Sexta-feira, Dezembro 04, 2009

Pessoa do dia ® #5

II
OS CASTELOS

PRIMEIRO
ULISSES


O mito é o nada que é tudo
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo –
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo

Este que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos braços.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.

Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre
De nada, morre.


in Mensagem,
Primeira Parte - Brasão
de Fernando Pessoa


(A propósito dos 75 anos da publicação de Mensagem - O Mostrengo)

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