quinta-feira, maio 31, 2007

Tu queres ver que só se vive uma vez?

ou

The Strokes meet 2001: A Space Odyssey



O novíssimo video para You Only Live Once, tema dos Strokes incluído no álbum do ano passado First Impressions of Earth, realizado por Warren Fu e com estreia exclusiva no imeem.

quarta-feira, maio 30, 2007

Teatro na Invicta

O Luís Mestre, que tive o prazer de conhecer em 2004 durante a primeira edição das Urgências, falou-me que gostaria de incluir os meus textos O Lado Bom e Azul a Cores (não a versão integral, mas a mais pequena, pensada para uma peça de 20 minutos) no projecto pedagógico que está a desenvolver na escola Balleteatro, no Porto. A apresentação pública, integrada na 30.ª edição do FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, é hoje, no Maus Hábitos, às 00h00. A entrada é livre.
Tenho muita pena de não poder estar presente, até porque tenho muita curiosidade de ver qual a abordagem do Luís Mestre e dos jovens actores a estes meus textos, habituado que estou a vê-los interpretados pela Margarida Cardeal e pelo Tiago Rodrigues. Especialmente o “Azul a Cores” – não consigo dissociá-lo da Margarida e do Tiago, após não só a temporada no Teatro da Trindade e a digressão nacional, mas também da passagem da peça a filme que co-realizei e tenho estado a editar com o Bruno Canas. Novidades para breve.
Entretanto, consultem o programa do FITEI 2007 aqui e apareçam hoje à meia-noite no Maus Hábitos.

terça-feira, maio 29, 2007

Como é que eu hei-de-dizer isto? Bom, cá vai - eu gostei de Spider-Man 3!

O que não quer dizer que o ache um bom filme. Sim, é o pior dos três. O argumento tem falhas graves que o João Nunes já apontou e bem (a falsa unidade dos opostos, o excesso de coincidências). Não há nenhuma sequência de acção que chegue aos calcanhares do combate épico no metro entre o Aranha e o Dr. Octopus, no segundo filme. O final é pateta, a razão para se ter inventado a expressão "anti-clímax". Mas mesmo assim eu gostei, influenciado talvez por tê-lo visto numa sessão da uma e tal da tarde (logo na semana de estreia, e só estou a escrever sobre ele agora porque a disponibilidade mental escasseia, e este é um tema sério, que tem de ser tratado com pazadas de disponibilidade mental - o que não é o caso, mas se esperasse mais tempo também já parecia mal; e este parêntesis está a durar para sempre, não está? ok, vamos então sair dele e voltar ao que interessa), onde 99% dos lugares eram ocupados por crianças com menos de 10 anos que gritaram vivas ao aranhiço do princípio ao fim. Excepto nas partes lamechas e desnecessárias, mas já lá vou.

Nesse grupo de crianças com menos de 10 anos estou a incluir-me, é isso que as adaptações cinematográficas de comics me fazem, atiram-me para a primeira década da vida. Nem todas - basta lembrar X-Men 3, essa desilusão, e não vale a pena sequer falar de Daredevil (depois da lástima que Mark Steven Johnson fez deste último e de Elektra, a vontade que tenho de ver Ghost Rider é zero). Mas nos filmes do Aranha sinto sempre que largo à porta do cinema, se não todo, pelo menos grande parte do meu sentido crítico, e deixo-me levar pelo turbilhão (expressão bem foleirita esta, hein?, "deixo-me levar pelo turbilhão") Pelo menos esse mérito este terceiro filme também teve. Porque é de um verdadeiro turbilhão (cá está outra vez) que Homem-Aranha 3 se trata, cheio de personagens, de plot-lines, de intenções (boas). Mas sem tempo para concretizá-las, despachando cenas e sequências que mereciam muito mais desenvolvimento. Uma das coisas que tenho ouvido dizer sobre este terceiro filme do cabeça-de-teia relaciona-se com a sua duração; que é grande demais. A sensação que me ficou foi exactamente a oposta - o filme precisava de muito mais tempo para respirar e dar a devida atenção a cada um dos plots que estabelece.

Outra coisa que também tem sido bastante apregoada é o facto de praticamente todas as personagens chorarem (salva-se pouco mais que o velho e confiável durão J. Jonah Jameson que, mesmo assim - atenção quem ainda não viu, aí vem micro-spoiler - é obrigado a controlar os seus ímpetos-de-murro-na-mesa por causa da tensão). Neste ponto, o da extrema lamechice de Homem-Aranha 3, estou de acordo. Como estou, repito, em relação a quase todos os defeitos apontados ao filme. Mas mesmo assim - há que repeti-lo também - gostei. O que não é explicado no filme foi preenchido de forma automática pelos anos e anos e anos de contacto que tenho com esta mitologia. Armado desse conhecimento, suportei a tal falsa unidade dos postos, que só é falsa no filme, porque existe nos comics (o problema, claro está, é que não se pode exigir nunca ao público que tenha visto os filmes anteriores, quanto mais ter conhecimento das suas raizes BDéfilas). Suportei a tristeza de figura de Tobey Maguire quando (olhó spoiler) ele dá uma de dançarino-engatatão, com uma estoicidade só possível porque eu sabia que, ali mesmo ao virar da esquina, ia ver heróis e vilões de infância (o Homem-Areia, a anos-luz do Venom, mesmo nesta variante lamechas), aos pulos, mais CGI menos CGI, ou a excelente actuação desse mito vivo que é Bruce Campbell, presença obrigatória em todos os filmes de Sam Raimi. E também - porque não foi só o Filipe de 10 anos que assistiu ao filme, o de 32 também lá estava sentado - por causa de Bryce Dallas Howard, muito à frente, mas muito à frente mesmo (e isto apesar de aparecer muito pouco no filme) da outrora formosa e irritante, mas hoje sensaborona e irritante, Kirsten Dunst.

Acho que tem a ver com expectativas. Não ia à espera de um grande filme. Por tudo o que tinha lido, por tudo o que já sabia das personagens e das histórias que iriam ser tratadas, por se tratar de um terceiro capítulo que Sam Raimi pretendia bigger than life, mas onde teve de ceder à vontade de Avi Arad de ter Venom no filme, estava à espera de excesso, rambóia e desnorte com cheiro a compromisso. E foi o que encontrei: excesso, rambóia e desnorte com cheiro a compromisso. Sendo o que realmente me irritou (a única coisa, de facto) foi esse cheiro a compromisso. Mas, apesar disso, não fiquei com aquele gosto amargo de "catano, isto dava um filme tão pintarolas, e acabou nisto". Saí de lá contente, mesmo trazendo razões de sobra para vir zangado. Não sei explicar, como não sei explicar porque é que gostei mais do primeiro Aranha, apesar de considerar o segundo muito superior.

Grandes filmes a partir de comics espero-os de Christopher Nolan, com The Dark Knight a aproximar-se, e de Zack Snyder, com Watchmen (será desta?), que já mostrou ter unhas para tocar guitarra com essa pérola de ostra gorda que é 300. Aguardo com curiosidade o Iron Man realizado por Jon Favreau (o facto de Robert Downey Jr. ir interpretar Tony Stark é tão irónico que só pode resultar). E não espero nada de especial do regresso dos Fantastic Four, mas só pela visão de um dos meus heróis favoritos, o Surfista Prateado, encontro-me em pulguedo. Vejam lá se esta imagem do filme não passa bem por uma ilustração de Alex Ross.

Como não gostar disto? E como não salivar por um filme que traz Jessica Alba?

Nota final para os fãs hardcore de comics, que são, afinal, os únicos que talvez tenham resistido até ao final deste post - vai haver Galactus, ah pois vai.

sexta-feira, maio 25, 2007

Kissing the sun

The Young Gods são uma das minhas bandas-fetiche, verdadeiro fenómeno de culto em Portugal, como ficou provado pela recepção estrondosa que tiveram de todas as vezes que actuaram no nosso país (pelo menos aquelas em que estive presente, e foram quase todas). O primeiro contacto com a sonoridade deste trio é algo de que ninguém se poderá nunca esquecer, e isto tanto é válido hoje em dia como quando apareceram, nos idos de 1985. Afortunados todos aqueles que assistiram a uma actuação ao vivo dos Young Gods, mas também aqueles que, nunca tendo antes ouvido esta banda suíça, se vão deparar com ela agora pela primeira vez. Os Young Gods nunca primaram pelos bons videos, mas felizmente alguém se lembrou de fazer este a partir de imagens do docudrama Race To The Moon (2005), que se ajusta que nem uma luva de pelica ao tema “Kissing The Sun”, um dos mais emblemáticos do álbum Only Heaven (1995) e até mesmo de toda a carreira do trio. Esse volume no máximo, se faz favor, seja que horas forem. Os vizinhos hão-de compreender.

Depois de "Summer Breeze", de outra das minhas bandas-fetiche, Type O Negative, está a rodar na FHfm o tema dos Young Gods "Donnez Les Esprits", também do álbum Only Heaven.

Se piorar estraga

Ouçam esta música por vossa conta e risco. 90% garantido que vão passar os próximos dias a cantarolá-la, e, dependendo da situação e companhia, talvez não convenha fazê-lo com alarido. Mas de certeza que todos conhecem alguém a quem poderão dedicá-la, alguém digno de ser acordado a meio da noite por uma serenata deste calibre. Palavras libertadoras, um poema emocionado, com formulação em português do outro lado do oceano, para, como diz Cris Nicolotti na comédia Se Piorar Estraga, "retomar as rédeas da sua vida nas suas mãos". Um viral de promoção ao espectáculo com a participação, em off, de... Bob Dylan?

quarta-feira, maio 23, 2007

Wish list


Mudasti!

terça-feira, maio 22, 2007

The Dark Knight


O ND explica. E eu já comecei a fazer traços na parede, a contar os dias para que o filme chegue. Será a versão de Joker interpretada por Heath Ledger a melhor de sempre em cinema? Será esta sequela de Batman Begins superior ao primeiro filme, que já era (atenção: aí vem expressão técnica) do cacete? Querem ver que sim?

HEROES - 1.ª temporada em dvd

28 de Agosto é a data de redenção para todos aqueles que têm tido acesso a HEROES via os torrents da vida - é que, depois do bombástico season finale que foi ontem para o ar nos EUA (e um dia mais cedo no Canadá), foi hoje anunciada a edição em dvd. Sete dvds, aliás, com muito extra. O pacote inclui:

- O episódio piloto tal como o criador, Tim Kring, o tinha idealizado; 73 minutos que nunca foram exibidos e uma personagem que também nunca apareceu. Este episódio vem acompanhado de comentário áudio de Tim Kring;

- O sempre bem-vindo making of;

- Um extra sobre todos os stunts da série;

- Perfil de Tim Sale (Spiderman, Batman, Daredevil), vencedor de um Eisner Award e o verdadeiro autor das pinturas do personagem Isaac Mendez na série;

- Bastidores da criação da banda sonora com Wendy Melvin e Lisa Coleman;

- E o extra que me parece menos interessante - Matt Parkman exibe as suas habilidades telepáticas, que pretendem (sic) "revelar o herói dentro de cada um de nós, através de uma série de testes".

Ainda tenho cinco episódios para ver e vou tentar fazê-los durar, para ser mais suportável a espera, quer de HEROES: ORIGINS, quer da 2.ª temporada, quer da edição em dvd. Mas também se pode dar o caso (muito provável) de vê-los todos de seguida até a minha cabeça rebentar. Isso é que era.
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Update, 25/5 - 4h15pm: Atenção à caixa de comentários, tem para lá um spoiler que não convém nada que seja lido por quem ainda não assistiu ao final desta temporada.

segunda-feira, maio 21, 2007

Misirlou


Apenas dois esquimós e um índio surdo das profundezas da selva amazónica não conhecem ainda este tema, mas as suas origens não estão assim tão difundidas. Este video mostra Dick Dale e os seus Del-Tones a interpretar Misirlou em A Swinging Affair (1963). Para além da gloriosa visão da banda a tocar (o baixista é um prato), reparem na falta de coordenação motora do senhor que está em primeiro plano a dançar estrategicamente atrás da jovem, inépcia que aumenta de forma considerável à medida que a música avança e a jovem se recusa a trocar o bamboleio de anca pela converseta que o senhor teima em impõr (atentem no tremelique que o acomete a mais ou menos 35 segundos do final do video). Aproveitem depois para dar um salto até aqui e perceber o percurso de Misirlou, das suas raízes até esta versão de Dick Dale (leiam também a entrada na Wikipédia). A página dá a oportunidade de escutar breves trechos de outras magníficas re-interpretações, como a 50s exotica de Arthur Lyman, mas nada bate as versões cantadas do Rabi Abulafia e da Klezmer Conservatory Band. Ao que parece, a letra fala de uma mulher egípcia muçulmana - Misirlou - e do seu amor por um homem de outro credo. De fora desta antologia ficou - e ainda bem - a extremamente desnecessária versão dos Black Eyed Peas, que nem sequer é bem uma versão, é uma coisa esquisita.

domingo, maio 20, 2007

A série do Regicídio e as "medidas cautelares"

Ainda em relação ao post anterior: daria vontade de rir, a leitura destas mensagens no Fórum Monarquia Portugal, se estas não fossem mostra - pelo conteúdo e pelo tom - de uma vontade tirânica de controle. As expressões utilizadas não deixam margem para dúvidas. Vejam estas imagens (os sublinhados a vermelho são meus) e cliquem em cada uma delas para vê-las em formato maior e poderem ler o que por lá se escreve. Para lê-las no seu "habitat natural", cliquem aqui e aqui.







Meus caros, reajo muito mal a "medidas cautelares", detesto ser pressionado, não me agrada saber que estou "sob escrutínio", não admito que me "caiam em cima" (excepção aberta a Gisele Bundchen e amigas). A série não será um panfleto propagandístico delineado por quem quer que seja, é uma série de ficção baseada em factos históricos, com autoria minha e do Mário Botequilha, produzida e realizada pelo Fernando Vendrell, e exibida pela RTP. O processo de concretizá-la segue os trâmites normais, e só conhecerão o seu conteúdo no dia da estreia, como qualquer outro telespectador em relação a qualquer outra série, ao contrário das vossas intenções, e indiferentes aos vossos métodos de "pressão", quer os tornados públicos através de fóruns, quer através dos mails e outros contactos persistentes de que tenho sido alvo. Poupem-se a trabalhos e poupem-nos à vossa verborreia, que nós ainda temos muito trabalho pela frente e não podemos nem queremos ser perturbados por militâncias próximas da histeria. Pouco nos interessa, por exemplo, se Aquilino Ribeiro vai ou não para o Panteão, a nossa guerra é outra - é fazer desta série algo que prenda os telespectadores ao ecrã, e não a esta ou aquela versão. Não temos tendências, não temos consultores com tendências. O máximo que poderemos eventualmente fazer é acrescentar no final de cada episódio a legenda: "Nenhum monárquico nem nenhum republicano foi ferido durante a gravação desta série".

sexta-feira, maio 18, 2007

Sobre a série do Regicídio

À medida que se aproxima a data em que se assinalam os 100 anos do regicídio, e a data de estreia da série que estou a escrever com o Mário Botequilha, vão-se sucedendo as tentativas de contactos via mail, as notas em fóruns, que denunciam preocupação com a série, vontade de sugerir, opinar, intervir, quer por parte de monárquicos, quer por parte de republicanos. Convém relembrar que não é através de uma série de ficção baseada em factos reais que se procedem a revisões históricas, branqueamentos, imposições de uma versão em deterimento de outras; e tantas que há, com as quais nos deparámos nos largos meses de pesquisa, motivadas por visões e relatos mais ou menos tendenciosos, convicções políticas, morais, ou o que lhe queiram chamar. A nossa preocupação ao escrever esta série é contar uma boa história, sem tomada de partido, que não o temos. A isenção é palavra que nem sequer deve ser trazida à baila – tomamos as decisões dramatúrgicas que achamos convenientes, baseando-nos numa apreciação que tem exclusivamente a ver com a concretização daquilo a que nos propusemos a fazer desde o início. A todos aqueles que esperam ver nesta série uma confirmação desta ou daquela versão acerca do que se passou a 1 de Fevereiro de 1908, e dos acontecimentos que levaram ao regicídio, tenho apenas a dizer que não o encontrarão nesta série. As várias versões misturam-se, o muito que não se sabe, ou que é explicado através de versões contraditórias, é suposto e dramatizado tendo como base única e exclusivamente a preocupação em construir uma narrativa televisiva apelativa. Não esperem nem um elogio monárquico, nem um manifesto republicano. Muito menos uma recriação moralista.

quinta-feira, maio 17, 2007

Couch potatoing

HEROES: como se a garantia de uma 2.ª temporada, com novos personagens, não fosse já motivo suficiente de júbilo (e que mal tratada anda a ser a série na TVI - duas da tarde de sábado e domingo? Faz-me lembrar quando perdi o rasto à 2.ª temporada de PRISON BREAK na RTP 1), eis que o sucesso da série criada por Tim Kring leva também a NBC a apostar numa nova safra de séries onde os protagonistas são pessoas aparentemente comuns até que descobrem ter habilidades especiais (ou, como são referidas pelos versados em matérias de super-heroísmo,super-poderes). A saber, e aguardar com alto índice de salividade, uns casos mais que outros:

JOURNEYMAN, as aventuras de um repórter de São Francisco que, certo dia, e sem razão aparente, começa a viajar para a frente e para trás no tempo, escrita por Kevin Falls e realizada por Alex Graves (ambos detentores de Emmys ganhos com WEST WING). Índice de salividade: 7, e não dou mais porque depois de Hiro Nakamura - e pelo menos nesta fase - tudo o que tenha a ver com viagens no tempo cansa (a não ser que estejamos a falar dos indispensáveis clássicos literários do género, UP THE LINE de Robert Silverberg e THE TIMELINER TRILOGY de Richard C. Meredith).

Continuando nas séries:

CHUCK, a história de um geek que, ao abrir um e-mail, faz download para o seu cérebro dos mais classificados segredos governamentais. A partir daí, um agente da NSA é destacado para acompanhá-lo e usá-lo ao serviço das investigações. Assim à primeira dá ideia que tem qualquer coisa de THE INVISIBLE MAN (a versão televisiva de 2000) e de JAKE 2.0, o que não me desperta grande interesse; menos ainda quando a série é definida como uma espécie de Jason Bourne versão light comedy, e tendo em conta que um dos argumentistas é Jason Schwartz, também responsável por THE OC - série que não é a minha chávena de chá - e realizado por McG (CHARLIE'S ANGELS 1&2, e também THE OC). Mas nunca se deve negar à partida uma série que não se conhece, a não ser que tenha Luciana Abreu. Índice de salividade: 5.

A série que aguardo com mais ansiedade, e cuja estreia já está anunciada para o Outono, é BIONIC WOMAN, nova versão do clássico exibido entre 1976 e 1978. Um dos responsáveis da série, David Eick, já tem provas dadas na passagem de velhos hits televisivos do passado para os dias de hoje, ou não fosse ele também produtor executivo de BATTLESTAR GALACTICA (já que falo de BATLLESTAR GALACTICA, tristes notícias: a 4.ª temporada parece que vai ser a última.) Ela trabalha num bar, ela tem um irmã mais nova e rebelde, ela é a girl next door, mas tem mais nanocircuitos no corpo do que a família Skywalker toda junta. Vejam os clips e entrevistas que já estão disponíveis no site oficial, e percebam porque é que, para além da britânica Michelle Ryan e de Miguel Ferrer, a série oferece um impressionante indíce de salividade de 9, apesar de todo o buzz negativo que este regresso tem gerado online.

Techno wonder: Jamie Sommers, aliás, Michelle Ryan.

Para fechar o círculo, voltemos a HEROES - durante o hiato entre a 1.ª e a 2.ª temporada, a NBC vai exibir HEROES: ORIGINS, 6 episódios centrados em personagens que não os da 1.ª temporada de HEROES, de entre os quais os espectadores serão convidados a escolher aqueles que querem ver na 2.ª temporada. Índice de salividade: 8.

God's gonna cut you down

Ela aí está

PFTV, fruto de uma parceria PF/Sapo, canal onde não só podem encontrar excertos dos vários programas desenvolvidos para televisão, mas também conteúdos criados exclusivamente para net, como é o caso do Há Vida em Markl que já tem online o episódio piloto.

Gosto particularmente desta reflexão Markliana realizada pelo Carlos Monteiro, até porque se relaciona com uma característica do Markl que eu partilho, que é não ter carta de condução. Admiro a maneira como ele, mesmo estando no lugar do passageiro, ousa levar as mãos ao volante. Eu nunca me atreveria.
Apesar de integrada na Sapo Videos, a PFTV tem áreas e identidade próprias, marcadas pelos conteúdos seleccionados e também pelo design das páginas feito pela Sofia Marques (e implementado pela Sapo), designer from hell e minha esponza, que também criou a variante TV a partir do logo das PF que já existia. Na PFTV haverá também antena aberta a todos os que quiserem contribuir com os seus próprios filmes, por isso toca a uploadar esses videos e dar conteúdo a esta área onde a participação dos utilizadores é o ponto principal. Virem a PFTV do avesso e vejam tudo o que há por lá. Um dos motes deste projecto é “a expressão ‘produto final’ não existe”; este é um canal em evolução constante, e não tarda não só todos os pequenos problemas de arquivo e de links que têm vindo a ser detectados serão resolvidos, como os conteúdos disponíveis serão ainda mais. A segunda fase arranca em Setembro, mas para já o canal está no ar com a benção de Terry Jones. A área onde tenho passado mais tempo a ver videos é o Arquivo, e por lá encontrei um dos pouquíssimos sketches que escrevi para o Herman 98, junto com o João Quadros e o Nuno Markl, e que contou com a participação de Luís Represas. Ora vejam lá:

domingo, maio 13, 2007

Substituir as convenções teatrais pelo protocolo da restauração


Uma co-criação de Joaquim Horta, Cláudia Gaiolas, Tónan Quito, Raul Oliveira, Ruben Tiago e Rui Lopes.
Cliquem na imagem para conseguir ler todas as informações. E vão assistir.

Aparição


Hoje, 13 de Maio, aqui fica um fotoon que já tinha publicado no meu extinto moblog do Textamerica, ainda antes de ter começado a fazê-los no IP, acerca de outra Fátima, a de Felgueiras, que, algures em 2005, quando regressou da terra da cana-do-açúcar para se candidatar de novo à Câmara, foi recebida como se de uma santa se tratasse. Cliquem na imagem para ter a benesse que os pastorinhos de Fátima não tiveram - mas alguns abençoados de Felgueiras sim -, que é a de ver a aparição em tamanho maior.

Update, 2:41pm - alterei a morada na imagem; não fazia sentido que lá estivesse o meu endereço no Textamerica, uma vez que já não existe.

Vem aí



3.ª feira, 15 de Maio.

sábado, maio 12, 2007

Tenho a minha propaganda, tenho revisionismo
Tenho a minha violência em HD, ultra-realismo
*


* Trent Reznor - "Survivalism"
NIN - Year Zero (2007)
(tradução minha)

quinta-feira, maio 10, 2007

Mix Tape #01















Aos mais distraídos, dou o alerta: sim, a cassete que está neste post toca, é magia!
Cliquem no botão de play e apreciem.

Parece que a velha cassete áudio bateu as botas, o que me levou a usar os serviços do MyFlashFetish para ‘gravar’ aquilo que poderia ser a minha derradeira mix tape; mas não passa de ‘quase-derradeira’ porque não tinha à mão todas as músicas que queria, nem de longe nem de perto (o site dá a possibilidade de fazermos upload dos nossos próprios mp3, mas esse requinte vai ter de ficar para uma próxima ocasião). Prefiro pois encarar esta cassete como a primeira de muitas que irei aqui deixando, e às quais poderão voltar sempre que quiserem, assim a malta que os uploadou e os servidores onde estão alojadas o permitam. Nesta primeira mix tape, esquizóide como qualquer mix tape que se preze, deixo-vos com “The Heinrich Maneuver”, primeiro avanço do novo álbum dos Interpol que está para breve; A Flock of Seaguls - "I Ran"; The Meteors - "Be Bop A Lula" (está incompleta, não se encontra inteira no site; mas numa cassete isso encaixa que nem uma luva, diz-vos quem gravou muitas músicas de programas de rádio e por isso tinha várias cassetes com temas pela metade, ou quase); Klaxons - "Atlantis to Interzone"; La Bionda - "Wanna Be Your Lover"; Kruder & Dorfmeister a remixarem "Speechless" de Count Basie; Tenacious D - "Tribute"; The Tornados - "Telstar" (agradável surpresa encontrar esta disponível na lista do MyFlashFetish); The Pixies - "Where Is My Mind"; e Bebel Gilberto - "Girl From Ipanema". R.I.P. velha cassete áudio, minha peça de museu, dos nossos baús e arrecadações, vais deixar saudades de quando os leitores te enrolavam a fita, que saía de lá toda moída, e depois tinhamos de voltar a enrolá-la com cuidado usando uma caneta. Era um fartote.

Lordi, Lordi, where art thee?


O ano passado, mais ou menos por esta altura, os Lordi passavam à final do Festival da Eurovisão. Estavam lançados os alicerces para o Templo do Mal que iria ser erguido no palco grego em directo para toda a Europa, quando se deu a vitória dos grandiosos Lordi. O embate foi de tal ordem que Eládio Clímaco, este ano, nem está a apresentar (talvez não haja relação, talvez que se esteja a guardar para a final). Vale a pena recordar o acompanhamento que foi feito em directo aqui no Salvo Erro, quando uma mão-cheia de malta se juntou a mim para acompanhar a ascensão da banda finlandesa até à vitória final. Muito se falou na altura, eu inclusive, que talvez o abanão servisse para alertar os organizadores do festival de que algo precisava de mudar. Mas, passado um ano, a seca é a mesma, como dá para ver só por esta meia-final. Os Lordi só conseguiram salvar a Eurovisão um ano, o que já não foi mau. O efeito foi muito melhor para eles, que foram recebidos como heróis na Finlândia, viram ser entregue o seu nome a uma praça de Helsínquia, esse tipo de honrarias. Do festival: ouço, ao longe - que este ano o evento não oferece razões que me prendam ao ecrã - as vozes de Jorge Gabriel e Isabel Angelino falarem muito numa Sabrina, mas se não for a dos anos 80 do boys, boys, boys, não me vai fazer levantar daqui. Fiquem com o fotoon que fiz para o IP na mesma semana em que a cabeça de Eládio Clímaco explodiu (cliquem na imagem para aumentar o tamanho).

quarta-feira, maio 09, 2007

Hora H: o Blogo-dependente

O sketch do Blogo-dependente que eu e o De Pina escrevemos para este último Hora H é um bom exemplo de quando o texto se concretiza na televisão exactamente como o tinhamos imaginado, em contraponto ao seu consequente, o da reunião dos Bloggers Anónimos, que acabou por ter um desfecho diferente daquele por nós idealizado. Mas voltando ao Blogodependente: na altura em que o estávamos a escrever, pensámos que poderia ser um sketch 'arriscadinho', uma vez que parodia os bloggers, e a sua ânsia quase obsessiva de colocar online considerações acerca de tudo e mais alguma coisa. Nada contra; até, de certa forma, me incluo no pacote, assim entre o ao longe e o de raspão - comparado com bloggers do calibre de um Pacheco Pereira, por exemplo, sou um reles aprendiz da postagem em catadupa. Mas hão-de concordar que é matéria extremamente gozável. Chegámos à conclusão de que o pior que poderia acontecer era grande parte da blogosfera levar a coisa a peito e começar a dizer mal do programa. Por nós, tudo bem, eram as consequências daquilo que, para nós, à partida, nos parecia um sketch com piada. Mas depois lembrámo-nos de que grande parte da blogosfera já diz mal do Hora H, e portanto este sketch nem sequer ia mudar nada. Engraçado foi que o sketch até foi bem aceite, e acredito que muita da gente que está neste momento a ler isto se revê, salvo obviamente as devidas distâncias, no blogger compulsivo interpretado pelo César Mourão. A velha conversa de sabermos rir de nós próprios, e tal.

Curiosidade: o blog O Mundo Internacional do Planeta, estaminé que encontrei por ser um dos assinalados no YouTube como tendo postado este video, referiu aqui que, se isto fosse à americana, os blogs referidos nos sketches existiriam mesmo, e que foi uma falha grave termos deixado passar a oportunidade de criá-los para fazer com eles o que nos apetecesse. Oh meus amigos, não andamos aqui a dormir - fomos nós que criámos os blogs, ainda nem tinhamos acabado de escrever os sketches. Agora, em relação ao que fazer com eles, já é outra história. Não fazemos a mínima ideia, e, fizéssemos o que fizéssemos, nunca chegaríamos aos calcanhozes do HornyManatee.com, site que a equipa do Late Night teve de criar depois de Conan O'Brien o ter mencionado durante o programa (é que nos EUA há uma lei que diz caso um domínio web seja mencionado no ar, o canal tem de comprá-lo).
Bom, e era isto. Já desabafei, lol.
Links:
http://tu-matos.blogspot.com
http;//bloggersanonimos.blogspot.com

És a pessoa favorita de alguém?


(via Passarola)

"
This is a simple, poignant short film, shot on a budget of $150: a man with a survey stops passersby and asks them, "Are you anybody's favorite person?" What a heartbreaking question, for somebody who DOESN'T come first in somebody else's heart!" (cliquem aqui para ler o resto do descritivo desta curta no YouTube)

Curta dos Spinal Tap online

Está disponível no site do Live Earth a curta-metragem de Rob Reiner que referi aqui e que antecede aquele que será o grandioso regresso dos Spinal Tap. A curta mostra os esforços de Reiner (novamente no papel de Marty DiBergi) para reunir a mítica banda neste multi-mega-concerto das causas ambientais, enquanto vai descobrindo o que os três elementos têm feito neste longo entretanto de mais de 20 anos; uma espécie de VH1 Bands Reunited desconcertante que traz de volta e em grande forma o humor que em 1984 tomou o mundo à bruta. Brilhante todo o desfasamento e delírio típico de uma situação de 'moleirinha meltdown' apresentado por Nigel Tufnel (Christopher Guest), a encarnação 'sell out produtor de hip hop' de David St. Hubbins (Michael McKean), o trágico vício de Derek Smalls (Harry Shearer), e a parte em que expõe a sua cruzada enquanto músico de metal (não vou dizer o que é, para não estragar a surpresa, mas tem a ver com prisioneiros e interrogatórios; é tudo uma questão de air-play, como faz notar, demonstrando que a banda continua com o mesmo olho para o negócio desde a altura em que escolheu a capa para "Smell The Glove"). Vê-los novamente de guitarra em punho a ensaiar gloriosos riffs de metal old school humedece olhos, acaricia o coração e rebenta os tímpanos, como se o volume máximo tivesse, desta vez, atingido os 12. A curta-metragem está logo na página de entrada do Live Earth, mas se mudar entretanto - e para aqueles que possam dar com este post apenas nessa altura -, aqui fica o link para a área de destaque onde encontrarão ligação permanente para o filme.

terça-feira, maio 08, 2007

Edinburgh Fringe 2006 (re-posts)

Outros posts que fiquei de voltar a publicar foram os relativos à edição do Fringe, junto com as fotos tiradas por telemóvel que fui enviando de lá no ano passado para o velho moblog da Textamerica (executado a tiro sem aviso prévio). Seguem-se então os dois primeiros posts que escrevi já regressado de Edimburgo, mas ainda com memórias frescas daquele festival único que transforma a cidade por completo. Cliquem nas fotos para poderem vê-las em tamanho maior no meu Flickr, onde vou passar a alojar algumas fotos e fotoons. E depois não deixem de consultar o site do Fringe com pormenores da edição deste ano.

Pleasance Courtyard/1
Uma das clássicas 'venues' do Fringe, e a maior de todas - mais de uma dezena de salas para cerca de 180 espectáculos, na sua grande maioria de stand-up, sketch-comedy, e teatro de comédia. Uma das salas mais pequenas onde estive foi a Pleasance Courtyard Cellar, para assistir ao espectáculo MUM'S GONE AWAY, dos PLASTIC COWBOYS. 50 e poucos lugares bem apertaditos, onde tive o primeiro contacto com uma das constantes deste festival: o ar-condicionado é desconhecido por estas bandas, e o calor que se gera às vezes chega a ser insuportável, quanto mais pequena a sala for e mais cheia estiver. A maior sala onde estive, não só nesta 'venue' mas em todo o festival (se não contar com a peça MACBETH: FRANTIC READHEAD'S WALKING PLAY, que usava vários pontos da cidade como palco) foi a Pleasance Courtyard Grand, um anfiteatro de 500 e tal lugares, talvez um pouco mais, onde assisti a MARLON BRANCO'S CORSET (dos espectáculos falarei mais tarde).

Foto enviada a 17/08/06, 1:11pm
Texto publicado originalmente a 25/08/06, 3:33pm

Pleasance Courtyard/2

Os espaços mais vocacionados para a comédia, como é o caso do Pleasance e do Underbelly, são normalmente - inevitavelmente - apoiados ou patrocionados por marcas de bebidas. O nome completo do Underbelly é, aliás, Smirnoff Underbelly. No pátio, onde de vez em quando se ouve um dos porteiros das salas a gritar alto e bom som que as portas para determinado espectáculo já abriram, há gente sentada dia e noite nas muitas mesas disponíveis a beber o seu copázio, ambiente muito propício ao relax e à conversa, não fosse outro factor constante no Fringe: malta a distribuir flyers a toda a hora, a tentar convencer-nos a ir assistir a esta e àquela actuação. Muitas vezes os artistas que estão a actuar no festival andam eles próprios a distribuir panfletos e a explicar às pessoas porque é que hão-de preferir ver o espectáculo deles em vez de outro. Com tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo - e tanta coisa boa - a caça ao público não pára. Ao princípio tem a sua piada, mas ao fim de uns dias cansa. Convém no entanto ir dando ouvidos aos vendilhões: acabei por tomar conhecimento de coisas bem catitas, que me tinham naturalmente passado ao lado quando olhei para o catálogo de quase 2000 espectáculos, ou quando olhava para as paredes de grande parte de Edimburgo, às quais os milhares de pósteres promocionais acrescentam alguns centímetros todos os dias. Esta moça, cujo vislumbre é capaz de retirar toda a carga erótica à noção de seios, andava por lá também a distribuir folhetos, para um espectáculo que não me recordo qual era. De vez em quando sentava-se nas mesas, demonstrando um admirável controlo dos seus apêndices mamários por conseguir não derrubar nenhuma cerveja.

Foto enviada a 17/08/06, 2:26pm
Texto publicado originalmente a 25/08/06, 3:38pm

Não é um extreme makeover

mas sempre é uma mudança para um layout mais arejado, mais minimal, a aproveitar grande parte das funcionalidades mais recentes do Blogger. Os links regressarão mais tarde, devidamente organizados, junto com outros pequenos ajustes e experiências, à medida que for percebendo aquilo de que gosto e o que não gosto. Feedback e sugestões são, como sempre, bem-vindos.

sexta-feira, maio 04, 2007

Um plasma destes é que dava jeito cá em casa.

Galhofa Lx

Maio vai ser um mês de gargalhofame no Teatro Tivoli – é o Festival de Comédia de Lisboa, que arranca já amanhã, com actuações do meu brother Eddie Stardust, a.k.a. Eduardo Madeira, do Nilton e do Rui Unas (naquela que é a sua primeira apresentação ao vivo em registo stand-up, se não contarmos com os monólogos iniciais do saudoso Cabaret da Coxa). O festival prossegue com os Commedia a la Carte, Pedro Tochas, os Alcómicos Anónimos e Um Gajo, e, a fechar, Herman José. Não só os artistas são bons artistas, que valem só por si a aquisição ou roubo por esticão de um bilhete, como também a própria sala é um tratado no que respeita à História que resvala por cada refego, capaz de inspirar momentos únicos a cada espectáculo que por lá passa. Já tive o prazer de pisar aquele palco duas vezes, na pele de Phil Stardust, há uns bons anos atrás no Festival Rir, e outra na Gala do 1.º Aniversário d’O Inimigo Público, e sei bem a influência que aquele teatro mítico imprime em quem lá actua, despertando o melhor que os artistas têm para dar. O que não aconteceu comigo: da primeira vez que lá actuei estava sob o efeito de sedativos colocados à socapa no meu thermos de Alexander, e da segunda estava Eduardo Prado Coelho sentado entre o público, duas notórias tentativas de sabotagem que provocaram em mim forte desorientação e um quase-desmaio. Mais detalhes acerca do Festival de Comédia de Lisboa aqui.

De zero a mil, quanto é que somos, Rafael?

Ao escrevermos sketches para o Hora H, sabemos que levarão um toque, uma volta, de Herman José, o que resulta às vezes numa distância considerável (outras vezes mínima) entre o que tinhamos imaginado e o que é transposto para a televisão. Parte do nosso trabalho é esse: perceber qual a orientação que o Herman dá às personagens e às situações de semana para semana, através das re-interpretações que faz por vezes dos skecthes; quais as evoluções que os personagens sofrem ao longo da série - mercê não só do que pensamos para elas, mas também, claro está, do pensado pelo Herman - e construirmos os sketches seguintes de acordo com o resultado da sinergia entre os nossos textos e a forma como o Herman os concretiza. Este sketch do Júlio Flores, uma das personagens escritas por mim e o De Pina, resultou num momento final de estética e tom quase documental, que ilustra o drama deste cameraman com um pé fora do armário e outro dentro, e a maneira como isso afecta o seu colega e amigo, Rafael Mourato. A situação avança até ao ponto do desconforto, em que o espectador é colocado numa posição de voyeur que, às tantas, acaba por sentir-se ali a mais; é a vergonha alheia que resulta idealmente em comédia. (Estas minhas últimas frases estão mesmo a pedir que a malta que não vai à bola com o Hora H possa dizer coisas como "desconforto é a palavra, e dizer que nos sentimos ali a mais também é muito bem dito, porque o que eu faço assim que começa o Hora H é mudar de canal", por isso faço o jogo sujo de me antecipar, ciente porém de que existem coisas muito mais brutais e galhofeiras capazes de brotar das mentes avessas ao programa - e assim é que é bonito.)

quinta-feira, maio 03, 2007

Mas é que gosto mesmo da Luta, pá!

Os dois Homens da Luta já eram dos meus bonecos preferidos do "Vai Tudo Abaixo", se não os preferidos, mas o Jel e o irmão, Vasco Duarte, elevaram-os a outro patamar quando os trouxeram para o mundo real. Não podiam ter escolhido melhores contextos: o encerramento compulsivo da UnI anunciado por Mariano Gago, e a inauguração do Túnel das Amoreiras no 25 de Abril, acontecimentos de grande cobertura mediática que foi aproveitada pela VaiTudoAbaixoTV para criar dois sketches só possíveis graças à liberadde youtubiana, já que contêm imagens dos três canais de sinal aberto. É bem verdade: o Jel tem crescido, e muito, como humorista, cada vez mais constante na piada genuína, aquela que existe mesmo para além do mero atrevimento, a juntar-se à enorme lata que tem vindo a exibir desde sempre. Sou portanto adepto daquilo que José Sócrates chama, no fim deste grandioso momento, de botabaixismo. Pá.

No dia em que SPIDER-MAN 3 estreia, eis uma iguaria servida por le chef YouTube

1970, mais ano, menos ano, edição de TO TELL THE TRUTH, onde os concorrentes têm de descobrir qual é o verdadeiro Stan Lee de entre três wannabes. Quanto tempo demoram vocês a descobrir? Se são fãs de comics, vai ser imediato. E emocionante, ver o excelso quando tinha apenas cerca de 50 anos. E que viva mais 50 para além dos 84 que já conta!

Stan Lee ainda estava longe do ar de avôzinho que comove qualquer fã de comics quando, por exemplo, faz uma aparição fugaz como condutor de camioneta em HEROES, mas não há que enganar. Percebe-se até de olhos fechados: a voz está igual (sim, malta que não é fã de comics, se há autor de BD possível de ser reconhecido apenas pela voz é Stan Lee, não só pelas várias aparições em filmes e séries de TV feitas a partir ou inspiradas nos universos e personagens que criou, mas também por causa de WHO WANTS TO BE A SUPERHERO?, para dar só algumas razões). E repararam bem no cenário do programa, o lettering, as cores berrantes?, no visual dos concorrentes?, aqueles óculos, aqueles fatos, tudo fabuloso. Destaque para a concorrente de laranja, Peggy; só o facto de ter posto os óculos escuros no final já é de categoria, e a maneira de falar leva às lágrimas. As estranhas modulações que a voz da moça assume quando diz “in a very big popular movie” e “Captain America”só eram possíveis nesta época, em que o tabaco era para ser fumado, e não para ser objecto de leis aprovadas em Conselho de Ministros.

terça-feira, maio 01, 2007

Há tanto tempo que o gajo não posta nada... Queres ver que foi de fim-de-semana prolongado, o sacripanta?

Quem me dera, mas na verdade o que acontece é que eu e o Mário Botequilha temos estado fechados a trabalhar no Regicídio, umas vezes juntos em frente ao computador, outras através do Messenger, enquanto somos alimentados por via intravenosa para não perdermos tempo a alimentarmo-nos. Em breve vou falar aqui mais detalhadamente do processo de concepção e escrita desta série, mas, enquanto não o faço, vou voltar a a publicar alguns dos posts que tinha escrito no meu extinto blog da Textamerica a propósito de Bocage. É que, apesar de a até agora intitulada Os Dias do Regicídio ser uma série estrutural e narrativamente bastante mais complexa, e mais ambiciosa do ponto de vista de produção, tem muitos pontos em comum com Bocage no que respeita à abordagem que fizemos e fazemos de um dado momento da História.

À medida que fomos passando da fase da pesquisa para a construção dos argumentos dos 6 episódios que constituem esta série, o tempo necessário para dedicar a um projecto desta envergadura foi aumentando, pelo que me vi obrigado a fazer 'stop' ou pelo menos um 'pause' no meu fotoon quinzenal n'O Inimigo Público. Deram-me um gozo brutal, estas 80 semanas, que se traduziram em 40 fotoons publicados no IP, depois de, em 2005, o Luís Pedro Nunes ter visto aqueles que eu tinha feito no meu desaparecido blog da Textamerica (também vou republicá-los aqui), e ter achado que era um óptimo formato para aplicar no meu regresso ao Inimigo, depois das várias notícias que lá tinha escrito de quando em vez, e da página que o Contra Informação lá teve nos primeiros tempos (que eu escrevia junto com o Rui Cardoso Martins e o José de Pina). Mas se os fotoons me davam gozo, também me consumiam largas horas a concretizá-los do ponto de vista técnico, por isso, e tendo em conta não só o Regicídio mas também as 6897576 coisas que tenho para fazer, e que exigem por agora bastante mais atenção da minha parte, tive, com muita pena, de optar. Continuarei a fazer fotoons aqui no Salvo Erro, mas numa de lazer, ao meu ritmo, sem a obrigatoriedade de ter um pronto de quinze em quinze dias - aparecerão quando aparecerem. Entretanto, fiquem aqui com o último (pelo menos por agora), publicado no dia 20 de Abril (cliquem na imagem para aumentar o tamanho).



Já que estou com a mão na massa, vou aproveitar para falar de Quinze, um projecto experimental de televisão concebido para telemóvel pelas Produções Fictícias e pelos Daltonic Brothers (os mesmos responsáveis pela realização do teaser do Melancómico do Nuno Costa Santos). Quinze é um magazine de dicas culturais escrito pela Patrícia Muller e apresentado pela Sónia Balacó, e, se perderam a estreia na RTP Mobile na sexta-feira passada, dêem um pulo aqui onde os conteúdos são disponibilizados via YouTube, com o bónus de, tal como em The 9, terem disponíveis links onde podem obter informação complementar dos assuntos tratados no programa. Um mimo. E apenas o primero passo do que se prepara nas PF fora do campo televisivo... mas, ainda assim, dentro do campo televisivo. Confusos? É esperar mais um pouco, as novidades não tardam.



E agora, para fechar com chave de ouro este post multi-tópico, um lembrete: não esquecer hoje, às 23h00, a estreia de Boa-noite, Alvim, o regresso do Capitão aos ecrãs da SIC Radical, muito bem acompanhado pelo João Quadros, o Nuno Costa Santos, o Nuno Gervásio, e o Pedro Santo. A não perder.