Sobre a série do Regicídio
À medida que se aproxima a data em que se assinalam os 100 anos do regicídio, e a data de estreia da série que estou a escrever com o Mário Botequilha, vão-se sucedendo as tentativas de contactos via mail, as notas em fóruns, que denunciam preocupação com a série, vontade de sugerir, opinar, intervir, quer por parte de monárquicos, quer por parte de republicanos. Convém relembrar que não é através de uma série de ficção baseada em factos reais que se procedem a revisões históricas, branqueamentos, imposições de uma versão em deterimento de outras; e tantas que há, com as quais nos deparámos nos largos meses de pesquisa, motivadas por visões e relatos mais ou menos tendenciosos, convicções políticas, morais, ou o que lhe queiram chamar. A nossa preocupação ao escrever esta série é contar uma boa história, sem tomada de partido, que não o temos. A isenção é palavra que nem sequer deve ser trazida à baila – tomamos as decisões dramatúrgicas que achamos convenientes, baseando-nos numa apreciação que tem exclusivamente a ver com a concretização daquilo a que nos propusemos a fazer desde o início. A todos aqueles que esperam ver nesta série uma confirmação desta ou daquela versão acerca do que se passou a 1 de Fevereiro de 1908, e dos acontecimentos que levaram ao regicídio, tenho apenas a dizer que não o encontrarão nesta série. As várias versões misturam-se, o muito que não se sabe, ou que é explicado através de versões contraditórias, é suposto e dramatizado tendo como base única e exclusivamente a preocupação em construir uma narrativa televisiva apelativa. Não esperem nem um elogio monárquico, nem um manifesto republicano. Muito menos uma recriação moralista.


6 comentários:
Se não serve para ser um elogio monárquico nem um manifesto republicano, para que serve então?
Caro anónimo, vou quebrar o meu princípio de não responder a quem não se identifica apenas para dizer que se não consegues entender que haja quem funcione para além da imposição desta ou daquela visão dos factos, mais a mais quando há tantas versões completamente opostas, então falamos linguagens diferentes.
a-HA! afinal o anónimo tem nome...! =p
Um momento muito mal estudado na história geral do país.
Alguns portugueses acham que o 5 de Outubro serve para comemorar o Regicídio, por isso, já acredito em tudo o que se possa ouvir, eventualmente.
Diogo.
Se o resultado for semelhante ao da série que escreveram sobre o Bocage, que estava impecável pelo argumento, pela realização, pelo desempenho, música e recriação de época, estarão todos de parabéns.
Já é tempo de sair do bacoquismo das séries e telenovelas de muito baixo nível e recorte duvidoso que as televisões insistem em nos impingir sob o argumento cretino de que dão ao povo o que o povo gosta.
Ao autor...assim deveriam ser todas as series sobre temas semelhantes....vamos esperar para ver e desejando que no fim se possa confirmar as suas intenções
Boa sorte
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