segunda-feira, junho 29, 2009

terça-feira, junho 23, 2009

Mete mais alto #38


Messer Chups
"Go Satan Go"
Vamp Babes Upgrade
2004

quarta-feira, junho 17, 2009

Mete mais alto #37


"Não é fácil ser verde".
Gostava de ouvir isto cantado pelo Hulk.
Ou pelo Paulo Bento.
E por José Sócrates, em versão "Não é fácil ser humilde".

A propósito: verde é a cor escolhida no Twitter para marcar o repúdio pelo que se está a passar no Irão. Pintem o vosso avatar de verde, se acharem que faz alguma diferença. Mal não faz.

Anger management


Hulk acalma-se e volta a ser Bruce Banner.
Sócrates baixa o tom a ver se continua primeiro-ministro.

Salsifré Cósmico

Um irrefutável alinhamento constelaico-sideral me fez colocar as actuações dos Devo no post anterior ao mesmo tempo que notícias de um novo álbum da devolution band chegavam ao outro lado da crosta terráquea. De Sydney, deu-me a novidade o João Paulo, nos comentários do post anterior: os Devo vão aliar-se a James Murphy (corpo e alma dos LCD Soundsystem, co-fundador da DFA Records) para lançar no próximo ano um novo longa-duração, o primeiro desde Smooth Noodle Maps, em 1990.

Maior salsifré cósmico se revelará talvez neste comeback dos Devo numa altura em que eu e o meu gémeo vitelino Eddie Stardust estamos prestes a lançar um novel álbum de caos e alegria. (De facto, o nosso último álbum. Não quer dizer que não lancemos mais, nunca se sabe - as pragas são cíclicas -, mas, de qualquer maneira, este é o nosso último álbum, fica já despachado.) É de uma belezura não-mensurável a comoção à base de pulguedo que esta coincidência ao nível de localização temporal me despenca sobre o espírito.
Faltam 13 dias para o Fim.

Q: Are We Not Men? A: We Are Devo!


Uma das maiores bandas de todos os universos paralelos, de todas as realidades alternativas; multidimensional e transdemencial.

terça-feira, junho 16, 2009

स्वामी रामदेव


Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio de asas.

- Como quereis o equilíbrio?

DAVID MOURÃO-FERREIRA



Redescoberto no jardinzinho de flores esquisitas do Miguel Martins, blog que deveis visitar diariamente, pela vossa rica saúde.

segunda-feira, junho 15, 2009

terça-feira, junho 09, 2009

segunda-feira, junho 08, 2009

Mete mais alto #36


Make The Girl Dance - "Baby Baby Baby" (2009)

Agora imaginem que à MFL lhe dava para festejar a vitória nestes preparos.

Europeias (duas notas em jeito de rescaldo)

1) A euforia social-democrata por estes resultados faz quase tanto sentido quanto a euforia da selecção por ter derrotado a Albânia.

2) Se a contagem dos votos tivesse sido feita por um Magalhães, aposto que tinha ganho o PS. Mesmo aparecendo escrito Partido Çossialista.

domingo, junho 07, 2009

Europeias 2009

(Apanhado de alguns tweets com que fui acompanhando os resultados. A análise em tempo real, em 140 caracteres ou menos. Moderno.)

Hoje o PS levou mais bordoada do que Vital Moreira no 1.º de Maio.

Do Fórum Lisboa mandam dizer que se acabaram as mortalhas.

Mário Lino a sair do Hotel Altis e a descer a rua sozinho. Maioria absoluta? Jamais.

Calhe o embalo do PSD durar até às autárquicas, teremos a estrear em Lisboa "O Regresso do Menino Guerreiro".

Nuno Melo: "Paulo, esta vitória que aqui está é sua". Atenção, Nuno Melo, isto não são os Globos de Ouro.

Alguém tem o contacto dos responsáveis pela desmontagem relâmpago do estaminé socialista no Altis? Tenho aqui estantes para desmontar.

Mário Lino é como aquelas histórias que às vezes se ouve, "disse que ia comprar tabaco e nunca mais ninguém o viu".

sexta-feira, junho 05, 2009

Passatempo O Fim dos Cebola Mol

É o fim dos Cebola Mol...
E precisamos de saber quem são os culpados!
Acusa-te sem medos e diz-nos porque o fizeste!

Lê o regulamento e envia para a UAU um video com 1 minuto e 25 Mb no máximo. Os melhores três videos ganham o novo álbum + Meet & Greet e bilhetes duplos para o concerto de lançamento no próximo dia 30.

A semana que vem traz feriados, eleições - tudo oportunidades para ir para a praia, assim o sol o permita. E, durante o relax, aproveitem e gravem o vosso video. Se chover, gravem em casa, ou na rua mas à chuva. É como quiserdes, o chão é o limite.

Toda a informação e regulamento aqui.

Provavelmente o melhor video de sempre, pelo menos hoje


Só não o boto aqui porque o embedding foi disabled by request, mas fica o link.
Reparem aos 2m15s. A classe.
Rod Stewart em 1976, "Tonight's the Night".
Belo tema. Belo penteado.

quinta-feira, junho 04, 2009

O regresso menos aguardado de sempre


Sim, é verdade.
Estamos de volta.
Novo disco.
Concerto de lançamento dia 30 de Junho
Auditório dos Oceanos do Casino Lisboa

Estamos a 26 dias do Fim


The Doors

Farewell, Grasshopper.


"Time for you to leave."

R.I.P.
David Carradine
1936-2009

Bruno é gay e Eminem é uma menina.

Outro grande momento, se não o momento dos MTV Movie Awards. Diz que foi tudo combinado. Mas cá para mim e para muita gente o Eminem e a sua entourage estavam mesmo p* da vida com Sacha Baron Cohen - em Bruno-mode para a promo do seu novo filme - e, depois de verem a figura que fizeram, lá terão sido aconselhados a dizer que estava tudo combindo e tal. Yeah, yeah, yeah. Aquela senhora berlaitada que um dos armários que acompanhavam o Slim Shady tenta desferir ao anjo gay despencado dos céus era mesmo de quem estava na fingidura. Como alguém dizia outro dia - o Markl ou o Jorge Botas - se foi tudo combinado, então o Eminem evoluíu muito como actor desde o 8 Mile. Reparem nos longos momentos de silêncio que o video tem: é o audio cortado enquanto Eminem debita todo um vocabulário à base de 'fuck'. E por falar em Bruno, já visteis o trailer? Estais em tal estado de pulguedo como eu me encontro para depositar vista sobre esta película?

quarta-feira, junho 03, 2009

Re-posts: Edinburgh Fringe 2006


Ainda na senda de posts levados pelo acto ignóbil dos trolls da Textamerica, eis os que me faltavam voltar a publicar acerca da edição do Fringe em 2006. Dois deles não consegui resgatar (os primeiros dois relativos à Underbelly) mas ficam as fotos. A de cima e esta aqui em baixo são dessa venue, fantástica, que, segundo sei, era, há muito, um banco, e todas aquelas catacumbas e recantos servem hoje como salas de espectáculo ou zonas de chill out.

Antes de se atirarem então aos re-posts que vos deixo aqui em baixo, talvez queiram ler ou reler os anteriores, aqui, aqui e aqui. Para saberem mais sobre a edição de 2007, vejam este video dos Alcómicos Anónimos, e, acerca da edição do ano passado, onde também estive com o Rui Sinel de Cordes, leiam aqui este texto dele. Informações acerca do festival este ano podem ser encontradas no site oficial.
Posto isto, seguem então os posts que consegui recuperar do meu velho e afundado blog no Textamérdica.
E quem sabe, um dia, chego mesmo a colocar online o videocast há muito anunciado acerca desta edição do Fringe? De que é que eu estou à espera? Porque é que ainda não o fiz? É um mistério tão grande para mim como para vocês, mas palpita-me que terá a ver com o facto de ainda não ter editado as horas de material em bruto que captei por lá, e com falta de tempo para lidar com tão ominosa tarefa. Mas um dia... *olhar sonhador para o céu* um dia...


Underbelly (3)
(publicado originalmente em Agosto de 2006)
Aspecto de uma das salas da Underbelly, a Belly Dancer, minutos antes do início de JESUS: THE GUANTANAMO YEARS. Seria também nesta sala que, no sábado seguinte, assistiria a SPANK!

SPANK! - You Love It!
(foto publicada originalmente à 1h43 de 20/8/06, texto às 21:42 de 28/8/06)

SPANK! é mais que um espectáculo - é uma rebaldaria que acontece na Belly Dancer, uma das salas da Smirnoff Underbelly, da meia-noite às três e tal da manhã. Pelo palco do SPANK! dois mestres-de-cerimónia apresentam todas as noites vários comediantes que ali vão promover os espectáculos que trouxeram ao Fringe, enquanto o público, implacável, divide o tempo entre o bar e as constantes provocações a quem está no palco. Sobreviver ao SPANK! não é pêra doce para um comediante. Na noite em que lá estive foi lançado o desafio da praxe: algum dos presentes que, apesar de não estar no Fringe, quisesse promover o seu espectáculo de comédia, poderia fazê-lo desde que se despisse em palco. Não foi uma visão agradável, a de um escocês em pelota, mas logo o público feminino tratou de fazê-lo desaparecer dali, com gritos de "Por amor de deus, veste-te!".
Um dos melhores 'stand-upistas' que por lá passaram foi TOM STADE (que tinha no Fringe o seu espectáculo TOM STADE: AND RELAX), com quem tive oportunidade de falar no fim do espectáculo (tipo porreiro, e uma esponja); e, pela bizarria do número, os nova-iorquinos HAPPY HOUR, com um humor físico simples mas eficaz.
O melhor da noite foi o senhor da fotografia, um neo-zelandês cujo nome não apanhei, mas ainda hei-de descobrir como se chama. O texto não tinha ponta de ligação com a actualidade: todo o material deste tipo era absurdo, fantástico, variando entre o sci-fi e um imaginário infantil. Muito do seu número baseava-se em humor físico, e de certeza que engoliu um sintetizador quando era pequeno - os efeitos sonoros que lhe saíam pela boca não podiam ter origem em nenhum organismo humano. Avassalador. E só não saíu do palco de forma gloriosa porque o público estava bêbedo demais para carregá-lo nos braços.

Olari-o' de Edinburgo
(publicado originalmente às 19:32 21/8/06)
Ora entao saudacoes daqui de Edimburgo. O post vai ter de seguir assim mesmo, sem acentos, que estes teclados brit tem as teclas todas trocadas. Estou a escrever-vos do Southern Cross, um simpatico web-cafe perto da Royal Mile, onde decorre a maior parte da accao. Tenho visto espectaculos do catano, mas hoje tive a triste experiencia de ver algo inenarravel, de uma companhia japonesa, chamada The Crime of Miss Debuko Qualquer-Coisa. Todas as (poucas) pessoas presentes na sala se entreolhavam, ninguem queria acreditar que aquilo estava a acontecer. Para esquecer, so que infelizmente tenho a sensacao de que as memorias daquele triste espectaculo me irao perseguir durante pelo menos alguns dias. Mas foi um pequeno preco a pagar pelos belos shows de stand-up, sketch-comedy, e teatro que tenho visto. Destaque para o tipo mais politicamente incorrecto que ja vi na minha vida, o australiano JIM JEFFRIES, que antes de se dedicar a comedia tomava conta de deficientes. E punha-os a fazer corridas numa sala fechada, onde eles mudavam de direccao de cada vez que iam contra os moveis. Depois conto-vos com mais pormenor. Excelentes tambem foram os PLASTIC COWBOYS, que o jornal oficial do Fringe, o The Scotsman, diz serem the next big thing. E eu tambem aposto nisso. Bom, e por agora e tudo, que tenho um espectaculo a minha espera.
Ah, so mais uma coisa - se quiserem deixar comentarios nao o facam aqui no Textamerica. Uma das razoes que me fizeram mudar para o Blogger foi exactamente a dificuldade que toda a gente tinha de deixar aqui as suas notas. Facam-no no Blogger, ou, se preferirem, enviem-me mails, que eu de vez em quando vou checka-los.
Entao abracos a quem e de abraco e beijedo a quem e de beijedo.

Rocket venues
(foto publicada originalmente às 19h46 de 22/8/06, texto às 21:10 de 28/8/06)

O único espectáculo que vi nas Rocket venues (Roxy Art House) foi ABIGAIL'S PARTY, pela HelKats Theatre Productions. A sala era mínima - não sei se conseguem perceber pela foto, mas o público estava praticamente em cima dos actores, todos muito novos e inexperientes, frescos demais para representar os personagens gastos e perversos deste óptimo texto da autoria de Mike Leigh. Mas como nunca tinha assistido à peça, não foi tempo completamente perdido, até porque, diga-se em abono da verdade, estavam ali alguns actores com bastante potencial, destaque para a jovem que interpretava Angela, e que cativou a audiência assim que entrou em cena.

E agora para algo completamente diferente: RON MUECK.
(texto publicado originalmente às 21:54 de 28/8/06)
O Fringe praticamente engole a cidade, mas a verdade é que nem só de Fringe vive Edimburgo em Agosto. A oferta é mais que muita, e é inevitável que muito nos passe ao lado. Embora em Portugal, foi a minha irmã que me avisou de que no Royal Scottish Academy Building (onde na noite anterior tinha dado de caras com SEAN CONNERY - saibam de tudo no SALVO ERRO VIDEOPODCAST, brevemente) estavam expostos trabalhos de Ron Mueck, australiano que refinou na Jim Henson's Creature Shop a sua arte de moldar a fibra de vidro e a resina. Fui assim ver de perto estátuas tão reais que passariam por seres vivos, não fossem os seus tamanhos diminutos ou gigantescos. A primeira exibição pública do trabalho de Ron Muek aconteceu em 1996, pela mão de Paula Rego, que incluíu um trabalho de Mueck, Pinocchio, na sua exposição de pintura Spellbound: Art and Film, na Hayward Gallery em Londres. Dos trabalhos expostos em Edimburgo este ano, os mais impressionantes serão talvez A Girl, de 2006 e In Bed, de 2005, pela dimensão e pelo detalhe. Até dia 1 de Outubro.

Tweet, Conan, Tweet!


Este é um dos casos de "estava mesmo a pedi-las". Enquanto outros talk show hosts usam o Twitter no seu dia-a-dia, como é o caso de Jimmy Fallon, que substituíu Conan O'Brien no Late Night, el gran Conando pega na aplicação mais badalada do momento para passar em revista os tweets das muitas celebridades que tweetam pelos entrefegos da web. Tudo falso, claro; não há registo dos tweets mencionados terem sido mesmo escritos. Um dispositivo que permite parodiar as personalidades referidas e a aplicação em si. Mais cedo ou mais tarde alguém tinha de fazê-lo, mas a verdade é que foram Conan e a sua equipa os primeiros a lembrarem-se. Uma rubrica que pode muito bem vir a ser recorrente no Tonight Show.

Run, Conan, Run!

Conan O'Brien estava habituado a receber Hollywood de visita. Agora mudou-se para lá. Chegou esta segunda-feira a L.A., que é o mesmo que dizer que começou a apresentar o Tonight Show. Para quem, como eu, coloca Conando nos píncaros como sendo o melhor talk show host de todos os tempos, é uma alegria piparótica poder voltar a vê-lo fazer aquilo que faz melhor. O grande desafio, mastigado durante os meses em compasso de espera para tomar o leme das mãos de Jay Leno, de conseguir cativar o público do prime time com o seu - e da sua equipa de escrita - humor desconcertante até agora reservado para o late night, parece mais que ganho (e havia dúvidas?): audiências galácticas de mãos dadas com grandes momentos de comédia, como aconteceu logo na abertura do 1.º programa.

No site do Tonight Show with Conan O'Brien (até dá gosto escrever o título) é possível assistir à entrevista ao primeiro convidado, honra dada a Will Ferrell, e à actuação da banda que estreou o novo set, os Pearl Jam. A entrada espampanante de Ferrell - já para não falar do coast-to-coast de Conan no arranque - é um exemplo do que o futuro reserva, agora que a equipa que nos trouxe pérolas aqua-eróticas como o Horny Manatee tem disponível um orçamento ligeiramentezito mais elevadeco do que quando estava no Late Night.

segunda-feira, junho 01, 2009

Cool guys don't look at explosions


Momento alto ontem nos MTV Movie Awards: Andy Samberg (que apresentou a cerimónia) juntou-se a Will Ferrell e J.J. Abrams para este tributo memorável aos heróis dos filmes de acção, um video que presta a devida homenagem a todos os duros que ignoram as explosões por serem demasiado cool para se darem à maçada de repararem nelas.

Re-posts bocagianos finais

Os visitantes mais antigos aqui do meu blog lembrar-se-ão certamente de todas as maldições que dirigi à gente do Textamerica quando me dei conta de que tinham apagado o blog que lá tinha antes de me mudar aqui para o blogspot, logo no início de 2006. Fiquei na altura de re-postar fotos e notas acerca da série Bocage que escrevi com o Mário Botequilha, e desde então já o fiz, mas faltavam ainda alguns posts.

Ora acontece que, este fim-de-semana, estive a organizar e limpar catrefadabytes dos discos e dei de caras com as notas e fotos que consegui resgatar via Wayback Machine e que ainda não tinha voltado a publicar. Ei-las agora aqui, na íntegra, acompanhadas também de links directos para todas os posts acerca da série, organizadas por ordem cronológica. Das notas inciais e fotos tiradas durante as gravações, passando pela edição em dvd, até às nomeações no Festival de Televisão de Monte Carlo e à presença no Festival de Ficção Televisiva de La Rochelle, encontram tudo aqui.

> Baseado em factos reais
> Fotos 1 a 6
> Lunardi / Fotos 7 a 16 / Apresentação da série (videos)
> Making of
> Estreia
> Horários (1)
> Episódio 2 - Por Manteigui
> Episódio 3 - A Guerra dos Vates
> Horários (2)
> Episódios 3 e 4: as cenas cortadas
> Episódio 5 - O Almocreve das Petas
> 3 nomeações no Festival de TV de Monte Carlo
> Bocage compete com Donas de Casa Desesperadas e Extras
> Bocage leva tau-tau das Donas de Casa Desesperadas
> Edição em DVD
> Trailer
> Festival de Ficção Televisiva de La Rochelle (1)
> Festival de Ficção Televisiva de La Rochelle (2)
> Repetições

Aproveito também para deixar os links para alguns videos da altura:
Miguel Guilherme a falar sobre a Bocage; eu próprio a falar durante a apresentação da série, no Café A Brasileira; o Fernando Vendrell também durante a apresentação; e Miguel Guilherme a dizer um dos nossos poemas preferidos da autoria de Bocage: "A Frouxidão no Amor".

Posto isto, cá vão então os reposts:


Lunardi
(publicado originalmente às 18:55 de 15 de Setembro 2005)
Faltam cinco minutos para a recriação do histórico voo de balão de Lunardi. Tenho pena de não estar presente, mas não pude mesmo ir. A iniciativa é da Câmara Municipal de Setúbal e decorre no âmbito das comemorações do Dia de Bocage e da Cidade. O “balão de Lunardi” sobrevoará a Praça de Bocage em diversos voos, actividade aberta à população.
A ascensão de 1794 deu-se a partir do Terreiro do Paço, em Lisboa. A pintura que ilustra este post é de Julius Caesar Ibbetson, pintor inglês, e data de 1785. Refere-se a outra ascensão de Lunardi, esta aos céus da Grã-Bretanha, a 15 de Setembro de 1784, façanha que lhe valeu o posto de capitão dos exércitos de sua majestade, com direito ao uso da farda.
Vai haver outra recriação do voo de Lunardi para as gravações do episódio 4 do “Bocage”, onde o vate sadino se cruza com o aeronauta italiano. Quando discutimos com o Fernando Vendrell a viabilidade de recriar esta ascensão para a série, surgiu a questão do balão a utilizar. A nossa sugestão foi o balão da Remax. O Fernando passou para outro tópico.


Bocage - fotos (07)

(publicado originalmente às 16:18 de 7 de Outubro 2005)

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Últimos instantes antes do Fernando Vendrell dizer "Acção"; Bocage está prestes a arrebatar a audiência («...Toldam-se os ares / Murcham-se as flores; Morrei, Amores, Que Inês morreu») e a conquistar o seu nome arcáde, Elmano Sadino.

Bocage - fotos (08)
(publicado originalmente às 16:30 de 7 de Outubro 2005)

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Entre um take e outro, o Fernando Vendrell levanta-se da frente dos monitores e corre até ao plateau para dar indicações aos actores.

Bocage - fotos (09)
(publicado originalmente às 16:39 de 7 de Outubro 2005)

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Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno:

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura,
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno;

Devoto incensador de mil deidades,
(Digo, de moças mil) num só momento,
Inimigo de hipócritas e frades:

Eis Bocage, em quem luz algum talento:
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou cagando ao vento.

- Bocage

Bocage - fotos (10)
(publicado originalmente às 18:20 de 13 de Novembro 2005)

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Eu e o Mário Botequilha, ontem à noite, a meio caminho de nos tornarmos dois meliantes. A mim calhou-me o look mais piratesco, ao Mário aquela invejável falha na dentição. É que o Fernando Vendrell convidou-nos a fazer uns pequenos papéis no segundo episódio de «Bocage». Acho que qualquer autor tem o desejo mais ou menos secreto de aparecer, por um frame que seja, na série ou filme que escreveu, por isso não pensámos duas vezes antes de aceitar. Os nomes das nossas personagens são Ladrão 1 e Ladrão 2, nomes muito comuns na Lisboa do séc. XVIII. Quando criámos a cena em que estes dois fora-da-lei fogem com Bocage para o interior de um paiol que acaba por ser incendiado, nunca pensámos que iríamos ser nós a acompanhar o Miguel Guilherme nesta sequência de grande acção. Até me ia magoando. Mas também eu magoo-me a mudar uma cadeira de sítio.

Bocage - fotos (11)
(publicado originalmente às 23:43 de 13 de Novembro 2005)

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O chapéu: mais um passo dado pelas fantásticas equipas de caracterização e guarda-roupa da David & Golias no processo de me transformar num pilha-galinhas arruaceiro de há duzentos e tal anos atrás; mais uma camada, depois da peruca e do lenço, entre a atmosfera e o meu couro cabeludo. A comichão que isto dá é indescritível, daí a minha expressão franzida. Mal sabia eu que não ia poder coçar a cabeça nas próximas dez horas*. O pior estava, no entanto, para vir. Depois da coça monumental que eu e o Mário demos ao Bocage, barricámo-nos num paiol, ficámos encurralados pelo fogo, sufocámos com o fumo e, moribundos, fomos arrastados até ao exterior pela guarda. O resultado prático da gravação destas cenas de acção é que hoje tenho dores um pouco por todo o corpo. E a expressão bastante mais franzida do que nesta foto.

* Na verdade pude tirar a peruca durante a hora do jantar, mas omitindo esse facto tudo fica mais dramático.

Bocage - fotos (12)
(publicado originalmente às 21:45 de 20 de Novembro 2005)

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O guarda fardado na fotografia é o tenente José David, aliás o actor Bruno Bravo, que já tinha trabalhado com o Mário Botequilha há uns anos atrás numa peça de Samuel Beckett, «Cowboy Mouth». José David surgiu a partir de uma necessidade muito específica: o Intendente Pina Manique, enquanto personagem da nossa série, precisava de um contraponto, uma espécie de braço direito com quem o poderíamos pôr a dialogar acerca dos seus propósitos, planos e dúvidas; alguém que, através de um conflito mais directo do que aquele que o Intendente tem com Bocage, tornasse mais clara a evolução de Pina Manique ao longo da série. Foi então que decidimos dar mais ‘espessura’ a um guarda que, de outra forma, poderia ser interpretado por um figurante – José David passou a ter um papel decisivo na história de Bocage tal como a tentámos contar, através de uma relação de infância com o poeta, relação essa que não está documentada em nenhum compêndio de História, mas que imaginámos em função da narrativa da série (mais um caso de realidade Histórica vs. necessidade dramática, como já falei aqui. O conflito interior de José David que, se por um lado tem de obedecer às ordens de Pina Manique, mesmo as mais duras e implacáveis, também não consegue evitar ‘pisar o risco’ para, da forma mais discreta possível, ajudar o seu amigo de infância a sair dos inúmeros problemas em que se vê envolvido, dava a este personagem um potencial que não podíamos deixar de explorar. Uma narrativa evolui a partir de um conflito, e se um personagem apresenta à partida (por definição, neste caso) uma dualidade como a do tenente (mais tarde capitão) José David, há uma série de possibilidades que se abrem no seu desenvolvimento. Interessou-nos (e porque não nos podíamos nunca esquecer da sua função principal de servir como contraponto directo a Pina Manique) que a sua evolução fosse no sentido oposto à do Intendente. De futuro, procurarei falar mais deste personagem e do seu papel ao longo da série.

Bocage - fotos (13)
(publicado originalmente às 18:53 de 11 de Dezembro 2005)

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A melhor fonte de informação acerca das relações que Bocage teve com as suas diversas mulheres – e digo mulheres não no sentido de esposas, porque essas Bocage nunca as teve – é a sua poesia lírica, como aliás já tinha referido aqui. Este soneto

Não lamentes, oh Nise, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putíssimas fidalgas tem Lisboa,
Milhões de vezes putas têm reinado:

Dido foi puta, e puta d’um soldado;
Cleópatra por puta alcança a c’roa;
Tu, Lucrécia, com toda a tua proa,
O teu cono não passa por honrado:

Essa da Rússia, Imperatriz famosa
Que ainda há pouco morreu (diz a Gazeta)
Entre mil porras expirou, vaidosa:

Todas no mundo dão a sua greta:
Não fiques pois, oh Nise, duvidosa
Que isto de virgo e honra é tudo peta.*

serviu-nos de base para construirmos a personagem de Nise, interpretada por Carla Bolito (na foto, ao lado de Carlos António, que faz o papel de Pirré, o ‘mosca’ – bufo – de Pina Manique). Partimos do princípio que a Nise a que Bocage se refere neste poema representa todas as putas que conheceu durante a sua vida, e, da mesma maneira que o poeta as juntou a todas para imaginar Nise, também nós o fizemos.
À medida que íamos criando a estrutura de cada um dos oito episódios que constituem esta série, fomos observando que, ao contrário das outras mulheres com quem Bocage se cruzou ao longo da vida (Manteigui, Gertrudes, Maria Margarida, para mencionar só algumas), Nise estava sempre presente, de uma maneira ou de outra. Para todos os efeitos, considerámos Nise como sendo a mulher da vida de Bocage. Isto porque, para um homem que nunca foi de uma só mulher, nada mais indicado que a mulher da sua vida fosse uma que não foi apenas uma, mas muitas.

*Este soneto inspirou várias paródias, entre as quais esta, da autoria de José Anselmo Correa Henriques:

Não lamentes, Alcino, o teu estado,
Corno tem sido muita gente boa;
Corníssimos fidalgos tem Lisboa,
Milhões de vezes cornos têm reinado:

Siqueu foi corno, e corno de um soldado;
Marco António por corno perdeu a c’roa;
Anfitrião com toda a sua proa,
Na Fábula não passa por honrado;

Um rei Fernando foi cabrão famoso
(Segundo a antiga letra da Gazeta)
E entre mil cornos expirou, vaidoso;

Tudo no mundo é sujeito à greta:
Não fiques mais, Alcino, duvidoso
Que isto de ser corno é tudo peta.

Bocage - fotos (14)
(publicado originalmente às 18:59 de 11 de Dezembro 2005)

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Miguel Guilherme prepara-se para a gravação da primeira cena do quarto episódio: Bocage caminha com uma capa cheia de epístolas debaixo do braço. Está feito um maltrapilho - basta um olhar para se perceber que atravessa dificuldades financeiras. No sentido oposto vem um jovem que se saberá mais tarde chamar-se Baltasar Teófilo (interpretado por Pedro Lacerda, que nesta foto ficou com o rosto tapado pela câmara). Traz consigo vários livros de capa encarnada e aparenta algum nervosismo. Choca com Bocage e ambos deixam cair o que traziam nas mãos. Baltasar baixa-se imediatamente para apanhar do chão os seus livros e as epístolas de Bocage. Está com um ar ainda mais nervoso e olha para um lado e para o outro…

Bocage - fotos (15)
(publicado originalmente às 16:55 de 17 de Dezembro 2005)

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Não vos vou contar como é que termina a série, mas posso dizer-vos que a última cena a ser gravada foi aquela em que o padre Agostinho Macedo, interpretado pelo Manuel João Vieira, atira poemas de Bocage para a fogueira, poemas que, desta forma, ninguém chegaria a conhecer. O culto da queimada das palavras, tão caro ao Intendente Pina Manique (“Estes franceses não se comparam a Camões. Mas uma coisa tenho de conceder… são bem mais quentes na fogueira¬.”), aqui levado a cabo pelo invejoso padre-lagosta. Perverso. A foto não corresponde à preparação dessa cena que foi, aliás, gravada durante a noite, lá para as 5 e tal da manhã de 26 de Novembro.

Bocage - fotos (16)
(publicado originalmente às 16:58 de 17 de Dezembro 2005)

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Mário Botequilha em plena gravação da cena 8 do segundo episódio:
Ext/Tarde – Rua / Fachada da casa de Beckford (…) Bocage detém-se por um momento. Está abalado com o reencontro e com o que Manteigui lhe disse. Distraído, atira ao ar o amuleto que ela lhe deu para apanhá-la outra vez, mas uma mão suja intercepta o objecto a meio do percurso – é um tipo mal encarado, um Ladrão que está acompanhado de outro não menos façanhudo. O Ladrão 1 inspecciona o objecto que acabou de furtar a Bocage.
Ladrão 1: Um elefante? Que merda é esta? (…)