segunda-feira, março 29, 2010

Sim, este sou eu algemado em pleno Cais do Sodré


(click na imagem para aumentar)

Trata-se da gravação deste video que, de forma insana, decidi fazer, e que vai de vento em popa. Não vos esqueçais - o prazo para gravarem e enviarem-me para o salvoerro@gmail.com os vossos considerandos acerca da corrupção termina hoje! Plize, venga!

quinta-feira, março 25, 2010

Gravem e enviem-me os vossos pensamentos sobre corrupção!

Passa-se o seguinte: Fair Play - Anti-Corruption, competição internacional que desafia músicos de todo o mundo a fazerem um tema (e um video) dedicado ao tema "anti-corrupção e boa governação". Ora, serve este post para vos incitar a concorrer e para dizer que eu próprio - apesar das 789696585 coisas que tenho para fazer - e da data limite para entrega ser já o dia 31 deste mês, decidi agora concorrer. Isto porque acho a corrupção um tema deliciosamente supímpico.

Quero utilizar samples na música que vou fazer, e para isso vou precisar da vossa ajuda. Gravem em audio os vossos considerandos, pensamentos, reflexões sobre a corrupção, nos formatos .wav, ou .mp3, ou .mp4, ou no que quiserem, e enviem-nos para o meu mail, salvoerro@gmail.com.

A qualidade das gravações não é muito importante, desde que se perceba o que dizem. Peço-vos um mínimo de 30 segundos e um máximo de 3 minutos. Vou depois seleccionar partes dos vossos discursos e usá-las como loops na música. Por isso caprichem na mensagem!

Podem falar da corrupção quer a nível nacional quer internacional. A ideia é despertar consciências, por isso não se sintam forçados a usar do humor. De qualquer modo, que ferramenta melhor para despertar as ditas do que o dito? Por isso, também não se inibam de usar o humor. Podem denunciar situações, propôr soluções, a nível do governo, do futebol, seja o que for, aqui ou em qualquer parte do mundo. A minha selecção vai ter como critério a acutilância e a originalidade.

Muito importante - enviem-me as vossas gravações até dia 29 deste mês, que é para eu ter pelo menos dois dias para fazer a selecção e incluir os loops na música. Quanto mais cedo melhor.

Os seleccionados aparecerão referidos no video, com link para os respectivos sites, ou blogs, ou contas de twitter. Se a minha musiqueta ganhar e eu for a Bruxelas tocá-la ao vivo, vocês estarão lá comigo em espírito e dentro do meu coração. É bonito ou não é bonito? É deveras bonito.

Peço-vos também que divulguem este meu pedido, partilhem o repto com o máximo de pessoas que conseguirem: família, amigos, conhecidos e inimigos.

Um antecipado muito e muito obrigado a todos os que enviarem gravações. Sois grandiosos.

Vamos lá, pessoal: o que é que têm a dizer sobre a corrupção?

Hell yeah!

quarta-feira, março 24, 2010

MUTO

Para quem não conhece.
Mais info em http://www.blublu.org

domingo, março 21, 2010

Pessoa do dia ® #9

POEMA EM LINHA RECTA

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos

(último poema escolhido por José Carlos de Vasconcelos agora no Câmara Clara)

Hoje é dia mundial da poesia.

quarta-feira, março 17, 2010

Mete mais alto #82

The xx
"Heart Skipped A Beat"
xx
2009

domingo, março 14, 2010

Sem Respirar na Monstra


O país homenageado na MONSTRA deste ano é Portugal, e hoje às 19h há uma sessão dedicada aos argumentistas, onde vai ser exibido o Sem Respirar, curta de animação que escrevi há uns bons anos e realizada pelo Pedro Brito. Vá, saiam de casa e vão lá assistir, há lá programinha melhor para um fim de tarde dominical.

segunda-feira, março 08, 2010

Há mais uma fórmula


O volume 2 d'A FÓRMULA DA FELICIDADE, escrito pelo Nuno Duarte e ilustrado pelo Osvaldo Medina, sai dia 1 de Abril. Sete magníficas páginas já estão online para aguçar o apetite (como se fosse preciso aguçá-lo ainda mais depois do primeiro volume!) Sigam este link para a página de FB do Nuno Duarte para ler e ver as novidades.

sexta-feira, março 05, 2010

Quando vi os cartazes e achei o Chapeleiro Louco parecido com o bacaninho do Cirque du Soleil, devia ter percebido logo que vinha aí trovoada

Ai é exagero? Então vejam isto --


-- e agora olhem para isto sem chorar:

Eu queria tanto, tanto gostar deste filme. Mas o Mick continua coberto de razão quando canta you can't always get what you want. Acabei por conseguir ir à antestreia de Alice. Como afirmei odiar todos os que tinham convites para supímpico evento, e em louvor de uma certa coerência que não mantenho em todos os aspectos da vidinha, admito o ataque de urticária abjeccionista. Passou rápido, diga-se, e lá estava eu pronto para adorar a película.

Poderão argumentar: Filippetti, mas não terão sido as elevadíssimas expectativas que depositavas na coisa o verdadeiro motivo para a desilusão que sentiste depois de ver a coisa em si? E eu respondo: primeiro, não me chamo Filippetti; depois, embirro com a utilização excessiva da palavra 'coisa'; por último, deixem lá isso das expectativas - o filme não tem alma, seja qual for o grau de expectativa que se ponha na coisa.

Ler Alice no País das Maravilhas quando era criança fez-me sentir adulto de uma maneira que nunca me senti depois de adulto. Relê-lo na idade adulta fez-me sentir uma criança como de certeza não fui, mas imagino ter sido, tal é o poder transformador do livro. Ver a Alice no País das Maravilhas de Tim Burton fez-me sentir sono.

A palavra 'irresponsabilidade' veio-me por diversas vezes à cabeça durante a sessão. Quanto mais não fosse, este filme não podia ser indiferente ao facto de vivermos numa era pós-Coraline. Nada justifica que um reavivar do panteão carrolliano se traduza numa história simplista de 'coming of age' digna de um telefilme de domingo à tarde. Daqueles da Disney, como também é o caso de Alice.

É um catálogo em movimento de belíssimos pósteres para pendurar nas paredes e de action figures com um alto índice de catitidade que vão servir para tirar espaço a coleccionadores de memorabilia e engordar os cofres da Disney. Nada contra, digo eu, babado possuidor de tudo o quem tem a ver com a criação de Lewis Carroll, de dezenas de edições de Alice no País das Maravilhas e Alice do Outro Lado do Espelho, em tantas línguas quantas as dos países que visitei e dos visitados por pessoas que conheço. Pessoas essas que passam automaticamente à categoria de meus amigos caso me tragam edições nativas dessas paragens remotas. Só que do aparato visual à envolvência com a história e os personagens vai uma distância tão grande quanto a que separa o Tim Burton que eu gosto deste que fez Alice.

E, já agora, aquilo dos belíssimos pósteres - olhem outra vez para o cartaz em que aparece Johnny Depp como Chapeleiro Louco. Nem precisam de ver o outro, apenas digam mentalmente: 'Cirque du Soleil'. Agora vejam lá se ainda conseguem pendurá-lo na sala. Talvez, se forem uma das garbosas moças que soltavam risinhos e batiam palminhas, palminhas, de cada vez que o Depp aparecia na tela, ainda que estivesse a fazer o mesmo papel que anda a fazer nos últimos 5356 anos. Ou então se gostaram muito do Quidam. Mas se for esse o caso, a gente escusa de falar mais sobre isso. Para não criar mau ambiente.

A Mia Wasikowska, tão Alice que está nos trailers, porque não fala, quando o faz no filme parece enfadada com os diálogos que lhe deram para interpretar, tal é a falta de foco e a leveza-Disney de um argumento que não dá o devido valor ao património carrolliano e se mostra pouco inspirado para concretizar a renovação mitológica a que se propõe. Contracenar com actores metidos em fatos verdes para depois levar animação por cima e bicharada que só é acrescentada em pós-produção também não ajudou a moça. Talvez que a tenra idade ainda não lhe tenha trazido o cinismo de, por exemplo, uma Helena Bonham Carter - das poucas notas positivas deste País das Maravilhas-'Tá-Bem-'Tá-Maravilhas-Pois -, que foi aos píncaros de uma Red Queen memorável apesar de ser bastante provável que também estivesse a achar tudo aquilo um aborrecimento dos granjolas. Aplausos também para Matt Lucas, duplicado como Tweedledee e Tweedledum, os dois bonecos que eu mais quero ter na prateleira da sala.

Vêem? Eu digo mal mas também vou dar guitinha à Disney. E porquê? Porque tudo aquilo é um anúncio sofisticado, a dizer 'Agora vais ali à Fnac ou isso e compras esta bonecada toda e estas edições novas da Alice'. E eu vou, porque sou muito influenciável e porque sou tão fã da obra de Carroll que até vou adquirir um dvd deste filme, apesar de achá-lo tão raso como a linha do meu batimento cardíaco durante momentos em que não queria acreditar no que estava a ver, um filme sem pinga do absurdo que me faz adorar os livros (uma lebre a arremesar chávenas contra as cabeças de meio-mundo e uma adivinha obscura repetida até à exaustão pelo Chapeleiro não são, nem de longe nem de perto, suficientes).

As personagens são desinteressantes, o que é incompreensível quando se pensa no material original, com tamanha fata de dimensão que, de alguma forma, até terão tirado uma ou duas das três em que o filme é suposto ser exibido. Isto porque o Real 3D aqui também sofre muito a nível de ser alguma coisa de jeito. O que só prova que o domínio do 3D não é só uma questão técnica e vem acrescentar valor artístico a essa pérola que é Avatar. Pérola, sim. De ostra gorda. Esse sim, é uma Maravilha de filme.

Danny Elfman. Li que a música que fez para Alice concretizava o mui aguardado regresso ao nível que o celebrizou. Não me lembro onde li isto, assim como não me lembro do último score de Elfman de que não me tenha esquecido imediatamante após o filme acabar. Da música que fez para Alice não posso falar - não me lembro.

Para fechar, mais uma nota, acerca da tradução: Rarrazoado? Mas que necessidade houve de traduzir Jabberwocky para Rarrazoado? Também aparece assim nas novas edições da Alice que invadem as lojas? É que não me apetecia nada adquirir edições com Rarrazoado escrito. Vou fazê-lo, porque sou um fraco. Mas não me apetecia.

quinta-feira, março 04, 2010

Mete mais alto #82


Ok Go
"This Too Shall Pass"
Of the Blue Color of the Sky
2010

(Videozorrozaçolameledozão!)