quarta-feira, fevereiro 14, 2007

A propósito de alguns comentários e mails que recebi a propósito do HORA H


Talvez não tenha sido claro acerca do HORA H. Quando refiro "primeiro tijolo" não o faço como forma de dizer "para primeiro não foi mau". Não. A minha opinião vale o que vale, e, sendo um dos autores, será sempre suspeita, mas o que quis dizer é que gostei. Seja um primeiro, seja um quinto episódio. Claro que se fosse um quinto estaria preocupado, uma vez que este episódio tem alguns dos problemas que são inerentes a qualquer primeiro episódio, mas que dificilmente seriam justicáveis num quinto. Vou dar o exemplo, com as devidas distâncias, do HEROES.

O primeiro episódio de HEROES nem de longe nem de perto me encheu as medidas (e isto apesar de tratar de um universo que me diz muito, ou talvez por isso), mas deu para perceber que estavam ali as fundações de algo com enorme potencial, o que se veio a confirmar. Para dar outro exemplo, e a nível de comédia, LITTLE BRITAIN (e, volto a referir, com as devidas distâncias - não estou para que venham depois dizer "olha-me este a pôr-se em bicos de pés e a pôr o trabalho dele ao nível dos Little”; embora, devo também dizê-lo, ache o Herman José pelo menos tão bom quanto David Walliams e sem dúvida melhor que Matt Lucas). A primeira vez que vi não bateu. Depois entranhou-se. E hoje em dia ao rever o primeiro episódio de LITTLE BRITAIN dou por mim a rir como não ri quando o vi pela primeira vez. Porque funciona numa lógica de habituação. É nesse sentido que falei em "primeiro tijolo", referindo-me ao primeiro do HORA H. Foi um episódio de primeiro contacto com personagens e com situações.

O que aconteceu não foi muito diferente das primeira reacções que tivemos à HERMAN ENCICLOPÉDIA, garanto, eu também fazia parte da equipa de autores e lembro-me bem. A net apenas veio apressar e exponenciar o velho boca-a-boca, que agora se faz via mail, blogs, iunouanaimine. E acredito que haja um certo desgaste por o Herman ter estado tanto tempo a fazer o HermanSIC, levando a que muita gente já estivesse, à partida, indisponível para gostar do programa.

Se estou a escrever isto não é, de forma alguma, para justificar o HORA H. Não me cabe a mim, nem como autor - muito menos como autor – fazê-lo, nem de forma alguma acho que precise. Quero apenas manifestar a minha opinião acerca do programa, que também a tenho, não só como autor – porque a opinião dos autores não tem forçosamente de ser a da maioria do público -, mas também como telespectador que sou. É nesta lógica que todos nós, equipa do HORA H, trabalhamos: tentar fazer conteúdos que gostássemos de ver na televisão, e esperar com eles conquistar o público. Não é uma lógica arrogante, de escrever para o umbigo; antes pelo contrário – é uma tentativa de cativar a audiência sem ceder a facilitismos, fórmulas com provas dadas, ou conteúdos adaptados.

Em relação ao horário a que o programa passa, e respondendo agora em particular ao comentário que me foi simpaticamente deixado neste post pelo aquehoras (e digo simpaticamente sem ironias): não tive, nem tenho, nem eu nem nenhum dos autores, nenhuma palavra a dizer acerca das horas de exibição do programa. É uma decisão da estação. Mandasse eu nas horas de exibição dos programas que escrevo, e nunca a PARAÍSO FILMES teria andado a saltitar na grelha de programas, de um dia para o outro e de umas horas paras as outras, nem nunca O INIMIGO PÚBLICO teria sido exibido depois da meia-noite, nem nunca BOCAGE teria passado depois das onze e meia da noite. Tanto quanto julgo saber, a decisão das dez e meia já estava tomada antes da exibição do primeiro episódio, e também posso dizer que as audiências não foram assim tão más como isso, antes pelo contrário (e a propósito de audiências, recordo que nem HERMAN ENCICLOPÉDIA, nem PARAÍSO FILMES, por exemplo, tiveram grandes audiências). Aliás, se formos a ver, o primeiro episódio do HORA H passou a um sábado, sim, por causa do referendo, mas já às dez e meia. O horário ou o dia a que passa qualquer programa que escreva preocupa-me apenas em função da regularidade, ou seja, se é para mudar de horário, sejam feitas promoções a avisar da mudança de horário. Em relação à competição com o GATO FEDORENTO, remeto novamente para este post do Markl. Gostei muito (sem ironias) do que o aquehoras escreveu a propósito do conceito de double feature (assistir aos Gatos e depois ao Herman):

“(…) a SIC aposta num programa de humor ao Domingo à noite sim senhor, mas não é para fazer concorrencia aos Gato Fedorento na RTP 1 pá, antes complementa toda uma hilariante programação de comédia pelos dois canais... aliás, até vão jantar juntas, RTP e SIC, um dia destes, para anunciar a nova, bem natural e duradoura amizade...”

Muito bem posto, eu não o diria com mais piada. Mas reafirmo que não faço ideia, nem eu nem nenhum dos autores, da lógica de quem decide a programação. Posso, isso sim, dizer que não vejo razões para que o episódio de sábado tenha de forma alguma influenciado qualquer decisão deste tipo, por parte de seja quem for. E discordo quando dizes “O programa não foi bom e ponto final.” Há opiniões positivas, bastantes, e aí o ponto final vai à vida. Respeito a tua opinião, e a de todos os que não as resumem a sentenças inócuas e gratuitas, mas convenhamos que não é generalizada. Maioritária? Talvez, não sei, mas a intenção é conquistar mais críticas positivas. Que diabos, a intenção é fazer rir. Tenho sempre muita cautela com este tipo de converseta, porque dá sempre ideia que um gajo está, de alguma forma, a tentar defender o seu trabalho. Nada disso. O que se passa é que se para o público dá um gozo do caraças ter logo ali à mão de semear uma chance de passar feedback do que vê, para um autor também é do catanélio receber directamente do público as suas opiniões e poder falar abertamente acerca do seu processo de trabalho, do bom e do mau que esse processo envolve. E como tudo isto é relativamente recente, andamos todos muito entusiasmados a opinar, a responder, envolvidos em discussões salutares que se tornarão cada vez mais usuais, mas talvez não tão “quentes”, no sentido em que por vezes há quem faça disto uma guerra. O que me dá um certo gozo: gosto – já aqui o disse – de conteúdos que não geram unanimidade, mas que despertam paixões antagónicas. Coisa para andar tudo à “porrada”, eu gosto, eu odeio, eu também, vamos fazer um clube.

Posto isto, resta-me agradecer pelo feedback, todo, o bom e o mau (obrigado também ao aquehoras, que apesar de não ter gostado põe a hipótese de que venha a ser um bom programa, e nos desejou bom trabalho; um abraço, meu caro), e esperar que esse feedback continue a vir. Isto assim tem - e apesar de termos de levar com muita cromaria - muito mais piada do que quando se demorava mais tempo a perceber a reacção das pessoas, acreditem.

4 comentários:

Menphis_Child disse...

Por mim, domingo estarei na minha cozinha fria a ver o Herman, porque não o posso ver na sala.

mas...e que tal pores aqui postado aquilo daquele estúpidola que fizeste ontem um sketch..um tal de António Oliveira

aquehoras disse...

Caro Filipe, antes de mais - e apesar de não ter sido motivado apenas pelo meu comentário - não posso deixar de salientar o quão me sinto lisonjeado pelo tamanho do post (que é como quem diz: a atenção que deste à questão). Obrigado.

Agradeço também a explicação no que toca à história do “tijolo”, e confesso reconhecer infelicidade na frase: “O programa não foi bom e ponto final”…

Resta-me reforçar a ideia de que espero do Hora H um grande programa, que estou convicto de que o será, e que fico feliz por não ter que tomar uma decisão difícil (ou fazer zapping compulsivo) no domingo à noite.

Continuação de bom trabalho.

Um abraço.

Veloso disse...

O teu blog é muito fixe.Gostei de ver o Hora H,tem uma ingredientes para ser um programa com muito sucesso.Visita o meu blog,e se quiseres comenta...http://veloso.nireblog.com.Fika

Anónimo disse...

A PRIMEIRA VEZ QUE VI O LITTLE BRITAIN BATEU LOGO,BASTARAM POUCOS MINUTOS. A PRIMEIRA VEZ QUE VI O SEINFELD- CONSEGUI DISTINGUI-LO A OLHO NU POUSADO NUM MONTE DE LIXO NA TVI, (NOTÁVEL) -TAMBÉM BATEU LOGO. A PRIMEIRA VEZ QUE VI O HORA H ... ENFIM.