quarta-feira, fevereiro 27, 2008

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Don't get mad, get even

A Sarah Silverman e o Matt Damon fizeram merda...

...e agora o Jimmy Kimmel vingou-se.

Tomem lá e embrulhem.

domingo, fevereiro 24, 2008

Crescer é lixado


À partida, Juno comprova aquilo que em Hard Candy já era mais que notório: Ellen Page é uma actriz de primeiríssima água, e espero muitas e mais gloriosas interpretações por parte desta garota. Assim de repente não consigo pensar em mais nenhuma outra actriz que conseguisse aguentar o tom blasé que atravessa grande parte do filme, tom que é a sua maior virtude e, ao mesmo tempo, o seu maior defeito. Tudo em Juno é pensado para encaixá-lo naquela categoria de “fita independente e despretensiosa”, o que, algumas vezes, resulta em fitas pretensiosas: dos diálogos à banda sonora - uma pilha de temas folk, bem “modernaços”, com acordes naïf e letras simples mas que encerram em si pormenores intimos das vidas de cada um, e que são, afinal, comuns a todos nós (e não é esse o mérito de uma boa canção pop?). Juno, no entanto, não resulta pretensioso, meta difícil de alcançar por causa do já referido tom blasé, que marca, pelo menos, o primeiro terço do filme, e que só começa de facto a fazer sentido (leia-se ‘a não irritar’) quando é contrabalançado pela ansiedade suburbana da personagem de Jennifer Garner. Que, há que dizê-lo, safa-se muito melhor neste registo do que nas cabriolas a que nos habituou em Alias e no sofrível (estou a ser simpatico) Elektra. O que não deixa de ser uma surpresa.

Juno é um óptimo filme, com pormenores de realização de elevado nível de catitidade (two thumbs up para Jason Reitman), e, acima de tudo, tem um belíssimo argumento. Se esta noite o óscar de melhor argumento original for para Diablo Cody, não vou sentir grande surpresa. Mas pelamordedeus, não o comparem a outra “fita independente e despretensiosa”, Little Miss Sunshine. O único aspecto em que Juno consegue ser superior ao filme que, no ano passado, ganhou a estatueta para melhor argumento original, é na prestação de Ellen Page. Que, nunca é demais repetir, roça o brilhante. A presença de dois Arrested Developmentianos, Michael Cera e Jason Bateman, dá o empurrãozito extra para tornar Juno uma daquelas fitas a que certa crítica sente ter de prestar vassalagem de joelhos, entoando cânticos de “ai que filme tão extraordinário pela sua apenas aparente simplicidade”. Diga-se, no entanto, em abono da verdade, que as interpretações quer de Cera quer de Bateman, e, já agora, de J.K. Simmons (que me habituei a ver em OZ e que encarnou, nos Spider-Man de Sam Raimi, um J. Jonah Jameson cinco estrelas) e de Allison Janney (The West Wing) são, por menos tempo que tenham de tela, memoráveis. E o mérito vai, em grande parte, para as linhas de diálogo que Diablo Cody escreveu para as suas personagens, o que torna ainda mais irritante que a maior parte do hype à volta deste filme tenha mais a ver com o facto de Cody ser ex-stripper e blogger do que propriamente pelo trabalho que aqui deu à luz: uma belíssima e muito bem contada história de encontros, desencontros, e essa experiência sempre traumática que é crescer. Se ainda não viram, corram ao cinema ainda hoje.

sábado, fevereiro 23, 2008

Erros meus, má fortuna, amor ardente * (1)

0

Conheceram-se numa mesa de poker. Ela sorriu ao ver-lhe os ases mal escondidos na manga direita. Ele percebeu que ela se apaixonara nesse instante. Mas era bluff.


(a partir de então dedicaram-se aos jogos de azar)


1

Queria deixar uma declaração de amor no cartão que acompanhava as flores, mas não tinha com que escrever. Calhou ver um tipo de fato que fazia cruzes nos números do Euromilhões e pediu-lhe a caneta emprestada. Ocorreu-lhe que ambos, cada um à sua maneira, estavam a preencher um boletim de apostas. E se não ganhassem nesta semana, ganhavam na próxima, de certeza.


(chave ganhadora: uma citação de alguém cujo nome não recordava - "A felicidade só é real quando é partilhada"; claramente uma frase de quem nunca ganhara um jackpot numa slot machine, acompanhado apenas por um copo de whisky e meia dúzia de beatas)


2

Não estava numa maré de sorte. Quando atirou os dados, estes acertaram na cabeça dela, mesmo em cheio. Ela esteve três dias sem lhe dirigir palavra. O que se compreendia, dado que ficara inconsciente.


(para todos os efeitos, os dados estão sempre viciados até prova em contrário)


3

Ela anotara 15 coisas que ele precisava de fazer, sem nunca lhe dizer que coisas eram. Quando ele as fizesse todas, ela aceitaria o pedido de casamento. Era um capricho que lhe ficara dos tempos do bingo. Ele estranhara, mas ao mesmo tempo sentira-se lisonjeado: afinal, ele era o prémio pelo qual ela jogava.


(números saídos até agora: passear o cão; levar o lixo à rua; não deixar queimar o jantar; ouvi-la, ou, como alternativa, apenas ouvir)


4

Os ventos estavam a mudar. Era a roleta. Ele estava a ganhar; mais importante ainda - de cada vez que ganhava, vinha a certeza de que também ganharia a seguir. Assim é a vida quando os ventos mudam. E era a roleta. A roleta nunca o deixara ficar mal. A não ser numa noite, em que estavam presentes tantos apostadores de peso que a sorte, tendo de se dividir por todos, não era muita para nenhum deles. Mas hoje não era noite de Natal, e o casino estava meio às moscas. Ele sentiu-se tão confiante que começou a apontar os números com que ganhava à roleta. Jogaria com eles no Euromilhões e também ganharia. Fecharia o ciclo.


(o ciclo fecha-se com a derrota, e às vezes nem assim - graças a deus pelos agiotas)


(continua)


* Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e as fortunas sobejaram
Que pera mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa [a] que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

Luís de Camões

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

It didn't mean a thing


Faith No More
"Evidence"
King for a Day, Fool for a Lifetime
1995

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Who Watches the Watchmen?

Há quase 20 anos que se fala na adaptação para cinema de Watchmen, e por isso ainda custa a crer que, finalmente, a obra está mesmo a ser feita. O equivalente a um beliscão daqueles para termos a certeza de que não estamos a sonhar é este primeiríssimo frame que Zack Snyder postou no blog onde tem dado conta dos avanços do filme. Rorschach, interpretado por Jackie Earle Haley, demonstra como um simples spray e isqueiro podem fazer frente a uma arma de fogo, digamos, mais convencional. Who Watches the Watchmen? Nós, no dia 6 de Março de 2009.

(cliquem para aumentar)

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Gravidade


Æon Flux
de Peter Chung
uma das curtíssimas de 1992

(este é indispensável em qualquer dvdteca)

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Mete mais alto #3


Radiohead
Jigsaw falling into place
In Rainbows
2007

O doce som da indústria discográfica a ir pelo ralo abaixo.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

terça-feira, fevereiro 12, 2008

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Todos tão potentes, rapaziada meio saudável

Cebola Mol - "Megadeth"

Este video esteve desaparecido durante quase 5 anos, para alívio do Mundo. Mas agora o Pedro Vieira da Filbox, produtora do programa Ao Bibo e a Cores que fizemos na extinta (quiçá por nossa causa) NTV, colocou-o online. O ano era 2003, e, depois de "Queixadas de Sintra", o segundo single do nosso álbum Android Polaroid foi este "Megadeth" (escrito assim mesmo, a respeitar a grafia da banda norte-americana de Dave Mustaine). Foi realizado pelo Miguel Cadilhe, hoje em dia longe da ribalta dos tempos áureos em que trabalhava connosco e condenado a produzir mais 100 filmes do Mestre Manoel de Oliveira. A ideia era fazer um video karaoke-friendly, para que as pessoas em casa tirassem o som à televisão e cantassem por cima. Lamentavelmente, não sei dizer o nome dos dois actores que fazem de namorados, nem do cachorro. Foi um dos videoclips mais votados na SIC Radical em 2003, provando que o karaoke bomba sempre imenso. É, para todos os efeitos, e até ver, o derradeiro testemunho videográfico dos Cebola Mol, apesar de nunca aparecermos.

Esta música foi talvez a razão principal para termos rescindido o contrato com a EMI. O Paulo Junqueiro, que já tinha trabalhado com os Xutos & Pontapés, Da Weasel, os brasileiros Titãs, e o que mais queiram lembrar-se, estava na altura na EMI (foi com ele que assinámos para o álbum Samba Roulotte) e, ao ouvir este "Megadeth", recusou-se a acreditar que o grito que o Eddie solta entre os 2m47s e os 2m58s não tivesse sido manipulado digitalmente. Dizia ele que não era humanamente possível soltar tamanha guincharia durante tanto tempo. Perante a insinuação de que éramos humanos, batemos com a porta. Depois tivemos de voltar a abri-la, porque tinhamos fechado a porta connosco ainda lá dentro. Quando voltámos a abri-la para sair, foi de vez.

Garante-me o Luís Simões que este tema é hoje um clássico quer entre roadies quer entre as bandas dedicadas a sonoridades mais pesaditas. E que deu origem a uma mitologia prórpia no seio dos Blasted Mechanism, até agora apenas presente nos bastidores e nas viagens que fazem durante as tournées, mas que poderá, mais cedo ou mais tarde, brotar cá para fora. Esperemos que mais tarde, que eles agora estão tão bem, era escusado estragar.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Está online o teaser de THE HAPPENING


O primeiro Rated R de Shyamalan estreia a 13 de Junho.

via Icons of Fright

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Mladen Penev




link

WALL*E no Super Bowl


A Disney e a Pixar produziram um spot promocional de WALL*E para ser exibido nas transmissões desse gigantesco evento mediático que é o Super Bowl. No site da Disney só permitem que residentes nos EUA o vejam. Felizmente, o YouTube não tem preconceitos destes.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

O Dia do Regicídio


Durante a pesquisa feita para a escrita desta série, encontrámos versões diferentes acerca do que aconteceu no 1 de Fevereiro de 1908, acerca dos envolvidos, acerca de quem planeou e de quem executou o regicídio. Versões da História às vezes contraditórias, apaixonadas, sempre marcadas pela inclinação de quem as documentou, ora mais republicana, ora mais monárquica. Essa falta de consenso - chamemos-lhe assim à falta de melhor palavra - agradou bastante a mim e ao Mário enquanto ficcionistas, pois é nesse espaço entre as várias hipóteses que nos movimentámos para a escrita da série. Por outras palavras, o que apresentámos nos nossos guiões foi mais uma versão dos acontecimentos que levaram ao regicídio, e do momento em si. Uma versão tão real como muitas das que lemos durante a pesquisa, com a diferença de que a nossa é, assumidamente, ficção. A nossa preocupação neste trabalho foi, e é dramatúrgica, a atenção está mais virada para as personagens, espelho do contexto social e político vivido na época. 60 e tal personagens, divididos em núcleos que, na sua maior parte, só se cruzam fisicamente no momento do regicídio. Conseguir o equilíbrio de todas as intrigas paralelas foi dos trabalhos mais complexos e estafantes de que tenho memória. E se o foi a nível da escrita, também o foi nos passos seguintes. Contingências de produção e realização levaram a que bastantes cenas que constavam do guião não fossem gravadas. Agora, com a decisão da RTP de exibir dois episódios de seguida, cortados para chegar a qualquer coisa como hora e meia em vez dos 100 minutos que teriam se fossem exibidos na íntegra, o que vai ser exibido é uma versão fragmentada do que escrevemos, que irá, inevitavelmente, prejudicar a narrativa; não só não vai permitir a mesma fluidez e clareza que tinhamos planeado, como também muitos pormenores que representam horas, dias, semanas, meses de trabalho nunca irão ser notados porque não estão lá. Desconheço as razões para esta decisão da RTP. Sei que é suposto a série voltar a ser exibida, no futuro, ao ritmo de um episódio por dia (como foi pensado de origem), na RTP2, mas não está, tanto quanto sei, marcada uma data. Entretanto, esta noite é exibido o making of, e amanhã às 21h45 estreia a versão aglutinada da série, que segue domingo às 22h00 e segunda às 21h30.