terça-feira, janeiro 27, 2009

Mete mais alto #31


Andrew Bird
"Sectionate City", live From The Basement

Não faz sentido nenhum.

Conheci o João Peixoto assim de raspão - frequentava uma workshop das PF onde fui um dia dar uma aula, e teve a amabilidade de me dar depois boleia até casa. Durante o trajecto, falámos acerca de uma sitcom que ele estava a planear. Morreu aos 29 anos, deixa duas filhas pequenas. Uma vida, planos, vontade e talento para concretizá-los. E agora isto. Não faz sentido. Os meus pensamentos vão para a sua família e amigos.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Motown - 50 anos (1)


Medley: The Supremes, Smokey Robinson and The Miracles, Stevie Wonder, The Temptations, Martha Reeves and The Vandellas, Dusty Springfield e, a fechar, novamente Smokey Robinson and The Miracles (w/ the Earl Van Dyke Sextet).

Quiz

Quem disse a frase: "O meu tio não se freeportou bem"?

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Envelhecer

é deixar de perguntar "Porque é que eu não posso fazer isto?" para passar a perguntar "Porque é que eu já não consigo fazer isto, doutor?"

O Lars tem uma namorada nova


Dois twits de conversa fizeram-me lembrar de Lars and the Real Girl, filme que vi no final do ano passado. Guardei dele (do ano e do filme) sentimentos contraditórios (mas vou cingir-me ao filme). Se por um lado fiquei impressionado com a actuação de Ryan Gosling, e com algumas cenas de antologia (o final é cómico, terno e triste nas doses certas), por outro lado incomodou-me a por vezes excessiva beleza com que a história é contada. Quando as coisas tristes são retratadas de forma mais bela que triste, há algo que para mim não funciona.

Wish list


Secret Identity: The Fetish Art of Superman's Co-Creator Joe Shuster
(via Boing Boing)

Alguém na EPAL deve estar muito zangado com o mundo: acabo de receber este sms da EPAL - "Leitura contador cliente XXXX. Se desejar pode responder e enviar a contagem até à meia-noite (despreze números a vermelho). Obrigado." E eu pergunto: despreze? Não havia termo mais leve? Um ignore, um exclua, um não faça caso? É preciso ir logo para extremos, desprezar os números, só porque são vermelhos? Se eles não fazem falta e, mesmo assim, ali estão, no contador de água, de certeza que não é por escolha própria, alguém os colocou lá. Os números vermelhos tinham certamente projectos muito mais aliciantes dos quais podiam fazer parte, tipo num relógio-despertador, por exemplo. O mínimo que se pede à EPAL - responsável, até ver, pela clausura dos números vermelhos em contadores onde aparentemente não têm razão nenhuma para estar - é que tenha algum tento na terminologia usada. Não é de mim que os números vermelhos vão ouvir falar disto, que a minha boca é um túmulo no que respeita a assuntos de canalização, mas já se sabe como é: as paredes têm ouvidos, e os contadores normalmente estão embutidos numa. Se lhes chega ao conhecimento este sms algo desprezível, sentimentos vão acabar feridos. E depois, se as canalizações começarem a retaliar, vamos ver se os números vermelhos sempre eram assim tão desprezáveis.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

E agora começa

Este Jon Favreu realizou Iron Man. E este Jon Favreau está a escrever Black Messiah. Pelo menos, era o título que eu lhe dava. O título para o filme que, um dia, Spike Lee fará sobre Barack Obama. Fará, não tenho dúvidas. E a cena inicial desse Spike Lee Joint, enquanto passam os créditos e aparece o título, poderá muito bem ser esta:

E depois, então, começa.

terça-feira, janeiro 20, 2009

Barack follows eu (mais Beyoncé e as camisetas)

Obama anda à procura de alguém para substituir Jon Favreau. Alguém em particular.
Bom, que posso eu dizer? Sim, a mim, pois. E estou tentado a aceitar. Obama é insistente, nem no Twitter me larga. Abro o mail e o que é que eu vejo?
Isto.
Barack Obama está na tomada de posse e mesmo assim adiciona-me. Sem tirar as mãos dos bolsos, que lá para Washington está um frio que não se pode. Até parece mentira.
Mas se for eu a escrever-lhe os discursos, aposto que chega ao impeachment em duas ou três semanas. O que era um desfecho tristonho depois deste regabofe tudo.
Mesmo assim não sei, hesito. Here's a tip, Favreau: don't quit your day job, I'm not out of the race yet.

Mais uma nota:
Martin Luther King III está neste momento a dizer na CNN que os jovens que antes usavam t-shirts do Jay-Z agora usam t-shirts de Barack Obama.
Tudo bem, mas Jay-Z tem Beyoncé, e isso vale pelo menos três ou quatro caixotes de camisetas.

I'm nailin' Palin while Barackin' my Obama.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Addio, adieu, auf wiedersehen, goodbye, Mr. Bush (2)


(George W. Bush, aliás, Embuste, canta uma versão de "Creep" dos Radiohead, que escrevemos num episódio do Contra Informação de há uns anos. Props para o Rui Pimpão, voz de Embuste nesta cantoria infame)

Addio, adieu, auf wiedersehen, goodbye, Mr. Bush


(sketch George W. Embuste conduz Orquestra Metroliteira do Pentágono, que escrevemos num episódio do Contra Informação de há uns meses)

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Pergunto: usar um blog para escrever sobre o Twitter pode ser considerado retro?

quarta-feira, janeiro 14, 2009


Goodbye London Astoria

loja de roupa
(saldos fim de estação)
em pé de guerra

terça-feira, janeiro 13, 2009

São injustas as criticas feitas à Protecção Civil. É preciso lembrar que se fez simulacro de sismo, mas não se fez simulacro de briol.

Mete mais alto #30


Black Sabbath - "Iron Man" @ Paris, 1970

segunda-feira, janeiro 12, 2009

A propósito de Cristiano Ronaldo ter ganho o Prémio FIFA e da entrevista de Mário Crespo a Alberto João Jardim: no final do ano passado fui chamado pelas PF para escrever os guiões de uma série de videos promocionais para a Optimus, interpretados pelo Luís Franco Bastos, realizados pelo David Neto, produzidos pelo André Caldeira, e montados pelo Nuno Quintão (que foram, respectivamente, câmara, produtor e técnico de montagem do Fogo Posto!). De entre os spots que eu e o Nuno Duarte escrevemos, e a propósito das duas efemérides do dia, destaco agora dois, em que o LFBastos demonstra mais uma vez os seus quase-sobrenaturais dotes, encarnando Cristiano (este chegou ao You Tube e segue abaixo) e Alberto João Jardim (que não chegou ao You Tube, chuif).

And the mascote de Barack Obama is...

Ai que fofo: Obama diz que se calhar vai escolher para canito da Casa Branca um cão d'água português. A notícia não terá caído bem no seio do Bloco de Esquerda (seja um seio natural ou transgender), que preferia que Obama tivesse escolhido um gato. Isto porque ter um gato é muito mais 'eixo Chiado-Príncipe Real'.
De qualquer maneira, a verdade é que Barack Obama já há muito que escolheu a sua mascote, como revelámos em exclusivo no Contra Informação de dia 4 deste mês que ainda podem ver ou rever clicando aqui. O sketch em questão começa aos 3m30s.

Grande Lar da Terceira Idade - Natal

Para quê procurar?, indeed: www.allmyfaves.com

Fashion victim

Fashion victim
Agora que Obama é presidente, já voltou a ser cool usar t-shirts do Capitão América?

All this and voice too


Anna Netrebko

sábado, janeiro 10, 2009

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Pergunto-me se o conflito israelo-palestiniano terá uma Solução Final.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

A Autoridade da Concorrência vai pronunciar-se amanhã acerca de uma queixa feita pela Medeia Filmes, sobre o novo cartão myZoncard, que oferece aos assinantes da Zon TV Cabo 52 bilhetes de cinema por ano. A Medeia Filmes acusa a Zon Multimédia de vir trazer consequências irreparáveis ao sector.
(...)
Paulo Branco, que dirige a distribuidora cinematográfica Medeia Filmes, fez uma queixa à Autoridade da Concorrência numa “tentativa de travar esta ameaça ao sector de exibição cinematográfica em Portugal”, diz o comunicado. Segundo Branco, que gere 20 salas de cinema no país, a iniciativa da Zon vai pôr “cerca de potenciais 40 milhões de entradas gratuitas de cinema nas salas da Zon Lusomundo”, num país onde se vende anualmente “15 milhões de bilhetes de cinema”.


(via Público; notícia na íntegra aqui)

Em mail posto a circular, a Medeia Filmes anuncia uma conferência de imprensa para amanhã às 12h30 no cinema Medeia Monumental- Espaço Medeia.

Enfarda, bruto.

Tanta comezaina entre o natal e a passagem de ano (and beyond) puseram-me num estado semelhante ao destes rapazes:

Rammstein
"Keine Lust"
Reise, Reise
2004
(o video é um dos meus all time favorites)

Este ano em que moramos

Escrevi no passado dia 11 (na véspera do lançamento de 'conta gotas' e 'penúltimos cartuchos') um texto que foi editado no Notícias Magazine de dia 28, num caderno dedicado ao ano de 2009 que contou também com textos de - entre outros - Miguel Esteves Cardoso e Rui Zink. Apesar do Notícias Magazine ser a revista mais lida em Portugal, é justo pensar que alguns dos leitores aqui do estaminé poderão não ter adquirido a edição em causa, pelo que reproduzo aqui, na íntegra, o meu texto:

O FIM DA FESTA

O ano 2009 não passa de um 2008 armado em mau e que ainda por cima chega atrasado. Ou, se preferirem o enunciado original, “O futuro é um hoje que se julga importante demais para chegar a horas”. Foi Dariusz R. Chmielnick o primeiro a tocar no cerne da Incerteza, Princípio que só bastante mais tarde seria novamente aflorado (por Werner Heisenberg, com resultados práticos mais observáveis, mas menos lúcidos). Vladimir Korolenko, na biografia do filósofo cossaco que deixou incompleta, garante: de uma epifania de Dariusz resultou um casamento falido e o nascimento da obra mais emblemática do exibicionismo pós-estruturalista, “O Amanhã Pode Esperar Sentado”.
Assim era Dariusz, e a sua visão do futuro. Que era reduzida, pois Dariusz enfrentava o amanhã virando-lhe costas, assim como (sic) “o amanhã me vira as costas hoje”. Para este cossaco admirável, tudo se resumia à atitude. E um ano tão mau como 2009 promete ser, só merece uma atitude – que o recebamos de costas viradas.
2009 vai ser péssimo. Crise global. É o que apontam todos os indicadores económicos, que são assim uma espécie de semáforos para o mundo. Se estão verdes, a economia avança; se estão vermelhos, deixamos de ter dinheiro para pagar a casa aos bancos que entretanto ainda não fecharam.
Mas no mundo actual é difícil interpretar os sinais com clareza. A informação é farta e contraditória. Os gregos antigos, por exemplo – muito sobrestimados. Foram grandes filósofos, grandes dramaturgos; grandes sábios e, também, grandes políticos. Mas a verdade é que tinham a vida muito facilitada. Ver o futuro não lhes custava nada. Vai chover amanhã? Pergunta ao Oráculo de Delfos. A fome em África, acaba em 2009? Corta um peixe ao meio e lê a resposta nas entranhas; aproveita e dá o peixe a África, que em 2009 o Bono só tem previstas vinte visitas.
Antigamente, o futuro estava à mão de semear. Ou à unha. Hoje em dia, as únicas fontes fiáveis sobre o que o amanhã nos guarda são os taxistas. Se não, vejamos: é sobejamente conhecida a opinião que uma elevada percentagem de chauffeurs de praça tem acerca dos indivíduos de origem africana. Quem é que, tendo já feito uma deslocação de táxi, nunca ouviu a frase “Estes um dia ainda vão mandar nisto tudo”. E Barack Obama tornou-se Presidente dos EUA. Coincidência? Longe disso. Há sabedoria nas palavras dos taxistas, e tudo o que conheço do ano 2009 foi-me desvendado por estes Profissionais do Amanhã.
Numa corrida entre Campo de Ourique e o Rossio, em Lisboa, um taxista garantiu-me que a Europa não vai começar o ano com o pé direito. Nem poderia, porque já o começa de rastos. O Tratado de Lisboa está morto, em 2009 começará a soltar aroma correspondente, e vai ter mesmo de ser enterrado por questões de saúde pública.
A Espanha teve dez anos de fiesta, e foi muito divertido visitá-la durante esse período – ir às compras, atestar o depósito de combustível, e fazer amigas espanholas sem ser no Hi5. Mas com o novo ano acaba-se o fácil acesso ao crédito e o forte investimento vindo do estrangeiro. Fim da tourada.
Enquanto britânicos e alemães andam à bulha dentro de casa, Nicola Sarkozy vai passear pelo mundo. A pesada patorra da crise mundial abateu-se sobre a França, mas a vida pessoal de Sarkozy está um mimo. 2009 será o ano das gostosas visitas oficiais, com honras de abertura nos noticiários: Carla Bruni sentada no jardim da Casa Branca, dedilhará viola e sussurará para Michelle e as crianças aquela música em que diz que teve muitos amantes. Sarkozy garantirá ao seu frére do outro lado do Atlântico a permanência das tropas francesas no Afeganistão. Barack Obama vai sorrir menos, à medida que for percebendo que Israel tem mais vontade própria do que uma feminista, que existem a Síria e o Irão, e que 2010, com a retirada de tropas do Iraque, está cada vez mais próximo.
Perto do Martim Moniz, um taxista elucidou-me: isto vai ser bom é para o Brasil, a Rússia e a Índia. Os chineses também estão muito confiantes em 2009, que no Zodíaco Chinês é o Ano dos Tecidos Baratos e dos Brinquedos à Base de Chumbo.
Na política ambiental: não conheço um taxista que espere da cimeira de Copenhaga grandes progressos. É difícil convencer quem quer que seja do efeito de estufa a meio de um Inverno dinamarquês: “Aqui dentro tens lareira, mas experimenta ir lá para fora sem anorak, e depois vem-me falar em aquecimento global.”
É fundamental dar ouvidos aos taxistas. Homens que passam a vida a conduzir, é natural que desenvolvam capacidades de perceber para onde é que a estrada segue. Só os que trabalham nas praças de qualquer aeroporto do mundo é que não têm essa capacidade desenvolvida. E conhecidas – dentro do possível – as mal-amanhadas surpresas que o novo ano nos reserva, é enfrentá-lo com a atitude cossaca de um encolher de ombros. Virar as costas ao futuro, como nos ensinou Dariusz R. Chmielnick, porque o futuro já nos virou as costas, está visto, e não se pode dar confiança a um ano assim.