao longo destes anos todos, num programa como o Contra, que nos permitiu parodiar todos os formatos e situações possíveis e imaginárias, umas vezes mais que outras. No espectro político e social, a realidade continuará sempre a superar tudo o que se possa imaginar. Os bonecos, os verdadeiros, de carne e osso, continuam aí. E cá estaremos para dar conta disso. Porque, para usar as palavras do Manuel Alegre, aliás, Manuel Triste, a nós ninguém nos cala.