
Já é novamente 'fashion' ser pró-americano (seja o que for que isso queira dizer): Barack Obama ganhou as eleições. Ao seu carisma e programa eleitoral junta-se o facto de, por comparação, qualquer presidente parecer à partida melhor que George W. Bush. O factor da exagerada colagem de McCain às políticas de Bush, o Factor-Palin, o factor racial: tudo dados a ter em conta, mais o factor-espectáculo (com grandes valores de produção e, mais importante ainda, substância), que a campanha de Obama e seus apoiantes tão bem souberam explorar. A quem dar o voto nestas eleições era pergunta com resposta fácil. Como disse uma transeunte em Nova York, era um 'no-brainer'. A onda, ainda por cima, era democrata, e agora, pela primeira vez desde 1992, os democratas vão controlar tanto a Casa Branca como as duas Casas do Congresso. O léxico é o mesmo: "Esta noite recebemos um mandato para a mudança, para a esperança." Disse-o hoje, Harry Reid, líder da maioria democrata no Senado, mas podiam ser palavras do próprio Obama.
Resta esperar que se cumpra pelo menos parte do sonho que se gerou via a campanha de Obama (foi a campanha mais cara de sempre) e todo o merchandising que surgiu de forma às vezes mais, às vezes menos paralela, e que pôs o "i" no ícone que Obama já era, se não à partida, pelo menos a partir da altura que bateu Hilary Clinton como representante dos democratas nestas eleições. Porque, não esqueçamos, Obama foi-se fazendo moda. Muitos dos que hoje o apoiam sem reservas, com vigor do tipo geralmente empregue na adoração a uma entidade messiânica, salvadora, cativante (ou tudo isto ao mesmo tempo; portanto, POP), antes defendiam Hillary com unhas e dentes. Dia 20 de Janeiro, Obama irá ocupar a Sala Oval que, espero sinceramente, estará enfeitada com balões e serpentinas, em jeito de celebração por se ter livre de W. O que é uma razão mais que suficiente para festejos. Oliver Stone disse, a propósito do seu filme, que a História se encarregará de dar a Bush o lugar devido. Coisa que espero que aconteça, desde que esse lugar seja o de um palhaço perigoso, símbolo do que de mais nefasto os EUA são capazes quando entregam a sua liderança nas mãos erradas. E que a História, a que ainda está para vir, confirme as tais esperanças - mais que americanas, mundiais - depositadas em Barack Obama. Se pensarmos bem, está-se a pedir-lhe muito, mesmo muito. Se pensarmos melhor, não se lhe podia pedir menos. Seja como for, a fasquia está muito alta. Como sempre que há esperança.
Espero também que a totalidade do potencial de Sarah Palin seja explorada no futuro. Tudo bem que vem aí Nailin' Palin. E que todos nós, mesmo os que votaram democrata - ou votariam se fossem US citizens - o vão alugar/comprar/fazer o download ilegal para averiguarem da qualidade de uma produção em que o tanque onde viajam dois soldados russos fica sem combustível à porta da Sarah, que depois faz o chamado amor com os dois latagões. Mas, por mais parecida que a actriz seja com a sensual urso fémea do Alaska que responde pelo nome de Sarah Palin, eu espero mais. Espero the real thing. Digam o que disserem de Sarah Palin, aquilo é uma MILF de categoria que ali está. Não era à toa que a chamavam de Barracuda.
Não sou só eu que acho: o próprio Pharrell Williams considera Palin um valor. E estamos a falar de um indivíduo que já esteve ombro-a-ombro (utilizo o termo eufemisticamente) com beldades de calibre deveras considerável, em videos cujos links eu até poderia até deixar aqui, não se desse o caso de os videos dos N.E.R.D. terem todos a ridícula mensagem de 'not availabre in you country'. Mensagem que lembra a todos aqueles que sentiram estas eleições como suas - quer pela consciência das repercussões mundiais, quer por afinidade com a(s) cultura(s) ou amizade com pessoas de lá, até simplesmente pelo hype gerado - que, apesar de tudo, não são americanos.
A ilustração acima é da autoria de Steve Epting, e é a capa de Captain America #25.