Land of the free?
Não me parece.
Julgava que este tipo de coisas só acontecia nas "ditaduras bárbaras" do Médio Oriente.
E agora, que país vai "devolver a democracia e a liberdade de expressão" aos EUA?
Porque é que ninguém se levantou para ajudar o estudante? O medo é assim tanto?
Pelos vistos.
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(Update, 11:54pm) O assunto dá pano para mangas, e estava a responder aos comentários aqui do post quando pensei que mais valia debitar os considerandos aqui mesmo. Então aqui vai: o que me choca nestas imagens é o claro exagero na reacção por parte da polícia universitária, herança dos medos pós-9/11 e que facilmente dão neste tipo de deriva securitária, e a apatia dos coleguinhas que não levantaram o cu das cadeiras. Que a responsabilidade desta resposta caia nos polícias que exerceram este abuso de força é legítimo, mas não podemos escamotear o contexto em que este tipo de autoridade é exercido.
Utilizei o termo "devolver a democracia e liberdade de expressão" porque, depois do não-aparecimento das famosas WMAs, a justificação da administração Bush para a ocupação do Iraque foi o não menos famoso "dominó democrático" que pretende (pretendia?) devolver a liberdade às "bárbaras ditaduras do Médio Oriente", expressão que usei e uso entre aspas por estar a citar alguns dos neo-cons mais ferrenhos (e não o são todos?).
Palhaçada ou não, as questões levantadas pelo Andrew Meyer (o jovem do video) são pertinentes, e gosto de pensar que o american dream passa por uma realidade onde uma palhaçada pertinente, mesmo que misturada com uma qualquer ânsia de protagonismo (típica, diga-se de passagem, de uma certa esquerda que não é exclusiva dos EUA, também abunda por cá) não é silenciada / subtraída de uma maneira - e agora sem aspas, porque a expressão é mesmo minha - bárbara. Hi-tec, que aqueles tasers são bem modernaços, mas ainda assim bárbara.
Em relação a se estas imagens passaram nos telejornais de cá ou não: eu não as vi, mas garantiram-me que todos os telejornais as exibiram.
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(Update, 3/10, 17:13)
Uma nota tardia ainda sobre o caso Andrew Meyer:
Continuo a encontrar uma certa dose de pertinência nas questões levantadas por este rapazote. Mas depois de tomar conhecimento dos detalhes da sua intervenção tenho de ver o acontecimento com outros olhos. Andrew Meyer não se fez ao microfone durante o período reservado a perguntas, antes correu para o dito e interrompeu a palestra, o que de certa forma explica o porquê de estarem seguranças do campus atrás de si logo no início da sua intervenção. Que, aliás, não foi o início: já antes Meyer tinha obrigado todos os estudantes que ali se tinham dirigido para ouvir John Kerry a ouvi-lo a ele, o que talvez explique porque ninguém se levantou quando Meyer estava a ser levado: já estavam todos fartos da sua converseta. Há uma certa dose de vitimização em Meyer, tenho de reconhecer, um teatrinho, quando está a ser levado e grita como se não soubesse o porquê de estar a ser levado. Há que pôr a hipótese de a intervenção dos seguranças não ter sido motivada pelo teor das suas perguntas, mas pelo desrespeito que Meyer demonstrou repetidas vezes pelo convidado e pela assistência. E depois de saber que o rapazote já é conhecido pelas celeumas que levanta no jornal universitário - mais para chamar atenções sobre a sua pessoa do que por preocupação genuína -, depois de ter conhecimento do seu passado agit-prop, lamento apenas que não tenha levado com o taser no prepúcio.
Julgava que este tipo de coisas só acontecia nas "ditaduras bárbaras" do Médio Oriente.
E agora, que país vai "devolver a democracia e a liberdade de expressão" aos EUA?
Porque é que ninguém se levantou para ajudar o estudante? O medo é assim tanto?
Pelos vistos.
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(Update, 11:54pm) O assunto dá pano para mangas, e estava a responder aos comentários aqui do post quando pensei que mais valia debitar os considerandos aqui mesmo. Então aqui vai: o que me choca nestas imagens é o claro exagero na reacção por parte da polícia universitária, herança dos medos pós-9/11 e que facilmente dão neste tipo de deriva securitária, e a apatia dos coleguinhas que não levantaram o cu das cadeiras. Que a responsabilidade desta resposta caia nos polícias que exerceram este abuso de força é legítimo, mas não podemos escamotear o contexto em que este tipo de autoridade é exercido.
Utilizei o termo "devolver a democracia e liberdade de expressão" porque, depois do não-aparecimento das famosas WMAs, a justificação da administração Bush para a ocupação do Iraque foi o não menos famoso "dominó democrático" que pretende (pretendia?) devolver a liberdade às "bárbaras ditaduras do Médio Oriente", expressão que usei e uso entre aspas por estar a citar alguns dos neo-cons mais ferrenhos (e não o são todos?).
Palhaçada ou não, as questões levantadas pelo Andrew Meyer (o jovem do video) são pertinentes, e gosto de pensar que o american dream passa por uma realidade onde uma palhaçada pertinente, mesmo que misturada com uma qualquer ânsia de protagonismo (típica, diga-se de passagem, de uma certa esquerda que não é exclusiva dos EUA, também abunda por cá) não é silenciada / subtraída de uma maneira - e agora sem aspas, porque a expressão é mesmo minha - bárbara. Hi-tec, que aqueles tasers são bem modernaços, mas ainda assim bárbara.
Em relação a se estas imagens passaram nos telejornais de cá ou não: eu não as vi, mas garantiram-me que todos os telejornais as exibiram.
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(Update, 3/10, 17:13)
Uma nota tardia ainda sobre o caso Andrew Meyer:
Continuo a encontrar uma certa dose de pertinência nas questões levantadas por este rapazote. Mas depois de tomar conhecimento dos detalhes da sua intervenção tenho de ver o acontecimento com outros olhos. Andrew Meyer não se fez ao microfone durante o período reservado a perguntas, antes correu para o dito e interrompeu a palestra, o que de certa forma explica o porquê de estarem seguranças do campus atrás de si logo no início da sua intervenção. Que, aliás, não foi o início: já antes Meyer tinha obrigado todos os estudantes que ali se tinham dirigido para ouvir John Kerry a ouvi-lo a ele, o que talvez explique porque ninguém se levantou quando Meyer estava a ser levado: já estavam todos fartos da sua converseta. Há uma certa dose de vitimização em Meyer, tenho de reconhecer, um teatrinho, quando está a ser levado e grita como se não soubesse o porquê de estar a ser levado. Há que pôr a hipótese de a intervenção dos seguranças não ter sido motivada pelo teor das suas perguntas, mas pelo desrespeito que Meyer demonstrou repetidas vezes pelo convidado e pela assistência. E depois de saber que o rapazote já é conhecido pelas celeumas que levanta no jornal universitário - mais para chamar atenções sobre a sua pessoa do que por preocupação genuína -, depois de ter conhecimento do seu passado agit-prop, lamento apenas que não tenha levado com o taser no prepúcio.


5 comentários:
Embora pareça que o estudante tomou posse do microfone sem autorização, o próprio Kerry não ficou incomodado com a questão e até chegou a responder-lhe: "We just couldn't do it in good conscience because we didn't have that evidence." Perante isto, a reacção da polícia é em tudo exagerada. Primeiro tentam prender o estudante sem (aparentemente) lhe lerem os direitos (daí ele perguntar porque é que o estão a prender) e por fim ainda fazem uso da força quando este já se encontrava no chão e controlado. É vergonhoso o que se passou.
Uma pergunta: esta notícia foi divulgada pelos meios de comunicação portugueses? É que se não fosses tu a dar conta desta notícia ela passava-me completamente ao lado. E, pelos vistos, já tem dois dias...
Neste caso em concreto acho que o chocante nao eh o aparente ataque ah liberdade de expressao mas sim a actuacao policial e a apatia dos colegas. E digo aparente porque este rapaz tem fama de fazer a sua digamos, va la "palhacada", e aqui o que ele queria nao era fazer perguntas ao Kerry... Queria tempo de antena. O Kerry bem lhe queria responder mas o menino estudante nao estava la pra isso. So que estes eventos teem regras para que todos possam falar e ele desrespeitou as regras, por isso lhe retiraram o microfone. Era caso para usar o taser? Nao, foi abuso de forca por parte da policia universitaria e ha dois agentes ja suspensos por causa disso. O que mais me choca, no entanto, eh a apatia dos colegas. Parecem genuinamente aborrecidos com aquela comocao toda. Esta geracao esta habituada a fazer muito ruido na internet, confortavelmente sentados, mas quando confrontados com a realidade nem sabem o que fazer! Incrivel.
Sim, esta ainda eh a terra da liberdade de expressao onde um individuo pode colocar na internet os locais onde costuma ir vigiar criancas porque, embora se confesse atraido por elas diz nunca ter actuado sobre esses instintos (ou nunca foi apanhado); ou onde a ACLU defende o direito de expressao do Senador Craig, mesmo quando esse direito passa por propor sexo a outros homens em casas de banho publicas.
Eu vi essa notícia na RTP na 4ª de manhã.
E bom nem sei o que dizer, era uma conferência com perguntas e respostas numa escola/universidade não pode um aluno fazer a sua questão? E era mesmo necessário electrocuta-lo?
Concordo inteiramente contigo caro Filipe e com o update que fizeste. Excepto num ponto. O Kerry queria responder as perguntas pertinentes que o Andrew fez/queria fazer. O Andrew eh que nao estava interessado em ouvi-las. Nao houve ali nenhum complot para o silenciar. O que houve foi um escalar da situacao que degenerou num ataque exagerado por parte da policia.
que miséria de país qem que os estudantes não podem dizer o que lhes vai na mente....
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