segunda-feira, dezembro 31, 2007

Feliz 2008


M.I.A. - "BirdFlu", de um dos melhores álbuns de 2007, Kala.

Fitas que farão de 2008 um ano mais bonito #8: Filme da Treta 2

treta

Efectivamestes eu e o Eddie estamos quase a acabar o guião.

Faltam menos de 24 horas para abrir a temporada


(cliquem na imagem para aumentar)

Fotoon publicado originalmente em Abril de 2007 n'O Inimigo Público.

Fitas que farão de 2008 um ano mais bonito #7: Dark Floors

Corredores de hospital sujos e decadentes que gritam Silent Hill 3 por todos os lados. Uma garotinha que, a julgar pelo trailer, serve de portal para uma espécie de inferno. Para já, tudo old news. Então, porquê tanto cabelo levantado por esta película assim logo à partida? A explicação é simples e afiada, como o fio de um machado próprio para degolações: após The Kin, este é o novo filme dos Lordi. E para um fã confesso da banda finlandesa que em 2006 pegou fogo à Grécia de maneira ainda mais intensa do que os incêndios deste Verão, isso faz de Dark Floors obrigatório para o próximo ano.

domingo, dezembro 30, 2007

Fitas que farão de 2008 um ano mais bonito #6: The Happening


Sim, o senhor espalhou-se ao comprido com o Lady in the Water, mas lembremo-nos de Signs, The Sixth Sense, e, principalmente, Unbreakable e The Village. Juntem a isso a garantia deste ser o mais negro dos filmes de M. Night Shyamalan, e o índice de salividade aumenta de forma substancial. Bela frase promocional também, com um sentido duplo que promove quer o filme quer o realizador."We've Sensed it. We've Seen the Signs. Now it's Happening." Tiques de superstar com ego insuflado a querer evidenciar-se? Nada contra, desde que daí venha um bom filme. E prefiro encarar a frase como uma promessa, do estilo "agora é que vai ser bonito, ai vai, vai".

De cavalo para burro


A do ano passado era bem mais cool.

Mi químico es tu químico

Uma descrição dos sintomas da rinite alérgica, atabalhoada mas certeira para quem deles também sofre. O suficiente para que alguém que eu não conhecia, ao ouvir-me falar no espaço de um elevador público, me tenha passado um pequeno comprimido branco para as mãos.
- É Claritine.
Tive de recusar, estava a Xyzal, e os meus pais sempre me disseram não aceites anti-histamínicos de estranhos. Mas a solidariedade de uma alérgica que quis partilhar comigo o seu químico não pôde deixar de me emocionar.

sábado, dezembro 29, 2007

Quem aqui, como eu, tem a idade de Cristo quando morreu?


Quem é que precisa
Tomar cuidado com o que diz?
Quem é que precisa
Tomar cuidado com o que faz?
Será que é disso que eu necessito?
Será que é disso que eu necessito?
Ninguém fez nada, ninguém tem culpa
Ninguém fez nada demais, filha da puta!
Quem aqui
Não tem medo de passar ridículo?
Quem aqui, como eu
Tem a idade de Cristo quando morreu?
Quem é que se importa
Com o que os outros vão dizer?
Quem é que se importa
Com o que os outros vão pensar?
Será que é disso que eu necessito?
Será que é disso que eu necessito?
Não sei o que você quer, nem do que você gosta
Não sei qual é o problema
Qual é o problema, seu bosta?!
Quem aqui
Não tem medo de se achar ridículo?
Quem aqui, como eu
Tem a idade de Cristo quando morreu?

Titãs - "Será que é disso que eu necessito?", do álbum Titanomaquia (1993).

Download de notícias com 33 anos
(via Jornal do Aniversário)

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Fitas que farão de 2008 um ano mais bonito #5: Coraline


Henry Selick, realizador de The Nightmare Before Christmas, regressa ao stop motion com esta adaptação do livro de Neil Gaiman, Coraline. No seu site, Gaiman disponibiliza um pequeno excerto do filme. Vozes de Dakota Fanning, Ian McShane, Teri Hatcher, e - cerveja em cima do lodo - das mui dignas de vénia Dawn French e Jennifer Saunders, a.k.a. French and Saunders. Já agora: a versão para palco que anda há tempos a ser preparada por David Greenspan e Stephin Merritt também parece que estreia para o ano.

Fitas que farão de 2008 um ano mais bonito #4: WALL*E


Esta espécie de tetraneto do Johnny 5 de Short Circuit e primo afastado do H.E.R.B.I.E. dos Fantastic Four é o herói do próximo filme Disney/Pixar. Teasers aqui.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Fitas que farão de 2008 um ano mais bonito #3: Cloverfield

Imagens divulgadas a 14 de Dezembro.

Mais aqui.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Fitas que farão de 2008 um ano mais bonito #2: The Dark Knight


E um dos melhores cartazes de sempre da História do Cinema.

terça-feira, dezembro 25, 2007

Mensagem de Natal do primeiro-ministro




Com voz acetinada, José Sócrates fez hoje um elogio ao governo socialista e falou da importância que a presidência portuguesa da União Europeia teve no panorama internacional. Fica provado que a masturbação pública no período natalício não é pecado.

Xmas 1968

Xmas 1949


Ernest Tubb

- Blue Christmas
- Merry Texas Christmas

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Crescer

Só depois dos 30 percebi a importância de ter quem nos ofereça meias no Natal.

domingo, dezembro 23, 2007

Hoje, RTP 1, 21h00, CONTRA ESPECIAL DE NATAL

Jesus está a preparar a sua segunda vinda e planeia aparecer para os lados de Marrocos, mais para cima, na zona antigamente conhecida como Lusitânia. Depois de uma curta conversa com o Papa Bento XVI, lança-se numa perigosa missão de reconhecimento pelo território que agora se chama Portugal, onde se junta ao presidente Regressado Silva para comer um bolo-rei, e se cruza com Belmiro Mete Medo que o vai tentar convencer das vantagens dos crucifixos desmontáveis. Alia-se a D. Duarte Tio para uma breve participação no concurso Famelga Superstar - durante a qual cresce a animosidade entre Jesus e os Anjos -, e acaba convidado da festa de Natal de uma amiga de infância, Betty Frankenstein. Pelo caminho, ainda visita o Porto e, junto com Peixeiro Pereira, mete-se em sarilhos na Ribeira. Christus In Regnum Portugalensi é o título deste Contra Especial de Natal, que conta ainda com outros convidados: o primeiro-ministro José Trocas-Te, Bimbo da Costa, Major Valentão, Fatinha Felgueiras, José Meirinho, Cristianinho Ronaldo, Rui Ri, e a fadista Vampiriza, só para mencionar alguns.
Hoje, às 21h00 na RTP 1, logo a seguir ao Telejornal.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Um indivíduo vê-se ao espelho e depara-se com este bonito serviço


A receita é uma valente gripalhada e um treçolho dos gordos. A parte boa é que assim estou com melhor aspecto do que é costume. Enfiem-me um gorro vermelho, metam-me umas barbaças, e sou um Pai Natal dos Infernos pronto a pegar fogo ao pinheiro. Isto se me conseguir arrastar até ele. Alguém me pode enviar um Clorocil em pomada por mail? É que sair agora para ir à farmácia 'tá quieto.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Oficialmente

a minha rábula favorita dos Gato Fedorento.

sábado, dezembro 15, 2007

Último dia


Ao terceiro espectáculo, os Alcómicos atingem um grau de refinadura que faz deste "Mais um LP" algo de imperdível. Hoje às 23h30, no Teatro Mundial, última apresentação. Ide. Mas ide mesmo.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Hoje


Alx no Lux.

Também fiquei contente...

...por ver na lista outros programas como o Duarte & Cia., Conversas Vadias com Agostinho da Silva, Portugal, Um Retrato Social, A Guerra, Cinema de Animação com Vasco Granja. E, no terceiro lugar, Herman Enciclopédia, programa que nas PF foi escrito por malta como eu próprio, que dei à luz sketches como este, bem a propósito pela sua temática natalícia:

E este:

E, já que estou com a mão na massa, este:

(se não conhecem o anúncio da época - estava-se em 96/97 - que este sketch parodia, vejam-no aqui)

Por isso, não posso deixar de sentir o frémito da medalha de bronze. Até é coisa para ir ali abrir uma champanhoca, apesar da hora. Um momento.

Pois, efectivamente, não tenho cá champanhoca, o que até é capaz de ser uma coisa boa porque assim evita-se muita chatice para o resto do dia.

Outro contemplado nesta lista, com o 6.º lugar, é o Contra Informação, programa que já escrevo há uns bons seis ou sete anos junto com os fundadores Rui Cardoso Martins e José de Pina. Parece-me mais uma boa razão para dar na champanhoca. Momento.

Pois efectivamente - acho inclusive que até já tinha dado ocorrência da coisa - não há. Portanto fico-me pelo puleco de júbilo, e o publicar de um sketch do Contra que também tem a ver com a época que atravessamos. Trata-se de uma mensagem de ano novo do então presidente Jorge Compaio, que foi exibida na RTP 1 coladinha à mensagem de outro presidente da República que havia na altura, Jorge Sampaio. O senhor presidente (Sampaio, não o Compaio) não gostou. O clip que está aqui em baixo reproduz ambas as mensagens e a maneira como foram exibidas, uma vez que foi, creio, gravado directamente da TV:

Agora, ao trabalho, até porque há um programa especial de Natal do Contra para escrever.

O melhor programa

A votação para os 50 melhores programas de televisão de sempre fechou com a vitória do Tal Canal. Fico contente com o resultado, visto que também estou incluído no rol de fãs incondicionais do programa. Quando era garotelho e não perdia um, não tinha a noção de que o Herman José estivesse a derrubar quaisquer limites, pois não tinha termo de comparação com o passado: foi o Tal Canal que me deu a conhecer o humor nacional (e, de certa forma, o humor, ponto, a par de Jerry Lewis, por exemplo), e, como tal, para mim aquilo tinha a estranheza natural do que é visto pela primeira vez. Não era ir mais longe do que até então se ía: era o que era, gozava de uma liberdade de expressão que tomei como adquirida (esta coisa de ter nascido depois do 25 deAbril, né?, pois é verdade). Talvez assim tenha sido mais influenciado pelo Tal Canal do que se na altura tivesse a consciência de que era 'groundbreaking' ao nível dos limites do humor. Perceber a verdadeira reviravolta que foi o Tal Canal só o percebi anos mais tarde, e até hoje faço a devida vénia, de todas as vezes que percebo que, afinal, a tal largura de temas tratados, de palavras, continua a ser algo que convém, uns dias mais que outros, relembrar que se tem. E que essa liberdade é - muito por mérito de programas como o Tal Canal - um dado adquirido.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

terça-feira, dezembro 11, 2007

Go to sleep


Ai vou, vou.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Parabéns, Eduardo!


A notícia veio escarrapachada no Jornal de Notícias de hoje, que eu comprei e li, mas deixei as páginas de televisão, cinema e teatro para mais tarde. Foi por isso que só agora, depois do Eduardo me ligar, fiquei a saber que ele recebeu ontem o prémio de Melhor Actor no 11.º Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira pela sua interpretação n'O Capacete Dourado. Mais que merecido, digo eu.

Ainda o Snack TV #05


No sábado, quando aqui postei mais este folhado estaladiço de video que dá pelo nome de Snack TV, estava com tanta pressa que nem tive tempo de debitar umas notitas acerca da feitura da coisa. Esta viagem de carro aconteceu na 3.ª feira quando voltávamos das gravações do Má Onda. Às tantas surgiu-me a ideia para este snack, saquei do telemóvel e comecei a gravar. Maravilhas de andar com uma câmara no bolso. O condutor que acaba por perder a paciência é o Rui Simões, director de fotografia de tudo o que fazemos em chroma para o Má Onda, e que está agora também a interpretar uma nova personagem que se cruza comigo e o Eduardo Frazão em Upload. O irritante pendura é o Eduardo, que desempenha na perfeição o papel de abominável palpiteiro do banco de trás.
O Eduardo tem uma capacidade notável de improviso, que se revelou mais uma vez neste snack. À medida que lhe ia dizendo as ideias para o que deveria passar-se a seguir, o Eduardo acrescentava sempre mais qualquer coisa, numa demonstração de algo que me parece ser uma constante no seu trabalho: a generosidade e a vontade de dar passos que vão além do propósito inicial do projecto.
A época natalícia é, infelizmente, pródiga em acidentes rodoviários, pelo que não podia vir mais a propósito este snack sobre prevenção rodoviária. Juntem a isto o facto do You Tube estar a disponibilizar um serviço que permite escolher um qualquer video para ser enviado como "postal natalício", e fiquem a saber que basta clicar aqui para se poder enviar este 5.º Snack TV a amigos, conhecidos, e até mesmo inimigos, como forma de desejar boas festas. Uma operação de suportável piroseira, para a qual só têm de ter uma conta no You Tube; por isso, se já a tiverem, é de aproveitar. Se não, mandem-nos passear, que esta coisa de uma pessoa ter de se inscrever para poder utilizar este tipo de serviços (e para comentar) não tem jeito nenhum.

Caixilhedo & Laminame


E aí está: os Caixilhos & Laminados do meu brother Eddie e do maifrender Marco Horácio chegam finalmente à versão livro + cd, com a costumeira cumplicidade do Pedro Ribeiro. O chamado must. A apresentação é hoje às 18h30 no Teatro da Luz, e todas as informações sobre como lá chegar podem ser facilmente obtidas, bastando para isso clicar na imagem acima para torná-la maior. Um regalo. Quaisquer informações suplementares podem ser encontradas aqui.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

O temido regresso de Panhões


Tenham medo, muito medo: Orlando Panhões, personagem saída das mentes retorcidas de Francisco Palma e Nuno Markl, é o convidado de hoje d'Os Incorrigíveis. Recordam-se certamente dele da rubrica Ódio Visceral que passava n'O Prazer dos Diabos, na altura exibido na extinta SIC Comédia. Ainda hoje estremeço de terror quando vejo a farta bigodaça de Panhões e me lembro do dia fatídico em que esta espécie de Jason Vorhees português esmagou a minha cabeça com uma pá.

Arrepiante a clara influência de Scanners neste meu assassinato, a permitir-me alimentar o sonho de, um dia, ver lado a lado o mito Panhões e a lenda Liliana Komorowska. Mas vê-los ao longe, a uma distância segura, não vão eles lembrar-se de começar a rebentar cabeças com o poder da mente. É que dá-lhes muito para isso.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

The Key to Reserva

"Uma coisa é preservar um filme que foi feito. Outra é preservar um filme que não foi feito."
- Martin Scorsese

Scorsese foi convidado pela Freixenet a fazer um pequeno épico publicitário agora para o Natal e Ano Novo e coiso. O resultado é este filme sobre um suposto guião de três páginas que Hitchcock não chegou a filmar e do qual falta uma página. Não me deu vontade de beber cava (o que, convenhamos, é secundário para todos menos para um marketeer saloio), mas achei de alto índice de catitidade, para dizer o mínimo. Podem ver o filme aqui. Obrigado ao João Morales pela dica.


A rodar na FHfm, Duke Ellington, "Take the 'A' train".

Há coisas medíocres, não há?

Está na altura da Cabo investir tanto em técnicos competentes
como faz em mulherio bem jeitoso para as suas campanhas publicitárias

Quando se trabalha em casa, como eu, é impensável não ter ligação à internet. Diacho, mesmo que não trabalhasse em casa, acho que preferia sair nu à rua do que não ter ligação à web, apesar do resto do mundo poder ter uma opinião diferente. Compreendo: eu próprio, se saísse nu à rua, evitaria olhar para superfícies espelhadas; seria escusado, mais a mais se estivesse um dia bonito, daqueles em que até parece mal andar à procura de sarilhos.

Já para não falar de, sendo grande parte do meu trabalho relacionado com televisão, ter a maior quantidade de canais cabo possível. Isto porque os generalistas nem sempre exibem - ou pelo menos nem sempre exibem a horas certas ou fora das madrugadas - as séries e afins que sigo, umas mais religiosamente que outras. E porque nem tudo merece a compra em DVD. Mesmo que não trabalhasse em televisão, tenho a certeza de que continuaria a ser um consumidor mais ou menos compulsivo de certos elementos do universo catódico, como sou desde tenra infância. Estou em crer que os primeiros ensaios para os actuais aparelhos de iPod video e telemóveis com emissão de televisão em directo fui eu que os fiz, ao tentar levar comigo para a escola um televisor com cerca de quatro vezes o meu peso para ver desenhos animados nos intervalos das aulas (durante dava muito nas vistas, porque mesmo os auscultadores eram granjolas).

Bom, mas isto tudo para dizer que sou, desde há muito - desde o início, creio - cliente da TV Cabo, quer dos serviços de TV, quer de net. A quantidade de canais e serviços que assino foi suficiente para que me ligassem de forma insistente para aderir a uma promoção: o telefone fixo, que me permitiria, disseram-me, fazer chamadas grátis para a rede fixa. Não teria de pagar nada, nunca, desde que pelo menos mantivesse o número de serviços. Só teria de pagar o aparelho de telefone da própria TV Cabo, ou, caso não o quisesse, poderia adquirir um numa qualquer loja, e a coisa estava feita.

Confesso que fiquei admirado com a insistência. Afinal, não estavam a tentar vender-me mais um serviço. Não, estavam apenas a tentar alertar-me para algo a que tinha direito, uma promoção que na altura me pareceu bastante simpática. E acabei por aderir. Raismapartam.

Penso que está na altura da TV Cabo investir tanto em técnicos competentes como faz em mulherio bem jeitoso para as suas campanhas publicitárias. Também sou grande fã das três amigas do "trrim, trrim", quer as de primeira, quer as de segunda geração (em especial a moça que foi agora capa da FHM, uma belíssima edição de coleccionador). O problema, no meu entender, é que não são elas que nos vêm a casa instalar os aparelhos. Se fossem, penso que uma fatia significativa dos clientes - os masculinos, pelo menos, e os femininos que se revêem nos dramas desconchavados de The L Word - estariam dispostos a aturar a mediocridade com que me deparei há umas semanas. Passo a explicar.

Sempre suportei com alguma ligeireza e humor a fraca qualidade da assistência técnica que a NetCabo dispõe via telefone. Muitas foram as vezes que a minha ligação à internet estava completamente morta, e telefonei para o número disponibilizado pela NetCabo para tentar resolver o problema. E grande parte das vezes deparei-me com o insólito de estar a falar com técnicos, ou, deverei dizê-lo, supostos técnicos, que percebiam tanto do assunto como eu percebo, digamos, por exemplo, o porquê de alguém ter contratado estes técnicos, ou supostos técnicos.

Mas até aí tudo bem. Consigo lidar com o muitas vezes aparente desinteresse que do outro lado da linha me responde aos problemas que lhes apresento, fruto talvez de a maior parte destes técnicos encararem o prestar deste serviço de assistência como mais um MacJob, coisa passageira, uma chatice antes de encontrarem o emprego que desejam, e para o qual muitos até se deram à trabalheira de tirar um curso. Não lhes posso levar a mal. Tenho este hábito desagradável de ser mais tolerante com a incompetência quando a encontro em funcionários de cargos de relativo desinteresse, que não estimulam a vontade de fazer seja o que for, do que quando a reconheço em graus mais elevados de responsabilidade. Agora, o que me deixa mesmo de rastos é a chico-espertice.

E é de chico-espertice que trata este post. Da chico-espertice dos técnicos, ou, diga-se em abono da verdade, de um dos dois técnicos que certa manhã se dirigiram a minha casa para a entrega do dito equipamento telefónico. Fui apanhado de surpresa: afinal, em ambas as datas acordadas via telefone para entrega do equipamento, ninguém apareceu. Neste ponto, é de louvar o engenho dos serviços da TV Cabo, ou, neste caso, NetCabo: como das vezes em que tinham marcado comigo uma data nenhum dos seus funcionários apareceu em minha casa, resolveram não me dizer nada e assim garantir que o equipamento seria entregue. É um raciocínio complexo, mas a malta da TV Cabo chegou lá, e é de se lhes tirar o chapéu.

A operação passou-se assim: a campainha acordara-me e os meus olhos estavam colados por dois finos mas sólidos filamentos de ramela. O baque surdo da minha testa contra a porta de casa denunciou a minha presença aos homens da NetCabo que aguardavam do outro lado. Abri a porta e só não senti que o Natal tinha chegado mais cedo porque, como já disse, tinha os olhos colados e não vi quando um dos homens me tentou entregar um pacote laranjóide para as mãos. "Mas então e isto é o quê?", perguntei. "É o equipamento telefónico a que tem direito, só tem de assinar aqui".

Isto do assinar tem muito que se lhe diga. Para começar, exige que um tipo leia a folheca antes de pespegar com o nome lá em baixo, o que só com muita arte se consegue fazer de olhos fechados. Dada a impossibilidade de abri-los em termos, limitei-me a gatafunhar o meu nome em local apontado de forma atenciosa pelo funcionário da NetCabo. Afastei-me um pouco para o lado, de maneira a dar passagem aos técnicos para que entrassem e procedessem à instalação do equipamento, mas já eles se afastavam depois de cumprida a tarefa de entrega. Poderia ter adormecido ali de pé, com o pacote laranja debaixo do braço, não fosse a tomada de consciência de que era eu, e não os técnicos, que teria de instalar o equipamento, coisa que não me pareceu de todo disparatada (qualquer pessoa consegue ligar um fio à parede), mas que me fez meditar, nostálgico, no tempo em que a assistência da TV Cabo incluia ter quem até fizesse os furos nas paredes necessários para a passagem da cabalhada. Hoje em dia, a julgar pelo que acabara de acontecer, essa tarefa anteriormente prestada pela TV Cabo estava englobada na filosofia Ikea, em que se paga menos mas se tem de montar o mobiliário. O que me parecia justo, dado a gratuitudade do equipamento que me tinham acabado de ofertar.

Nada como chapinhar nas memórias para dissolver filamentos de ramela; senti que estava a acordar para o dia. E que melhor início de dia do que instalar um telefone? Naquela altura não conseguia lembrar-me de nada, estava ainda abalado pela visita surpresa e nomes como "Camila Pitanga" e "Juliana Paes" não me ocorreram de imediato ao pensamento. Mas o verdadeiro abalo senti-o quando abri o pacote e percebi que instalar aquele telefone era ainda mais difícil do que eu pensara.

É que não havia lá telefone nenhum.

Esta foi a altura em que entrei no limbo. Aquele limbo em que o tempo se suspende para permitir uma auscultação dos dados e da sua sequência. Teria eu perdido algum pedaço de informação? Não tinha ficado combinado que me iriam entregar um telefone? Sim, tinha. Um sem fios, lembro-me de ser especificado. O que é que me escapava em tudo isto? Estaria a ser vítima de uma galhofita de consequências ainda por apurar? Onde é que estavam as câmaras dos apanhados? Mas... na minha própria casa? Seria legal? Era como se não tivesse ainda acordado e a situação não passasse de um mal-amanhado sonho ruim.

Esbofeteei-me ao de leve cerca de três vezes. Era preciso acordar e lidar com o engano (na altura pensava ainda tratar-se de um engano). Os técnicos já tinham feito como o Elvis e had left the building, a melhor estratégia seria por isso correr até à janela antes que tivessem tempo de zarpar rua afora a bordo da viatura. Dei com eles prestes a levar chave à porta e falei alto de maneira a fazer-me ouvir lá em baixo, acenando a caixa que me tinham entregue há instantes:

- Olhe, desculpe, isto é um telefone?

A pergunta tinha razão de ser. Se me entregam um equipamento telefónico para as unhas, é de esperar que inclua o telefone. Sem telefone, um equipamento telefónico é apenas equipamento. Digo eu. Mas estava aberto a outras explicações, inlcusive uma que, longe de razoável, me parecia pelo menos natural vinda da malta da Cabo: "O telefone em si vem mais tarde, esse é só o modem multimédia preparado para o serviço telefónico." E pronto, uma resposta destas levar-me-ia a encolher os ombros e dizer qualquer coisa como "Não tinha sido melhor entregarem tudo de uma vez? Dado que já foi tão difícil combinar esta entrega, agora quanto tempo vou ter de esperar para que este equipamento tenha aquilo que lhe é indispensável para o funcionamento, e que é o telefone propriamente dito? Bom, vejam lá isso". Mas não, não foi essa a resposta, longe disso. Porque essa resposta era uma explicação. Uma má explicação mas, ainda assim, uma explicação.

Só que explicação era coisa que a rapaziada da Cabo, ou pelo menos um deles, não estava disposto a dar. Falo daquele que levava chave à porta e se preparava já para entrar no carro, deixando ao outro a tarefa de se explicar perante aquele tipo acabado de acordar que aparecia à janela, não sem antes deixar-lhe um conselho - dos bons! - que apesar da distância consegui ouvir:

- Diz que sim, diz que sim.

Aqui vi-me obrigado a recapitular. Não tinha eu perguntado se aquilo era um telefone? Tinha. E não abrira eu já a caixa e visto que não continha nenhum telefone? Pois também. Portanto, à minha pergunta
- Olhe, desculpe, isto é um telefone?
um dos técnicos da Cabo reagira dizendo ao outro
- Diz que sim, diz que sim.
enquanto entrava no carro.

"Diz que sim, diz que sim", neste contexto, significa qualquer coisa como "despacha lá o gajo e vamos mas é embora antes que ele perceba que não trouxemos o telefone e depois temos de estar aqui com explicações e explicar coisas às pessoas é uma seca e eu não estou para isso, ó catano" (a parte do "catano" será talvez já um exagero de interpretação da minha parte).

É aqui que entra aquilo da chico-espertice. É o nome mais polido que encontro para caracterizar a falta de consideração deste tipo de resposta, ou conselho de resposta, que o técnico da Cabo deu ao colega sem esperar que eu também o escutasse. Tratei de explicar que já tinha aberto a caixa, que sabia que não estava ali um telefone, que me tinha apercebido de que aquilo era apenas o modem, que com a minha pergunta só pretendia de facto saber quando contavam entregar-me o telefone. E que, em vez disso, tinha comido com um "diz que sim, diz que sim, mente lá ao gajo e vamos mas é daqui para fora rápido".

Enquanto o colega do conselho estava já dentro do carro na postura do "isto não é nada comigo, eu até já estou ao volante", o outro técnico escutava a minha indignação pelo "diz que sim" e dizia "da parte que me toca só posso pedir desculpas". Meteu-se no carro e lá foi como pendura mais o chico-esperto.

Telefonei para as reclamações da Cabo e juntei-me a uma fila de espera de longos minutos até ser atendido. Expus o meu caso e foi-me dito que, para a reclamação surtir algum efeito, teria de colocá-la por escrito e enviá-la aos serviços da NetCabo. Foi-me oferecida uma compensação pelo sucedido, um desconto na mensalidade das dezenas de canais que assino. Não aceitei porque não é com descontos em assinaturas que se compensam faltas de educação, consideração, profissionalismo, honestidade. Estes técnicos são o verdadeiro rosto da TV Cabo, (o maior operador nacional de televisão por cabo e satélite e um dos mais importantes da Europa), são quem lida de perto com os clientes; a par das suas qualificações técnicas, deveriam ser escolhidos para as funções que desempenham tendo em conta as suas capacidades na área das relações públicas. Ou então, simplesmente, por não mentirem aos clientes.

Se ao menos tivessem sido as moças da campanha a fazerem-me uma destas, até me podiam ter deixado um pacote com duas latas unidas por um cordel que eu, mesmo assim, ficaria a achar que aquilo era um telefone. Infelizmente, não foi o caso, até porque duas latas unidas por um cordel dão muito menos trabalho a instalar e fazem chamadas grátis para todas as redes.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Hoje é noite de digisódio de MÁ ONDA


no Boa Noite Alvim, SIC Radical, entre as 23h e as 00h.