sábado, março 03, 2007

Elevado grau de catitidade: «Adventures of Captain Marvel» (1941).

Dêem uma olhada a esta espécie de trailer da série ADVENTURES OF CAPTAIN MARVEL, de 1941, no tempo longínquo em que tudo o que estava relacionado com o herói não tinha forçosamente de ter como título o nome do feiticeiro que lhe concedeu os poderes, Shazam! O trailer em questão foi montado por um fã, que usou músicas de filmes como BATMAN (tema de Danny Elfman) e SUPERMAN (tema de John Williams). Impressionantes as cenas de voo, e a semelhança do actor Tom Tyler com o herói tal como era desenhado por C.C. Beck (co-criador, com Bill Parker).

O mais engraçado é ver que, nesta altura, era aceitável que um super-herói de uma série infanto-juvenil atirasse os vilões precipício abaixo, os abatesse a rajadas de metralhadora, e lhes arrancasse confissões à base da estalada. Já ouvi falar de um episódio da série ADVENTURES OF SUPERMAN, de 1952, interpretada por George Reeves, em que o Homem de Aço, para evitar que certo individuo revelasse a sua identidade secreta (descoberta por acidente), o pendurava num galho de árvore no meio de um precipício e aí o deixava para morrer. Foram os primeiros passos no grim ‘n' gritty que cada vez mais abunda nos comics americanos, passos de uma ingenuidade tremenda quando compradas com a evidente falta de gosto quer de alguns autores, quer das próprias editoras, ao permitirem que personagens icónicas sejam tratadas de maneira como fez, por exemplo, Kaare Andrews ao Homem-Aranha, na série de comics REIGN. Sabiam que nesta série o Homem-Aranha mata a mulher Mary Jane com… não, não consigo dizer, é melhor lerem vocês mesmos; neste post, Graeme McMillan fala de diversos títulos, entre eles o terceiro número de REIGN, que seja ele a dar-vos a notícia, caso ainda não saibam.

Felizmente que existem autores não só geniais mas também obcecados com a Silver Age, como Grant Morrisson, e é possível encontrar títulos como ALL-STAR SUPERMAN (estou muito curioso para ler também SHAZAM!: THE MONSTER SOCIETY OF EVIL, de Jeff Smith). A propósito de super-heróis assassinos, apreciem este post de um dos melhores blogs de todo o Sistema Solar, o Dial B for Blog. E uma coisa são estas delicadas pétalas de violência Golden Age, outra completamente diferente é a maneira como o Aranhiço mata a mulher, com... raios, não consigo mesmo dizer, sigam o link. Mas antes regozijem-se com este trailer de elevado grau de catitidade.

21 comentários:

karma disse...

Ena, este é um dos meus superheróis favoritos!

#andRé disse...

análise a "yours truly,angry mob"em:

http://jornalficticias.blogspot.com/


visitem!

Rui disse...

acho que aqui à tempos o Kevin Smith defendeu que se devia "matar" os grandes icones da bd (conversa noutro contexto), e não sei se não é boa ideia!! :)

João Moura disse...

Muito bom!

Egas disse...

Embora fã dos Comics Cd e Marvel não posso deixar de admitir que a coisa tem vindo a ficar pior de ano para ano.

Quanto a mim, a cada vez maior americanização dos super-heróis (que antes só eram politizados no combate aos "comunas"!) aliada a crescente sede por lucros da marvel não tem mostrado grandes resultados. Isto apesar dos filmes que vão saindo acabarem sempre por ser um regalo em efeitos especiais para os olhos. Mas a história... julgo que deixa muito a desejar!

Felizmente ainda vão aparecendo tipos como o Frank Miller, capazes de nos deixar num estado de jubilo.

Talvez por isso me tenho virado mais para manga nos últimos tempos... Claro que nos comics manga também se encontram verdadeiras aberrações, mas para o mal ou para o bem os gajos têm o têm o condão de ir mais além, quer nos temas abordados, quer na construção gráfica.

Que pensas Filipe?

biodesagradaveis disse...

Pá Filipe, nunca disse que o HORA H era mau, mas hoje estava de facto muito bom. Parabéns.

APC

João Moura disse...

Passem pelo meu blog, "Desintoxicação Alimentar", e digam de vossa justiça! Ainda está no início.

http://desintoxicacaoalimentar.blogspot.com

SR disse...

Espera aí! O Spiderman matou-a com...com... Com a cena que estava cheia de... Oh pá, YUCK!

Sir Bedevere disse...

Pergunta noob do dia: o que significa ao certo grim 'n' gritty?

Anónimo disse...

http://ocaricas.blogspot.com/

Filipe disse...

Egas: concordo parcialmente contigo, mas em relação à história e aos argumentos das adaptações de super-heróis ao cinema, não sei, hesito... maus exemplos: o Daredevil, o X-Men III. Bons exemplos: os X-Men e X-Men 2, Superman Returns, e ambos os Aranhas. 300, realizado por Zack Snyder a partir de uma graphic novel de Miller, e Sin City (de Miller e Rodriguez) são também bosn exemplos, mas quando chegamos às BDs, bom, a verdade é que há algum tempo que o Frank Miller não faz nada de verdadeiramente impressionante, do calibre de um Ronin, um Dark Night (o primeiro!), ou Sin City. A grande diferença é que no Japão os heróis pertencem de facto aos autores, enquanto que nos EUA (e refiro-me em particular à Marvel e à DC) pertencem às editoras. É muito mais triste (à falta de melhor palavra) ver um ícone de BD decaír por falta de noção da editora, que encomenda certo tipo de história a um autor, ou lhe dá carta branca sem perceber que aquele autor tem para aquela personagem uma abordagem que não faz sentido, do que ver isso acontecer em virtude do trabalho do autor/criador. Acima de tudo, tem a ver com o meio. A DC, pro exemplo, tem a linha Vertigo para temáticas mais pesadas, para um público mais velho. É um tiro no pé editorial levar esse tipo de ambiente mais negro e explicitamente violento a publicações que abarcam um público juvenil. E isso nem sequer é o mais grave - se fosse só isso, eu nem barafustava. O grande problema é que estamos (no caso do Reign) a falar de um negro e explicitamente violento de mau gosto, fraquinho.

Sir Bedevere: Grim 'n' gritty serve para designar isso mesmo: temáticas mais negras, como o suicídio, canibalismo, tortura, conteúdos mais explicitamente violentos. Um exemplo (em mutissimo bom; genial mesmo) disso é o já citado Dark Night, ou The Ultimates de Mark Millar. E essa obra-priam que é THE WATCHMEN, de Alan Moore.

Se quiserem dêem uma vista de olhos a este post onde divaguei sobre este assunto, entre outros (vão logo para o meio do post, que é dos grandes:
http://fhf.blogspot.com/2006/05/um-pssaro-um-avio-no-um-post-sobre.html

jvl disse...

Realmente a "explicação" para a morte de Mary Jane nunca deveria ter sido aprovada.

Como é possível que o principal ícone da Marvel seja associado, seja em que história, timeline, universo for, a algo tão idiota e ofensivo? Se o conceito de Reign é atraente, apesar de não ser original, já a "arma mortal" não. Eu dispensava a originalidade em relação à arma do crime.

Quanto aos The Ultimates:

Gosto do conceito apesar de não ser um verdadeiro fã da linha Ultimate. Leio e fico-me por aí.
Tirando Ult Hulk vs Ult Wolverine que chegou ao 2º número e depois parou, e a invasão dos EUA pelos "Aliados do Leste", o resto...

Quanto a Watchmen parece incrível mas ainda não li. O que vale é que finalmente consegui arranjar. :)

JoaoMealha disse...

Aquela capa não parece dar jeito nenhum.
Já agora como bom exemplo em termos de adaptação de heróis ao cinema quero referir o "Hulk" que foi na minha opinião injustamente criticado por muitos.É para mim o melhor filme baseado num super herói da BD desde os "Batmans" de Tim Burton.

Filipe disse...

Mealha, em relação ao Hulk de Ang Lee assino por baixo (e a Jennifer Connelly, hã, hã?). E já que falaste em Batman, deixa-me acrescentar o Batman Begins de Christopher Nolan que, tirando uma coisinha ou outra, também me agradou bastante. E os de Tim Burton, claro está, embora ache os filmes mais "filmes do Tim Burton" do que "filmes do Batman", se é que me faço entender. Não que haja algum problema nisso.

jvl: quanto aos The Ultimates - eu também não sou grande fã da linha em si, refiria-me apenas ao título The Ultimates (no fundo, os Avengers).

E já que neste post se fala em Shazam!, não esquecer o filme que Peter Segal prepara para 2008, logo a seguir à passagem de GET SMART ao cinema, com Steve Carell, Alan Arkin e (soube-se agora) o parceiro de Sacha Baron Cohen em Borat, Ken Davitian.

Filipe disse...

Ah e jvl, só mais uma coisinha: não podes continuar a locomover-te, comer, beber, ou mesmo respirar sem antes ler Watchmen! Fecha-te a devorar isso, homem!

JoaoMealha disse...

A Jennifer Connely dá sempre um brilho extra a todos os filmes em que entra.Ela é uma das minhas deusas do celulóide de eleição desde que vi o "Requiem For a Dream".
O "Batman Begins" desiludiu-me.Adorei todos os filmes do Christopher Nolan e como tal estava extremamente ansioso para ver a sua versão do Cavaleiro das Trevas ainda para mais com aquele elenco de luxo mas o resultado foi inferior à soma das partes.Expectativas demasiado elevadas I guess.
Quanto aos "Batmans" do Tim Burton compreendo e concordo perfeitamente com o que disseste.Mas aí está um caso em que embora o Realizador tenha subvertido a obra às suas necessidades cinematográficas não baixou a qualidade da coisa.E sinceramente até a melhorou nalguns casos.Principalmente no segundo filme em que o Penguin e sobretudo a CatWoman se tornaram personagens maiores do que alguma vez foram na BD(na minha opinião).

JoaoMealha disse...

Ah é verdade.Não tinha chegado a ler o teu post acerca do SuperHomem pois estava de férias na altura.
És um tipo extremamente catitolas Filipe.
Belo post!

"The Authority" kicks ass!Mas ainda mais ass kicka a série "Planetary"!Já a leste Filipe?Altamente aconselhável.

O filme do Bryan Singer deixou-me de lágrimas nos olhos(de felicidade) até ao final da sequência do avião mas depois com a fasquia tão elevada não me parece que se tenha aguentado bem até ao final.Sensação quase idêntica me deu o "Hitchiker's Guide to the galaxy".Primeiros 20 minutos magníficos mas depois aquilo descamba.

jvl disse...

Eu compreendi o ponto apenas dei a minha opinião acerca do título em si que não me cativa por ai além.

Quanto aos Watchmen irei fazê-lo e depois dou notícias. Aviso desde já que terei que me mexer até casa mas que a partir desse momento não me mexo, como ou bebo até acabar a leitura da obra.

Jennifer Connely ... ia dizer qualquer coisa mas esqueci-me... ;)

Egas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Egas disse...

Ok Filipe tens razao: existem boas adaptaçoes de BDs para cinema, nem que nao seja por terem a condao de encher o olho.

Por exemplo, concordo plenamente com o Mealha na questao do Hulk, que nao seguindo à letra o nascimento de The Hulk consegue numa versao moderna (e ate certo ponto credivel!) encontrar uma explicaçao bem mais interessante! Claro, tem a Jennifer mas também tem o Nick Nolte e o Eric Bana em grande destaque. Julgo ser um excelente filme e uma adaptaçao muito bem conseguida.

Também concordo contigo na questao do X-Men 1 e 2. Estao magnificos! E embora considere o 3 inferior nao posso deixar de me regozijar com a transformaçao da Jean em Phoenix. Aqueles efeitos especiais estao de mais, excepto a parte final em que toda a roupa de wolverine é desintegrada excepto as calças. Nao que eu quisesse ver rabo do Hugh Jackman. Simplesmente achei incongruente! E ja para nao falar do prazer que é ver a Famke Janssen interpretar a minha personagem favorita de X-Men.

Mas nao haja duvida que sao varias as falhas gravissimas. Exemplos: Juggernaut, o focus em personagens menores quando outras do calibre de Gambit nem seauer aparecem. Mas o pior mesmo é a forma apressada como tentam acabar com a historia. Do genero, vamos la a "despachar isto que tenho o taxi à espera".

O SuperMan returns também esta catita, sem duvida. Tal como Sin city (obviamente!), apesar de eu nao incluir Sin City propriamente no mesmo cesto que os herois marvel... é simplesmente de um outro mundo!

E depois, como nao poderia deixar de ser, temos autenticas "merdas" como DareDevil, Elektra, alguns Batman. "Coisas da vida", diriam uns. Eu prefiro dizer que mais valia terem ficado quietos...

Egas disse...

Filipe esqueci-me do Constantine que também está muito interessante...