terça-feira, julho 31, 2007

D. Carlos has left the building.

Aposentos do Rei D. Carlos no Palácio Nacional da Pena

Eu e o Mário Botequilha terminámos há minutos de escrever a série do Regicídio. Várias versões de cada um dos 6 episódios, até chegarmos a estas que vamos agora analisar com o realizador Fernando Vendrell e a equipa de produção da David & Golias, para incorporar sugestões e fazer modificações de acordo com eventuais contingências de produção. Depois disso, ainda queremos rever diálogos, pormenores de estrutura, tom e ritmo, mas o maior volume de trabalho está feito. Foram meses de pesquisa, definição de conceito, desenvolvimento e escrita que estão prestes a chegar ao fim. A enorme equipa que se tem andado a preparar para dar vida aos nossos guiões já arrancou com a produção. As gravações começam em breve.

O livro vai ter meia página

domingo, julho 29, 2007

Falei com ela

Repete hoje, às 7 da tarde na Radar, a conversa que tive com a Inês Menezes no seu programa Fala com ela, a propósito das Urgências, da série do Regicídio, d'O Horror iNominável, do Contra, dos Cebola Mol, do Hora H, do documentário Curiua-Catu que me levou à selva amazónica profunda em 2002, da maneira como hoje em dia os funcionários públicos estão para o governo como os cartoonistas dinamarqueses estiveram no ano passado para Maomé, e de outros tantos assuntos, que as conversas são como o cerejedo.

Urgências 2007: hoje, último dia

sexta-feira, julho 27, 2007

Spider Pig, Spider Pig

Entre as muitas críticas ao filme dos Simpsons que se podem encontrar no Rotten Tomatoes, há uma que apanhei pelo canto do olho e que diz qualquer coisa como "É um episódio de hora e meia. E o vosso problema com isso é...?". Foi essa a sensação com que fiquei à medida que avançava o dito filme, estava a ter a oportunidade única de ver todos os familiares habitantes de Springfield com cinco metros de altura num episódio de maior duração do que é normal. E a adorar. Tudo o que de melhor têm as muitas temporadas da série está de certa forma presente no filme dos Simpsons, num esforço notável por parte de 11 dos argumentistas mais frequentes da versão televisiva e da equipa de animadores, que usa e abusa das piadas visuais e do humor físico (ou não estivéssemos a falar de desenhos animados). A herança do pequeno ecrã é de tal maneira assumida que se torna muitas vezes parte do gag, em múltiplas e brilhantes piscadelas de olho ao público de quase duas décadas, mas sem descurar a possibilidade de haver um eremita, algures, encafuado numa caverna no quinto dos Infernos, que nunca tenha tido qualquer contacto com o universo simpsoniano. Também esse poderá apreciar o filme pelo que ele é. E que filmaço.
O facto de ser cinema permite que o nível de detalhe de cada cena seja maior - as cenas de multidão enraivecida, por exemplo, são um banquete visual tão mais vibrante quanto mais se afastam da parafernália habitual do cinema de animação. Mas nunca há tempo - e ainda bem - para respirar e apreciar recostado a bonitura de tudo aquilo: o timing imposto é o da comédia alucinante a que estamos habituados da série, e as piadas sucedem-se a um ritmo avassalador, contangiante, que fazem avançar uma história de contornos épicos.
Se o filme propriamente dito levou três anos para ser produzido, a verdade é que o grau de refinamento das personagens e do tom que se encontra em The Simpsons Movie só é possível porque se trata de um universo com quase duas décadas. Está tudo apurado ao máximo, como o bacalhau que se deixa de molho na véspera para ser devidamente degustado no almoço do dia seguinte. O filme enche a barriga de tal maneira que saímos da sala dispostos a esperar um pouco mais de uma semana pela sequela. Mas vá lá - daqui a um mês, quinze dias, já se via o próximo, não?

quinta-feira, julho 26, 2007

Estreia, ó gloriosa e donútica estreia


The Simpsons Movie: provavelmente o filme mais aguardado em 2007 e aquele para o qual estão reservadas as mais chorudas receitas de box office do ano. A série criada por Matt Groening e produzida por James L. Brooks surgiu em 1989 como spin-off do Tracey Ullman Show, quando imperava o deserto de séries de animação destinadas a um público (mais) adulto. Depois seguiram-se novos fenómenos, como South Park, Family Guy, American Dad, séries de animação que, sem o constrangimento de serem exibidas num canal generalista, levaram mais longe o tom politicamente incorrecto. South Park, com apenas 2 anos de emissão, chegaria aos grandes ecrãs, com o soberbo Bigger, Longer and Uncut; Family Guy, ao 8.º ano de existência, também prepara a sua longa-metragem. Já os Simpsons esperaram 400 episódios e quase duas décadas para se atirarem à tela, e eis que após a ante-estreia na Springfield de Vermont, chegam hoje às salas de cinema de todo o mundo rodeados da expectativa reservada às instituições. A portentosa campanha de marketing que nos EUA transformou várias lojas de conveniência em Kwik-E-Marts, onde se podem encontrar os até agora só-da-série-conhecidos Squishee, Buzz Cola, e Krusty O's, é mais uma prova - como se mais provas fossem necessárias - da força tsunamica deste franchise. A Susana Romana, por estas alturas em NYC, deitou mão a uma destas pérolas de diabetes e deu conta do evento no Pecado da Preguiça. É salivar perante a visão daquele donut cor-de-rosa, como forma de aliviar a tensão arterial enquanto não chega a hora de assistir ao filme.

terça-feira, julho 24, 2007

Parabéns, Wonder Woman


Hoje, aniversário de Lynda Carter.

A rodar na FHfm, o tema da série Wonder Woman de 1976.

77 milhões de pinturas


O fim da pintura estática. Duas pessoas nunca verão a mesma imagem a não ser que olhem para ela em simultâneo, apesar de estarem em locais diferentes. Um screensaver arty - não é mais que isso - com um conceito forte por trás a demonstrar que Brian Eno está ciente da relação que os utilizadores actuais mantêm com os computadores e das características técnicas do hardware vulgarizado. Mas é mais intenção que resultado, o tipo de reflexão acerca de um meio que se esgota no enunciado e sobrevive depois apenas a nível estético (também ele bastante finito). Nada contra, mas falta-lhe o espaço de interacção para além da hipótese de definir a velocidade de mudança das imagens. A imprevisibilidade das pinturas que vão aparecendo, o poder que o público tem de terminar a relação com a(s) peça(s) quando assim o decide - nada disto é novo, se olharmos para além das palavras. Enquanto experiência online, fica à porta da web 2.0 por não oferecer nada ao prosumer (producer/professional+consumer).
Por falar em prosumer: ainda não vi ninguém utilizar este termo em português, por isso sinto-me à vontade para usar a versão já adoptada por nuestros hermanos, prosumidor, que faz também em português todo o sentido (atenção: isto não é, de forma alguma, factor que justifique o apoio aos actuais propósitos iberistas saramaguísticos).
Voltando aos 77 Milhões de Pinturas: visitem o site e ouçam os esclarecimentos de Brian Eno, o próprio. O carácter hipnótico das imagens tem sempre o seu quê de apelativo, mas enfim - também os geradores aleatórios de padrões do Windows Media Player ou do iTunes o têm, embora nada de tão refinado como estas pinturas mutantes. Brian Eno define isto como música visual. Dele prefiro a música para escutar, mesmo que pensada para funcionar com instalações visuais. (A rodar na FHfm, "Triennale", do álbum The Shutov Assembly, gravado entre 1985 e 1990.) Mas caminhar por vários corredores repletos de monitores com estas pinturas, ou tê-los espalhados pela casa como Eno deseja que venha a acontecer, até era capaz de ter a sua graça...

...embora eu, a ter de escolher, preferisse um loop do video de Benny Benassi que postei abaixo. Chamem-me sensível.

segunda-feira, julho 23, 2007

Benny Benassi tem os melhores videoclips do mundo.


Versão não-censurada aqui.

Erva

Diz que a 2.ª temporada de Weeds é ainda melhor, mas a 1.ª não está nada mal, não senhores, digo eu, que já a vi toda e aconselho vivamente. Conta a história de uma viúva que, para sustentar casa e filhos, começa a vender marijuana, e estreia por cá na RTP 2, hoje às 22h40. Com as interpretações, entre outros, de Mary-Louise Parker e Kevin Nealon (de quem talvez se recordem do SNL), a série é escrita por uma vasta equipa de argumentistas, como por exemplo, Jenji Kohan e Roberto Benabib, malta já com alguma experiência em sit-coms e séries como Will & Grace, Ally McBeal, e O Sexo e a Cidade. Cada episódio começa logo bem, com o magnífico tema "Little Boxes", de Malvina Reynolds, a acompanhar uma bela sequência de genérico que deixa bem vincada a normalização da classe média suburbana dos States, neste caso de Agrestic, comunidade fictícia da Califórnia.


Pete Doherty pré-junkie

Na senda dos posts abaixo, o João Mealha deixou o link para este video de Pete Doherty pré-Libertines e Babyshambles. Eu diria que Doherty evoluiu bastante, tendo em conta que hoje em dia é um junkie deprimente, e à data deste video estava na fila para comprar um disco dos Oasis.

domingo, julho 22, 2007

sábado, julho 21, 2007

quarta-feira, julho 18, 2007

segunda-feira, julho 16, 2007

O Horror iNominável #07:
O iNferno de Látex - Parte II

(Update, 18/7 - 6:55 pm)
Hi_07_mobile
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(Update, 17/7 - 9:40 pm) Fiz o upload deste último Horror para o You Tube - não fica nem de longe nem de perto com a qualidade de imagem que tem a versão já disponível para download, mas aqui está, nesta playlist que inclui dois outros episódios, A Secreta, e O Horror chega à iNvicta. O download da versão para telemóvel ficará disponível entre hoje e amanhã e estou a considerar colocar online uma nova versão para iPod e Zen, mais leve, com 30 e tal megas em vez dos quase 90 daquela a que podem aceder agora. Isto porque sei que muitos de vocês têm demorado bastante tempo a fazer o download, e assim, com o ficheiro mais leve, a coisa fica mais rápida. E a qualidade da versão de 30 e tal megas, quando vista em pequeno ecrã, é praticamente a mesma da mais pesada.


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Hi_07_luvas
Ele aí está, depois de uma maratona de gravações e montagem feitas nos intervalos da chuva e em horas roubadas ao sono, eis que o episódio #07 d'O Horror iNominável dá à costa. O inferno de látex - Parte II, conclusão da saga iniciada no episódio anterior (há quase um ano!), onde o mistério por detrás da praga de preservativos é finalmente desvendado. Um épico que passa pelo Vaticano e conta com participações mega-especiais, uma das quais, talvez estejam lembrados, já aqui tinha referido. E chega - não vou falar mais no episódio que é para não estragar a surpresa. Podem fazer download do novo capítulo d'O Horror iNominável via iTunes (já com o símbolo de "explícito", que o conteúdo deste episódio assim o exige), Lusocast, ZENcast, ou podem aceder ao Horror via Blip.TV (embora seja mais prático utilizarem um dos agregadores).
Horror_iNominavel_07

A novidade é que este episódio do Horror também está disponível para Apple TV, e, mesmo que não possuam o aparelho, vale sempre a pena fazer o download para que o possam ver nos vossos computadores com ainda maior definição. Não se esqueçam que a versão para Apple TV não pode ser transferida para os vossos iPods - para esses gulosos basta fazerem o download da edição normal do videocast (não tem nada que enganar, é logo a primeira da lista, e aquela que, assim que fizerem a subscrição, começa a ser puxada).
Horror_iNominavel_07_p_Apple_TV

Amanhã disponibilizo também o episódio em versão para telemóvel. Já agora, uma nota para aqueles que só agora estão a ter contacto com O Horror iNominável: fiz um repost do webisódio #02 (A Secreta) e outro do Blooper iNominável (bloopers relativos ao 4.º Horror, O iPod de Bin Laden - Parte II), que estavam offline há algum tempo (o Archive.org, onde costumava alojar os episódios, não dá com os videos), e que agora estão novamente disponíveis para download nos sítios do costume. Horror à fartazana.

sábado, julho 14, 2007

sexta-feira, julho 13, 2007

Urgências na Prova Oral

A Cláudia Gaiolas e eu vamos estar hoje na Prova Oral em amena cavaqueira com o Fernando Alvim e a Rita Amado acerca das Urgências. Podem ligar para o 808 25 33 33 e juntarem-se à conversa. Das 7 às 8 na Antena 3.

quinta-feira, julho 12, 2007

Porno em 8 bits

Os jogos para adultos da Atari nos anos 80
(e o papel da indústria pornográfica na escolha entre o HD-DVD e o Blu-Ray)
via FlowTV.

Hoje vi

alguém que procurava palavras nos bolsos e à falta delas sacou de um porta-chaves carregado

uma mulher que enquanto ouvia aqueles por quem sente admiração imitava os cães de plástico que viajam na traseira dos automóveis

um homem desfigurado que julgava os outros pelo aspecto

quarta-feira, julho 11, 2007

Morceguita

Hoje: dia oficial do lançamento do Showcase da Batgirl (o All Star está entretanto confirmado e não vai ter lugar no universo de All Star Batman & Robin). Acumulam-se as razões para uma visita à Mongorhead. 1967: Batgirl / Barbara Gordon era apresentada ao mundo em simultâneo nos comics e na televisão. Este é um episódio de 7 minutos que nunca foi para o ar, e que alguns crêem ter sido uma proposta feita à ABC de um spin-off com a miúda-morcego. Outros, dadas as terríveis audiências que Batman estava a ter na altura, acreditam tratar-se apenas de uma tentativa de convencer o canal a comprar uma 3.ª temporada (o que acabou por acontecer). De qualquer maneira, é a primeira vez que a magnífica Yvonne Craig (na foto) veste o fato de Batgirl, numa altura em que existiam limites muito rigorosos para o nível de violência que as mulheres podiam exibir nos ecrãs. Talvez por isso a morcega, apesar de na sua identidade secreta ser bibliotecária, não hesite em atirar livros contra os criminosos para detê-los.

Então lá em Vulcano é assim, hein?

Atenção, Trekkies: isto é coisa para deixar qualquer fã de Star Trek de rastos, seja por revolta ("É vergonhoso, fazerem uma coisa destas aos deuses William Shatner e Leonard Nimoy!"), seja por causa de uma crise de aerofagia pós-ataque de risota. Seja como for, aqui fica a prova do que todos há muito desconfiavam. Kirk e Spock, ao som de "Closer" dos Nine Inch Nails.

terça-feira, julho 10, 2007

Não é Godzilla

A nova produção de JJ Abrams e a sua Bad Robot é uma longa-metragem da qual não se conhece ainda título definitivo (já foi referida como Cloverfield), realizada por Matt Reeves e escrita por Drew Goddard, um dos mais celebrados argumentistas de Buffy (mesmo só tendo sido autor de episódios da sétima e última temporada).

Do pouco que se sabe acerca do filme, e a partir do trailer que começou a passar antes de Transformers (não sei se por cá também, porque sou um nabo e ainda não fui ver o épico embate Autobots vs. Decepticons), terá a ver com o ataque de pelo menos uma gigantesca criatura à Grande Maçã, contada do ponto de vista de um pequeno grupo de indivíduos. A novidade neste género para mim inesgotável que é o de filmes de criaturas gigantes a devastar cidades poderá ser a maneira como está filmado, como se fosse todo ele captado por um amador apanhado com uma câmara no meio dos acontecimentos.

O filme está a gerar um buzz tremendo nos fóruns de internet e vão surgindo sites-mistério com ele relacionados (algumas fraudes, também), com puzzles para resolver e pistas acerca da história. Um ARG com propósitos de promoção viral (embora nada, pelo menos por enquanto, de tão refinado como a campanha dos NIN a Year Zero), ou não fosse JJ Abrams uma das carolas por trás de Lost, série que mais teorias tem originado online.

Das inúmeras hipóteses avançadas na web, que chegam a considerar ser a criatura sugerida no trailer baseada nos mitos de Chtulhu, de H.P. Lovecraft, já foi colocada de parte a hipótese de se tratar de um novo filme de Godzilla - não há qualquer hipótese disso acontecer antes da 2.ª década deste século -, teoria que foi negada de forma subtil pela própria produção ao incluir nos seus muitos puzzles um anagrama para a frase "It's not Godzilla".

Factor de extrema supimpidade é que, para cada milhão ou mais de nós que não tem tempo nem cabeça para dissecar todas as pistas e decifrar todos os puzzles, existe quem pareça viver para isso e não descanse enquanto não descobrir todas as soluções, mais uma mão-cheia de teorias alternativas porque só as soluções não chegam. Isto para dizer que, caso andem a picar os miolos com o site Ethan Haas Was Right, encontram um walktrough em Jay Is Games que vos vai facilitar muito a vida. Aliás, está lá a papinha toda feita.

O filme estreia no início do próximo ano, na data que também lhe vai servindo de título: 1-18-08, que é como quem diz, 18 de Janeiro de 2008.

Como realizador, JJ Abrams anda atarefado com uma série de TV para a HBO acerca de médicos e doentes terminais de cancro (ainda sem título), e o muito aguardado novo opus de Star Trek, uma prequela, ao que parece, escrita por Alex Kurtzman e Roberto Orci, a mesma dupla de argumentistas de M:I:III e Transformers. Enfim, é manter os dedos cruzados.

A partir de amanhã

Apresentação única, hoje às 22h00 no mmCafé.


Texto da newsletter:
“Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado; tempo para matar, e tempo para sarar; tempo para demolir, e tempo para construir; tempo para chorar, e tempo para rir; tempo para gemer, e tempo para dançar; tempo para atirar pedras, e tempo para ajuntá-las; tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se. Tempo para procurar, e tempo para perder; tempo para guardar, e tempo para esbanjar; tempo para rasgar, e tempo para costurar; tempo para calar, e tempo para falar; tempo para amar, e tempo para odiar; tempo para a guerra, e tempo para a paz”. Eclesiastes 3:1-8

Desafiada pelo Teatro Municipal Maria Matos a criar uma peça para o espaço do mm CAFÉ, Cláudia Gaiolas encena e interpreta um monólogo que Tiago Rodrigues escreveu para a actriz. O ponto de partida para a criação deste espectáculo é a ideia de “agenda”, de organização do tempo, de lista de sonhos, direitos e deveres, de como as leis que criamos para organizar a nossa vida podem ser as ferramentas da felicidade e, ao mesmo tempo, as paredes de uma prisão.

Links na moleirinha


A foto do post aqui em baixo fez-me lembrar de Bite Club e Bite Club: VCU, duas mini-séries escritas pelo grande Howard Chaykin (Blackhawk, American Flagg!, Black Kiss), e por David Tischman, desenhada por David Hahn e com capas fantásticas de Frank Quitely (a cada número de All Star Superman gosto mais do trabalho dele). A propósito desta história de vampiros mafiosos em Miami (o volume de 264 páginas com as duas séries sai a 29 de Agosto) dei por mim a pensar acerca da muito aguardada nova série de Alan Ball acerca de vampiros, True Blood (está a fazer um ano que a HBO deu luz verde ao projecto). E então deu-me vontade de reler I Am Legend, desse mito-vivo que é Richard Matheson. Daí, lembrei-me de ver se o trailer da adaptação para cinema já aí andava. E anda.

Ellen Stagg


Links:
*The Stagg Party
*Stagg @ Pressbook

(na área de celebs encontram esta foto de Stagg tirada a Scarlett Johansson e esta aos Tenacious D)

Nhó-nhi-nhé-nhó-nhi (tentativa em certa medida patética de reproduzir o som de Optimus Prime quando se transforma)

Sim, estou em alto grau de pulguedo para ver isto, apesar das reservas óbvias. A costela de fã da velha guarda empurra-me para o cinema enquanto a espinha dorsal de trabalho e prazos e tal me mantém fechado em casa. Já estes jovens (hoje se calhar mais velhos do que eu) têm mais do que uma costela de fãs. Eles têm pancada. Uma genial pancada.

segunda-feira, julho 09, 2007

Hoje é um dia com elevado índice de catitidade a nível televisivo

Estreia hoje às 21h00 na BBC Prime The Thick of It, por isso, se são assinantes do cabo, façam por não perder. Se o People+Arts parasse de exibir em loop a temporada de Doctor Who com Christopher Eccleston (é muito boa, pois é, mas duas vezes - pelo menos - já chega) e passasse finalmente à seguinte, com David Tennant (excelente, estou em condições de assegurá-lo, e desenvolverei o assunto mais à frente), estavam reunidas as condições para umas belas segundas-feiras de double feature. (Atenção, que esta nota não vos leve ao engano: The Thick of It vai passar não apenas às segundas, mas sim de segunda a sexta, sempre à mesma hora.)

Ver isto quase me deu vontade de aderir àquela coisa da reciclagem

Se tivesse assistido in loco começava já amanhã.

domingo, julho 08, 2007

É horrível. É inominável.

Hi_teaser_ep_07

É verdade: eu e o De Pina voltámos a calçar as luvas e fizemos o trabalho sujo que mais ninguém quer fazer. O Horror iNominável regressa ainda este mês com a conclusão da saga "O Inferno de Látex". E o gozo que deu gravar este episódio - os bastidores foram uma aventura por si só, também documentada em video. Mas uma coisa de cada vez. Enquanto o episódio #07 não chega, deixo-vos um teaser para abrir o apetite, disponível via iTunes, ZENcast e Lusocast (os links estão, como é costume, na barra lateral).

sexta-feira, julho 06, 2007

Casual Friday


Pendulum - "Slam"
(ou a dança depois da estreia de ontem)

quinta-feira, julho 05, 2007

Estreia hoje - URGÊNCIAS 2007


Peças curtas de
Inês Menezes, Joaquim Horta, José Luis Peixoto, José Maria Vieira Mendes, Mickael de Oliveira e Rui Cardoso Martins Interpretação Cláudia Gaiolas, Fernando Luís, Joaquim Horta, Margarida Cardeal, Rita Br
ütt e Tónan Quito Coordenação artística Filipe Homem Fonseca e Tiago Rodrigues Cenário e desenho de luz Thomas Walgrave Video Bruno Canas Sonoplastia e DJ’s ALX e RIOT Encenação Tiago Rodrigues Co-produção Mundo Perfeito, Produções Fictícias e Teatro Maria Matos

Hoje, dia 5, às 21h30, sobe ao palco do Teatro Maria Matos a 3.ª edição de um projecto ao qual estou ligado desde o início, em 2004, como um dos autores. A relação de trabalho que tenho vindo a desenvolver com o Tiago Rodrigues, quer nas edições anteriores das Urgências quer no Azul a Cores, tem neste espectáculo uma variante, uma vez que o Tiago, encenador deste espectáculo, me convidou a dividir com ele a coordenação artística das Urgências 2007. Pude assim abordar o teatro de um prisma diferente daquele a que estou habituado, e ter o primeiro contacto com textos de autores vindos das mais diversas áreas a quem foi colocada a questão “O que é que tens de urgente para me dizer?”; tive a oportunidade de discutir soluções, contribuir com ideias, ao nível do espectáculo como um todo, uma unidade que se pretende mais coesa do que nas edições anteriores, ao mesmo tempo que confere uma maior individualidade a cada uma das peças de cada um dos seis autores. Pude trabalhar novamente com o Bruno Canas (embora a sensação seja a de que, pelo menos desde o fim de Maio do ano passado, ainda não parámos de trabalhar juntos, não só na montagem a conta-gotas da versão filme de Azul a Cores como no episódio mais recente da Snack TV) e descobrir grandes afinidades musicais com ALX e RIOT (dos Buraka Som Sistema), os dois DJ’s que irão, todas as noites, construir a banda sonora do espectáculo. Reencontrei actores cujo trabalho, de ano para ano, encontro mais razões para admirar, gente como a Margarida Cardeal, a Cláudia Gaiolas, o Tónan Quito, o Joaquim Horta, e o Fernando Luís (ainda ontem, ao rever alguns episódios de Bocage em DVD, voltei a assistir maravilhado à brilhante interpretação que o Fernando Luís faz de António Bersane), e pude trabalhar com actores novos, neste caso uma actriz, Rita Brütt, que conheci durante os workshops dados por mim e pelo Tiago o ano passado no Maria Matos. O ensaio geral acabou há pouco e a vontade de abrir as portas para o público é imensa. Acho que o público que tem vindo a acompanhar as Urgências vai sentir uma grande diferença em relação aos anos anteriores. As Urgências 2007 continuam a seguir a lógica ‘textos escritos hoje, encenados hoje, para subirem ao palco amanhã’, mas têm uma vertente multidisciplinar que - esperamos - oferecem uma experiência mais rica a quem assiste, mais actual, mais de hoje. Porque um espectáculo de teatro anual que se pretende dos dias de hoje tem forçosamente de mudar de ano para ano, não só no conteúdo, mas também na forma e na abordagem. Quem eventualmente não esteja para queimar as pestanas a ler este post extenso e sem parágrafos, veja a microversão ultra-condensada neste meu depoimento para a PFTV:


E assistam aqui ao depoimento do Tiago Rodrigues:



A rodar na FHfm, Sub Focus com "Frozen Solid", um dos temas das Urgências 2007.

quarta-feira, julho 04, 2007

Óbitos



Dia 26 de Junho faleceu Filipe Ferrer e, hoje, Henrique Viana, dois actores de primeiríssima água que tive o prazer e o privilégio de ver interpretarem papéis escritos por mim na série Bocage. As suas mortes deixam o teatro, a televisão e o cinema portugueses mais pobres. Filipe Ferrer e Henrique Viana deixam-nos um legado inestimável de inúmeros trabalhos onde teremos sempre alguma coisa a aprender. O meu sincero obrigado.

terça-feira, julho 03, 2007

Hoje - 18h30 - Fnac Chiado - Apresentação da série BOCAGE em DVD


Com a presença do actor Miguel Guilherme, do realizador Fernando Vendrell, da directora-adjunta de programas da RTP São José Ribeiro, dos argumentistas Filipe Homem Fonseca e Mário Botequilha, e do músico Manuel Paulo Felgueiras.

Compareçam!

segunda-feira, julho 02, 2007

A 3.ª edição

Urgencias_2007_cartaz

Porque nem todos suspiram por Paris

Mika Brzezinski da MSNBC recusa-se a noticiar a libertação de Paris Hilton, mais ainda por ser a notícia de abertura, e só não pega fogo à papelada relativa a Paris porque o isqueiro não funciona.

A questão que se coloca, mais premente do que determinar o papel dos jornalistas na selecção das notícias que são ou não relevantes, é: que raio de nome é Brzezinski?

O que interessa é a beleza interior

Assim que o iPhone saíu nos EUA (na Europa só depois do Verão), a equipa do iFixit fez com o aparelho aquilo que faz com tudo o que é Apple: desmontou-o e deu a conhecer ao mundo os responsáveis pelo fabrico de todos os seus componentes. A descobrir aqui.
Entretanto, se quiserem ver alguém a tentar abrir um iPhone com bastante menos perícia, assistam a este video. Parece óbvio que estes rapazes nunca ouviram a expressão "é mais jeito que força", nem tão pouco uma das máximas de P.J. O'Rourke, "Never fight an inanimate object".

domingo, julho 01, 2007

Antes de falar dos concertos de Type O Negative (no Coliseu) e Metallica (no SBSR), algumas notas acerca do 1.º dia do festival

Atenção que aí vem post grandinho, por isso sentem-se numa posição confortável e preparem-se para alguns danos ao nível das retinas.

Prólogo: O público, um espectáculo por si só
Um facto curioso é que, durante a actuação de uma banda num recinto de grandes dimensões, é fácil perceber quais são os casais presentes que irão contrair o chamado matrimónio. Sempre que virem um indivíduo disposto a passar longas horas com uma garota sentada sobre os ombros enquanto esta grita juras de amor eterno aos tipos que estão em palco, e capaz de esquecer que as pessoas atrás de si têm razão em reclamar por não conseguirem ver nada (ao ponto de ameaçá-los quando eles arremessam garrafas de água à tola da moça para que ela desça), é porque esse indivíduo está irremediavelmente fadado à vida de casado.

Há também um tipo de personagem que abunda pelos concertos de qualquer tipo de música, mas que está particularmente presente nos casos em que a sonoridade é mais pesada. Falo daqueles que fazem questão de atrair sobre si a atenção de toda a gente que os rodeia, como se estivessem a competir com os artistas que estão em palco. Querem cantar mais alto, saltar mais alto, mostrar que sabem as letras de todas as músicas (mesmo que em línguas desconhecidas para o resto do mundo) e abanar a cabeça de forma a que os seus cabelos batam na cara de quem está ao lado (doentio, pouco higiénico, e faz cócegas no nariz). Essas pessoas são, em 99% dos casos, extremamente baixas, de tal forma que não conseguem ver o palco, e por isso têm de arranjar alguma coisa com que se entreter (ouvir a música não chega, para tal tinham ficado em casa – e que maravilha para todos isso teria sido, hein?).

Dica: uma das melhores maneiras de “furar” a multidão e encontrar um lugar mais próximo do palco é seguir alguém maior do que nós, e que, tendo o mesmo propósito, deixe atrás de si um trilho que nos permita avançar atrás dele. Mas atenção: corre-se o risco de essa pessoa encontrar de repente um lugar que lhe agrada, a ele e aos seus dois metros de altura, mas que nos deixa apenas com a visão das suas costas e nuca, encurralados, sem espaço para recuar ou avançar.

Agora sim, acerca do festival: o Parque Tejo, ai o Parque Tejo
Não sei quem se terá lembrado que o Parque Tejo é um bom local para realizar um festival destas dimensões. Depois do desaire de 2005, ano em que cá estiveram, por exemplo, Pixies, Lenny Kravitz e Massive Attack, e em que faltou a bebida e a comida, a organização do SBSR parece que conseguiu já o ano passado resolver a questão dos comes e bebes. Este factor não tem relação com o local, mas o mesmo não se poderá dizer da acessibilidade, que este ano bateu no fundo (e refiro-me claro está apenas ao que aconteceu no primeiro dia, uma vez que os restantes ainda não aconteceram e a minha costela de Maya não é, graças aos céus, muito pronunciada). Quando falo em acessibilidade refiro-me a sair dali. Primeiro, a saída do recinto, um pequeno arco que afunilou as mais de 35 mil pessoas que, depois da actuação dos Metallica, se dirigiam para a saída, ao ponto de obrigar à retirada de algumas das protecções circundantes para que todos pudessem sair sem aquela sensação aborrecida de estarem a ter os pulmões comprimidos ao ponto de não conseguirem respirar, sentir os cotovelos vizinhos a empurrar-lhes as costelas para dentro, e ter os pés esmagados de 5 em 5 segundos (experiência deveras agonizante para mim, devido à minha velha e fiel unha encravada que, fã de metal como é, não pôde deixar de comparecer ao concerto). Alguém, no meio da multidão que avançava a uma velocidade de 1,2cm por minuto, disse às tantas: “Fazem festivais há tantos anos e parece que ainda não aprenderam”. Logo depois pareceu-me que a mesma voz se tornou mais aguda enquanto soltava um uivo de dor, mas cedo percebi que agora era eu que gritava, depois de mais uma pisadela na unha companheira.

Depois há a questão de o Parque Tejo estar localizado numa área já pertencente ao concelho de Loures, o que leva a que não possa existir ali uma praça de táxis (isto foi-me dito por um taxista de Lisboa que não me soube responder porque é que os taxistas de Loures também ali não estavam). O que havia era meia dúzia de autocarros da CP, na proporção de um autocarro para cada 10 carrinhas da polícia e para cada 100 agentes, mais coisa menos coisa (mas não acredito estar muito longe dos números exactos). Cada bilhete de autocarro custava 3 euros, e mesmo quem tivesse o passe L123456789 teria de pagá-los. Dava direito a ida e volta, mas isso para quem não tinha ido para ali num desses autocarros fazia tanto sentido como o baixíssimo número de autocarros disponíveis. A frota, declaradamente insuficiente para dar vazão a tanta gente, confinava grandes pazadas de pessoas no mínimo espaço possível - aliás, além do possível, de tal maneira que se os autocarros tivessem escrito “Bom Petisco” na lateral poderiam facilmente confundir-se com latas de sardinha em óleo vegetal (a parte do óleo tem a ver com o compreensível estado dos cabelos do público depois de um dia de concertos).

O que uma situação destas faz ao trânsito é pará-lo, e quase todos aqueles que levaram carro para o local se arrependeram ao perceber as longas horas de engarrafamento que as esperavam, a apenas algumas horas de outros engarrafamentos que teriam eventualmente de suportar na manhã seguinte quando se dirigissem para os seus empregos, alguns com mais tempo de fila que de concerto e de sono. E convenhamos que perder horas de sono por um concerto é uma coisa, outra é perdê-las por causa de engarrafamentos. Dá-me ideia que é piorzito.

Aqueles que, como eu, optaram pela caminhada de quase uma hora até ao CC Vasco da Gama, tiveram a certeza de terem feito a escolha certa quando, já com mais meia hora de espera na praça de táxis, viram os autocarros “Bom Petisco” que tinham saído do Parque Tejo a chegarem finalmente à Gare do Oriente. Caminhar tanto significou dores nas pernas e pés (a unha encravada, raisparta), mas ter viajado num daqueles autocarros teria significado dores no corpo todo, e creio que na alma também. Talvez já tenham visto o spot televisivo do festival, em que uns zombies acabam de aterrar e estão no aeroporto a recolher as bagagens. Pois esqueçam o pormenor do aeroporto: aquele é o aspecto de quem vi sair naquela noite dos autocarros da CP.

Epílogo: Vá lá, resolvam a coisa faxavor, a unha encravada agradece
Apesar dos nomes sonantes que abrilhantam o cartaz dos próximos dias do festival, estou em crer que o dia de maior afluência foi este. É certo e sabido que os Metallica têm uma enorme e sólida base de fãs no nosso país, o que explica o facto. Talvez que na noite da actuação dos The Jesus and Mary Chain também se assista a um banho de gente; lembro-me bem da primeira edição do SBSR, em que os Jesus também tocaram – o recinto estava bastante cheio. Só que na altura o local onde o festival se realizava era tão mais agradável e acessível que não tive razões para sequer considerar uma saída antes do final do concerto, estratégia que pretendo implementar este ano caso vá assistir a mais algum dia. O que é bem provável dada a qualidade do cartaz, tão bom que torna ainda mais triste o drama das acessibilidades.