Interpol, Editors, vanguardas, góticos, harajuku
A ver se o novo dos Editors, An End Has A Start, não me deixa o ligeiro amargo de boca que o mais recente dos Interpol deixou. Não que não goste do álbum, porque gosto; percebe-se que andam à procura de uma sonoridade própria, mais afastada de Joy Division (coisa que não parece acontecer no novo de Editors); mas os Interpol ainda estão a apalpar terreno, e não se mexem por estes novos territórios - se não novos, pelo menos ligeiramente diferentes - com o à-vontade demonstrado em Turn On The Bright Lights (2003) e Antics (2004).
Sei que pode parecer estranho falar em à-vontade no que se refere a Turn On The Bright Lights, tendo este álbum a crueza própria de um primeiro registo; mas é exactamente essa crueza, que tão bem se adapta a todos os temas, que faz deste álbum o meu possível favorito. Isso e o facto de ter perdido o cd e não o escutar há séculos, o que contribui ainda mais para o carácter mítico que lhe atribuo. Antics é sublime. E deste Our Love To Admire ficam-me "Pioneer to the Falls" e "The Heinrich Maneuver". O resto: muitos fillers e poucos killers.
Voltando a Editors: é ouvir para ver se está à altura do album de estreia, The Back Room. As duas que ouvi, "Smokers Outside The Hospital Doors" e o tema que dá nome ao disco, "An End Has A Start", gostei. Joy Division meets New Order (passe alguma redundância) num video muito 80's, quase Robert Palmerístico, não fossem os enrolanços de braços que caracterizam o vocalista, Tom Smith, acentuando-lhe o ar (sub)urbano-depressivo (é de Birmingham) que faz as maravilhas e provoca suspiros em grande parte das garotas vanguardas.
...passando por umas linhas simplistas e assim meio de raspão acerca do percurso do gótico em Portugal...
Para quem é jovem demais para recordar, vanguardas era o nome dado nos anos 80 a quem só usava preto, botas, de preferência Doc Martens, e ouvia quase que exclusivamente pós-punk, tendo como ídolos máximos Joy Division (Ian Curtis era o Kurt Cobain da altura, o atormentado que acabaria por se suicidar aos 23 anos), New Order, The Cure e U2 da fase pré-Achtung Baby (Boy, October, War, The Unforgetable Fire e Joshua's Tree). Os vanguardas (que patetice de epíteto, hein?) foram, de certa forma, os antepassados dos góticos, e depois do evento The Crow, onde a banda sonora alinhava grupos como My Life
With The Thrill Kill Kult com The Cure, a linha entre olheirentos adeptos de sonoridades depressivas e olheirentos adeptos de sonoridades depressivas e brutais, do noise ao doom-metal, esbateu-se bastante. Juntem-lhe umas pitadas valentes de pop bubblegum com referências herdadas do trabalho de Tim Burton, Roman Dirge e Jhonen Vasquez, e têm essa coisa estranha que é o
emo-rock, só possível depois do punk-rock se ter tornado mainstream com bandas tipo Green Day. Com os alemães Tokyo Hotel, da idade de espermatozóides, a concretizarem a passagem para o harajuku (do ocidente para o oriente, e de volta para cá, reinventado), iniciada por Gwen Stefani numa versão mais light mas nem por isso mais feminina. É que, convenhamos, os putos do TH parecem miúdas.
...e terminando com o último video dos Editors, ou quase.
Sim, que as balelas já se acumulam, e no fundo só pretendia deixar aqui o video dos rapazes. Mas como a cópia disponível no YouTube está com problemas e não carrega, deixo a actuação dos Editors em Glastonbury, infelizmente incompleta. E reparem lá na mania que o Tom Smith tem de enrolar os braços à volta da cabeça, e um no outro, e à volta das pernas, e dos calcanhares; capaz de dar para ali um nó que já não se desata e depois era um aborrecimento porque já não vinham cá tocar (acho que para o mês que vem). Ora apreciem e digam lá de vossa justiça.
Sei que pode parecer estranho falar em à-vontade no que se refere a Turn On The Bright Lights, tendo este álbum a crueza própria de um primeiro registo; mas é exactamente essa crueza, que tão bem se adapta a todos os temas, que faz deste álbum o meu possível favorito. Isso e o facto de ter perdido o cd e não o escutar há séculos, o que contribui ainda mais para o carácter mítico que lhe atribuo. Antics é sublime. E deste Our Love To Admire ficam-me "Pioneer to the Falls" e "The Heinrich Maneuver". O resto: muitos fillers e poucos killers.Voltando a Editors: é ouvir para ver se está à altura do album de estreia, The Back Room. As duas que ouvi, "Smokers Outside The Hospital Doors" e o tema que dá nome ao disco, "An End Has A Start", gostei. Joy Division meets New Order (passe alguma redundância) num video muito 80's, quase Robert Palmerístico, não fossem os enrolanços de braços que caracterizam o vocalista, Tom Smith, acentuando-lhe o ar (sub)urbano-depressivo (é de Birmingham) que faz as maravilhas e provoca suspiros em grande parte das garotas vanguardas.
...passando por umas linhas simplistas e assim meio de raspão acerca do percurso do gótico em Portugal...
Para quem é jovem demais para recordar, vanguardas era o nome dado nos anos 80 a quem só usava preto, botas, de preferência Doc Martens, e ouvia quase que exclusivamente pós-punk, tendo como ídolos máximos Joy Division (Ian Curtis era o Kurt Cobain da altura, o atormentado que acabaria por se suicidar aos 23 anos), New Order, The Cure e U2 da fase pré-Achtung Baby (Boy, October, War, The Unforgetable Fire e Joshua's Tree). Os vanguardas (que patetice de epíteto, hein?) foram, de certa forma, os antepassados dos góticos, e depois do evento The Crow, onde a banda sonora alinhava grupos como My Life
With The Thrill Kill Kult com The Cure, a linha entre olheirentos adeptos de sonoridades depressivas e olheirentos adeptos de sonoridades depressivas e brutais, do noise ao doom-metal, esbateu-se bastante. Juntem-lhe umas pitadas valentes de pop bubblegum com referências herdadas do trabalho de Tim Burton, Roman Dirge e Jhonen Vasquez, e têm essa coisa estranha que é o
emo-rock, só possível depois do punk-rock se ter tornado mainstream com bandas tipo Green Day. Com os alemães Tokyo Hotel, da idade de espermatozóides, a concretizarem a passagem para o harajuku (do ocidente para o oriente, e de volta para cá, reinventado), iniciada por Gwen Stefani numa versão mais light mas nem por isso mais feminina. É que, convenhamos, os putos do TH parecem miúdas....e terminando com o último video dos Editors, ou quase.
Sim, que as balelas já se acumulam, e no fundo só pretendia deixar aqui o video dos rapazes. Mas como a cópia disponível no YouTube está com problemas e não carrega, deixo a actuação dos Editors em Glastonbury, infelizmente incompleta. E reparem lá na mania que o Tom Smith tem de enrolar os braços à volta da cabeça, e um no outro, e à volta das pernas, e dos calcanhares; capaz de dar para ali um nó que já não se desata e depois era um aborrecimento porque já não vinham cá tocar (acho que para o mês que vem). Ora apreciem e digam lá de vossa justiça.




5 comentários:
Belo post, Filipe! Eis um comentário a propósito dos Interpol e dos Editors! Em relação ao novo som dos Interpol, compreendo a tua reacção a Our Love to Admire. Eu, pessoalmente, também prefiro a sonoridade dos álbuns anteriores, colocando Antics lá no topo. A ver para onde caminham os rapazes...
Em relação aos Editors, gostei muito deste segundo álbum. Penso que não vais ficar desiludido. Se gostaste de The Back Room, An End has a Start é, para mim, um digno sucessor, mantendo a sonoridade que encontramos no primeiro álbum. Quanto ao Tom, também já tinha reparado que se farta de mexer os braços e de os enrolar à volta do tronco e da cabeça...
Uma vez que o vídeo oficial não está, de facto, a carregar no YouTube, porque não colocas este do MySpaceTv?
http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&videoid=15379856
Só mais duas notas. O concerto dos Editors é no dia 16 de Novembro. E, já que falaste no Ian Curtis, não esquecer isto.
Se o doom metal (sem hífen) te mordesse na testa, não o reconhecerias.
Ó mouco, não digas baboseiras, o doom metal (com hífen ou sem hífen) é raro morder seja quem for na testa. Toda a gente sabe disso.
Cotovelo, queria dizer cotovelo.
Merda de comprimidos que são parecidos uns com os outros e depois dá nisto.
Mas há casos reportados de alguns com hífen terem chegado a morder sobrolhos.
Sim, é verdade, os doom hifenizados são danados para atacar sobrolhos.
Enviar um comentário