quinta-feira, agosto 23, 2007

quarta-feira, agosto 22, 2007

Atum Chávez


Quase uma semana depois do terramoto que assolou o Peru, os moradores de quatro das localidades atingidas receberam latas de atum com a cara de Hugo Chávez. Tal como a presidência de Chávez na Venezuela, as conservas não trazem prazo de validade.

quinta-feira, agosto 16, 2007

The King Lives

Elvis Presley morreu em 1977, neste mesmo dia de Agosto, ou pelo menos é o que a grande maoria acredita. Mas nos EUA, 14% dos inquiridos continuam a pensar que o Rei continua vivo e de saúde, e que a sua morte não passou de uma encenação com o objectivo de escapar a supostas ameaças por parte da máfia, ou de fugir às pressões da fama. Noutros casos de realeza, como no que respeita ao Rei D. Carlos, morto a tiro em 1908, custa a crer que haja alguém sequer capaz de colocar a hipótese de uma encenação, embora já tenham chegado a perguntar-me se é verdade que na série sobre o Regicídio vamos pôr a hipótese de D. Carlos ter sobrevivido (vejam a caixa de comentários deste post, que na altura intitulei "D. Carlos has left the building", sem pensar na ironia acrescida que o título teria depois desta questão absurda). Mas quando o assunto toca Elvis Presley, uma figura que já há muito conquistou o estatuto de lenda, vale a pena embarcar em suposições fantasiosas, como o artigo de Nik Cohn, publicado no mês passado, em que um Elvis de 72 anos fala sobre si próprio; memórias de um homem que nunca quis o estatuto de santo que o tempo lhe foi trazendo, e que enfrenta agora a morte que, segundo Cohn, encenou há 30 anos.

A imagem de um Elvis velho e a sofrer desta mesma doença terminal (cancro da próstata) já ganhara corpo em 2002, no brilhante filme que Don Coscarelli fez a partir do conto de John R. Landsdale, Bubba Ho-Tep, onde outro dos meus ídolos, Bruce Campbell (na foto), veste a pele de um Elvis depauperado, fechado num asilo onde ninguém acredita que ele seja o verdadeiro Rei (por falar nisso: a prequela Bubba Nosferatu and the Curse of the She-Vampires tem estreia agendada para 2008). A ideia de um Elvis Presley ainda vivo, a observar de longe a derrota nos tribunais, em meados dos anos 80, do seu arqui-inimigo (o manager Tom Parker; e que melhor e mais provável vilão dedicado a destruir a vida de um artista que o seu próprio manager?), e a constatar incrédulo a adoração de que é alvo por milhares e milhares, é uma hipótese tão mítica quanto o próprio Elvis. E daqui a outros 30 anos, quando, a estar mesmo vivo, ele já tivesse 102 anos, vai continuar quem jure a pés juntos que Elvis está hoje à frente de uma estação de serviço no Nevada, ou a beber cocktails exóticos nas praias do Havai, palco das muitas produções cinematográficas que interpretou, na época motivos de uma queda brutal da sua popularidade, mas hoje verdadeiros objectos de culto; e onde, em 1973, actuou, mais precisamente no Centro de Convenções de Honolulu, naquela que foi a primeira transmissão via satélite de um programa de televisão, com mais espectadores do que as pisadas inaugurais de Neil Armstrong na lua. Um hit, portanto.

Elvis Presley nunca concretizou o sonho de interpretar Don Vito Corleone, papel que acabaria por ser entregue a Marlon Brando, mas será sempre uma espécie de padrinho dos Cebola Mol (a par de David Bowie, ou não fosse Stardust o nosso apelido), na medida em que quando eu e o Eduardo estávamos a (des)compôr os primeiros temas daquele que viria a ser The Very Best Off The Essential - Vol.II, o Rei estava sempre a soar, quer na aparelhagem, quer nos nossos corações rústicos. Ritual que já vinha das horas passadas a escrever os sketches da Conversa da Treta para a rádio. Elvis era faixa negra de Shotokan, mérito que dividimos, e garanto-vos que sentia o espírito do Rei baixar em mim - como se diz no Brasil - de cada vez que encenava em palco alguns movimentos de Karaté, no início das primeiras actuações dos Cebola. Ou era o espírito do Elvis, ou era a medicação a fazer efeito, das duas, uma.

Um facto menos conhecido da História Elvisiana, a par da sua tendência para destruir televisores a tiro quando o programa não lhe agradava, é a origem do visual que adoptou nos anos 70, durante as suas inúmeras (mais de 1000) actuações em Las Vegas. O mítico jumpsuit, nas suas várias versões, tem origem noutro gosto que, tenho o privilégio de poder dizer, partilho com o Rei: os comics. Elvis Presley era fã acérrimo do personagem Captain Marvel Jr., e o jumpsuit é inspirado no uniforme do jovem herói. Nos videos que deixei aí em baixo há um excerto de um documentário que fala exactamente disso.

Até onde me diz respeito, Elvis Presley está vivo e continua a lançar discos, como é o caso deste best of (mais um) lançado agora: 52 temas de puro ouro rock 'n' roll, country e gospel, gravados entre 1954 e 77 como só Elvis sabia interpretar. O álbum é muito apropriadamente intitulado Elvis The King, e mesmo que já se tenham a maior parte destes temas noutros cd's, a simples presença da versão ao vivo de "Are You Lonesome Tonight?", em que o Rei, durante uma actuação ao vivo a 3 de Abril de '60, começa a rir no início da música e continua a rir até depois de ela acabar (sem deixar muito espaço para trautear a letra original), justifica a aquisição desta colectânea. Elvis Presley está vivo ao ponto de poder morrer todas as noites durante duas semanas, na marcante interpretação que o Tónan Quito fez do bombista/Elvis ("Eu sou a minha própria bomba."), sugerido pelo texto do Joaquim Horta, "Dispersão ou Simulacro de Urgência", incluído nas Urgências 2007.

Deixo aqui um apanhado do muito de Elvis que se encontra no estaminé You Tubiano. A saber: O videoclip possível em 1957 de “Jailhouse Rock”; “Blue Christmas” - Elvis em full black leather, visual entre Johnny Cash e Vitor Gomes (a voz dos Gatos Negros), no especial de Natal que fez para a NBC, actuação que marcou o seu comeback, e onde Elvis faz uma breve e ligeira imitação de Porky Pig (aliás, Mel Blanc, que fazia as vozes de 99,9% dos Looney Tunes, e também gravou a sua própria versão da música); um dos meus temas favoritos, “In The Ghetto”, ao vivo em Las Vegas (1970); a genial actuação de 1973, no concerto Aloha from Hawaii - ao som de “Suspicious Minds”, Elvis leva as fãs ao rubro quando beija uma delas; “Are You Lonesome Tonight?”, 1977, a escassas semanas da sua morte, em que Elvis volta à rotina de aldrabar a letra e começar a rir a meio da música (aqui parece evidente que se esquece mesmo da letra), provocando o aplauso da multidão emocionada; o desfecho desse mesmo concerto, a dolorosa e pungente interpretação de “Unchained Melody”, (“Ladies and Gentlemen, Elvis has left the building”); o trailer de “Elvis Adrenaline ‘71”, documentário com imagens raríssimas onde o Rei demonstra bem os seus dotes marciais e se revelam muitos jumpsuits até agora desconhecidos da maior parte do mundo; e o já referido excerto do documentário onde se fala das muitas influências de Captain Marvel Jr. na vida do artista. Ora rejubilem lá um pouco com estes fragmentos de uma lenda.




A rodar na FHfm, "Love me tender".

Couch potatoing

A NBC disponibilizou videos promocionais de JOURNEYMAN, CHUCK, e BIONIC WOMAN, as três novas séries anunciadas para este Outono de que dei conta aqui. Factor de interesse acrescido para JOURNEYMAN: o protagonista é Kevin McKidd, o Lucius Vorenus de ROMA. Prevista está também a estreia de LIFE, mas é BIONIC WOMAN que continua a gerar as maiores expectativas. Vejam os clips e digam de vossa justiça.


quarta-feira, agosto 15, 2007

Óbitos


Ingmar Bergman


Michelangelo Antonioni



Lee Hazlewood


Tony Wilson

Elegias aqui, aqui e aqui.

terça-feira, agosto 14, 2007

segunda-feira, agosto 13, 2007

Californicação

A par da 3.ª temporada de Erva, o Showtime continua a apostar em temas quentes e estreia hoje Californication. Não, não é o álbum de 1999 dos Red Hot Chili Peppers, é o título da série que poderá marcar o regresso em grande de David Duchovny ao pequeno ecrã depois de X-Files e de uma passagem pelo cinema em filmes muito fraquinhos (embora eu, confesso, tenha achado alguma piada a Evolution). O episódio piloto parece ter sido bem recebido pela crítica e pelos espectadores que já lhe botaram olhos em cima via esse maravilhoso botequim de ante-estreias que é a web. Se Californication chegar a Portugal, o que é bem provável, tenho grande curiosidade em saber como vão traduzir o título. Fiquem com esta antevisão, e vejam lá se a coisa não promete. Mais a mais, a série traz Natascha McElhone, que já não tinha um papel à altura desde o Solaris de Steven Soderbergh. Parece que é desta.


Já que estamos com a mão na massa, vejam também este clip promocional da 3.ª temporada de Erva, em que no programa da manhã de Agrestic se fica a saber como fazer uma deliciosa sobremesa de maçãs e... marijuana. E um boletim meteorológico como só Kevin Nealon poderia apresentar.

Afonso Costa

"Nós não temos absolutamente nada (...) o País à beira da ruína; o desgraçado consumidor a braços com o imposto de consumo, que o leva à tuberculose e à miséria; o contribuinte cada dia mais incapacitado de pagar as contribuições sempre crescentes; o proprietário disposto a abandonar as suas terras; o viticultor impossibilitado de colocar os seus vinhos. (...) Que país é este, em que o sufrágio popular - base essencial de toda a democracia - é assim menosprezado, apesar de tanto falar dele, até com abuso, o Sr. Presidente do Conselho? Que país é este em que se dá preponderância numérica, e portanto de voto, à Câmara dos Pares, numa comissão parlamentar de contas públicas? (...) Não há aqui somente um enxovalho sempre possível à comissão parlamentar de contas públicas. Há mais: há um embaraço absoluto e permanente ao exercício da função judiciária, à missão moralizadora e punitiva, que compete aos diversos órgãos judiciários sobre os responsáveis pela Fazenda Pública. (...) Para quem foram esses dinheiros? Quem autorizou essas despesas ilegais? Por que razão são precisos créditos especiais para o encerramento das respectivas operações? O Governo nada diz! Oferece à Nação a esfinge do artigo 48.º e cala-se! Também os Srs. Luciano de Castro e Hintze Ribeiro, apesar de incitados a isso, nada têm dito do que se passou nos seus diversos consulados. A esse respeito - para me servir de uma frase muito do agrado do Sr. João Franco, os dois chefes rotativos têm guardado de Conrart o prudente silêncio. O Sr. Presidente do Conselho também guarda esse prudente silêncio. Somente quando lhe perguntaram deste lado da Câmara se no artigo 48.º das bases do projecto estava envolvida a regularização de alguns adiantamentos à casa real, o Sr. João Franco levantou-se prontamente, e disse por uma forma positiva o seguinte: «Que, se mais cedo tivesse falado nesse assunto, mais cedo veria confessado que realmente se haviam adiantado dinheiros à casa real; que declarava, porém, do modo mais positivo e terminante, que esses adiantamentos não seriam liquidados deste modo, pelo alçapão enigmático do projecto; que haviam de ser regularizados por outro meio, o qual constituiria um projecto de lei especial; que reserva, no entretanto cuidadosamente a sua iniciativa sobre a oportunidade da apresentação desse projecto à Câmara.» No primeiro dia o Sr. João Franco chegou mesmo, no calor da sua palavra incontinente, a fazer a afirmação - que aliás não foi mantida na sessão seguinte - de que nós, os deputados, não tínhamos o direito de interrogar o Governo sobre o assunto, porque - cómica razão! - esse assunto era objecto de um projecto de lei, tal como, por exemplo, o da contabilidade, o da reforma eleitoral e o do juízo de instrução, para o qual o Governo reservava a sua iniciativa libérrima para o apresentar às Câmaras quando entendesse, e na oportunidade que lhe parecesse, para só então ser discutido e apreciado! (...) Não tenha o Sr. Presidente do Conselho ilusões. O País está, não só profundamente alarmado, mas profundamente irritado e resolutamente decidido a não consentir nos propósitos do Governo a este respeito. O Sr. Presidente do Conselho pode e deve ser obrigado a trazer à Câmara, o mais cedo possível, os documentos relativos aos adiantamentos. (...) O País não transige com crimes, nem com criminosos; nem admite ao Sr. Presidente do Conselho que S. Ex.ª se coloque no papel de encobridor, transformando assim a sua vida pública e a sua própria vida pessoal, de sorte a não poder continuar a merecer o conceito em que é tido pelos seus amigos e pelos seus adversários, que o respeitam. (...) Praticou-se um crime, que ninguém pode desculpar, que o chefe do Governo não pode encobrir. (...) O arrependimento do rei ficou bem claro, no dia em que falou na Sociedade de Geografia, declarando, ainda antes de estar regularizada a sua situação, de ter restituído o que indevidamente recebeu, que era necessário que o País tivesse uma administração honrada e honesta. Pedir uma administração honesta e honrada quem não teve ainda a honestidade e a honradez de pagar à Nação o que indevidamente desviou dos cofres públicos... é, pelo menos, assombroso! (...) A Nação ordena, e declara indispensável, que essas pessoas reponham as quantias desviadas, com todos os juros, sem excepção de uma só verba; declara formalmente que não consentirá no aumento da lista civil, nem em qualquer regularização, nem em outro modo acomodatício de pagamento. E mais ordena o povo, solenemente, que, logo que tudo esteja pago, diga o Sr. Presidente do Conselho ao rei: retire-se, Senhor, saia do País, para não ter de entrar numa prisão, em nome da lei! (...) Por muito menos crimes do que os cometidos por D. Carlos I, rolou no cadafalso, em Franca, a cabeça de Luís XVI!"

Discurso de Afonso Costa, deputado republicano, na Câmara dos Deputados a 20 de Novembro de 1907 (excertos).
Discurso completo aqui.

Manhãs com antenas e Tejo

Podia ser o (mau) nome de um programa de rádio das manhãs, mas é só o (mau) nome de uma foto de agora; uma noite de trabalho que se transformou em dia e segue em frente.
Manhãs com antenas e Tejo

sexta-feira, agosto 10, 2007

Corrupção

Apesar de continuar a trabalhar na série do Regicídio, outros programas que estou a escrever, como o Contra, entraram de férias no final do mês passado. Enquanto o Contra não regressa, para uma nova temporada a partir de Setembro, fiquem com imagens exclusivas e uma visita aos bastidores da primeira produção dos Filmes Benfica: "Corrupção", baseado no livro de Creolina Salgado, escrito por Leonor Lampião e realizado por João Bedelho. 16 minutos divididos em dois clips no You Tube, originalmente exibidos na RTP 1 a 22 de Junho.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Edinburgh Fringe 2006 (mais re-posts)

A edição deste ano do Fringe arrancou dia 5 e segue a todo o vapor. Infelizmente este ano não vou estar por lá a consumir espectáculos como se não houvesse amanhã. Vêm a calhar mais algumas fotos que tirei com o telemóvel e textos que escrevi o ano passado no meu extinto moblog da Textamerica, dando conta do ambiente que se vivia em Edimburgo no ano passado. Cliquem nas fotos para vê-las maiores.

Pleasance Courtyard / 3
Uma das bilheteiras da Pleasance, esta para levantamento de bilhetes pré-comprados. A zona do lado esquerdo da parede está coberta por inúmeros recortes das referências aos espectáculos feitas na imprensa. Infelizmente, não consegui bilhetes para alguns dos espectáculos a que mais queria assistir; p.e., HOW TO BUTCHER YOUR LOVED ONES, de ANDREW LAWRENCE, um humorista vencedor do New Comedy Award da BBC que apresentava neste Fringe o seu espectáculo de estreia. Tão pouco consegui ingressos para qualquer uma das apresentações de MARK WATSON, fosse o I'M WORRIED THAT I'M STARTING TO HATE ALMOST EVERYONE IN THE WORLD, ou MARK WATSON AND HIS AUDIENCE WRITE A NOVEL, espectáculo que, como o nome indica, consiste na escrita de uma história com o auxílio do público, uma nova abordagem à comédia de improviso (ou improv-comedy; se dizemos 'stand-up comedy', porque não manter o inglês também neste caso?). O mega-esgotado Mark Watson também apresentou MARK WATSON'S SEEMINGLY IMPOSSIBLE 36-HOUR CIRCUIT OF THE WORLD, um espectáculo de 36 horas com Mark e a sua mulher, que já se tornou objecto de culto no Fringe. Infelizmente, aconteceu nas 36 horas anteriores à minha chegada à Edimburgo, por isso também terá de ficar para a próxma. No ano que vem vou reservar bilhetes para este senhor com a devida antecedência. O mesmo é válido LUCY PORTER, com o número THE GOOD LIFE, que já o ano passado tinha esgotado todas as datas do seu espectáculo.
Acabei por ver a estreia mundial do novo de PETE CAIN, THE IDEA HUNTER, um número de stand-up morninho que, menos pela temática (até tinha o seu potencial: partia da ideia que era indispensável começar a matar certos grupos de pessoas para garantir um futuro melhor), e mais pela abordagem e o tom arrastado com que Pete Cain debitava as suas ideias sobre o mundo, se limitava a provocar um ligeiro sorriso na audiência de pouco menos de 100 pessoas, sendo raras as vezes que conseguiu arrancar uma gargalhada.
Na Pleasance, mais exactamente na Pleasance Courtyard Cabaret, um bar que, apesar das 13:10 a que o espectáculo começava, já via a maior parte dos presentes com cervejas nas unhas, recriando um ambiente de que me lembrava das noites do Comedy Store em Londres há uns bons dez anos atrás, assisti também a BEST OF EDINBURGH COMEDY - THE SHOWCASE SHOW. Uma hora com pequenas apresentações de vários dos 'stand-upistas' presentes este ano no Fringe, diferentes todos os dias, que valeu mais pela prestação do mestre de cerimónias PATRICK MONAHAN, também ele com um número no festival, DO THE RIGHT THING, e menos, por exemplo, por Steve Day, humorista da Radio 4 que se gaba de ser o único comediante surdo do Reino Unido. Sorte a dele, não tem de ouvir as próprias piadas.
Os melhores espectáculos a que assisti na Pleasance foram sem dúvida MARLON BRANDO'S CORSET e o MUM'S GONE AWAY dos PLASTIC COWBOYS, sobre os quais falarei com maior detalhe noutra altura.

Foto enviada a 17/08/06, 2:40pm
Texto publicado originalmente a 25/08/06, 4:50pm


Pleasance Courtyard / 4
À medida que vão saindo as críticas aos espectáculos, pelo The Scotsman, o Guardian, e outras publicações, os muitos pósteres espalhados pelas paredes de Edimburgo vão sendo cobertos por outros folhetos com as estrelas dadas e excertos das críticas. Quando, ao fim de duas semanas, os pósteres não estão cobertos por outros folhetos, é mau sinal – indício de que as críticas não foram assim tão boas.

Foto enviada a 17/08/06, 2:44pm
Texto publicado originalmente a 25/08/06, 3:42pm


Pleasance Courtyard / 5
Foi o único momento em que vi estas escadas da Pleasance vazias. De todas as outras vezes, fosse noite ou dia, estavam cheias de gente a descer e a subir, rumo às diferentes salas de espectáculo e bares. À esquerda, no andar de baixo, as casas de banho masculinas do Pleasance, onde as paredes estão repletas de piadolas rabiscadas, naquilo que já se tornou tradição do Fringe. Há aliás uma piada/rotina à qual é costume acrescentar mais qualquer coisinha, e que vai por isso crescendo ao longo dos anos. Não dei por nada, porque nunca fiquei mais tempo que o indispensável nas casas de banho. O aroma resultante das necessidades de centenas de visitantes bebedores de cerveja tornava a tarefa praticamente impossível. Também, quem é que vai ao Fringe para escrever nas paredes dos WCs? Convenhamos.

Foto enviada a 17/08/06, 5:41pm
Texto publicado originalmente a 25/08/06, 6:20pm


Royal Mile / 1
Todo o caminho até ao castelo de Edimburgo, extensão que inclui grande parte da High Street, Lawnmarket, e Castelhill, é fechado ao trânsito durante o mês de Agosto, não só por causa do Fringe, mas também para facilitar o acesso ao espectáculos diários da Military Tattoo, onde portentos do mau-gosto, como aquele tema do Titanic cantado pela Céline Dion, são interpretados por uma banda militar armada de gaitas de foles e sintetizadores, para gáudio de uma multidão de gente, na sua grande parte da terceira-idade, que se acotovelam nos milhares de lugares nas bancadas construídas à porta do castelo de propósito para o efeito. A Royal Mile, assim é chamada esta extensão, é a zona mais viva de Edimburgo durante este mês. É aqui que se concentra a maior parte de distribuidores de flyers dos milhares de espectáculos presentes no Fringe, e não são raras as vezes que encontramos os próprios actores na rua a distribuir esses folhetos promocionais. Desde 1947, ano em que houve a primeira edição do Fringe, que é na Royal Mile que os artistas dão a provar aos transeuntes um pouco dos seus espectáculos. Lado a lado com artistas de rua, que vão desde os irritantes homens-estátua, passando pelos contorcionistas, rockers, malta do hip-hop, e acabando naqueles que não se percebe muito bem o que é que estão exactamente a fazer, encontramos pequenos palcos montados com o patrocínio do Royal Bank of Scotland onde os vários artistas do Fringe fazem os seus showcases, esperando assim recrutar mais gente para os seus espectáculos. O tom é de festa geral, com toda a gente a tentar ser mais apelativa que o vizinho do lado, o que, aliado à natural simpatia e alegria dos escoceses, contribui para um ambiente absolutamente fantástico a que se convencionou chamar de ‘muito boa onda’.

Foto enviada a 17/08/06, 5:45pm
Texto publicado originalmente a 18/09/06, 6:43pm


Royal Mile / 2
A noiva que aqui vêem, abandonada em plena Royal Mile, estava a promover uma peça em cena no Hill Street Theatre, WAITING FOR ROMEO, um mix da peça de Shakespeare ROMEU E JULIETA com HEDDA GABLER de Ibsen. Por falar em HEDDA GABLER - foi também no Hill Street Theatre que assisti a esta peça, uma simpática adaptação de Judith Elliot concretizada numa não menos simpática performance, com especial destaque para a actriz da companhia Open Secret que interpretava o papel de Hedda Gabler, uma romena de seu nome Gabriela Baciu com um sotaque tão british que era capaz de fazer inveja a muito actor nascido em Inglaterra. O Hill Street Theatre, aliás, dedicou grande parte da sua programação à obra do norueguês Henrik Ibsen, por ocasião do centenário da sua morte. Curiosidade: a actriz que interpretava a tia Juliana teve de ser substituída à última hora, devido a uma fractura na anca. Ou deu uma queda, ou esteve também ela sentada nas cadeiras da plateia, que eram garantia de aleijar qualquer coisa, se não a anca de certeza as costas. As minhas que o digam.

Foto enviada a 19/08/06, 3:04pm
Texto publicado originalmente a 25/08/06, 7:37pm


Royal Mile / 3
A Royal Mile numa tarde de sábado, bastante mais congestionada do que nos dias da semana. A ocasião em que vi esta rua mais cheia de gente foi na noite deste mesmo sábado, quando os artistas e espectadores do Fringe se misturaram com os visitantes de fim de semana, a malta que estava simplesmente a dar uma volta e a beber uns copos (não que isso seja incompatível com o ser espectador do Fringe - faz, aliás, parte), e os milhares de pessoas que começavam a descer do castelo depois do fim da actuação do Military Tattoo. Dos 8 ao 80, tudo em festarola. Assim é Edimburgo em Agosto.

Foto enviada a 20/08/06, 6:01pm
Texto publicado originalmente a 26/09/06, 2:45pm

Mais re-posts sobre o Fringe aqui

quinta-feira, agosto 02, 2007

Byron Garcia, o Marco di Camilis filipino

Cadeia nas Filipinas obriga detidos a dançar.

O video original colocado no You Tube com a coreografia do "Thriller" teve mais de 3 milhões e meio de visitas em duas semanas. Visitem aqui o canal onde Byron Garcia, consultor de segurança do governo filipino da província de Cebu e autor desta ideia revolucionária, tem vindo a colocar desde Outubro do ano passado videos com várias coreografias dos detidos. Pérolas como "YMCA" dos Village People, ou "Radio Ga Ga" dos Queen. O próximo projecto é "Ice Ice Baby" de Vanilla Ice. Épico.