quarta-feira, setembro 30, 2009

Joe Shuster Awards


Lista completa de vencedores aqui.

segunda-feira, setembro 28, 2009

A Unha de Deus

quarto crescente
um lobo uiva sem som
grita p'ra dentro

sábado, setembro 26, 2009

Já marchava.


Posta Mirandesa faz 100 anos.

Passagens dos Monólogos da Orelha

Convidou-me o Francisco Frazão a participar na sessão de trabalho que decorreu esta tarde e que juntou Jenny Schwartz a vários dramaturgos portugueses das gerações mais recentes. Infelizmente não pude juntar-me à discussão, que adivinho ter sido sumarenta, acerca dos processos de escrita e produção da peça A Orelha de Deus, que a Cristina Carvalhal levou à Culturgest.

A Orelha de Deus, que estreou off-off-Broadway e depois off-Broadway, esteve em cena ontem e terá mais uma apresentação esta noite (21h30), depois da qual se seguirá uma conversa com o público, e ainda nos dias 28, 29 e 30.

Acontece também hoje, às 22h no Museu da Electricidade, e integrado na ExperimentaDesign 2009, a última apresentação do recital As Passagens do Tempo. Este é um projecto que parte do livro com o mesmo título da autoria do Nuno Artur Silva, com imagem e desenho em tempo real do António Jorge Gonçalves, música de Armando Teixeira, e interpretado por Marco D'Almeida, Sandra Celas e Rui Morisson.


Um dia rico em teatro: hoje podem ver também Os Monólogos da Marijuana, de Arj Baker, Foug Benson e Tony Camin, com interpretações de Tobias Monteiro, Paulo Duarte Ribeiro e João Craveiro. A peça já aí anda há algum tempo, e continuará por mais algum dentro e fora de Lisboa, mas a novidade é que hoje (tal como aconteceu ontem e na semana passada), vai contar com a interpretação do Eduardo Frazão. É às 22h no Teatro Casa da Comédia.

sexta-feira, setembro 25, 2009

Mete mais alto #52


Sylvester
"You Make Me Feel Mighty Real"
Tema de 1978 em actuação ao vivo algures nos 80s.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Tem os dias contados

A gripe A foi contagiada com Marilyn Manson.

lençol manchado
é tudo o que fica
da primeira vez

I can be a frog


O novo de Flaming Lips

terça-feira, setembro 22, 2009

Pussy


O primeiro avanço para o novo álbum de Rammstein é este magnífico tema que conta com um belíssimo video pornográfico, alojado no Visit-X, site que se gaba de ser a maior comunidade de 'amateur videochat' da Europa. Seja isso o que for, mete muitos seios e pussy, como se pode ver logo na página de entrada. Para não correr o risco da rapaziada do Google cancelar-me a sacrista da conta por encontrar aqui um link para sites porno, deixo-vos o linkedo para a página do Blitz onde encontram linkalhame para a versão não-censurada do video.
Quando for grande, quero fazer videos assim.

Mete mais alto #51


Peaches & Iggy Pop
"Kick It"

segunda-feira, setembro 21, 2009

Backspacer


Saiu hoje o novo álbum de Pearl Jam. Ainda não ouvi, mas para já o artwork - de Tom Tomorrow, a.k.a. Dan Perkins - é magnífico.


H.G. Wells nasceu a 21 de Setembro de 1866

Emmys 2009




Lista completa de vencedores aqui.


(update - 19:02 - link corrigido)

sexta-feira, setembro 18, 2009


GYORGY LIGETI e STANLEY KUBRICK

quinta-feira, setembro 17, 2009

Tenho um TGV a mais, troco por duas PMEs. Vejam lá isso.

Mete mais alto #50


Peaches
"Talk to Me"
I Feel Cream
2009

quarta-feira, setembro 16, 2009

Mete mais alto #49


Sonic Youth - "Sugar Kane"
Live @ Later... with Jools Holland
1992

Ordens do médico

só se entende
o conceito de light
depois de velho

terça-feira, setembro 15, 2009


DESEJO AMANTE

Elmano, de teus mimos anelante,
Elmano em te admirar, meu bem, não erra;
Incomparáveis dons tua alma encerra,
Ornam mil perfeições o teu semblante:

Granjeias sem vontade a cada instante
Claros triunfos na amorosa guerra:
Tesouro que do Céu vieste à Terra,
Não precisas dos olhos de um amante.

Oh!, se eu pudesse, Amor, oh!, se eu pudesse
Cumprir meu gosto! Se em altar sublime
Os incensos de Jove a Lília desse!

Folgara o coração quanto se oprime;
E a Razão, que os excessos aborrece,
Notando a causa, revelara o crime.

BOCAGE

O Poeta nasceu a 15 de Setembro de 1765.

O crime compensa


Primeira parte de Crime Does Pay, documentário sobre Agatha Christie feito a propósito do centenário do seu nascimento.

Agatha Christie nasceu a 15 de Setembro de 1890.

pedra tumular
data de nascimento
data da morte

tábua rasa
espelho retrovisor
estilhaçado

Accentuate the Positive


Bette Midler & Bing Crosby


JIM CARROLL

Morreu na 6.a feira enquanto escrevia.

No reciclar é que está o ganho

Manuel Alegre no comício do PS em Coimbra ao lado de Sócrates.
A reciclagem, realmente, tem muito que se lhe diga:


Rock 'n' Roll, Bodhisattva

Chippendales, sketch do Saturday Night Live em 1990, junto com Chris Farley (também já falecido)

e trailer do assombroso Point Break (1991)

R.I.P. Patrick Swayze

Era uma vez num Portugal ocupado pelo PS...


Sacanas Bastardos, a nossa versão de Sacanas Sem Lei (Inglourious Basterds) no Contra Informação de 5.a feira passada.

Ter alguma coisa para dizer


Bergman sobre Antonioni e não só.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Metade workshop. Metade seminário. Metade sorteio de rifas. Todo ficção.

Depois dos workshops de Escrita de Ficção para Cinema e TV que dei - já lá vão uns bons anos - na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, a convite da Escrita Criativa, e do workshop de Escrita para Teatro que dei no Teatro Maria Matos, nunca mais voltei a leccionar, excepção aberta para algumas contribuições em workshops e cursos da Academia, da Act, e da PF Formação, a convite dos formadores. Isto porque os workshops, tal como os tinha organizado, com sessões distribuídas ao longo de duas semanas, eram incompatíveis com o volume de trabalho de realização, produção e, principalmente, escrita que estava a desenvolver nessa altura. Como agora não estou com mais tempo do que tinha então, impunha-se - caso pretendesse voltar a dar um workshop - concentrar o formato.
Ora, o grande gozo que tiro do meu trabalho é o de criar, mas a ideia de passar experiência e técnicas ficcionais a outros, ao mesmo tempo que também tenho a oportunidade de reflectir em conjunto com os formandos sobre os métodos que utilizo, componho e vou descobrindo, também me é cara e enriquecedora. O entusiasmo que todos os presentes, incluindo eu próprio, é suposto levarem para este tipo de sessões, cria um clima ideal para o aparecimento de ideias e abordagens mais frescas aos problemas - e vantagens - com que nos deparamos na escrita para os diferentes meios. Comecei então a construir o FHFicção, misto de seminário e workshop, 10 horas concentradas nos dois dias de um fim-de-semana, e elaborei um programa mais denso e abrangente do que para qualquer outro workshop que tenha dado até agora.
Quando surgiu o desafio da PF Formação, pareceu-me uma excelente altura para avançar com este meu formato e programa, por isso acabei por desenvolver a imagem do FHFicção e entregar a organização e divulgação nas mãos da PF Formação, pelo que nos próximos dias 19 e 20 vamos poder estar juntos – eu e vocês – na Livraria Ler Devagar, na LX Factory, a decifrar os mecanismos narrativos do cinema, televisão e web.
As inscrições terminam amanhã e deverão ser dirigidas à PF Formação, que tem neste post toda a informação necessária e acesso à ficha de inscrição.
Sois mais que bem-vindos.
Fica aqui o programa:

FHFicção | Programa

1. O Meio
1.1. Vantagens e condicionantes
1.2. Definição de conteúdos em função do meio
1.3. Discurso, ritmo e tom
1.4. Géneros (Comédia, Acção, Drama, Fantasia e FC, Horror) e cruzamentos
1.4.1. Mockumentary
1.5. Formatos de ficção televisiva: série, sitcom, telefilme, novela
1.6. Produção
1.6.1. O prosumer (prosumidor)
1.7. Ubik
1.8. Obra de encomenda vs. Ideia Original

2. A Bíblia
2.1. A ideia
2.2. Pitch
2.3. Tag Line
2.4. Target
2.5. Sinopse e Story Line
2.6. Construção de personagens
2.6.1. Efeito karaoke
2.6.2. Character driven / Plot driven
2.6.3. Integração da apresentação do personagem na narrativa ficcional
2.6.4. Re-apresentação sistemática / Evolução
2.6.5. O conflito como motor da acção: conflito interno e externo
2.7. Morrer na praia

3. O Guião
3.1. Método e Formatação
3.1.1. Plano, cena e sequência
3.1.2. Tempo e espaço
3.2. Plot
3.3. Dramaturgia
3.4.Tema
3.5. Estrutura e dispositivos narrativos
3.5.1. Já falámos do ritmo? Pois, já falámos.
3.5.2. História que se quer contar vs. Tempo disponível
3.5.3. Log Line, Teaser, 3 Actos e End Tag
3.5.4. O guião escrito de trás para a frente: Planting e Pay Off
3.6. Entretenimento pervasivo
3.6.1. Interactividade
3.6.2. Comunidade
3.7. Diálogos: coloquialidade e continuidade
3.8. Twist
3.9. Reescrita
3.10. Banho de água fria
3.11. Kill Your Darlings
3.12. Autor/Realizador/Actor/Produtor: as diferenças de abordagem

domingo, setembro 13, 2009

O Sporting ganhou?
Eia, o Paulo Bento vai ficar com os joelhos em ferida depois de ir a Fátima.

TelePapiro


Século XXI e tal, e o teletexto das TVs continua a parecer saído de um ZX Spectrum.

Mete mais alto #48

 
Bing Crosby, Humphrey Bogart & Lauren Bacall

"Is it a pink slip or a blank page?"


"(...) Lemonade is about what happens when people who were once paid to be creative in advertising are forced to be creative with their own lives."

Eu costumo dizer: se a vida te dá limões, manda para trás e pede uma tosta mista. Esta malta fez limonada, o que também não está nada mal. Parece ser um documentário bastante interessante e vai estar disponível em breve. Podem inscrever-se no site oficial para serem notificados da data de lançamento.

sábado, setembro 12, 2009

E mata como, à machadada?


"Parece aquele que mata o pai e a mãe para dizer que é orfão".

- Manuela Ferreira Leite
no debate de há pouco


WTF?! Vi muitos filmes de terror no MotelX mas perdi este.

Ainda me estou a rir


A grande piada da noite é de Luís Delgado, quando diz que MFL ganhou o debate. Que prato!

José Sócrates vs. Manuela Ferreira Leite


Um debate com Sócrates a fazer citações e MFL a falar em linguagem cifrada. Esforço extra exigido à empregada de Carolina Patrocínio que, mesmo sem esta dificuldade acrescida, já estava a ter uma trabalheira para explicar à menina o que ia sendo dito.


Era de esperar que Manuela Ferreira Leite levasse uma tareia neste debate. Afinal, entrou em estúdio já com os dois olhos negros.

Nos comentários à saída do estúdio, Sócrates falou com a pose e o tom com que falam as jibóias depois de engolir um gerbo.

Se o objectivo deste frente-a-frente era ajudar os indecisos a escolher em quem votar, missão cumprida, no que me diz respeito. O meu voto vai direitinho para a Clara de Sousa.

eyes of a stoner
cover shot for Rolling Stone
better wear shades

Mete mais alto #47


Mew
"Introducing Palace Players"
No More Stories / Are Told Today / I'm Sorry / They Washed Away // No More Stories / The World Is Grey / I'm Tired / Let's Wash Away
2009

Onde não estou, tu não existes

Hoje às 18h no bar do Teatro A Barraca, lançamento do livro "Onde não estou, tu não existes", de Marta Chaves. O evento contará com a actuação de Lula Pena.

Mais info no blog da editora Tea For One.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Pastilha elástica vs. Experiências gourmet


Ora aí está, anunciada e celebrada, uma aproximação à criação de conteúdos (não gosto do termo, prefiro experiências) que foge do entusiasmo exacerbado em relação aos formatos pequenos, quase fragmentos. Como se a construção de narrativas curtas fosse uma novidade possibilitada apenas pela web, fazendo tábua rasa do que é a música pop e a sua consequência audiovisual: os videoclips, snack TV com décadas de existência (tema, aliás, da minha intervenção na Open Talk da EXD09 de 4.a feira).

A necessidade de tempo para a criação, para o desenvolvimento e maturação é, mais do que nunca, a palavra de ordem. A ideia de work in progress é tão do semestre passado. Cada vez mais é necessária a aplicação de todos os conhecimentos técnicos, referências e capacidades artísticas de forma focada, de maneira a garantir uma execução primorosa. Matéria que, nem de propósito, John Landis não se cansou de defender na masterclass que tive o incalculável prazer de moderar domingo passado no MotelX. Porque mais do que o conceito, mais do que a ideia base, do ponto de partida, mais do que a reflexão acerca do meio enquanto zona e objecto de trabalho, é o resultado final que interessa ao consumidor, cada vez mais especializado na decifração dessas peças de ficção, de representação, sublimação, paródia ou distorção do real. Interpretação pessoal de um criador, manipulada, partilhada, expressa ao público. Autoria, portanto.

Da era do binómio produtor/consumidor, passámos para a fase do prosumidor (prosumer), mas um elemento houve que se manteve – e manterá - constante: o criador. Partindo do princípio que a ficção vive por nós, fala por nós – metáfora para a aprendizagem da(s) realidade(s) que nos rodeia(m) e de nós prórprios dentro ou fora dela(s) -, há um limite para o número de experiências, de picos, que uma narrativa de curta duração pode proporcionar, quer durante o acto de criação, quer no desfrute por parte do público.

Experiências há que só são possíveis pela dilatação do tempo, pela tensão acumulada até à chegada do clímax, como no sexo, onde há lugar para os snacks mas que vive essencialmente do gourmet. Não será alheio a este paradigma o mais recente filme de Tarantino, Sacanas Sem Lei, onde a extensão das cenas e dos diálogos são indissociáveis da forte impressão deixada depois do visionamento - melhor, depois da experimentação. Curiosamente, o mesmo tipo de dilatação temporal típica do género do horror, manuseado com superior mestria em Martyrs. Daí preferir o termo experiência a conteúdo. Conteúdo parece-me demasiado redutor.

O que se tira de uma viagem – e a ficção é o mais próximo que temos de uma viagem no tempo, da visita a linhas temporais paralelas e/ou alternativas - não é forçosamente um conteúdo, mas é, sem dúvida, sempre, uma experiência. Não só no sentido de experimentar as possibilidades do meio durante o acto de criação mas, mais importante ainda, no sentido das experiências proporcionadas ao consumidor. Se os projectos que vingarem forem os feitos com tempo e dedicação, os gestores, produtores, programadores, editores, directores, decisores, terão de abrir os cordões à bolsa para permitir aos criadores esse tipo de disponibilidade, em oposição à dispersão por inúmeros projectos de fraca remuneração. Caso contrário, pouco ou nada se acrescentará de novo a nível de experiências proporcionadas e estaremos fadados a uma sucessão de rapidinhas, efémeras, pouco marcantes, por si só insatisfatórias.

Chega de pastilha elástica. O tempo hoje em dia é o das experiências gourmet.

Um caloroso saravá

a todos os que estiveram presentes na quarta-feira, noite de jogo da selecção dita nacional, no nosso concerto no Parque Mayer. Caos, alegria, invasão de palco e sandes de patanisca. Sois grandes, todos vocês! Muito e muito obrigado.


sábado, setembro 05, 2009

Cebolisguedo

A propósito do nosso concerto na próxima 4.a feira, saíu uma bela fotografélia na GPS da revista Sábado. Bela no sentido de extremamente parva, como se quer.

(click para aumentar)

sexta-feira, setembro 04, 2009

O Assassino Horrivelmente Lento da Arma Extremamente Ineficaz (e algumas notas acerca de Martyrs e do MOTELx)

Vi ontem Martyrs, de Pascal Laugier, no MOTELx. É um filme brilhante, perturbador, violento, doentio, uma experiência limite no campo do horror. Intenso é dizer pouco. Outro nível. Uma realização, argumento, edição, produção e actuações irrepreensíveis. Entra numa categoria que acabo de inaugurar, e que é a do "vi uma vez e não quero voltar a ver nos próximos 50 anos, pelo menos". Quem resistiu até ao fim (houve quem saísse da sala a meio, e quem saísse logo nos primeiros minutos), torceu-se no lugar em uníssono com os outros espectadores. Não consigo imaginar o que é ver este filme sozinho em casa, ou mesmo acompanhado, sem passar pela experiência colectiva que é fazê-lo numa sala de cinema, reagindo em conjunto com o resto do público ali presente. E a possibilidade dessa experiência catártica é uma das grandes virtudes de um festival como o MOTELx.

Para desanuviar, eis The Horribly Slow Murderer with The Extremely Inneficient Weapon (não, este não está no festival, anda pelos entrefegos da web, e agora chegou aqui).


How High The Moon
LES PAUL & MARY FORD

quinta-feira, setembro 03, 2009

Mete mais alto #46


The Horrors
"Mirror's Image"
Primary Colours (2009)

'Tou c'um camadão de asfixia democrática que nem m'aguento.

O Tamiflu é só para a gripe A ou também dá para a asfixia democrática?

quarta-feira, setembro 02, 2009

a urgência
o tempo hoje em dia
fixo no fluxo

O tempo hoje em dia


O tema da ExperimentaDesign/Lisboa deste ano, “It’s About Time”, remete para um conceito que é, em simultâneo, omnipresente e escasso na vida e, por isso, na criação. O tempo, a urgência (“It’s about time” é também uma expressão idiomática, “Está na hora”, é tempo de fazer alguma coisa”), a escolha e o doseamento entre o que se pode fazer mais tarde e o que não pode deixar de ser feito agora, já (a relatividade do “já”, que é muito mais marcada do que poderia pensar-se à partida), é factor que às vezes condiciona, outras estimula, a criação. Outras ainda, alimenta-a.

O tempo, a ideia de urgência, são matérias-primas com as quais trabalhei como ponto de partida para diversas ficções teatrais no projecto Urgências. Mas enquanto tema de reflexão mais concisa, sem considerações dramatúrgicas a (des)orientar a procura para fora das derivações acessórias à narrativa ficcional, raras foram as vezes em que tive oportunidade de discuti-lo, ao tempo, nestes termos.

Tenho uma fixação pela manipulação do tempo em termos mais directos mas também mais teóricos. Fascinam-me os paradoxos temporais que pululam nas páginas de mestres clássicos como Richard C. Meredith e Robert Silverberg, hoje recuperados e expandidos em muitos filmes e séries de TV que, há uns anos, seriam catalogados de hard sci-fi, mas que são hoje considerados entretenimento mainstream, com honras, alguns, de horário nobre (Lost, Heroes, Life on Mars, Jumper; escrevi um pouco acerca disto nesta edição da Take a propósito do Star Trek de J.J. Abrams).

Esta minha fixação pela manipulação do tempo – que deriva de uma mais urgente, a da realidade/identidade – prende-se talvez com o próprio acto de criação quotidiana que é grande parte do meu trabalho, e que se prende muito com a actualidade e a existência de prazos apertados. Ao criar, escrever, produzir ou realizar conteúdos para diversas plataformas - cinema, televisão, rádio, teatro, web, mobile - tenho-me apercebido do peso do tempo nas particularidades de cada meio e da maneira como influenciam a narrativa ficcional ou ficcionada. O tempo é relativo a este ponto - é o nosso melhor amigo e também o nosso pior inimigo.

Mas mesmo sem estas razões, outras legítimas encontraria para a minha fixação com o tempo - sou fixado em algo que nunca é fixo -, pelo simples motivo de que tudo na vida é tempo, e tudo na vida é urgente – apenas algumas coisas são mais urgentes que outras, relatividade que a urgência herdou do tempo.

Que tenha agora oportunidade de participar nesta discussão, acerca daquilo que eu chamo o tempo hoje em dia, no âmbito de um evento com a dimensão, relevância e diversidade de perspectivas como é a ExperimentaDesign, deixa-me portanto muito contente. As Open Talks arrancam dia 9 às 11h para discutir O Design das Ficções Contemporâneas. O host desta sessão é o Nuno Artur Silva, que convidou a Maria João Cruz, João Lopes, Pedro Gadanho, e este que vos tecla, todos nós reféns do tempo que só nos deixará falar até às 13h. Vai acontecer no Mercado de Santa Clara, no Campo com o mesmo nome.

Façam pois a fineza de arranjar tempo para comparecer, que eu nessa noite também tenho um concerto para dar e não é por isso que não vou estar presente. Há tempo para tudo, e também ajuda imenso os dois eventos serem em horários diferentes.

terça-feira, setembro 01, 2009

Algumas notas (breves, que eu tenho de sair) acerca da entrevista de José Sócrates a Judite de Sousa: Antes de mais, é fantástico como é que Sócrates, entre uma inauguração e um lançamento de uma primeira pedra (ainda não parou desde que regressou de férias, no dia 13 de Agosto), conseguiu arranjar um tempinho para ir dar uma entrevista.

Em relação à questão dos professores, o primeiro-ministro admitiu que talvez tenha havido falta de delicadeza na maneira como eles foram tratados. Ora, isto surpreendeu-me imenso. Ouvir Sócrates falar de delicadeza é como ouvir um vegan a falar de um tenro bife do lombo.
A fechar, Judite de Sousa resolveu continuar o serviço público esgotando os últimos minutos da entrevista perguntando a Sócrates o que pensava de ter sido considerado o homem mais sexy de Portugal. Não consegui perceber se esta pergunta também vinha no guião ou se foi bucha de Judite.
Em jeito de nota de rodapé, deixo uma musiqueta dedicada à frase que José Sócrates gosta de repetir sempre que é trazida à baila a sua relação com o presidente da República Cavaco Silva: "Cada um pedala a sua bicicleta". Aqui fica ela. E um bem-haja para vós, que eu agora vou ali e já venho.


Cães Danados; aliás, Vira-Latas de Bairro.

A propósito da estreia de Sacanas sem Lei (Inglourious Basterds) o jornal i convidou-me a reescrever uma cena de um filme de Quentin Tarantino. Escolhi a cena inicial dos Cães Danados, em que os senhores criminosos que dão pelo nome de cores discutem o conteúdo do "Like a Virgin" de Madonna. Como a ideia era tratar a cena como se estivesse num filme do que se convencionou chamar 'antigo cinema português', achei que os alias deles tinham de ser outra coisa que não nomes de cores, e que a artista em questão teria de ser outra que não a Madonna. A cena original é esta...

...e a minha versão teve de ser bastante abreviada, uma vez que só dispunha de 1800 caracteres. O texto em questão saíu no i de 5. feira passada, mas está também disponível online aqui, nesta página com o título "E se Pulp Fiction fosse um Épico Bíblico? - as versões de Markl e outros". Eu sou um dos outros.

Nós tínhamos previsto que ia acontecer:
Disney compra Marvel


Sigam os links:
A ler também o que Mark Evanier escreveu sobre o assunto aqui e aqui.

O que mais impressiona é que eu e o Eddie previmos isto. No tema "Liga da Justiça", do nosso álbum mais recente, O Fim dos Cebola Mol, é dito às tantas: "O Incrível Hulk está apaixonado / Pela Fada Sininho / Vai doer um bom bocado". O álbum saíu este ano, mas a letra foi escrita há uns bons 6 ou 7 anos. Vai-se a ver, hoje faz todo o sentido. E falar de 'sentido' quando se fala de Cebola impressiona sempre.