sexta-feira, fevereiro 01, 2008

O Dia do Regicídio


Durante a pesquisa feita para a escrita desta série, encontrámos versões diferentes acerca do que aconteceu no 1 de Fevereiro de 1908, acerca dos envolvidos, acerca de quem planeou e de quem executou o regicídio. Versões da História às vezes contraditórias, apaixonadas, sempre marcadas pela inclinação de quem as documentou, ora mais republicana, ora mais monárquica. Essa falta de consenso - chamemos-lhe assim à falta de melhor palavra - agradou bastante a mim e ao Mário enquanto ficcionistas, pois é nesse espaço entre as várias hipóteses que nos movimentámos para a escrita da série. Por outras palavras, o que apresentámos nos nossos guiões foi mais uma versão dos acontecimentos que levaram ao regicídio, e do momento em si. Uma versão tão real como muitas das que lemos durante a pesquisa, com a diferença de que a nossa é, assumidamente, ficção. A nossa preocupação neste trabalho foi, e é dramatúrgica, a atenção está mais virada para as personagens, espelho do contexto social e político vivido na época. 60 e tal personagens, divididos em núcleos que, na sua maior parte, só se cruzam fisicamente no momento do regicídio. Conseguir o equilíbrio de todas as intrigas paralelas foi dos trabalhos mais complexos e estafantes de que tenho memória. E se o foi a nível da escrita, também o foi nos passos seguintes. Contingências de produção e realização levaram a que bastantes cenas que constavam do guião não fossem gravadas. Agora, com a decisão da RTP de exibir dois episódios de seguida, cortados para chegar a qualquer coisa como hora e meia em vez dos 100 minutos que teriam se fossem exibidos na íntegra, o que vai ser exibido é uma versão fragmentada do que escrevemos, que irá, inevitavelmente, prejudicar a narrativa; não só não vai permitir a mesma fluidez e clareza que tinhamos planeado, como também muitos pormenores que representam horas, dias, semanas, meses de trabalho nunca irão ser notados porque não estão lá. Desconheço as razões para esta decisão da RTP. Sei que é suposto a série voltar a ser exibida, no futuro, ao ritmo de um episódio por dia (como foi pensado de origem), na RTP2, mas não está, tanto quanto sei, marcada uma data. Entretanto, esta noite é exibido o making of, e amanhã às 21h45 estreia a versão aglutinada da série, que segue domingo às 22h00 e segunda às 21h30.

16 comentários:

Paula disse...

Na RTP 2, certo?

Uni~Q disse...

...porra até o youtuibí , já entrou na "conspiração" !!

Anónimo disse...

Estou mesmo muito curioso.

passarola disse...

Não vou ver em directo mas já subornei o meu pai p gravar. :P
Vou ver esta versão compactada mas fico a torcer para que repitam na íntegra! E na dois ainda é melhor… sem intervalos e a horas certas. :) A gente faz um abaixo assinado, não pode ser?

Anónimo disse...

na RTP 1 em horário nobre. Hoje sábado passa às 21h15 e não 21h45. Obrigatória! Esperamos pacientemente pela versão não aglutinada!

Anónimo disse...

Passarola estou contigo;) ou para ja o lançamento do dvd

Anónimo disse...

De qualquer modo, a julgar pelas primeiras impressões, não tardaremos a ver excertos da série na rubrica "tesourinhos deprimentes"...

enes

Fir disse...

Alguém da RTP disse "a série é uma grande aposta da RTP". E depois passam o making of à uma da manhã e uma versão condensada da série. De qualquer maneira, Filipe, por aquilo que já vi, tu e o Mário estão de parabéns. Ficaremos a aguardar a versão integral.

Anónimo disse...

Eu gostaria de dar aqui a minha opinião. Muitas pessoas têm visto a série e há um consenso no seguinte :

- Falam mais sobre as amantes de D.Carlos e a sua vida íntima do que as suas qualidades intelectuais ... as diplomáticas que deram projecção internacional nem sequer são faladas.
Quanto a amantes, era natural na altura e como demonstram não era exclusivo do Rei, mas preferível para um Rei de Portugal do que a pedofília que hoje é tanto falada e condenada. E caramba onde está o maior legado de D.Carlos que foi o estudo da Oceanografia ?

- até agora ainda ninguém viu as qualidades de altruísmo da Rainha D.Amélia, onde está a luta contra a tuberculose criada por ela ? onde está o Instituto de Socorros A Náufragos ? Já nem digo mais ...

- Quanto aos regicídas, expliquem-me porque ninguém percebo e como é que vocês deram "muito mais tempo de antena" aos regicídas ? especialmente no 1º episódio ? Sim eram homens, tinha família e vidas ... mas isso não desculpa um crime, arrisco-me a dizer que aqui há uma tentativa clara de recuperação social das figuras de tais pessoas criminosas.

- O retrato de João Franco não é correcto, leiam o livro "Regicídio de Rocha Martins" um contemporâneo.

De resto não aponto mais nada para já ...

Obrigado pela atenção

Anónimo disse...

A série está a ser parcial, notoriamente pró-regicidas. Infelizmente há muitos analfabetos neste país, que vão cair que nem patinhos no conto do vigário!

Anónimo disse...

Bom, podia falar aqui da forma sentimental e honrada como descreve um assassino nojento como o Buiça. Também podia falar da forma leviana como fala do Rei D. Carlos, um grande estadista.

Mas não, prefiro falar da enorme pobreza do guião. Um miúdo da quarta classe seria mais rigoroso e criativo, mais talentoso e sério. Os actores conseguem disfarçar alguma da pobreza de diálogos e muita da sonolência da narrativa.

Tenho pena que com tantos escritores talentosos em Portugal, deêm a qualquer um este trabalho, que teria tudo para ser bem sucedido.

Anónimo disse...

Boas. Epah... Mas que barba tão postiça é aquela, man? lol

Mesmo que quisesse tar atento à série, não conseguia porque sempre que olho práquela barba... lol. :P

cumpz.

Ricardo Gomes da Silva disse...

Porque se deram ao trabalho de fazer uma pesquisa?

Para fazerem o que fizeram bastava terem ido ter com o Fernando Rosas e pedir-lhe para escrever o guião.

A série não só é superficial como tenta recuperar a figura dos regicidas.....deturpa sériamente a figura do Rei D. Carlos e dá uma imagem desvirtuada daquela época.

O Buiça era um desempregado (como consta nos autos) residualmente recuperado como "professor" pela 1º república

O Rei D. Carlos era um sério investigador e não "ordenava"
aos governos fazerem o que ele queria...nem sequer teria poderes para isso

Franco é apresentado como um Inquisidor...sabiam que foi o 1º politico a apresentar uma proposta para responsabilizar judicialmente os politicos que não cumprissem as suas funções?...póis!...má investigação dá nisso..

...péssimo serviço á história de Portugal

O Regicídio foi um crime ...e quanto a isso não é possivel ter 2 versões quanto mais ser-se "imparcial"....pró-Bloco de Esquerda foi o que se viu.

O Fernando Rosas está a defender os antepassados dele e vóssas senhorias são os "patinhos" que cairam na armadilha

bem haja

passarola disse...

eh pá, agora ainda fiquei mais curiosa... tenho de ir visitar o meu pai p trazer as gravações, urgente!! :)

Fir disse...

É pá, este blog está cheio de monárquicos. Ainda gostava de ver uma série feita por eles para que o povo soubesse que rei era um grande homem de Estado, o governo era incorruptível, a rainha era a Madre Teresa e os republicanos passavam a vida em rituais satânicos. Caros monárquicos, por que é que não vão ter com a produção dos "Grandes Portugueses" para vos ajudar a reescrever a História?

Anónimo disse...

Já está visto quem fez o argumento LOLOLOLOL A famosa "ética republicana "LOLOLOL