sábado, fevereiro 10, 2007

Cada ovni que vejo pendurado por um fio dá-me anos de vida


Que bem soube rever o interior daqueles ovnis decorados com mesas de madeira e cortinas que só são o interior de ovnis porque nos é dito, de outra maneira podiam muito bem passar por cenários manhosos de uma produção sem um tusto. Espera, mas são mesmo cenários manhosos de uma produção sem um tusto, levada a cabo pela vontade indomável de um homem teimoso demais para deixar de tentar fazer cinema, e que todos os deuses do Olimpo abençoem Ed Wood Jr. por isso. Os cemitérios com cruzes de madeira que tombam ao chão quando alguém passa demasiado perto, porque estão, como as campas, assentes em tapetes no chão de um estúdio. Um hino às - já em 1959 - velhas glórias do horror. Vampira, e a cintura de vespa mais de vespa do universo. As últimas imagens do brilhante Bela Lugosi em filme. Criswell e as suas visões do futuro, não precisa deitar-se no caixão para impressionar. A história por trás do plano extraterrestre para tornar os mortos humanos em soldados, narrada pela retorcida e ingénua perspectiva moral edwoodiana - não tão complexa como a demonstrada em Glen or Glenda - e gostosamente mal-amanhada. Já não sei quantas vezes vi este filme, e continua sempre a surpreender-me com o nível alcançado na escala de 'tão mau que é bom'.

2 comentários:

Hugo disse...

A introdução do Criswell fascina-me. Devia ser ele a anunciar os resultados do referendo...

Filipe disse...

Bela ideia, seria perfeito!